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11 de dez. de 2015

Um segredo de Natal



Elisa é uma menina doce e sonhadora. No entanto, seus sonhos precisam ficar de lado quando percebe que a sua pobreza não permite voar, acreditar em um futuro melhor. Enquanto os pais fazem de tudo para que a pequena Elisa e o irmão continuem acreditando nos sonhos, a menina esconde a sua tristeza profunda e tenta ajudá-los da forma que pode. A magia do Natal pode aparecer quando menos esperam. O espírito natalino faz milagres.

Um segredo de Natal é muito especial, pois eu AMO essa época! E novamente faço parceria com a talentosa Carolina Mancini nas belas ilustrações, que sempre dão vida aos meus personagens!

Este livros está disponível para baixar na Amazon por apenas R$2,99. Se você não tiver leitor pode baixar gratuitamente os aplicativos em seu Smartphone, tablet, computador... Baixe aqui.

E se você tiver o programa Kindle Unlimited - aquele que funciona como uma biblioteca, você paga por mês e pode emprestar livros - pode ler de graça! \o/

"Uma história delicada e cheia de esperança. Seria tão bom que o mundo tivesse mais Elisas."
- Valentina Silva Ferreira,
autora de "Distúrbio" e "A Morte é uma Serial Killer

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23 de abr. de 2014

Resenha: Boneca de ossos - Holly Black

Boneca de ossos me chamou à leitura já pela capa, depois fui ver do que se tratava a história. A ideia de uma boneca feita de ossos e que de repente começa a falar com duas crianças através de sonhos, me pareceu interessante e aceitei ler.


A leitura foi muito rápida. A linguagem é simples, bem para crianças leitoras que já se iniciaram no mundo dos livros, lá pelos seus 12 anos, até porque ele é um livro longo, de 224 páginas, e poucas ilustrações, mas bacanas – adoro obras ilustradas. Em algumas páginas há umas notas de rodapé – colocadas pelo editor (N.E.) – que são dispensáveis, como quando explica o que é uma cristaleira. Não há necessidade de colocar tudo mastigado para a criança. O bacana também é fazê-la sair em busca das respostas.

Bem, a história gira em torno de três amigos, Zack, Poppy e Alice. Eles são muito amigos e sempre se reúnem na casa de Poppy para brincar com seus bonecos e criar histórias fantásticas.

Cada família age de uma forma bem distinta. Os pais de Poppy a deixam ser livre, a casa é bem bagunçada e ninguém se importa. Alice mora com a avó superprotetora, que não a deixa fazer quase nada e qualquer deslize – como passas meia hora do tempo estipulado para estar em casa – é um castigo na certa. Isso deixa a menina muito apreensiva e medrosa, nunca se aventura a nada. Zack mora com os pais, ou melhor, com a mãe e o pai que voltou para casa depois de ficar longe por três anos. Agora ele quer descontar os atrasados e tentar ser o pai bom, que se importa, mas ele não consegue, pois não sabe exatamente como agir.

O pai não é presente e quer se fazer, obrigando o filho a abandonar sua melhor época, ou seja, a sua infância, e crescer para não ser zoado na escola por brincar com bonecos e se tornar um adulto responsável.

Mas Zack ainda é uma criança e não quer perder isso. Ele adora criar histórias e brincar com as amigas.

Então surge o dia em que Poppy começa a ter sonhos estranhos com a Rainha, o nome que deram à boneca que vive na cristaleira, a menina recebe uma mensagem e convida os amigos a buscar o que ela pede em sonho. É o dia de começar viver aventuras de verdade, nada de faz de conta.

Em Boneca de ossos (#Irado, 224 páginas) a autora, Holly Black (1971), criou uma bela história de amizade, superação e conhecimento. Li em pouco tempo e não me arrependi em nenhum momento de ter aceitado esse passeio, essa aventura. Em algumas partes me vi realmente dentro da história, sendo uma das crianças, pois eu tive uma infância massa, em que criei muito e me diverti tanto, que ainda não abandonei esse meu lado, por isso gosto de escrever para os pequenos e também para aqueles que não se esqueceram desse tempo, O menino que perdeu a magia fala exatamente disso, de não perder os sonhos, a magia da infância. Foi uma experiência bem massa. Leiam!

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Editora: #Irado
Título original: Doll Bones
Tradução: Bárbara Menezes
Ilustrações: Eliza Wheeler
ISBN: 9788581633916
Ano: 2014
Páginas: 224
Skoob
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19 de abr. de 2014

Resenha: O BGA - O Bom Gigante Amigo - Roald Dahl

Livro emprestado da Biblioteca Pública do Paraná

Mais um livro do mestre Roald Dahl (1916-1990). Ele sabe escrever e conversar com as crianças - de todas as idades, eu tenho 30! É fantástico ler histórias que nos fazem pensar, nos fazem sorrir e querer pegar mais obras do autor. Leio e releio, uma atrás da outra e nunca me canso. É mágico.

O BGA - O Bom Gigante Amigo (Editora 34, 288 páginas, R$36) é desses livros que nos encantam. Essa é a história do gigante bom, que sopra sonhos para as pessoas. Os gigantes não aparecem para as pessoas, mas um dia ele é visto pela pequena Sofia, que mora num orfanato. Então o BGA a leva para a Terra dos Gigantes, para escondê-la.

Na Terra dos Gigantes, Sofia descobre que o gigante na verdade nem é tão grande assim, ele sofre por ser o menor de todos. E ainda é desprezado pelos outros por ser vegetariano, quando todos adoram comer "serumano" - assim mesmo, eles têm um vocabulário ímpar -, o BGA prefere ficar com as horríveis "nabobrinhas".

Assim o BGA, que não gosta muito de ser contrariado, e Sofia, uma menina bastante curiosa e inteligente, passam por aventuras e medos. Logo os dois descobrem a amizade. E também de repente ficam sabendo de um plano terrível dos outros gigantes, então acabam por envolver até mesmo a Rainha da Inglaterra para dar um jeito de frustrar o intento dos maus.

É um livro de leitura rápida. Flui como todas as obras do genial Roald Dahl. A escrita é simples, e esse é o ingrediente especial do autor, que sabe usar muito bem. Suas histórias geralmente são cheias de desafios, vitórias para quem age bem e consequência para os maus.

E essa é mais uma parceria com o ilustrador Quentin Blake, que sempre consegue completar as histórias de forma fantástica. Bem, eu adoro o seu traço.

Então mais um livro recomendado.

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Editora: Editora 34
ISBN: 8573261293
Ano: 1999
Páginas: 288
Ilustrações: Quentin Blake
Tradutor: Angela Mariani
Skoob
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Leia também
+ Resenha: O Remédio Maravilhoso de Jorge - Roald Dahl
+ Resenha: Matilda - Roald Dahl
+ Os dez direitos do leitor, por Daniel Pennac e ilustrações de Quentin Blake

21 de mar. de 2014

Resenha: Píppi Meialonga - Astrid Lindgren


Que livro interessante!

Confesso que resisti um tanto para ler Píppi Meialonga. Não sei descrever exatamente o motivo, mas a obra me chamava e eu sempre virava as costas. Então, esses dias fui à Biblioteca Pública do Paraná e lá estava o livro novamente me chamando. Desta vez não o ignorei, abracei e o trouxe para casa.

Em poucas horas me deliciei lendo as aventuras dessa menina tão sapeca.

Esse primeiro título conta a história de como Píppi foi morar sozinha. Não tão só assim, ela tem a companhia do sr. Nilson e do cavalo que comprou, pois era seu sonho ter um.

A casa, chamada de Vila Vilekula, em que ela vai morar fica ao lado da casa dos irmãos Tom e Aninha, que torciam para que uma criança bem legal mudasse para lá, de modo que pudessem ser amigos.

Píppi é tão interessante. Conhece várias brincadeiras e sempre dá um jeito para não ficarem aborrecidos, sem o que fazer. E crianças adoram estar em movimento.

Um dia, Píppi resolve fazer biscoitos. Como quer fazer muitos, precisa de um grande espaço, então abre a massa no chão da cozinha.

Quando ela resolve que quer tirar férias, quer ter folga, vai à escola, pois não tem como entrar em férias se não estuda. Mas estudar não dá muito certo. Píppi é hiperativa, não para quieta um minuto e quer fazer o que tem vontade, por isso a professora diz que ela pode ir para casa e voltar quando tiver vontade.

Píppi diz que perdeu o pai no mar, ele acabou parando em uma ilha e se tornou o rei dos canibais – mas não dá pra saber se é real ou criação da menina –, a mãe morreu quando ela era pequena.

Morando sozinha, Píppi pode fazer o que bem entende.

– Você mora aqui completamente sozinha? – perguntou Aninha.
– Claro que não! – disse Píppi. – O senhor Nilson e o cavalo também moram aqui.
– É, mas... Quer dizer... Você não mor com seu pai e sua mãe?
– Não, não moro! – disse Píppi, satisfeita.
– Mas quem avisa você quando está na hora de ir para a cama, e coisas desse tipo? – perguntou Aninha.
– Eu mesma me aviso – disse Píppi. – Primeiro falo calmamente; se não obedeço, falo um pouco mais alto; se continuo não obedecendo, aí tenho de me dar umas palmadas, vocês entendem?

Essa é a delícia de se ler um livro juvenil. A autora, Astrid Lindgren (1907-2002), não vê problemas em colocar uma menina morando sozinha, fazendo todas as atividades que tem vontade e conquistando os adultos, que aprendem a respeitá-la e aceitá-la na vila.

Píppi Meialonga é feito em papel couché, lançado pela Editora Companhia das Letrinhas em 2001, tem 160 páginas e custa R$35. Virou série em 1969. O livro é divertido e com linguagem simples, cheio de ilustrações, algumas coloridas, feitas por Michael Chesworth.  

Píppi Meialonga é um clássico da literatura juvenil e eu recomendo a leitura.

As continuações: Píppi a bordo (160 páginas) e Píppi nos mares do Sul (144 páginas).

*****
Editora: Companhia das Letrinhas
Título original: Pippi Langstrump
Tradução de: Maria de Macedo
ISBN: 9788574060972
Ano: 2001
Páginas: 160
Skoob | Companhia das Letrinhas
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27 de fev. de 2014

Resenha: O livro do cemitério - Neil Gaiman

E de repente O livro do cemitério pula na minha frente e pede para ser lido. Pois pedi licença aos outros volumes que estava lendo e foi o que fiz, tomei em minhas mãos a obra e a li. Melhor, a devorei. Em um dia estava órfã de mais um livro de Neil Gaiman.

O livro do cemitério (Editora Rocco, 336 páginas, R$39,50) já começa com suspense, e há muito mais durante a história.

“A mão estava no escuro e segurava uma faca”, é assim que inicia a história. E sabemos do seu nome. “O homem chamado Jack”, é desta forma que se referem a ele quando aparece ou é citado.

O homem chamado Jack quer matar toda a família daquela casa em que entrou. Pois acontece que, enquanto está no quarto dos pais, o bebê foge engatinhando pela porta da frente – a única pista é a fralda que deixou no caminho.

Mas o bebê se dá bem e consegue ir para um lugar... seguro. O cemitério ali perto. E de repente o assassino chega para procurar o menino, mas ele já está escondido. Os fantasmas o pegam e querem cuidar dele. Alguns são contra, mas logo todos passam a sentir amor por aquela criança especial – especial, pois está viva! Simas diz que será seu guardião e poderá trazer alimentos e o que mais o menino precisar.

Assim ele ganha um nome, Ninguém Owens – sobrenome da família que o adota –, e passa a viver feliz, aprendendo com os novos amigos como se tornar invisível, por exemplo. Mas ele é proibido de sair do cemitério, há essa aura de suspense e medo sobre o que o aguarda lá fora.

Um dia ele conhece uma menininha viva, então se tornam os melhores amigos. Os pais dela a levam ali para brincar, pois há uma reserva natural e onde moram não têm essa liberdade. Mas a pequenina se muda um dia e Ninguém fica ali, com seus amigos fantasmas.

Aprendendo com seu guardião Silas, e crescendo... Vivendo entre túmulos, e tudo é normal para ele.

Vemos Nin, como é carinhosamente chamado, se tornar um adolescente um pouquinho rebelde, um pouco curioso com o mundo, como é normal a todos. Assim muitas aventuras começam quando um dia o menino deseja ir à escola de verdade, conhecer pessoas vivas e aprender com elas. Promete que fará com que não o percebam lá. E os professores esquecem de colocá-lo na chamada, esquecem quem ele é... Mas Nin é bom e não gosta como os colegas tratam as crianças menores...

Neil Gaiman é sensacional nas descrições do lugar e da sensibilidade de cada personagem, em fazer o leitor ficar preso à história, que é sombria e sempre escura e um tanto sombria. Não há muitas cores. Há aprendizados, crescimento e amizade.

O livro do cemitério permaneceu na lista dos mais vendidos do The New York Times por mais de 50 semanas. Entre outros livros, Neil Gaiman também é autor de Os lobos dentro das paredes, os quadrinhos Sandman, Os livros da magia, Coraline...

As ilustrações massa ficam por conta de Dave McKean.

Não conseguia largar do livro e, em poucas horas, tinha terminado. Mas senti uma falta enorme dos personagens, queria que ser mais longo, porque essa é uma daquelas histórias eu poderiam se estender, e ter mais do que 336 páginas. Eu quero mais!

É incrível a forma que essa história me prendeu como há muito não acontecia. E claro que recomendo!

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Editora: Rocco
Título original: The Graveyard Book
ISBN: 9788579800122
Ano: 2010
Páginas: 336
Tradutor: Ryta Vinagre
Skoob | Editora Rocco
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23 de jan. de 2014

Meu livro em breve: O menino que perdeu a magia

Sabe quando dá um friozinho na barriga? Quando os braços ficam moles? Quando um sorriso bobo persiste?

Estou assim! Não aguento esperar, pensar...

Então está aí o meu bebê. Meu e da talentosa ilustradora Carolina Mancini.

A arte da capa é do Marcelo Amado, que ficou até tardão ontem criando. E ela ficou liiiinda! ♥


Logo mais trago notícias, ilustrações, novidades sobre o lançamento...

Curtam o Facebook da Editora!

Feliz!

22 de jan. de 2014

Resenha: A teia de Charlotte - E. B. White

Resenha de Celly Borges.

Talvez você conheça essa bela história de A teia de Charlotte mesmo sem ter lido o livro. Ela foi lançada no cinema em janeiro de 2007, com o nome de A menina e o porquinho e trouxe Dakota Fanning no papel da menina. No original, Julia Roberts fez a voz de Charlotte, e a trilha sonora é assinada por Danny Elfman.

E. B. White (Elwyn Brooks White 1899-1985) encanta em sua forma de contar essa magnífica história tão simples e ao mesmo tempo tão rica. Repleta de amizade e doces palavras.

Na fazenda, vários porquinhos nasceram à noite, então o senhor Arable sai com com seu machado naquela manhã, antes mesmo do café. Sua filha Fern fica horrorizada, pois descobre que um dos porquinhos nasceu raquítico e por este motivo não cresceria muito seria como um atraso para eles e teriam muitos gastos para criá-lo e precisaria ser sacrificado.

A menina corre até o pai, implora e acaba por impedir de cometer essa tamanha maldade.

Fern consegue ficar com o porquinho, a quem dá o nome de Wilbur, mas ele não poderá permanecer na fazenda por muito tempo, então, em comum acordo, o bichinho é vendido para o tio de Fern, que tem bastante espaço, pode cuidar do porco e a menina pode visitá-lo quando quiser o que ela faz bastante, sempre está lá com seu amiguinho. Senta-se num banquinho fora do cercado de Wilbur e passa tardes e mais tardes ali, quietinha.

Até que um dia uma notícia ruim chega, Wilbur será morto. Então entra em cena a Charlotte do título. Ela é uma aranha muito calma e querida. Faz suas teias perto na viga do celeiro do porquinho. Os dois são grandes amigos. Assim, Charlotte começa a tecer palavras como “Belo Porco” e “Incrível” para que as pessoas vejam o quanto Wilbur é especial e desistam de matá-lo.

É interessante ver esse trabalho de amizade, a busca pelo bem de um amigo querido que está em apuros. E ninguém o abandona.

Até podemos pensar que na verdade quem e especial é a aranha. Nesse caso, a questão é levantada pela senhora Zuckerman, tia de Fern:

“– Bem, parece que você está um pouco desnorteado. Acho que o que nós temos é uma aranha fora do comum.
– Oh, não – disse o senhor Zuckerman. – É o porco. Está escrito lá, bem no meio da teia”.

Então a fazenda se transforma.  Todo mundo quer conhecer esse porco diferente.

Na fazenda há outros animais, alguns não muito bem-vindos, como o interesseiro rato Templeton, que acaba tendo um papel bastante importante muito além de suas reclamações e má vontade.

Acontece que Charlotte consegue salvar o amigo e até mesmo fazê-lo participar de uma feira, onde mais aventuras acontecerão.

A teia de Charlotte (Charlotte's Web, Editora Martins Fontes, 206 páginas, R$39,30) foi publicado pela primeira vez em 1952 e traz várias belas ilustrações de Garth Williams. É de E. B. White o livro Stuart Little, que também foi filmado. A autora ganhou o Prêmio Pulitzer pelo conjunto de sua obra em 1978.

Essa leitura faz parte do Desafio Literário Skoob 2014.

Serviço
Título original: Charlotte's Web
Editora: Martins Fontes
ISBN: 8533619529
Ano: 2004
Páginas: 206
Tradutor: Valter Lellis Siqueira
SkoobMartins Fontes

Resenhista
Celly Borges é escritora, blogueira, sonhadora e depois que leu essa história, toda aranha que vê chama de Charlotte e todo rato, de Templeton. Tem um carinho imenso pelo livro e por isso recomenda a todos.

26 de dez. de 2013

Resenha: Os portões - John Connolly

Resenha de Celly Borges

Surpreendente!

Não tem como falar diferente de Os Portões (Editora Bertrand, 304 páginas, R$50), segunda obra de John Connolly publicada aqui numa belíssima edição pela Bertrand Brasil.

Há dois subtítulos, um que está na capa e completa o título: Os portões do Inferno estão prestes a se abrir - cuidado com o vão e outro, que está dentro: Os portões - um romance estranho para jovens estranhos.

Nesse livro, acompanhamos a história de Samuel, um menino de 11 anos que tem vários problemas pessoais. O pai abandonou ao filho e a esposa e simplesmente foi embora, os professores não o levam a sério, como quando ele tenta apresentar um trabalho escolar com um alfinete, e disse que ali, se olhar bem de perto, pode-se ver um número infinito de anjos dançando na cabeça do alfinete. Claro que, como alguns adultos adoram cortar a criatividade das crianças - principalmente os que também passaram por isso -, o professor acabou chamando a mãe de Samuel.

Mas a parte importante começa no dia 28 de outubro, quando Samuel decide sair a fim de pedir gostosuras ou travessura nas casas vizinhas - ele havia tomado uma iniciativa! Para ele isso é muito importante - mas lá vêm os adultos para estragar de novo.

A mãe, que desde que o pai os deixara, nunca saiu de casa para um encontro e naquela noite estava se arrumando muito, então não poderia ser simplesmente para jogar bingo com as amigas. Ela deixa uma babá muito relapsa para cuidar de Samuel.

Mas ele havia saído para pedir doces, quando chegou à cada dos Abernath, que não quiseram saber de conversa. Então Samuel percebe algo e espia pela janela do porão de seus vizinhos. Eles estão fazendo algo muito, muito estranho. O casal e mais dois amigos, o senhor e a senhora Renfield, estão mexendo com ocultismo, pois não têm nada melhor para fazer. Mas isso tem consequências graves! Faz com que um buraco no espaço-tempo fosse aberto e... sim, muita coisa ruim começa a acontecer, afinal, era um portal exatamente do Inferno para a Terra! E lá dentro estão os portões que precisam ser abertos.

Nesse tempo, conhecemos Nurd, O Flagelo das Cinco Deidades, que fora banido para a Terra Devastada, um lugar no Inferno bastante triste e solitário. Nurd é um dos personagens mais cativantes. Algumas de suas desventuras lembram o filme Little Nick - um diabo diferente - com Adam Sandler como protagonista. E Ozzy Osbourne aparece por lá para das uma ajuda! -, que é bom e quando vem para o lado de cá sempre acaba "morrendo", ou voltando para a casa, várias vezes por ser desastrado, e da mesma forma, Nurd é atropelado e sofre um pouco cada vez que é devolvido para sua Terra Devastada.

Os nomes das ruas são interessantes: [Edgar Allan] Poe, [H. P.] Lovecraft, [Algernon] Blackwood, quem curte literatura fantástica, vai reconhecer esses nomes, e se não os conhece, clique nos links e divirta-se. A casa onde tudo começa fica na avenida Crowley, 666. O nome foi inspirado em Aleister Crowley, um homem considerado muito mau - e louco. O número dispensa comentários.

O livro é repleto de partes engraçadíssimas, com muitas notas de rodapé que não tem como ficar sem rir. John Connolly foi minha grande descoberta esse ano, também li sua outra obra, O livro das coisas perdidas, que segue o mesmo padrão de Os Portões, com verniz em toda a capa imitando couro, e com relevo.

John Connolly (Dublin - 1968) é um autor fantástico, daqueles que sempre faço questão de enfatizar: não subestima seus leitores. Há informações e não há receio de contar a história como ela é.

Esse é o livro 1, que tem na sequência Hell's Bells e The Creeps, ainda inéditos no Brasil. O segundo será lançado aqui em 2014. Essa é uma das poucas séries que ultimamente me deixaram com vontade de ler suas continuações. E logo!

Serviço
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528617702
Ano: 2013
Páginas: 304
Tradutor: Dênia Sad
SkoobEditora Bertrand BrasilJohn Connolly

Leia também
+ Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly
+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding

Resenhista
Celly Borges é escritora, sonhadora e, por mais que pareça loucura, adoraria viver uma aventura como a de Samuel.

11 de out. de 2013

Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly

Esse é um livro forte.

Quem não curte passagens fortes, deve lembrar que a vida é assim, veja os noticiários. Os jornais mostram muita crueldade acontecendo. E é real. As fábulas, em sua primeira forma, são terríveis! Depois passaram a ser relativamente bonitas. Imagino que alguém aí tenha dito “mas eu prefiro fantasia para fugir da realidade”, então eu digo “esta é uma história de fuga da realidade”.

O livro das coisas perdidas (Editora Bertrand Brasil, 364 páginas, R$40), de John Connolly, é fantasticamente cruel e verdadeiro! Enxerga-se ali a realidade. Nele, o menino David é mimado, não sabe dividir nada, nem o pai com a madrasta, que tenta ser uma boa pessoa, mas ele não dá abertura. Ele toma como se Rose tivesse roubado o lugar de sua mãe, que morrera. Quando ele ganha um irmãozinho, sente ciúmes e raiva. Mas o que aquela criança fez, além de ser o fruto do amor de duas pessoas?

Na nova casa o menino fica no quarto que era de um antigo parente de Rose, a madrasta. Então, um dia David começa a ouvir os livros, sim, eles falam, eles gritam. Então, numa noite ele atravessa para outro mundo em busca da voz de sua mãe, que o chama, pede que vá salvá-la. Mas ela estava morta... Aquele é um novo mundo. Um mundo cruel e também com pessoas boas. E lá há seres perversos como lobos, homens-lobo... e o Homem Torto.

É tudo uma fábula. O livro das coisas perdidas é uma grande fábula bem escrita, que me fez ter curiosidade, eu queria saber mais e mais. E é forte, triste, terrível. Eu chorei. É tão palpável, real. Um mundo em um livro que me fez parar e pensar em muitos pontos da vida. O quanto vale pensar nos problemas, até mesmo nas picuinhas nas redes sociais que vemos todos os dias acontecendo, por exemplo, e esquecer do importante, daquilo que temos de real... de viver.

David busca, sem perceber, melhorar como pessoa e com os outros. É a evolução do personagem que o leitor acompanha e, se der a chance, cresce junto. Talvez possa dizer que crescemos com qualquer livro, e isso é verdade! É só dar a chance. Há cousas boas em tudo. Mas e precisamos estar abertos para isso. Para notá-las e não somente o errado, o ruim.

Me identifiquei com algumas partes, como quando David tem alguns TOCs.

Enquanto David está em sua jornada, encontra bizarrices que são construídas pelos moradores. E, além disso, há versões das fábulas clássicas, algumas são contadas e em outros momentos o menino encontra os personagens de uma forma, digamos, bem diferente. Como uma Branca de Neve obesa, e seus sete anões acuados. Ele precisa chegar ao rei, precisa que ele o ajude, com tal livro que possui, a voltar ao seu mundo. Mas aí está um grande problema... Simplesmente leia!

Serviço
 Editora: Bertrand Brasil
Título original: The book of lost things
ISBN: 9788528615470
Ano: 2012
Páginas: 364
Tradutor: Cecilia Prada
Skoob | Editora Bertrand Brasil

Leia também
+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding

18 de set. de 2013

Novos na estante!

Olá, leitores foufos, tudo bem?

Passei em frente a um sebo que já tinha visto antes, mas nunca entrei e hoje eu não seria o dia, porém, algo me fez ir até a estante de livros juvenis, e sim, depois de dar uma rápida olhada pensando "não quero encontrar nada, não posso...", foi que vi um livro que procurava há muito, Moonfleet, o tesouro do Barba Negra, de J. Meade Falkner, numa adorável edição. Adoro histórias de tesouros, mar, piratas!

Pedi licença para a moça que estava por ali e me estiquei toda para alcançar na prateleira mais alta, abracei o livro e o trouxe para casa pela quantia de R$15 - consegui um descontinho, estava R$18. O legal foi que, quando cheguei em casa, minha mãe disse que me daria de presente, então não paguei nada! Sou uma criança duplamente feliz!

Sinopse:

Moonfleet é a cidadezinha na costa da Inglaterra onde começa a história de John Trenchard. É ali que o jovem de 15 anos dá início a sua busca pelo tesouro do Barba Negra, um diamante enorme, mas que tem a fama de provocar desgraça a todos que o possuem. Tesouro, contrabandistas, cercos policiais, fugas e toda sorte de aventuras compõem esse livro delicioso.

Embora seja ignorado pelos cânones oficiais da literatura — talvez por ter escrito pouco ou mesmo porque os intelectuais desprezam os romances de aventura —, o inglês John Meade Falkner (1858-1932) é um escritor imensamente talentoso. E o próprio leitor, ao final deste Moonfleet, terá feito duas coisas que nem todos os grandes nomes da literatura, por mais consagrados que sejam, conseguem provocar num mesmo livro: rir e chorar.

Moonfleet é um título da Coleção Clássicos de Aventura, da Editora Record, que reúne, em novas traduções, alguns dos principais livros de aventura de todos os tempos, tais como: A ilha do tesouro, Ela, Ayesha, Robinson Crusoé e As viagens de Gulliver. A coleção é organizada pela tradutora e escritora Heloisa Seixas, autora de diversas obras de ficção.


Passando outro dia pelo sebo, quando voltava de uma consulta ao dentista - como era para sofrer, então me dei o direito de comprar um livro de presente para mim e meu amore. Depois de uma rápida conversa com o livreiro, um senhor que entende bastante do mundo literário, fui até a prateleira onde estava O Anatomista, de Federico Andahazi, não li nada do autor e estou muito curiosa, pois já vi opiniões positivas sobre suas obras. Ah, esse saiu por R$10!

Sinopse:

Os anatomistas – na Renascença – eram estudiosos do corpo humano. Mateo Colón era um desses anatomistas e, em meados do ainda obscuro século XVI, se apaixona por uma belíssima prostituta veneziana – Mona Sofia. Mas a cortesã desdenha friamente dos sentimentos de Mateo. Ele inicia, então, a busca por uma poção, uma substância, qualquer coisa que possa fazer com que Mona se apaixone por ele. Pensando na mulher amada é que ele descobre as maravilhas operadas por uma parte da anatomia – e da alma – feminina totalmente desconhecida até então: o Amor veneris, ou, como é mais conhecido hoje, o clitóris. Porém, para transmitir seus novos conhecimentos a Mona, Mateo precisa antes enfrentar o horror da Inquisição.

Neste romance, Federico Andahazi combina todo o ardor e a elegância do seu estilo com uma visão cruel do ser humano, atingindo a fórmula da sedução irremediável do leitor.

Federico Andahazi nasceu em Buenos Aires, em 1963. É escritor e psicanalista. O anatomista, seu primeiro romance, foi publicado em 1996 e converteu-se em um êxito internacional, sendo traduzido para mais de 30 idiomas. Andahazi é autor, também de As piedosas (1998), O segredo dos flamencos e Errante en la sombra e no Brasil esse ano será lançado sua mais recente obra O Livro dos Prazeres Proibidos, pela Editora Bertrand Brasil.


Novos livros na estante da tia Celly

Os outros títulos da foto recebi hoje da Editora Novo Conceito para resenha.

  •  Dois Rios - T. Greenwood
Harper Montgomery vive ofuscado pela tristeza. Desde a morte de sua mulher, há 12 anos, ele aprisionou-se em uma pequena cidade, Dois Rios, onde todo mundo se conhece, porque ali — justifica-se — poderia criar melhor sua única filha. Atormentado pelo desgosto, Harper prefere esconder-se. Mas a verdade é que a morte de sua mulher é somente um dos motivos de sua dor. Além de sofrer por sua perda, ele se sente culpado por um ato abominável: quando mais jovem foi cúmplice de um crime brutal e sem sentido. Há muito sentimento em jogo quando se trata de sua vida cheia de remorsos... Então, um acidente de trem oferece a Harper a chance de redenção: uma das sobreviventes, uma menina de 15 anos, grávida, precisa de um lugar para ficar, e ele se oferece para levá-la para casa. No entanto, a aparição dessa menina, Maggie, não tem nada de simples acaso, talvez, ela tenha alguma coisa a ver com o crime do qual ele participou um dia...


  • Quando uma garota entra em um bar... - Helena S. Page
Então você se arrumou toda para uma noite de amigas, daquelas onde só as mulheres participam, mas suas amigas mudaram de planos sem avisar e, agora, você está sozinha em um bar superbacana, arrumada e perfumada, e sem saber bem para onde ir... O que você faz? Aproveita que já está por ali, pede uma tequila e dá uma boa olhada no yuppie que está na mesa ao lado? Ou pede uma cerveja e vai pra perto do palco arrebatar o baterista? Pode ser que você prefira uma paquera com o rapaz de botas de bico fino e músculos trabalhados que está encostado à parede. Ou, quem sabe, tomar um café com o bombeiro que está cuidando da segurança dos clientes e que, neste instante, está verificando o funcionamento do extintor... E isso tudo só pra começar! A escolha é sua — e você tem um mundo de possibilidades nesta noite que parecia começar mal! Só não espere que esta experiência seja como outra qualquer, porque esta noite ficará definitivamente marcada em sua memória de erotismo e paixão. Divirta-se com esta definitiva experiência sensual onde você, e só você, terá o controle de seu próprio prazer!


  • Corações feridos - Louisa Reid
 Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa. Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa. No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte... Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?
  • O amor mora ao lado - Debbie Macomber
Lacey Lancaster sempre quis ser esposa e mãe. No entanto, depois de um divórcio bastante doloroso, ela decide que é hora de dar um tempo em seus sonhos e seguir sozinha mesmo. Mas não tão sozinha: sua gatinha abissínia, Cléo, torna-se sua companhia de todas as horas. Até é uma vida boa — um pouco aguada, é verdade — a de Lacey. A não ser por seu escandaloso vizinho, Jack Walker. Quando Jack não está discutindo, sempre em voz muito alta, com sua namorada — com quem insiste em morar junto — está perseguindo seu gato, chamado Cão, pelos corredores do prédio. E Cão está determinado a conseguir que a gatinha Cléo sucumba aos seus avanços felinos. Jack e Cão são realmente muito irritantes. Mas acontece que a primeira impressão nem sempre é a que fica...
  • Os adoráveis - Sarra Manning
Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida — na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria “Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award. Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai, o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” — Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar desde que ¬ ficaram pela primeira vez.
  • Até eu te encontrar - Graciela Mayrink
O quanto uma mudança de cidade pode afetar uma vida? Você acredita em alma gêmea? Como você se sentiria se não gostasse do grande amor da sua vida? É o que Flávia vai descobrir ao deixar Lavras, onde mora com os tios desde o acidente que matou seus pais, quando era criança. Aos dezoito anos, ela decide estudar Agronomia na Universidade Federal de Viçosa, trocando o sul de Minas pela Zona da Mata do mesmo Estado na esperança de uma "mudança de ares". Em sua nova vida, ela conhece Sônia, amiga de infância de sua mãe e agora sua vizinha, que lhe conta a história de sua família materna, até então desconhecida para Flávia. Embora o passado não seja sua maior preocupação, Flávia reluta em aceitar seu destino e ainda precisa superar uma paixão não correspondida pelo seu melhor amigo. Para se ver livre dessa rejeição, ela tenta atrair sua alma gêmea para Viçosa e descobre que o grande amor de sua vida é uma pessoa que ela não suporta. 

Skoob

Estou muito curiosa com todas as obras. E vocês, leitores, compraram e/ou ganharam muitos livros?

6 de set. de 2013

Resenha: Esperando por você - Susane Colasanti

Ganhei esse livro de um amigo que disse “Eu sei que você vai gostar”.

Esperando por você conta a história de Marisa, uma menina americana comum. Ela vai passar as férias em um acampamento de artes e, quando volta, está na hora de recomeçar o ano letivo, então ela fica apreensiva, pois deseja que esse seja diferente, que algo realmente importante, que mude a sua vida e de sua melhor amiga, Sterling, aconteça.

Todo sábado as amigas tiram a noite para elas, já que não têm namorados. E Marisa passa também bastante tempo com Nash, seu melhor amigo e nerd. Sterling é a parte doidinha da história, e Marisa a mais centrada.

Marisa fica perdida, confusa, entre amores, não sabe que caminho seguir, nem seu coração ajuda muito, esse é basicamente o enredo.

A ideia pode parecer bastante simples, e é! Não é daqueles livros que voltarei a ler logo ou mesmo que penso em reler, mas a primeira leitura foi bastante agradável e a forma como foi escrita prende e faz querer chegar ao final logo, aliás, um final que o leitor já sabe, mas quer experimentar, quer ler. Esperando por você é uma história com humor, amor e conflitos, não só apenas adolescentes, mas muitas vezes de quem está apaixonado.

Geralmente quando é a narração na terceira pessoa e no presente, o livro não consegue me prender, parece forçado e é muito difícil manter uma história boa desta forma. Mas sendo pela visão do personagem e no presente, não encontro esse problema, como é o caso de Esperando por você.

Alguém que saiba pode ajudar: não sei como é, e se tem alguma palavra equivalente para “tipo” em inglês, mas fica bastante forçado e cansativo quando leio em histórias adolescentes, pois nem todos usam a palavra, nesse livro ela é colocada quase sempre para mostrar que o personagem é realmente jovem.

Nunca li muito esse estilo de história, mas meu amigo tinha razão, a leitura foi bem bacana! Depois busquei outros do gênero e também quero mais obras de Susane Colasanti, que são aqueles livros para ler entre uns mais aprofundados e descansar a mente.

Esperando por você é o segundo livro da autora, publicado no Brasil, o primeiro é Bem mais perto e há pouco foi lançado o terceiro Tipo destino, pela sinopse, todos seguem essa ideia da visão adolescente do mundo. Então é uma leitura leve e recomendada se você gosta de novidades – como foi para mim –, ou mesmo de histórias leves, com certeza vai passar algumas horas bem acompanhado.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630472
Ano: 2013
Páginas: 336
Tradutor: Luis Gonzaga Fragoso
Skoob | Novo Conceito

Leia também

23 de ago. de 2013

Resenha: Minha casa mal-assombrada - Angie Sage

Sabe aquele livro que chama pela capa?

Sei que muitos leitores passam por isso, e eu não sou diferente. Tenho olhos de criança e corro para pegar (ou clicar) quando vejo uma obra com capa bonita, ou seja, muitas vezes esse é o cartão de visitas, a forma de conhecê-la.

No caso, não conhecia o livro Minha casa mal-assombrada (Editora Rocco, 128 páginas, R$25), de Angie Sage – na verdade nunca tinha lido nada da autora que também escreveu a série Septimus Heap –, e a capa me chamou a atenção. A ideia é que a história tenha sido contada pela personagem Araminta Fantasmim, uma criança que sonha encontrar fantasmas, a Sage, que a transformou em livro.

A menina mora com sua tia Tatá e o tio Drac numa casa muito grande e antiga. Sem consultar ninguém, um dia a tia resolve que está cansada de cuidar de tudo sozinha e decide que venderá a casa. Araminta, que não tem amigos, se revolta, pois adora o lar e não quer morar num apartamento onde não tenha a possibilidade de encontrar fantasmas, então começa a fazer planos para frustrar a venda, mas uma hora isso não dá mais certo.

A história fica basicamente nisso. Tem algumas partes para rir, de resto é superficial. Tudo bem que a razão deve ser porque é contada pela visão de uma criança, mas é rasa demais. A fonte é grande, a fim de tornar o livro maior. E há palavras repetidas em vários parágrafos, o que cansa um pouco a leitura. Desta forma, talvez Minha casa mal-assombrada seja recomendado para meninos e meninas que gostem de histórias de fantasmas, que estejam começando a ler e a se interessar pelos livros, pois podem prestar mais atenção ao que acontece e nas ilustrações que realmente são massa e recheiam o livro todo.

Serviço
Editora: Rocco
ISBN: 9788561384821
Ano: 2009
Páginas: 128
Tradutor: Rita Sussekind
Skoob | Editora Rocco

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+ Resenha: Contos de Terror do Tio Montague - Chris Priestley


19 de ago. de 2013

Resenha: O grande resgate dos fantasmas - Eva Ibbotson

Ler Eva Ibbotson (1925-2010) é me encantar com cada página.

Sou fã de literatura juvenil, e a autora é uma das minhas favoritas. Seus textos são de uma delicadeza que vicia quem curte o gênero. Os personagens ganham vida, sentimentos, não estão ali sem motivos, tornam-se palpáveis. Por isso nos livros de Ibbotson sentido “degustar” a obra se torna real, o que muitas pessoas ainda julgam quando o termo é usado. Provavelmente nunca encontraram uma obra que permita a elas dar sentido à palavra. Mas sempre que leio os livros de Ibbotson sinto um sabor inexplicável e que me deixa extremamente feliz, desejosa de ler mais e mais – complexo para explicar e simples e rico para quem sente.

E cada vez que leio seus livros experimento ótimas sensações, encantamento é uma delas. Encontro esse efeito facilmente nos autores Michael Ende, Roald Dahl e Diana Wynne Jones, por exemplo. Mas sinto falta dessa essência em outros autores do gênero. Tenho lido livros juvenis de fantasia com atmosfera pesada, onde os personagens não vivem além de suas páginas, o que não me faz querer ler mais desses escritores e nem fazem falta, e isso é triste.

Em O grande resgate dos fantasmas (Editora Rocco, 128 páginas) passei horas de divertimento, como já aconteceu com Missão Monstro, da mesma autora. Esses são livros que leio rápido, sou admiradora e busco mais obras.

Nessa, Rick é um garoto comovido com o problema dos fantasmas. Não, ele não tem medo de encontrar com Humphrey, o Horrível – que de horrível não tem nada –; sua mãe, Mabel, uma bruxa; o pai, um fantasma escocês que não tem as pernas, pois as havia perdido em batalha, e tem uma espada fincada no peito e a tira para dormir; o irmão mais velho, George, uma Caveira Berrante, e a irmã, Winifred Lamentosa, que tem uma bacia de água que flutua à sua frente, e é usada para limpar suas manchas de sangue.

Como as moradas dos fantasmas estão sendo demolidas, transformadas em grandes empreendimentos modernos, não podem mais assombrá-las, então Rick resove ajudá-los a encontrar um novo lar. Pensa em uma espécie de santuário.

Acontece que no caminho mais e mais seres que descobrem a ideia se juntam à diligência, sem recusar ninguém, todos seguem em direção a Londres a fim de conversar com um membro do parlamento e apresentar a ideia do santuário. Como nem tudo é tão fácil, muitos percalços surgirão no caminho, como a tentativa de exorcismo.

Muitos fantasmas, vampiros e outros seres acompanharão Rick nessa gostosa aventura.

Li poucas histórias juvenis de fantasmas e o que vi em O grande resgate dos fantasmas foi bem bacana. Eva Ibbotson sempre apresenta histórias de desafios, apoio e amizade, e é o que o leitor encontra também nesse livro.

ServiçoEditora: Rocco
Título original: The Great Ghost Rescue
Páginas: 128
Ano: 2004
ISBN:85-325-1754-4
Skoob | Editora Rocco

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12 de ago. de 2013

Resenha: Easy, de Tammara Webber

Mais uma vez combinei com a foufa Cláudia Charão para resenhar um livro em comum que estamos lendo, dessa vez foi de Easy (Verus Editora, 305 páginas, R$30). Sempre acompanho seu blog, por isso quando dá certo a convido para resenhas duplas. Espero que curtam o livro escolhido e leiam a opinião da Cláudia no blog Concentrófoba!

Quando recebi o livro Easy, de Tammara Webber, não sabia exatamente do que se tratava e o que esperar. Por estar escrito na capa “Ela foi salva por um estranho. Ele às vezes é assombrado por um segredo... Às vezes o amor não é nada fácil...”, pensei que pudesse ser sobrenatural, e confesso que já estou cansada de seres cruéis, criaturas das trevas, que se apaixonam pela mocinha e assim mudam completamente sua forma de pensar e agir.

Pois bem, por algum motivo o livro me chamava, estava curiosa, então fui ler. Resultado: não conseguia largar enquanto não terminei. Não tem nada de sobrenatural. Ao contrário, é tudo muito real!

E era exatamente o que eu estava precisando ler nesse momento, algo diferente das leituras anteriores, que fosse leve, que falasse de amor. Porém, já adianto que esse livro tem partes pesadas também, extremamente sérias.

Já inicia com Jacqueline sofrendo um ataque de um aluno da faculdade onde ela estuda, tentando abusá-la sexualmente. A cena é tão forte, é tão real, que causa angústia, medo. Ela sai sozinha à noite de uma festa, pois seu namorado havia terminado com ela há pouco tempo, está entrando em seu carro no estacionamento e de repente é atacada.

É quando que surge um rapaz misterioso, que a ajuda e evita algo pior, dando muitos socos no sujeito. Porém, numa forma de fuga do que acontecera, ela resolve não contar, não dar parte à polícia sobre o ocorrido. Um erro de muitas mulheres com medo de inúmeros pontos, como se o cara voltar, ou então coisas tão simples e que pesam no coração de quem sofre o abuso, como acabar com a festa que acontece ali perto... Esse pensamento revolta quem está de fora, e é algo que, se não for denunciado, certamente acontecerá com outras pessoas.

O rapaz que a ajuda de repente parece que está em vários dos lugares em que Jacqueline vai. Mas pode ser também que ela nunca tenha notado sua presença, pois só tinha olhos para o ex-namorado, aquele que, por um motivo infantil e totalmente egoísta, termina o namoro de três anos. A questão agora é descobrir quem é esse homem misterioso e qual o seu nome.

Também há cenas quentes, de sexo e amor, que são de uma delicadeza, são tão reais, tão visíveis, de tanta cumplicidade e respeito! O conjunto formou uma história apaixonante, daquelas que deixam saudade. Daquelas que fico com vontade de mais e mais.

A questão da violência sexual volta a ser discutida ao longo de Easy, e é tão forte quanto a primeira vez que acontece. Um tema bastante delicado para se trabalhar e conseguir levar até os jovens de forma que não os deixem com medo da vida, mas que mostre a realidade, e a autora conseguiu encaixar em um livro com a história principal mais leve, o que permite o aviso sem ser didático.

Tammara Webber é, sem dúvida, uma grande escritora, que soube transmitir em texto a delicadeza do amor. Como muitas meninas gostam de ser tratadas, que sonham com o namorado, não digo perfeito, mas certo para elas. Aquela peça que se encaixa.

Easy é apaixonante e sentirei saudades dos personagens.

Serviço
Editora: Verus
ISBN: 9788576862468
Ano: 2013
Páginas: 305
Tradutor: Ivar Panazzolo Junior
Skoob | Verus Editora | Blog Concentrófoba

Sobre a autora
Tammara Webber escreve livros para jovens e adultos. Ela se descreve como uma romântica incorrigível que adora livros com final feliz, porque já existem muitos finais tristes na vida real. Antes de ser escritora em tempo integral, ela foi orientadora acadêmica na Universidade do Texas, monitora de economia, gerente de planetário, atendente de clínica de radiologia e a pessoa mais pálida que já trabalhou num salão de bronzeamento artificial. Tammara se casou com o namorado da época de escola, com quem tem três filhos e quatro gatos.

Leia também
+ Dica de leitura: De volta para Casa – Karen White
+ Dica de leitura: O projeto Rosie - Graeme Simsion

19 de abr. de 2013

Resenha: A Garota que Podia Voar - Victoria Forester

Nessa aventura de Victoria Forester, sua primeira, acompanhamos a história de Piper, uma menina que nasceu e foi criada em uma fazenda, desta forma, seus pais evitam que tenha muitos contatos com pessoas de fora.

A mãe, uma temente a Deus, tem medo sobre o que todos pensarão caso descubram o segredo de sua filha, o estranho dom de voar. Por esse motivo os pais a proíbem até mesmo de ir à escola.

Porém, voar é mais forte para a menina, e certo dia resolve passear por aí.

Como percebem que ela deseja muito ter contato com outras crianças, os pais resolvem levá-la ao piquenique da igreja. Mas Piper não se contém é sai voando durante um jogo de beisebol, a fim de pegar a bola. Todos ficam chocados.

Depois do episódio, chegam à fazenda muitos homens e uma mulher bastante bonita e elegante que deseja levar Piper para um lugar especial em que poderá estudar sem se preocupar. A família aceita e, sem saber, a menina entra numa grande enrascada. A partir daí acompanhamos muitas aventuras.

O lugar se mostra muito estranho. Há uma parte bastante tensa, quando Piper começa a encontrar no laboratório de testes experimentais animais em situação de risco, como uma tartaruga que carrega nas costas um bloco pesado. É uma cena chocante, que sabemos que é real. Todos os dias animais são submetidos a testes absurdos, são mortos para que dondocas usem suas peles...

Apesar da capa ser muito bonita e chamar a atenção, entrega parte da história, quando a mulher surge já sabemos quem ela é, e que, pela sua imagem, não será boa pessoa. E, assim como muitos autores, J. K. Rowling por exemplo, alguns nomes já denunciam a personalidade dos personagens.

O começo me remeteu ao livro O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, numa parte em que fala sobre a diferença entre adultos e crianças, o que é real ou não. No livro que aborda a história da Filosofia, diz que um menino vê o pai fazendo a barba todos os dias, usando aparelhos estranhos, então acaba por achar que é tudo normal, até mesmo quando o pai flutua na cozinha e a mãe se assusta, pois, para ela, isso não é certo.

Quer dizer, o certo e o errado muitas vezes vêm de convenções sociais, ou seja, mesmo que algo seja bom, ou não ofereça risco, como no caso de voar, a mãe de Piper não deseja que a filha o faça por receio do que os vizinhos pensarão. E a felicidade se esvai por essas limitações. 

A Garota que podia voar (Ciranda de Letras, 266 páginas, R$36) tem o miolo todo em papel couché, que o torna a obra um pouco mais pesada do que o comum, e a questão de ser um papel muito branco, pensei que tornaria a leitura difícil, mas não. É um livro interessante, com algumas partes de tirar o fôlego, infelizmente o final é um pouco corrido. Mas vale a leitura, sim.

Leia também outros livros que falam do mesmo tema: O Menino Alquimista e Menino de Asas.

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Editora: Ciranda de Letras
ISBN: 9788562018077
Ano: 2012
Páginas: 266
Tradutor: Otacílio Nunes
Skoob | Ciranda de Letras
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Sobre a autora
Victoria Forester cresceu em uma fazenda em Ontário, no Canadá, depois de se formar na Universidade de Toronto, sua paixão por contar histórias a levou a escrever um curta metragem para o CBC. Sua carreira como roteirista rendeu muitos elogios e prêmios, como o Bank Street Best Children’s Book of the Year. O livro A Garota que Podia Voar, que primeiramente era roteiro de filme para a Paramount Pictures, está entre os top 10 romances para a juventude.

Leia Também:

+ Os melhores livros juvenis - Parte 1
+ Resenha: Menino de Asas
+ Resenha: O Menino Alquimista

26 de mar. de 2013

Resenha Especial: A Casa dos Muitos Caminhos - [2 anos sem] Diana Wynne Jones

Estou órfã.

Quando li a última frase de A Casa dos Muitos Caminhos (Galera Record, 304 páginas, R$44,90) foi esta a sensação que tive, infelizmente Diana Wynne Jones, essa grande criadora, contadora e escritora nos deixou em 26 de março de 2011, exatamente há 2 anos, por conta de um câncer no pulmão.

Não poderei mais encontrar Howl, Sophie, Calcifer e o próprio Castelo Animado. Me senti mal por isso, de verdade. Bateu uma tristeza tão grande... A série Castelo Animado – os três livros – entrou para a lista dos favoritos.

Em A Casa dos Muitos Caminhos, Charmain é uma menina que ama os livros, vive com a cara afundada neles, e deseja trabalhar na Biblioteca Real. Mas um dia a tia Semprônia a leva para cuidar da casa do tio-avô William Norland, um mago que está doente e precisa se retirar a fim de se tratar.

Como a menina leva uma boa vida sem fazer nada, somente lendo, a tia lhe questiona se conseguirá cuidar da casa, e também se Charmain sabe magia. Nessa parte ela gagueja, mas a tia não percebe. Sua mãe “não achava que a magia fosse algo distinto”, por isso a menina nunca aprendeu nada.

Já na casa, descobre que o tio deixou muitas mensagens, se ela não soubesse como fazer algo, era só perguntar alto que ele responderia. Descobre também que a casa não é comum, ela realmente tem muitos caminhos. No início, entrar por uma porta, voltar e encontrar um lugar diferente pode parecer meio difícil, mas depois se acostuma.

Na casa, que está uma verdadeira bagunça, cheia de roupas e louça suja – sem torneira para lavá-las, pois os kobolds as arrancaram, Charmain encontra uma pequena amizade, o cachorrinho Desamparado, que se revela mais uma DesamparadA.

De repente chega Peter, um menino que diz ter ido aprender magia com o senhor William, mas, mesmo ele não estando, o garoto acaba ficando. Ele ajuda Charmain nas complicadas tarefas do dia a dia – é um tanto desastrado –, mas a menina por vezes não reconhece seu apoio, como quando ele arruma o seu quarto e Charmain fica revoltada, pois ela queria aprender a ter responsabilidade e fazer as tarefas, e como conseguiria se alguém sempre fazia tudo para ela?
Nessa aventura Charmain encontra antigos personagens, o sapeca Howl, Sophie e Calcifer, o demônio do fogo, que trazem uma ajuda mais do que bem-vinda.

A Casa dos Muitos Caminhos mostra a amizade, a paciência que precisa ter para conseguir conviver, pois precisamos abrir mão de certas atitudes que estamos acostumados e saber dividir e aprender com os outros.

Não posso simplesmente falar que é mais um livro de Jones. Talvez possa dizer que é mais um livro incrível de uma de minhas autoras favoritas (tanto que o banner do Mundo de Fantas é uma imagem da animação de O Castelo Animado, dirigida por Hayao Miyazaki).

O Castelo no Ar
Os livros que compõem a série são histórias à parte, mas que unidos formam uma maior. Em todos eles o leitor encontra o trio Howl, Sophie e Calcifer. Eles deixam saudade.

Diana Wynne Jones (16 de agosto de 1934 - 26 de março de 2011) escreve de maneira a prender o leitor, e o faz querer mais e mais. Cursou inglês na Universidade de Oxford e foi aluna de C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Escreveu mais de 40 obras, infelizmente poucas foram lançadas no Brasil. Da série Os Mundos de Crestomanci nem todos os livros foram traduzidos, apenas 5 dos 7 títulos.

Jones inventou uma das melhores histórias que já li. A série toda, O Castelo Animado, O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos, é altamente recomendada.


Primeiros parágrafos

- Charmain deve ir - disse a tia Semprônia. - Não podemos deixar o tioávô William enfrentar sozinho.
- Seu tio-avô William? - espantou-se a Sra. Baker. - Ele não é... - ela tossiu e baixou a voz poque isso, para ela, era muito desagradável. - Ele não é um mago?

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Altamente recomendado
Editora: Galera Record
Título original: The House of Many Ways
Tradução de: Raquel Rampil
ISBN: 8501086061
Ano: 2010
Páginas: 304 
Skoob | Galera Record
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Leia as resenhas de O Castelo Animado e O Castelo no Ar

21 de mar. de 2013

Resenha: O Menino Alquimista - Juarez Nogueira

"Dá-se a verdade a todos, mas dela usam segundo a crença de cada um".

Quando li pela primeira vez O Menino Alquimista, lá em 2009, foi como se eu fizesse uma descoberta! Não conhecia ninguém que tivesse lido, não achei nada, nenhuma informação sobre o autor, mas era tudo bem interessante.

O livro, na verdade, me chamou, como explico na primeira resenha, e adorei, era tão diferente. Depois de um tempo quem acabou me encontrando foi o próprio autor. Gentilmente Juarez Nogueira entrou em contato para agradecer a resenha, imagina a alegria que fiquei! Conversamos um pouco e depois nos distanciamos.

Eis que, certo dia em 2012, Juarez reaparece e quer me enviar seu livro infantil Quando falar é fazer (Gulliver Editora, 24 páginas)! Fiquei muito feliz por ter se lembrado de mim. Interessante também é que, na época da primeira resenha eu morava no Paraná, agora estou em Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte, e não é que Juarez Nogueira mora bem pertinho, em Divinópolis?

Acabamos nos conhecendo pessoalmente no lançamento de Quando falar é fazer. E fico muito feliz de dizer que ele esteve no lançamento do meu livro infantil Em busca do arco-íris de sonhos (Fantas, 20 páginas)!

Bem, a Gulliver Editora me mandou a nova edição, revista e ampliada, num formato diferente (12x20), que traz uma bela capa e espero mesmo que você, leitor, curta tanto essa fantástica história quanto eu.

Em Tempo Sempre mora o Menino. Lá, sua avó conta que muitas crianças perdem as asas quando crescem. E essa parte me recorda uma incrível coincidência que se deu essa semana durante minhas leituras. Não consigo ler apenas um livro por vez, então, enquanto alternadamente lia três, algo me chamou a atenção: todas as obras falavam de algo em comum: asas, crianças e sonhos. Menino de Asas (Editora Ática, 80 páginas), de Homero Homem, trata de algo mais real, apesar de o menino possuir asas reais, a história não passeia tanto pelo fantástico quanto nas outras duas. Em A Garota que Podia Voar (Ciranda de Letras, 266 páginas), de Victoria Forester , é mais fantástico, Piper, a protagonista, não tem asas, mas passa pelo mesmo que o Menino de Asas, a sociedade impõe regras, as de não ser diferente.

Aliás, esse é o assunto principal nos dois livros, o que a sociedade não vê com bons olhos. Em O Menino Alquimista (Gulliver Editora 208 páginas) não se mostra dessa forma, mas em alcançar uma resposta para uma busca comum, mas muito importante.

O Menino, como é simplesmente conhecido – e ele pode ser qualquer um de nós, leitores –, encontra um livro num baú que sua avó deixou quando morreu. Nele havia uma estranha palavra que, ao ler, faz o menino adormecer. Quando acorda, está próximo ao mar. Um garoto que está ali o ajuda em sua travessia. Abre o mar e lá foi o Menino, que vê como o mundo foi criado.

Durante sua jornada, encontra vários seres, muitos personificados, como a Vida, uma violinista, o Medo, um jardineiro, a Verdade, uma senhora calma e sábia. E fica frente a frente até mesmo com o Diabo. E todos o guiam através das páginas.

Então assim segue sem parar em sua viagem de busca.

Durante essa jornada, o Menino aprende bastante, pois é assim que acontece. Cada vez que encontramos alguém, se dermos oportunidade e deixarmos nosso ego de lado, aprendemos com ele. O Menino ouve e então fica mais rico.

Mas esse é um caminho solitário, apesar de tudo, de tantas pessoas e seres... isso é passageiro, não permanece por muito tempo. Nossa vida é desta forma.

Andamos uma vida toda em busca do saber. Uma pessoa curiosa vai atrás para desvendar os mistérios que a cercam, sejam quais forem, não aceita viver uma vida cômoda. E no caminho sempre encontramos pessoas, conhecemos sentimentos interessantes. É desta forma que crescemos. É o caminho natural, se o aceitarmos.

E o Menino Alquimista é bom em encontrar e descobrir. A história toda é repleta de simbolismos e citações em meio a uma busca que todos passamos, mesmo que para alguns em menor intensidade, e para outros signifique uma grande viagem pelo desconhecido, para que se quebrem as barreiras e se descubra o motivo. O conhecimento.

O Menino Alquimista já ganhou o selo FNLIJ/Altamente Recomendável e em 2013 completa 10 anos de sua primeira publicação. Sem dúvida, é altamente recomendado também para os leitores do Mundo de Fantas.

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Altamente Recomendado
Edição: 2
Editora: Gulliver
ISBN: 9788565432009
Ano: 2012
Páginas: 208
Skoob | Blog do Juarez Nogueira | Gulliver Editora
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Serviço
Juarez Nogueira estará no dia 12 de Abril de 2013 na Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, RS
Horário: das14 às 15h
ENTRADA FRANCA
Memorial do Rio Grande do Sul
Rua Sete de Setembro, 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico
Porto Alegre – RS – CEP: 90010-191
Informações: 51-3224.7210 – memorial@sedac.rs.gov.br