
assim começa Direi que lembro de você (I’ll Tell Them I Remember you – 1973), muito mais do que uma autobiografia, é uma linda homenagem à mãe, mulher simples que, sozinha, teve de criar os cinco filhos pequenos.
Um exemplo das muitas aventuras que Blatty viveu com a mãe aconteceu em 1939, quando ela descobriu que o então presidente Franklin Delano Roosevelt iria ao bairro onde a família morava para a inauguração de um túnel, e resolveu que queria conhecê-lo. Mãe e filho estavam parados em frente ao cordão de isolamento. Ela com sua inseparável sacola de papel. De repente o pequeno Willie olhou e lá estava ela, ao lado do presidente. A sra. Blatty colocou a mão dentro da sacola – vários agentes secretos surgiram – e ela tirou um vidro de geleia de marmelo.
Quando cresceu, para sobreviver, Blatty vendeu até mesmo aspirador de pó. E, no início de julho de 1969, começou a escrever seu mais conhecido livro, O Exorcista – retomado em 1970. E também teve começo estranhos acontecimentos, como quando a filha de Blatty viu um fantasma que, pela descrição, lembrava a avó; assim como um enorme e bem pendurado quadro despencou da parede – depois, mesmo com chutes dados por Blatty, nem se moveu do lugar –, ou quando o telefone, após tocar duas vezes, simplesmente voou do gancho.
W. P. Blatty, apesar de ter tido uma infância muito difícil, as lembranças são as mais ricas, de um menino que teve a vida repleta de brincadeiras de criança.
“Mas não precisamos de fenômenos paranormais para ter prova de Deus ou da vida eterna”.
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I’ll Tell Them I Remember you – 1973
Tradução de Milton Persson
Editora Nova Fronteira
163 páginas
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