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25 de jul. de 2013

Entrevista: Tammy Luciano fala sobre sua nova obra "Claro que te amo" e muito mais

Hoje, no dia do escritor, o Mundo de Fantas traz uma entrevista massa com a Tammy Luciano, autora foufa, extremamente acessível, que tem medo de avião, ama todas as cores e gosta de sorrir! Ela fala sobre livros, eventos, e, óbvio, sobre sua nova obra Claro que te amo (Novo Conceito, 320 páginas), que será lançada dia 23 de agosto - pouco depois de seu aniversário, no dia 20! Acompanhem a entrevista:

Mundo de Fantas: Tammy, parabéns pelo lançamento, parece ser um livro encantador! E obrigada pela entrevista, os leitores do Mundo de Fantas com certeza vão adorar conhecer um pouco mais sobre você.
Tammy Luciano: Eu fico feliz de poder conversar com vocês. Desde já, obrigada pelo convite.

MdF: Você lançará em breve o romance Claro que te amo se encaixa no gênero Chik Lit?
TL: Eu sou a pior pessoa do mundo para definir minha literatura. Não escrevo muito engraçado, mas em Claro Que Te Amo tem uma personagem cômica que acho que os leitores vão adorá-la. Certamente é um livro romântico, mas a maioria me considera escritora de chick lit. Eu não tenho nada contra, acho bacana livros nesse segmento e amo ler comédias românticas.

MdF: Seu interesse pelos livros começou cedo?
TL: Nossa, desde muito novinha, meus pais sempre compraram livros e incentivaram a leitura em casa. Na infância eu brincava de escolinha, acho que de alguma forma me influenciou muito. Eu vivia com minhas amigas rodeadas de livros!

MdF: Quando você percebeu que queria ser contadora de histórias?
TL: Acho que quando vi era tarde para me arrepender ou voltar atrás. Foi tudo muito natural. Na adolescência comecei a escrever em agendas, minhas anotações viraram poemas. Aos poucos passei a escrever peças de teatro, crônicas... Uma das crônicas me fez receber o convite para escrever o meu primeiro livro, Fernanda Vogel na Passarela da Vida! Quando o primeiro livro saiu, percebi que queria isso para a vida toda!

MdF: Ao escrever, muitos autores têm manias, você tem alguma?
TL: Gosto de escrever de madrugada e de preferência no meu apartamento. Também gosto de ouvir música e estar sozinha, mas tem horas que a gente escreve em qualquer lugar, rodeada de gente e com barulho de aeroporto. Depois que me tornei escritora profissional nem sempre consigo escrever onde quero. Eu tenho mania de reler meu livro em voz alta, me ajuda muito a avaliar se o livro está redondo para o leitor. 

MdF: Claro que te amo é seu segundo livro pela Editora Novo Conceito, certo? Qual a dificuldade você encontrou para publicar e/ou apresentar seu trabalho aos editores e leitores?
TL: Eu tenho uma história diferente da maioria dos autores, porque também sou atriz e tinha um trabalho direcionado para escrita teatral, trabalho atuando e nunca pensei em ter livros em livraria. Quando recebi o convite para o meu primeiro livro em 2002, não imaginei que minha vida seria transformada naquele momento, mas acabou dando certo e mudando minha caminhada. Depois de três livros por editoras de porte médio, muita gente dizia que eu não conseguiria a Novo Conceito, mas eu sempre fui de acreditar nos meus sonhos e acabou dando certo. Meu primeiro contato com a editora foi em 2010 e um ano depois eu já estava autografando Garota Replay no estande da Novo Conceito. Por isso sempre digo para os autores iniciantes: trabalhem, escrevam um lindo livro e acreditem. 

Sobre os leitores, as redes sociais foram fundamentais e os blogs literários me ajudaram muito até que eu começasse a participar mais de programas de TV e dar entrevistas em jornais. 

MdF: O que você pensa sobre a estatística que diz que o brasileiro lê em média 1 livro por ano? Falta incentivo para que o Brasil se torne um país de leitores?
TL: Acho que hoje temos dois grupos bem separados. Quem anda lendo muito e quem não gosta de ler. Tenho batalho para que ainda mais gente leia no nosso país e acredito que as novas gerações estão lendo mais. Nós escritores recebemos poucas ajudas de governos e a maioria dos autores cria seus próprios projetos sem apoio de ninguém.

Algumas empresas, infelizmente, preferem apoiar Big Brothers do que autores. Nada contra quem participa de reality, mas os escritores poderiam receber mais apoio dentro da própria classe artística.

MdF: Os leitores de livros juvenis são realmente um público fiel, que acompanha seu autor favorito, vai a palestras e eventos?
TL: Com certeza! Jamais imaginei leitores curiosos com minha vida particular, curtindo fotos minhas. Tenho tido ótimas surpresas com os leitores jovens, são demais, super carinhosos, presentes, interessados. Outro dia dei entrevista para o Sem Censura e disse que estava completamente apaixonada pelo público jovem.

O bacana do leitor jovem é que ele além de ler o livro, quer saber mais do autor, vai nos eventos...

MdF: Qual a importância e retorno que você sente sobre os eventos literários?
TL: Eu adoro estar perto dos leitores. Faço eventos por isso. Um autor pode aumentar as vendas dos livros só com internet, mas eu amo estar nos eventos porque acima das vendas, está a importância do meu relacionamento com os leitores. Gosto de pensar que estou fazendo bem para as pessoas que curtem meu trabalho. Amo tirar fotos, autografar e conversar.
 
Quem é leitor e já esteve comigo em alguma Bienal, por exemplo, sabe como eu amo conversar e manter contato com quem acompanha o meu trabalho.

É demais escutar de um leitor que ele adorou o livro, que está sendo um sonho conhecer você. Também é um sonho para mim estar ali, poder agradecer...

MdF: Qual o tipo de leitura você gosta?
TL: Adoro literatura feminina, que alguns chamam de mulherzinha. Amo personagens femininas, histórias de amor, personagens masculinos especiais... Aliás, eu gosto de escrever o que eu gostaria de ler. Os livros que publico são aqueles com as histórias que eu adoraria comprar em uma livraria. Para minha felicidade, muita gente também curte e eu tenho vários leitores garotos que dizem que também gostam de história de amor e as reflexões que eu trago em cada livro.

MdF: Qual mundo fantástico você gostaria de viver?
TL: Eu adoraria poder visitar o mundo dos anjos, fadas... Acho os anjos extremamente simbólicos e marcantes. Mas não sei se gostaria de viver. Eu amo ser do mundo real. E adoro essa possibilidade que eu tenho de viajar dentro de mim e contar histórias que não existem e são ficção. É uma enorme felicidade ser escritora. Agradeço todos os dias trabalhar com teatro, livros...
 

MdF: Nós adoramos dicas de livros, então deixe algumas para os leitores do Mundo de Fantas.
TL: Indico Simplesmente Ana, da Marina Carvalho e Sob A Luz dos Seus Olhos, da Christine M. São duas escritoras amigas que eu fico horas conversando e que escrevem muito. Mas também tenho vários outros autores brasileiros que eu amo: Enderson Rafael, Fernanda França, Leila Rego, Patrícia Barboza e outros que estão fazendo o maior sucesso com os leitores brasileiros.

MdF: Conte-nos um pouco sobre Claro que te amo, pois nós, leitores, sabemos muito pouco e precisaremos esperar um mês ainda!
TL: Verdade! O livro conta a história da Piera, uma garota que adorei criar. Ela tem problemas com o sentimento de abandono. Foi deixada por um namorado e assiste o casamento dele com outra. Imagina que horrível? Quando ela acha que tudo agora vai se acertar, um passado distante volta na sua direção e ela vive muitas descobertas e surpresas. O livro tem uma linda história de amor e acho que alguns leitores ficarão emocionados. Espero que vocês amem Claro Que Te Amo!

MdF: Se a história for tão querida quanto a autora, com certeza nós vamos amar, sim! 

TL: Eu que agradeço o carinho e desejo muito sucesso para o Mundo de Fantas. Fico feliz de poder falar com vocês. Quem quiser conhecer mais da minha carreira: www.tammyluciano.com.br No meu site também estão todas as minhas redes sociais. Beijoca especial par todos e sejam sempre felizes!

Certa vez Tammy Luciano disse:
“Eu quero morar no coração dos leitores!” 
e, com a simplicidade de grande autora está conquistando o seu lugar.

29 de jun. de 2012

Dica de leitura + Entrevista: A Ordem dos Arquivistas - Centésimo - Ricardo Sodré Andrade

Em um grande vale, uma enorme fortaleza incrustada entre as montanhas abriga o maior arquivo da Ordem dos Arquivistas, uma antiga organização cuja missão é guardar os registros produzidos e acumulados pelos reinos daquele mundo.

Neste lugar, um jovem iniciou uma busca por seu tio, um membro da Ordem que desapareceu misteriosamente. Em sua jornada pelo vale, o sobrinho do arquivista acaba descobrindo a relação de sua família com uma antiga lenda, as maravilhas de um dos ofícios mais respeitados do continente e a realidade por trás de algumas das fantásticas histórias contadas às crianças ao longo das eras.

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Editora: Literata
Ilustração de capa: Yuji Schmidt
ISBN: 9788563586667
Ano: 2012
Páginas: 144
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Breve entrevista com o autor

Mundo de Fantas: Fiz a revisão de A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, e posso dizer que a história me prendeu, gostei bastante, mas livros que reviso penso não ser ético resenhar, por isso faço uma rápida entrevista com o autor.

24 de fev. de 2012

Entrevista: André Vianco

Resolvi começar afazer entrevistas sobre o mundo dos livros com pessoas que gostem de livros para que possam falar um pouco sobre esse amor que temos em comum.

Os leitores do blog não acompanharão somente entrevistas com autores, mas com quem se destaca de alguma forma e curte ler. A primeira entrevista do Mundo de Fantas será com o querido André Vianco, um grande autor de literatura fantástica nacional e leitor.

Em 1999 André Vianco produziu mil cópias de seu primeiro livro, Os Sete. Em 2000 foi pessoalmente promovê-lo em livrarias e editoras. Em 2001 a editora Novo Século se interessou por seu trabalho e republicou o livro. Desde então a parceria entre autor e editora proporcionou mais obras.

O Playcenter, conceituado parque de diversões de São Paulo, ao comemorar seus 20 anos das Noites do Terror, homenageou André Vianco e os Vampiros do Rio D´Ouro com uma seção só deles. Logo na entrada do parque, encontrava-se a caravela, de onde os vampiros haviam acordado.

Com uma grande equipe produziu o curta-metragem para comemorar os 10 anos de lançamento de Os Sete, você pode conferir o episódio piloto de “O turno da noite” no blog do Vianco.

Hoje André Vianco é um autor conhecido e respeitado, com vários títulos publicados em duas editoras, Novo Século e Rocco, e é prova de que há literatura fantástica de qualidade no Brasil.

17 de jan. de 2012

Resenha + Entrevista: Noite sem Fim - O Além-mar - Livro 1 - Roberto Campos Pellanda

Terminei de ler há alguns dias e ainda sinto falta dos personagens, quero saber o que acontecerá, qual será o destino da Vila que vive eternamente com somente luzes vindo de postes com luminárias. Para quem nasceu nesta eterna noite é normal, mas para nós, apenas o fato de imaginar é bastante difícil. E essa necessidade que causa no leitor é um ponto bastante forte que Roberto Campos Pellanda soube dosar muito bem.

Noite sem Fim (Tarja Editorial, 300 páginas, R$32) conta a história de três amigos – acompanhamos tudo pela visão de Martin, de 14 anos – todos estão presos num regime em que tudo é controlado, até mesmo as leituras, descobrem então um tesouro constituído por livros, não ficções, mas livros que contam a verdade sobre a vida dos moradores. Mas mexer com segredos sempre trás consequências, e nunca são para o bem de quem tenta mudar o presente contando o passado.

Também há os limites do local, não se pode ir além do denominado, nem mesmo no mar. Seguir mais adiante pode causar terríveis desastres. Há leis rígidas impostas pelos Anciãos, que cuidam de tudo e todos, e criaturas que estão à espreita. Há pessoas que querem realmente ajudar e outras que preferem o silêncio, e nessas mora o perigo.

Algumas pessoas eram escolhidas para viagens além-mar, mas na verdade ninguém queria ser escolhido. Ninguém voltava dessas viagens. Mas o pai de Martin resolveu, sem explicação, ser voluntário e há 6 meses o menino é órfão.
“Estava confuso e perplexo com tudo o que ouvira. Seu pai havia tomado parte em um movimento importante por mais liberdade na Vila; tinha sido um homem conhecido e respeitado. Por um lado , sentia-se orgulhoso; por outro, não podia entender a razão pela qual ele teria optado embarcar  em um navio. Tinha feito exatamente o que os Anciãos queriam que fizesse”. Pág 69.

Algumas descrições me remeteram a Harry Potter, J. K. Rowling (Editora Rocco), como a questão do personagem principal ser órfão e viver com o tio, o primo o maltrata, ele tem dois amigos, um menino e uma menina, além de uma cicatriz, esta no peito. Porém, mais do que isso, a história é rica e consegue seguir por um caminho diferente, que realmente prende o leitor até seu final, querendo sempre mais.

Há uma apresentação, mas não seria necessária, serve como uma quebra da história, revela sobre os personagens e como eles são, como é a Vila, não recomendo a leitura antes do livro todo. Melhor o leitor formar a sua visão de tudo, descobrir com a história.

Noite sem Fim mostra o amor aos livros e percebemos durante a leitura, várias inspirações literárias, nos personagens e em seus nomes.

É um livro para fãs de literatura juvenil e amantes de histórias que falem de livros, eu sou a que gosta das duas, e a junção ficou ótima. Recomendado!

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Editora: Tarja Editorial
ISBN: 97885615415
Ano: 2011
Páginas: 300
No Skoob
 Entrevista


Mundo de Fantas:  Como foi escrever "Noite Sem Fim - O Além-mar", conte-nos o processo e as inspirações.

Roberto Campos Pellanda: O conceito básico inicial de Noite sem Fim foi bem visual.
Por isso, investi na criação de uma estética própria como sendo um ponto central, aderido à alma do livro; ela começou baseada em premissas bem simples:
1- Um lugar onde é sempre noite;
2- Uma cidade medieval: calçadas de pedra, etc...
3- Tudo iluminado pela luz amarelada de lampiões pendurados em postes.
A partir daí, a história tomou forma rapidamente e fui atropelado pela necessidade de escrever uma primeira versão. Foi a primeira vez que escrevi fantasia. Isso era lá pelos primeiros meses de 2010.
Noite sem Fim é fruto de quase dois anos de trabalho. Durante este período, a história passou por sucessivos ciclos de amadurecimento, revisão e transformação.
Sempre quis que Noite sem Fim fosse uma história centrada nos personagens. Por este motivo, levei um longo tempo até amadurecer o trio de amigos do clube de leitura, em especial o Martin e a Maya, que são os fios condutores da história (no segundo livro, inclusive, a Maya torna-se também narradora, junto com o Martin).
Outro ponto em que trabalhei muito foi a questão dos livros como personagens da história. Noite sem Fim é uma declaração de amor aos livros e eu não queria que isso se limitasse a referências na trama e a ambientações (a Maya trabalha na livraria dos pais, por exemplo), tinha que ir além disso. A forma que escolhi foi “fundir” os livros com a história de vida dos personagens, de tal modo que elas se tornem indissociáveis:
Não é possível pensar no trio Martin, Maya e Omar sem a paixão pelos livros. Se não fosse pelo hábito de ler, eles nem teriam se conhecido em primeiro lugar.
Não dá para pensar em Cristovão Durão, o pai de Martin, sem pensar na sua editora de livros proibidos.
E assim por diante.
Depois disso, seguiram-se vários ciclos de revisão e uma leitura crítica externa que eu contratei. Só então mandei o original para o Richard da Tarja Editorial.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

RCP: Essa resposta podia dar páginas e mais páginas! Mas vamos lá:
Como escritor, tenho sempre a tendência de indicar livros que ensinem alguma coisa importante sobre a técnica.
Ok, eu sei que tudo mundo já leu, mas mesmo assim:
O Senhor dos Anéis - Se você está pensando em criar um universo no próximo café da manhã, este livro ensina a importância dos detalhes. Um livro baseado na história.
As Crônicas de Gelo e Fogo - Livros baseados nos personagens. São praticamente ilimitadas as lições que um autor pode tirar de um close reading do G.M.
Trilogia Fronteiras do Universo - Uma das melhores construções de personagens juvenis que existem por aí. Além disso, a questão do que ele faz com a estratégia  de ponto de vista da narrativa é muito interessante. Vai contra boa parte dos manuais e funciona.
Mesmo para quem é muito aficionado por um gênero, acho importante variar de vez em quando:
Do autor inglês Robert Wilson, a série de quatro livros do detetive Javier Fálcon, ambientada em Sevilha. Além de a história ser extremamente interessante, a profundidade da construção dos personagens é impressionante.


9 de jan. de 2012

Resenha + Entrevista: Insólito – microalucinações – Paulo Fodra

Cruel, intenso, rápido como tudo pede hoje.

Como o próprio título diz, são microalucinações, microcontos, ou algo assim em poucas linhas. Essas muito bem escritas. Passam raiva, angústia, alegria, sensações boas, ruins, más...

Como quando o senhor Estronho (vulgo M. D. Amado) gritou ao meu lado justamente no momento em que eu lia o conto:

Vinte facadas foi pouco para aquela atriz nojenta que roubara sua realeza. A avenida era toda sua, outra vez. Avante, bateria!”


Tirando a capa, percebi que muitas vezes nos livros do selo Três por Quatro da Multifoco há essa moldura para se passar por um selo... O que deixa as obras parecidas demais e sem uma identidade. Não é uma série, não havia necessidade de se parecerem.

Mas o que vale é a obra, e Paulo Fodra (autor convidado, juntamente com a autora Nikelen Witter, para a antologia Livros organizada por mim – e é neste momento que os dois descobrem o convite, pois não tinham sido avisados – ainda a ser divulgada para seleção) escreveu com conhecimento. Os contos possuem início, meio e fim, o que é muito complicado quando temos apenas duas, três linhas para contar uma história inteira. E as que compõem Insólito – microalucinações (Multifoco – selo 3x4, 2011, R$30) prendem o leitor do início ao fim do livro.

Há sensibilidade

“Foi só o doutor bater o olho na radiografia pra entender o motivo de tanta indecisão. No peito da moça batiam três corações”.

Há humor

“O fracassado lutador de sumo fugira do Japão em desonra. No Brasil, encontrou a felicidade: todo fevereiro, virava Rei!”

Há realismo

“O gato matou o passarinho dentro da gaiola. Todos ficaram tristes, menos o morto. Livre, enfim, sua alma voou até o céu”.

E muito mais. Enfim, um livro recomendado para quem gosta de vários gêneros literários, pois vai passear por todos em poucas páginas bastante ricas.

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Editora: Multifoco - selo 3x4
ISBN: 9788579616303
Ano: 2011
Páginas: 88
No Skoob
Adquira o livro direto com o autor: vendas@paulofodra.com.br

Entrevista

Mundo de Fantas:  Como foi escrever "Insólito – microalucinações", conte-nos o processo e as inspirações.

Paulo Fodra: Comecei a escrever micronarrativas como exercício de concisão, por influência do escritor Luiz Roberto Guedes. Ele me apresentou uma série de microcontos fantásticos da Martha Argel, caracterizados pelo humor sarcástico e afiado. Fiquei impressionado com o grau de complexidade e expressão que as enxutas linhas possibilitavam. Brincando com essa proposta, experimentei registrar ideias completas para contos longos com a menor quantidade de palavras possível, tentando manter tudo ali – começo, meio e fim – sem perder de vista o tema e a intenção da trama. Logo percebi que algumas das histórias que eu inventara só funcionavam de fato no formato micro. A partir daí as micronarrativas começaram a ganhar vida própria. Na cola do humor sarcástico apareceram o humor negro e os temas mais sombrios. Surgiu também a curiosidade de testar a recepção dos leitores a esses microdelírios. Postei alguns deles em meu perfil do Twitter e me surpreendi com a repercussão que alcançaram. A partir daí virou hábito. Através do Twitter, acabei conhecendo bons microcontistas como Wilson Gorj, Denison Mendes, Agnelo Ronenberg, Tiago Moralles e Felipe Carriço. A troca de experiências e os sarais virtuais espontâneos, que acabaram surgindo madrugada adentro, me ajudaram a encontrar o estilo insólito que caracteriza a maior parte da minha microprodução. A minha inspiração vem do cotidiano e da quebra do raciocínio linear. Pode tanto vir dos absurdos políticos e sociais brasileiros quanto da interpretação "ao pé da letra" de expressões idiomáticas que usamos, muitas vezes sem consciência disso, no dia a dia. Existem muitas coisas por aí que nos parecem estranhas, absurdas ou mesmo revoltantes, mas que são consideradas absolutamente normais em certos contextos. Esse choque de realidade também é um terreno fértil para o insólito, um verdadeiro berço de microalucinações.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

P.F.: Na seara da microficção, recomendo os livros Bonsais Atômicos, do Denison Mendes, e Prometo Ser Breve, do Wilson Gorj, ambos lançados pelo Selo 3x4 da Editora Multifoco, especializado em micronarrativas, que também publicou o meu livro e do qual o Wilson é editor. Tanto o Wilson quanto o Denison são econômicos e contundentes na escolha das palavras e o resultado acaba se revelando poético mesmo ao falar do cotidiano. Outros dois livros fantásticos, dos quais só tomei conhecimento depois de ter escrito o Insólito, são 111 Ais, do Dalton Trevisan e Crimes Exemplares, do Max Aub. O primeiro livro foi lançado em 2000, e o segundo, em 1957, o que prova que a microficção já existia como forma literária muito antes da explosão das redes sociais, ou seja, não se trata de um simples e efêmero modismo.

Sou grande fã de Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Stephen King e Joe Hill e considero que os livros Histórias Extraordinárias (Poe), e Fumaça e Espelhos (Gaiman), são verdadeiras aulas de como tratar o terror e a fantasia com profundidade, fugindo de clichês e construindo imagens poderosas e duradouras na mente do leitor. Na literatura fantástica nacional, meu destaque vai para o livro Fragmentos do Inferno, recém-lançado pela Editora Estronho. Coescrito por um time de novos talentos, é um romance de linguagem tensa e fragmentada, que dá uma amostra rica do potencial criativo da nova geração de escritores nacionais. E para aqueles que acham que contos de fada são coisas de criança, recomendo a leitura de O Reino das Névoas, escrito e ilustrado pela talentosa Camila Fernandes.

MdF: Obrigada por participar desta rápida entrevista e parabéns pelo seu trabalho, adorei mesmo seu livro.

P.F.:Muito obrigado. Quero aproveitar para agradecer a oportunidade e parabenizar o Mundo de Fantas pelo excelente trabalho na divulgação da literatura fantástica nacional!


8 de jan. de 2012

Resenha + Entrevista: Capitão - Sergio Prado

Em Capitão (Giz Editorial, 2011, R$24,90), acompanhamos a visão de um homem sem memória retorna para sua casa, guiado pelas informações obtidas na rua. Também descobre, além de sua moradia, que não foi uma pessoa muito digna. Durante a leitura, vemos as lembranças do Capitão, através de sua narração de como tudo é uma descoberta “trágica” de seu passado desumano. Descobre seu filho, mas esse não é o único e nem sua família verdadeira, que sofre pela ausência do pai. Depois encontra a esposa real, e a vê com semblante de sofrimento, medo, assim como o cachorro que corre ao avistá-lo. Triste verdade de uma pessoa que se percebe, enfim, má.

"Minha expressão nas fotos reforçava a impressão de um homem embrutecido, polido em lixa grossa, zangado com tudo o que a vida lhe reservara sem reservas”.

Acompanhamos a visão do Capitão e por sua narração demonstra sofre todos os dias, a cada “descoberta” de sua maldade, da crueldade que cometia com todas as famílias.

"– Isto é um crime... – eu dizia, enquanto Pedro tentava me convencer que levar as garotas do mangue para trabalhar em prostíbulos era melhor para elas do que permanecerem na ilha”, pág 69. 

Mas não basta somente falar de bondade, é preciso mostrar, provar com ações, para tantas pessoas que sofreram nas mãos do Capitão, que ele quer realmente mudar, e os olhos dos demais não mentem quando o assunto é sofrimento. A tristeza, a maldade cometida por tanto tempo está estampada no rosto de cada morador da ilha. Nos pais que tiveram suas filhas levadas para uma vida que ninguém sabe como é.

O Capitão sofre para demonstrar que não é mais o mesmo. Que quer ajudar a todos a melhorar de vida. Não há fantasia, somente a tristeza real de todos os personagens.

Há tantos e tantos que fazem e passam por histórias semelhantes, mas não têm tempo de mudar o curso. Sergio Prado (1970) criou uma história envolvente, podemos tomá-la por real, quando da busca por boas ações depois de tantas más cometidas ao longo de uma vida.

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Editora: Giz Editorial
ISBN: 9788578551544
Ano: 2011
Páginas: 112
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Entrevista

Mundo de Fantas: Como foi escrever "Capitão", conte-nos o processo e as inspirações.

Sergio Prado: A ideia que originou Capitão, partiu do interesse que sempre tive sobre o assunto amnésia. Certa noite eu sonhei que eu acordei em um local sem saber quem eu era, e isto inspirou a trama. No dia seguinte já comecei a escrever Capitão, e, a partir do nada, criei a vida que o Capitão teria que descobrir. Podemos dizer que fui descobrindo junto a ele enquanto eu ia escrevendo. Tentei não criar nenhum vínculo comigo mesmo, fazendo com que o enredo se desenrolasse em locais distantes, em um povoado de uma ilha que eu inventei, baseando-me na rotina cotidiana dos manguezais brasileiros.
Narrei a história em primeira pessoa, pois creio que assim, por ser póstuma, eu alcançaria uma riqueza de detalhes e sentimentos importantes, se narrados pelo protagonista.
Espero, com este livro, abrir caminho para o próximo que estou escrevendo para 2012, e que sairá pela Editora Regência. Tentarei lançá-lo a tempo para a bienal de SP. O título será “Pra Você Viver Mais” e contará com a epígrafe de “Canção Pra Você Viver Mais” do Pato Fu... Consegui a autorização da banda para a utilização de trecho da música na epígrafe, sem nenhum ônus, após análise dos primeiros capítulos. Fiquei muito contente, sei que é difícil conseguir estes avais. Vi nesta autorização, um primeiro reconhecimento do que será um livro que de tão intenso, às vezes, tenho que parar e ficar alguns dias sem escrever.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

SP: As dicas que eu deixo para leitura não são muitas... Vou indicar apenas meus 5 favoritos:
Grande Sertão Veredas: Guimarães Rosa, em minha opinião, foi o autor brasileiro com maiores recursos de escrita que já existiu. Ele era gênio! Muitos de seus livros não tem nem como traduzir para outros idiomas devido às aliterações que ele criava como ninguém nunca fez.
Dom Casmurro: Machado de Assis dá uma aula de como tornar uma história com acontecimentos extremamente simples, num livro genial, por meio de uma narrativa rara.
A Coronel Chabert: Honoré de Balzac, livro extraordinário deste autor francês que foi uma referência de ninguém mais do que Machado de Assis. Mulher de Trinta Anos: Também do Honoré de Balzac. Neste, a sensibilidade do autor ultrapassa os limites! Devia ser proibido escrever como ele escreveu este livro (brincadeira). Este é outro livro sem grandes surpresas no enredo; trama simples que espanta pelo modo ímpar com que é narrado. Gosto das pinturas que o retratam: era um tipo, que pela aparência, podemos julgá-lo inapto ao talento que carregava (isto mostra que talento não escolhe aparência). Costumava posar com uma mão no coração e a outra esticada, como a declamar apaixonadamente um verso a alguém... Só faltava ajoelhar-se. Imagem muito brega, mas o gesto revelava um autor que era a pura e fina sensibilidade.


1 de dez. de 2011

Dica de leitura + entrevista + convite de lançamento: O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal - Natália Couto Azevedo

A trilha acabou bruscamente. Ao olhar para trás, não havia mais vestígios da sua existência, que loucura! Mas, ao olhar para frente, não estava preparada para o que veria. Uma paisagem única e perfeita: uma cidade construída inteiramente de cristal"

"Mais uma vez, o mesmo sonho estranho: a floresta misteriosa. Entretanto, havia algo mais bizarro do que o próprio sonho. Um perfume de flores dominava o ar do cômodo, uma doce lembrança da clareira. Acendi a luz. Sobre o travesseiro, repousava uma linda margarida, ainda úmida, como recém-colhida de um campo coberto por orvalho.

Será que eu estava ficando louca?

Como os demais sonhos naquela clareira, este havia sido nítido e quase real. Os meus pés pareciam ainda úmidos pelo contato com a grama. Porém, o perfume suave no quarto e a presença da margarida iam além de qualquer sonho, ultrapassavam o limite da realidade e, talvez, da sanidade".

"– Isso é uma loucura! Tudo bem, vamos considerar que você seja uma fada, mas e eu, onde eu entro nesta história? – perguntei para minha mãe.
– Simples, você é uma fada também
".

Até onde os sonhos podem nos levar? Elorá descobre que pode chegar quase ao infinito…

Dormir é diferente para Elorá, ela mergulha em uma nova dimensão através de seus sonhos. Um mundo habitado por fadas, tão lindo, tão difícil acreditar que seja real. Mas mesmo a beleza esconde seus segredos. A garota percebe estar mais ligada àquele lugar do que imaginava e teme perder o controle sobre seu próprio destino.

Dividida entre dois mundos, Elorá precisa dar conta de sua carreira, família e novo amor. Mas ao dormir, não poderá descansar, pois a solução de uma disputa entre clãs feéricos está em suas mãos. E se não tomar cuidado, os humanos podem ser os perdedores.

Entre nesta aventura, repleta de magia, amor, segredos e traições. Descubra como o poder dos sonhos pode transformar tudo.

Quando a Natália me falou sobre o livro O Reino dos Sonhos, havia tanto carinho, me encantei logo e pedi o original, descobri uma história delicada, que mostra que devemos manter nossos sonhos, sejam vistos pelos outros como impossíveis ou não, somente quem sonha é que sabe o quanto é importante realizar. Aqui encontramos ação, amor, aventura, comédia, tudo reunido numa bela história contada pela personagem Elorá. Às vezes rimos, nos emocionamos, ficamos irritados, e é o que nos prende, essa vontade de saber o que irá acontecer. Viajar através das páginas de Cidade de Cristal foi uma experiência mágica que recomendo a todos.

A Editora, Celly Borges

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Editora: Estronho
ISBN: 9788564590137
Ano: 2011
Páginas: 220

Entrevista

Mundo de Fantas: Como foi escrever "O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal"? Conte-nos o processo e suas inspirações.

Natália Couto Azevedo: Escrever O Reino dos Sonhos foi uma surpresa. Estava numa fase difícil, desanimada profissionalmente, doente, sem perspectivas positivas na vida. Isso até pegar o computador e mergulhar nesse mundo mágico, que aos poucos foi tomando forma. Passei vinte dias diretos escrevendo, mais ou menos oito horas por dia, completamente envolvida pela obra e pelos personagens. Quando terminei a primeira versão pensei: Por que não? Acreditei que poderia melhorar a história e foi o que fiz. Passei a escrever contos, ler livros sobre técnicas de escrita, numa tentativa de me aprimorar. Assim, após mais de um ano de trabalho, o livro ficou pronto. Minhas inspirações surgem do dia-a-dia. Por exemplo, o que me motivou a começar o livro foi uma discussão com uma professora. Daí veio o primeiro capítulo e o resto foi fluindo aos poucos. Creio que todas as leituras e estudos prévios também me servem como inspiração involuntária, por isso ler é tão importante para qualquer um que queira tornar-se escritor.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

NCA: Sou forçada a começar as minhas dicas com O Fio da Navalha, de Somerset Maugham. Ele é um dos meus autores favoritos e esta obra me emocionou profundamente. A reflexão de um homem em busca do sentido da vida, no pós-guerra, ele faz uma viagem até o Tibet e, principalmente, dentro de si. Outra dica são os livros da série As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, com uma narrativa deliciosa, cheia de traições, romances, reviravoltas, sempre sob uma visão feminina, contando a lenda Arturiana. Cheio de magia, para quem gosta de fadas e mundos paralelos mágicos, vale muito a pena. Também recomendo a série Fronteiras do Universo, de Phillip Pullman. Saiu um filme sobre o primeiro livro A Bússola de Ouro, mas fica muito aquém da obra original. Os livros trazem uma discussão sobre religião, desejos e Deus, que pode ser entendida em diferentes níveis dependendo da idade do leitor. Muito recomendado! E para finalizar, uma obra brasileira que eu simplesmente adoro, Primeiras Estórias de Guimarães Rosa. Adoro a maneira como ele brinca com as palavras e com a realidade, trazendo muita fantasia aos cenários brasileiros que retrata. Poderia enumerar mais um monte de livros, mas fico por aqui.

Muito obrigada,Celly, pela oportunidade de entrevista e um beijo para todos os leitores! Espero encontrá-los no lançamento do O Reino dos Sonhos, dia 10/12, na Biblioteca Viriato Correa, a partir das 15h.
 
Sobre a autora
Natália Couto Azevedo desde a infância, passava tardes mergulhada em livros, incentivada pelos pais. Esse amor pelas letras foi tomando forma e transformou-se numa paixão por escrever histórias, criar mundos e personagens. Dar vida a sonhos. O amor pelos animais e pela ciência a levou a cursar Medicina Veterinária na Universidade de São Paulo e, quando concluiu a faculdade, começou a escrever mais do que nunca. Trabalha em contos, poesias e O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal é seu primeiro romance. Adora a temática fantástica, tendo preferência pelo terror e pela fantasia. Mora em São Paulo, com seus pais, irmão e seus animais de estimação. Pretende parar de escrever? Nunca. Muitas histórias na sua cabeça ainda esperam para ir para o papel. Blog: http://oreinodossonhos.blogspot.com/
Twitter: @NaCoutoAzevedo Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=1102535796

Convite de lançamento:
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28 de nov. de 2011

Dica de leitura + entrevista: Distúrbio - Valentina Silva Ferreira

Rossana, 13 anos, tem tudo para ser uma menina feliz: pais ricos, três irmãos que a amam e uma beleza fora do comum. Contudo, Rossana não quer ser bonita. A beleza atrai coisas que não deseja a ninguém. A mãe, frustrada por uma carreira de pouco sucesso, coloca na filha todas as suas ambições e desejos.

Procura na figura do pai, um aliado, mas acaba encontrando sofrimento, a menina ingênua se vê transformada em mulher... a mulher daquele que deveria protegê-la.

Sofre uma infância terrível. Submetida aos abusos físicos do pai e às exigências quase sobre-humanas da mãe, conhece, demasiado cedo, mundos que nem os adultos têm capacidade para enfrentar: o sexo sem amor, as drogas, a falta de proteção...

O mundo da moda lhe fora imposto a duras penas e tudo que ela quer é ser criança.

Conheça a história intensa, cruel, real... de Distúrbio.

Apesar de ser um tema pesado, me encantei com a Rossana de Distúrbio, a história muito bem escrita pela talentosa Valentina Silva Ferreira, com uma linguagem bela, como é comum aos portugueses, apresenta ao leitor nada além da realidade que muitas crianças passam por conivência dos pais, parentes, amigos, em todo o mundo. A leitura por vezes mostra a inocência, outras o abuso, o crescimento rápido, a falta de carinho, de atenção. Rossana, a protagonista que sofre maus tratos psicológicos e físicos, inicialmente não percebe que ao ser induzida a tornar-se a mulher do pai comete algo errado, mas ela é uma criança, não entende do mundo adulto, o qual é obrigada a assumir. Aquele que deveria ensiná-la a destrói aos poucos, a rapariguinha, como se diz em Portugal, é humilhada, maltratada, e sua infância é roubada por aqueles que a colocaram no mundo, aqueles a quem chama de pais.

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Editora: Estronho
ISBN:
Ano: 2011
Páginas: 180

Entrevista 

Mundo de Fantas: Como foi escrever Distúrbio, conte-nos o processo.
                                         
Valentina Silva Ferreira: Escrever Distúrbio, aos dezenove anos, foi a minha maior aventura. Em primeiro lugar, porque eu só escrevia contos; segundo, porque sabia que o tema traria dúvidas por parte de outras pessoas; e terceiro: eu não fazia ideia de que escrever um romance implicaria uma mudança tão grande em mim. Passo a explicar. Na faculdade, qualquer um ocupa as suas 24h com coisas normais da idade. Nos cinco meses em que me dediquei ao livro, eu estudava, mas queria escrever; eu não estava com os amigos, nem ia a festas ou ao cinema. Resumindo, eu não tinha tempo livre. Eu escrevia. Ouvia, muitas vezes, quem me dissesse que, depois daquele, eu não escreveria mais porque era um compromisso demasiado grande, porque roubava muito de mim, porque eu deixava tanta coisa de lado para poder concentrar-me exclusivamente a ele. Enganaram-se. Foi com Distúrbio que eu percebi que escrever é o que me faz completamente feliz, não só pelo prazer do próprio ato, mas, também, por poder colocar no papel situações que sempre me afligiram, como é o caso da pedofilia. Quem me vai conhecendo literariamente, sabe que esse é um tema que muitas vezes abordo. E com esses, muitos mais virão porque eu encontrei na escrita um exorcismo para todas as frustrações que vou sentindo ao longo do meu percurso acadêmico – e mais tarde profissional – no mundo do Direito. Há quem escreva para respirar. Eu escrevo para me limpar.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter ligação com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

VSF: Quando me perguntam qual o meu livro favorito, eu digo que tenho um top 5 (que irá crescer ao longo dos anos). São livros que me fizeram odiar/amar personagens, que me soltaram valentes gargalhadas e lágrimas e que me transportaram para outro mundo. Tudo na mesma leitura. Lolita, de Vladimir Nabokov é, sem qualquer dúvida, o cabeça da lista. Nabokov conseguiu, dentro da mesma obra, escrever um romance, um policial noir e um livro de viagens. Somos transportados de gênero em gênero com uma subtileza tão bem escrita que nem damos por essas mudanças. Recentemente, li A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, um livro tão rico em narrativa, detalhes, exploração de sentimentos e com as personagens mais incríveis que já vi – acreditem, vão adorar o personagem Fermín. José Saramago em Ensaio Sobre a Cegueira chocou-me com a crueza das cenas, com a magistralidade da ideia e com críticas sociais que raramente pensamos porque vivemos demasiado concentrados no nosso próprio umbigo. Apaixonei-me pelo O Carteiro de Pablo Neruda, de Antonio Skármeta, por ser, talvez, o livro mais doce – e repare-se que doce não significa light – que alguma vez li, com passagens narrativas dignas de serem passadas para um caderno, lidas vezes sem conta e decoradas. É um livro que me faz suspirar. E, finalmente, em Como Água Para Chocolate, de Laura Esquivel, mergulhamos no surrealismo latino-americano que, na minha opinião, é das literaturas mais apaixonantes, envolventes e ricas em descrições de texturas, cheiros, paladares e emoções.

Sobre a autora
Valentina Silva Ferreira nasceu em 1988, na Ilha da Madeira. Concluiu a licenciatura em Direito em 2010 e faz Mestrado em Ciências Jurídico-Criminais. É uma das autoras selecionadas das seguintes antologias: Cursed City; Série VII Demônios - Gula, Série VII Demônios - Inveja; Lugares Distantes; Jogos Criminais II. É colaboradora da revista on-line Magazon e da revista impressa JA (Associação Acadêmica da Universidade da Madeira). Escreve no blog http://paraisobiblioteca.blogs.sapo.pt/

Serviço:
Distúrbio será lançado dia 10 de Dezembro de 2011
Às 18h30min
No Pier 1327, Joaquim Távora, 1327 - Vila Mariana - São Paulo/SP
Informações: (11) 5539-6213

Livraria Estronho

7 de abr. de 2010

Entrevista cedida ao Infernorama

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Fui entrevistada pelo Geraldo de Fraga do Infernorama,
falei sobre a Campanha LitFan e algumas dicas de autores nacionais!
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