10 de dez de 2014

"Fantasmas na biblioteca", um brinde aos livros!


Nós, leitores e colecionadores, somos “reféns” dos livros. É quase como a brincadeira do gato, não somos nós os seus donos e sim ao contrário. Os livros são nossos donos, quando um quer ser lido, ele se exibe, se mostra, às vezes implora por nossa atenção. E quão prazeroso é a sua leitura quando enfim a aceitamos!

Ao menos comigo, quando um livro me chama, quase sempre sua leitura se mostra uma das melhores. Parece que esses livros sem pudores a se exibirem aos leitores são os mais interessantes.

Inúmeras vezes os livros me chamaram. E é importante também que o leitor se permita ser escolhido. Gosto de passar pelas estantes dos sebos, livrarias e bibliotecas sem escolher, apenas caminho olhando as lombadas, até que um volume – e não a capa – estende seus bracinhos e me pede colo. Lembro-me de sair, em minha biblioteca, em busca de um título que me pedisse atenção. Então um se mostrou mais do que os outros e o peguei. Estava adiando sua leitura há muito, então resolvi aceitar o pedido. Era o livro Frankenstein, de Mary Shelley, e hoje é um dos meus favoritos. Uma história que mostra a alma humana no seu pior estado.

Bem, outro dia ganhei de amigo secreto a obra Fantasmas na biblioteca (Civilização Brasileira, 160 páginas, 2013, R$30), de Jacques Bonnet (1949) e em pouco tempo, encantada, devorei. Fala de livros. O amor pelos livros. E o que mais deseja um leitor viciado?

A obra tem uma linguagem simples e cada parte é como uma conversa com o leitor. O autor que quer passar seu conhecimento e não exibi-lo. Há capítulo dedicado à organização, por exemplo. E nós, colecionares, sabemos como essa é uma atividade difícil. Como separar? Por gênero? Por autor? Por nacionalidade? Mas cada divisão traz um problema. Essa dúvida é eterna.

A maioria de nós quer o melhor local para nossa seleção. Bonnet mostra, também, a dificuldade de manter uma coleção, afinal, como é uma coleção? Qual seu início e o seu fim quando não é numerada?

É fantástico poder ler uma obra de um conhecedor desse mundo e saber que não estamos sós. E o autor não nos conhece – pelo menos não a mim –, mas pensa como nós! Tem dúvidas e receios, como, por exemplo, emprestar ou não um livro, ou como fazer marcações?

A única forma que eu marco é usando marcadores ou post it, de outra maneira, como usar a orelha, marcar com caneta ou lápis, dobrar a pontinha... ah, que arrepio me dá apenas em pensar nessas opções. Faço marcações em cadernos e papéis avulsos – e nesse caso me identifiquei com Delgado, personagem do livro A casa de papel. Empresto livros somente para quem confio. Apesar de que confiar é tão difícil. Outro dia emprestei um e a pessoa marcou todo com lápis. Eu olhei e acenei, fervendo por dentro e não consegui manter uma conversa decente. Essa pessoa está riscada da lista de empréstimos.

Tenho muito amor pelos livros, mesmo. E os trato com todo o respeito que merecem, afinal, eles me passam conhecimento e só pedem para serem lidos. Ah, e não preciso aumentar o número de lidos apenas para impressionar meia dúzia. Aliás, qual a vantagem?

Assim como No mundo dos livros, de José Mindlin (1914-2010) – que é outra obra de um leitor e grande colecionador sem firulas na linguagem, que deve estar numa grande biblioteca que é o Paraíso –, Fantasmas na biblioteca traz muitas sugestões de leituras. Fiz uma lista e logo procurei vários livros na Biblioteca Pública doParaná. Até corri para emprestar A casa de papel, de Carlos María Domínguez, em que um homem com uma coleção invejável, de repente constrói uma casa com paredes de livros. Uma obra curta muito interessante – muitos desprezam obras curtas, no entanto nem todo livro de 104 páginas é ruim e nem todos com 400 páginas são bons por serem longos.

Uma obra bem curtinha é Dez mil - autobiografia de um livro, de Andrea Kerbaker, com 84 páginas. Ao ler acompanhamos a história pelos olhos de certo volume – não explica qual exatamente seu título e autor, mas fica ali, perto de Hemingway – e suas frustrações de não ser escolhido pelos leitores, de permanecer por muito tempo abandonado na prateleira. Alguns passam próximos à sua estante, outros o tiram de lá, mas às vezes o devolvem.

Bonnet, assim como José Mindlin, Umberto Eco e Alberto Manguel, é considerado um dos maiores especialistas em bibliofilia e teoria da literatura. É dele também o romance O emblema da amizade.

E Jacques Bonnet não despreza, não julga qualquer tipo de leitura, ao contrário, ele celebra a leitura e os leitores.

Ótimas leituras.

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Editora: Civilização Brasileira
Título original: Des bibliothèques pleines de fantômes
ISBN: 9788520010006
Ano: 2013
Páginas: 160
Tradutor: Jorge Coli
Skoob
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10 de nov de 2014

Promoção de Natal "O menino que perdeu a magia"

Olá, foufos!

Eu amo o Natal, então resolvi dar um descontão bem bacana no meu livro juvenil O menino que perdeu a magia e mandar mimos de presente para você!


Além disso, essa é uma ótima oportunidade para presentear a família e os amigos, porque oferecer livro é massa e demonstra carinho... ainda mais se for com dedicatória e mimos, não é? =D

Então quem pedir O menino que perdeu a magia pelo e-mail leva o livro por apenas 18 reais + frete grátis + mimos + dedicatória.
  
cellyborgesamado @ gmail.com (retire os espaços)

Sinopse:
A história que vou contar me foi contada. Ela é repleta de sonhos e seres fantásticos. É sobre um homem chamado senhor Conrad, mas começa quando ele ainda nem havia recebido o título de "senhor" e foi horrivelmente obrigado a abandonar a sua magia, os seus sonhos.

Ou assim acreditavam as pessoas que já haviam perdido as suas magias.

Começa assim:
Daniel Conrad era feliz e apreciava sua infância...

Editora Fantas | Skoob | Twitter | Facebook

Espalhe por aí!

28 de out de 2014

Crowdfunding: Nada com coisa alguma, de José Aguiar


Sem personagens fixos e sem limitação de tema, gênero ou formato, é uma tira totalmente inusitada. Nela o quadrinista José Aguiar exercita as possibilidades gráficas e narrativas do pequeno espaço de uma tira de humor. Ou seria uma tira séria? Ou nada que possamos rotular?

Nas palavras do autor: “Meu cantinho particular, um lugar onde faço aquilo que não poderia fazer em nenhuma outra HQ”. Nada Com Coisa Alguma é publicada semanalmente no jornal Gazeta do Povo.

José Aguiar é artista, arte-educador formado pela FAP (Faculdade de Artes do Paraná) e quadrinista premiado com obras publicadas no Brasil (Vigor Mortis Comics, Ato 5, Revolta de Canudos, Dom Casmurro em Quadrinhos, MSP50, entre outras) e França (série Ernie Adams). Publica as tiras Nada Com Coisa Alguma no jornal Gazeta do Povo e também as tiras Folheteen, no Guia Curitiba apresenta (publicação da Fundação Cultural de Curitiba). É um dos criadores e curadores do Cena HQ, evento que realiza leituras dramáticas de HQs no Teatro da Caixa. Foi curador e cocriador da Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba. Seus mais recentes livros publicados foram Folheteen - direto ao ponto e Reisetagebuch - Uma viagem ilustrada pela Alemanha, finalista na categoria ilustração do prêmio Jabuti.

Depois de saber da biografia massa do autor, conheça o projeto Nada com coisa alguma lá no Catarse, com vários prêmios bacanas para os apoiadores. Começa com apenas R$35, quanto maior o valor, mais prêmios são adicionados ao pacote. Mas atenção! Falta pouco tempo para acabar, então corra!

Aproveite o ensejo e visite o site do autor. Lá no Quadrinhofilia tem muita informação sobre todos os seus trabalhos, agenda, dicas...

27 de out de 2014

Comunicado: Novidades em breve!



Olá, foufos.

Estou bem distante do blog há tempos. Um pouco por preguiça, um pouco por não saber que direção tomar. Outro tanto, talvez, por cansaço ao ver tantos blogs com resenhas rasas que mais parecem sinopses, onde praticamente citam a capa e as ilustrações ao invés de ler de fato a história e mostrar ao seus leitores se o livro é bom ou não.

Também desde o fim do ano passado parei com todas as parcerias por vários motivos. Com as editoras principalmente por precisar ler livros que às vezes me faziam pensar que algumas histórias não acrescentavam nada em minha vida. Claro que mesmo os livros que podem ser considerados ruins por alguns, outros podem gostar e os que são tidos como os melhores, podem não curtir, isso é bem relativo e merece respeito. No entanto, esses que não gostava, eu precisava resenhar - e eu não deixava de apontar os pontos fracos -, o que tomava bastante tempo.

Outro motivo por ter parado com as parcerias é que alguns autores mandaram seus livros, e desses, os que gostei fiz resenha, alguns não consegui resenhar porque não queria deixar o autor "triste" - ou qualquer sentimento do gênero -, afinal, já tive casos de escritores que não gostaram da resenha - que nada teve de desrespeitosa ou pessoal, pois o que me importa é o livro e não a vida da pessoa - e convidaram a família toda para tentar me tirar do sério. Mas sou foufa... ou não. E "escritor" vingativo está cheio por aí, esses precisam evoluir muito profissionalmente.

Enfim, a questão aqui é que o Mundo de Fantas será reformulado e um dos objetivos é o de divulgação. Dos livros que gostei, autores e eventos que merecem espaço. Pois quem resenha de verdade sabe o quanto é difícil e como toma tempo trabalhar o texto e, afinal de contas, para que dar espaço àquilo que não gostamos?

Outras novidades virão. Então bem-vindos a Fantas e leiam as resenhas antigas.

Celly Borges