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9 de jan. de 2014

Resenha: Doce procura - Kevin Alan Milne

Resenha de Celly Borges.

Doce Procura (Editora Record, 320 páginas, R$40) não é uma história simples e doce.

Há chocolates e há Biscoitos do Azar – que têm um gosto ruim e dentro, ao invés de ter um papel com uma boa sorte, ele sempre fala algo amargo. Sophia é a mulher triste que escreve, dona da loja de chocolates.

Essas mensagens amargas também estão no início de cada capítulo, como forma de mostrar quão ruim é o futuro de quem se culpa pelo passado e não consegue resolvê-lo, apagá-lo.

Mas esse passado de Sophie, como é chamada, é terrível. Por 20 anos ela se culpa pela morte dos pais, quando ela era uma menininha de nove.

Por culpa de um biscoito da sorte, que dizia

“A felicidade é um dom que brilha dentro de você
O seu verdadeiro desejo se realizará em breve”.

Então, quando estão indo embora do restaurante, Sophie diz que seu desejo é um chocolate e seu pai avisa que ela já havia comido sobremesa, ele olha o papel que ela segura, tentando provar que a sua felicidade é isso, e...

A felicidade vai embora naquele momento, só sobra Sophie, que cresce se culpando pela morte de tanta gente, afinal, seus pais e outras duas pessoas foram envolvidas no acidente.

Mas sempre chega o dia de mudar, então sua mãe de criação – o texto nunca deixa esquecer isso! – resolve se juntar a uma amiga e arranjar um encontro às cegas para os filhos. Assim Sophie conhece Garret, a “brincadeira” dá tão certo que acabam ficando noivos. E um dia, sem motivos, Garret diz que quer terminar tudo, não explica nada e deixa Sophie depressiva, até que ela cria o Biscoito do Azar, em homenagem a ele.

Depois de um ano sem notícias, Garret reaparece e quer conversar, precisa de apenas um encontro, então Sophie diz que para isso ele precisa colocar um anúncio num jornal com o título “Procura-se felicidade” e precisa conseguir cem respostas verdadeiras – que Sophie fará questão de selecionar muito, muito bem.

O nome original é Sweet Misfortune, ou seja Doce Infortúnio, e de Doce Procura não ter nada, pois é uma busca sofrida. Provavelmente muitos passem por essa busca de si, talvez não de forma tão intensa, mas de maneira a parar e querer mudar... ou arrumar as coisas.

Me vi algumas horas com os olhos cheios de lágrimas. Há o sentimento da culpa, remorso, abandono, isso é tudo muito triste, capaz de tornar qualquer um numa pessoa amarga. Mas Sophie terá que reencontrar o passado para, enfim, deixá-lo ir.

Doce Procura, apesar do tom amargo, é uma linda história que mostra os vários lados do sofrimento de famílias que passaram pela situação. Num primeiro momento comecei a ler e acabei abandonando o livro - não faço ideia do motivo -, depois voltei a ele e li muito rápido e curti cada minuto e me arrependi de não ter terminado antes.

Serviço
Editora: Record
ISBN: 9788501097255
Ano: 2013
Páginas: 320
Tradutor: Ana Carolina Mesquita
Skoob | Editora Record

Resenhista
Celly Borges é escritora, revisora, sonhadora, adora chocolate e nunca pegou um biscoito da sorte... nem do Azar.

25 de set. de 2013

Resenha: O amor mora ao lado, de Debbie Macomber

Quando peguei o livro O amor mora ao lado, de Debbie Macomber – neste momento estou lendo vários no estilo e curtindo tanto! –, pensei que talvez fosse como os últimos lidos, gostoso e com partes que nos fazem refletir sobre a vida, nossas escolhas, mas esse é muito simples, raso e não foi o que esperei.

Lacey Lancaster é uma mulher sozinha, que passou por um divórcio doloroso, por isso muda de cidade e durante um ano não consegue deixar de ser amargurada e insegura. Não sai com ninguém para tentar esquecer do passado. Ela é tão insegura que quando tenta pedir um aumento ou que suas horas extras sejam remuneradas, não consegue e pega cada vez mais trabalho para o qual nem foi contratada.

Um dia, ela percebe que Cléo, sua gata, está no cio, e precisa cruzá-la logo. Ela foi comprada – não comprem! Adotem! – e a moça do pet shop passou um contato de quando ela precisasse cruzar a gata, assim poderia vender os filhotes de raça – eu tive dois trecos lendo isso, não comprem, não vendam! Adotem e doem os bichinhos de estimação! Então, nesse dia, quando já não aguenta mais o próprio impasse em pedir aumento, seu vizinho que briga o tempo todo com a namorada e de seu apartamento ela pode ouvir, acaba saindo do sério e vai até ele, bate na porta e Sarah, a namorada, está chorando, passa por ela e vai embora, enquanto isso, Jack Walker aparece e a cobra por suas tentativas de encontrar Lacey para sair e conversar, mas ela sempre dá um jeito de fugir dele, pois o julga um mulherengo e ainda briga tanto com Sarah, não a respeita. Enquanto conversam, Cão – esse é o nome do gato adotado de Jack – escapa e vai ao apartamento de Lancey, que você, leitor, já imagina o que acontece quando encontra Cléo naquele estado.

Depois, quando descobre que a gata fica prenha, Lacey pede que Jack a ajude com as despesas, então os dois precisam se ver mais vezes. Nesse meio tempo segredos são descobertos...
 
No final do livro, para deixá-lo maior visualmente, há algumas receitas de petiscos para gatos, e depois o primeiro capítulo de A Pousada Rose Harbor, da mesma autora. Sendo assim, das 160 páginas, 20 são para outras cousas que não a história...

O amor mora ao lado (Editora Novo Conceito, 160 páginas, R$24,90) é uma leitura muito rápida, terminei em poucas horas, pois, além de não ser aprofundada, a fonte é grande e espaçosa. A história até conseguiria prender, mas quando começa a ficar interessante, acaba. Não dá tempo de ver as qualidades, defeitos, pegar amor ou raiva dos personagens. Por exemplo, Lacey só conversa por telefone com a melhor amiga; tudo é resolvido muito rápido e de forma simples. Uma pena, poderia ter sido melhor desenvolvida.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630526
Ano: 2013
Páginas: 160
Tradutor: Paula Gentile Bitondi

6 de set. de 2013

Resenha: Esperando por você - Susane Colasanti

Ganhei esse livro de um amigo que disse “Eu sei que você vai gostar”.

Esperando por você conta a história de Marisa, uma menina americana comum. Ela vai passar as férias em um acampamento de artes e, quando volta, está na hora de recomeçar o ano letivo, então ela fica apreensiva, pois deseja que esse seja diferente, que algo realmente importante, que mude a sua vida e de sua melhor amiga, Sterling, aconteça.

Todo sábado as amigas tiram a noite para elas, já que não têm namorados. E Marisa passa também bastante tempo com Nash, seu melhor amigo e nerd. Sterling é a parte doidinha da história, e Marisa a mais centrada.

Marisa fica perdida, confusa, entre amores, não sabe que caminho seguir, nem seu coração ajuda muito, esse é basicamente o enredo.

A ideia pode parecer bastante simples, e é! Não é daqueles livros que voltarei a ler logo ou mesmo que penso em reler, mas a primeira leitura foi bastante agradável e a forma como foi escrita prende e faz querer chegar ao final logo, aliás, um final que o leitor já sabe, mas quer experimentar, quer ler. Esperando por você é uma história com humor, amor e conflitos, não só apenas adolescentes, mas muitas vezes de quem está apaixonado.

Geralmente quando é a narração na terceira pessoa e no presente, o livro não consegue me prender, parece forçado e é muito difícil manter uma história boa desta forma. Mas sendo pela visão do personagem e no presente, não encontro esse problema, como é o caso de Esperando por você.

Alguém que saiba pode ajudar: não sei como é, e se tem alguma palavra equivalente para “tipo” em inglês, mas fica bastante forçado e cansativo quando leio em histórias adolescentes, pois nem todos usam a palavra, nesse livro ela é colocada quase sempre para mostrar que o personagem é realmente jovem.

Nunca li muito esse estilo de história, mas meu amigo tinha razão, a leitura foi bem bacana! Depois busquei outros do gênero e também quero mais obras de Susane Colasanti, que são aqueles livros para ler entre uns mais aprofundados e descansar a mente.

Esperando por você é o segundo livro da autora, publicado no Brasil, o primeiro é Bem mais perto e há pouco foi lançado o terceiro Tipo destino, pela sinopse, todos seguem essa ideia da visão adolescente do mundo. Então é uma leitura leve e recomendada se você gosta de novidades – como foi para mim –, ou mesmo de histórias leves, com certeza vai passar algumas horas bem acompanhado.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630472
Ano: 2013
Páginas: 336
Tradutor: Luis Gonzaga Fragoso
Skoob | Novo Conceito

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2 de set. de 2013

Resenha: De volta para Casa – Karen White

E se de repente você parasse e percebesse que sua vida teve um hiato de 15 anos?

Na verdade, não exatamente um espaço em branco, mas como se todo esse tempo não significasse quase nada, a não ser uma época cinza, de tristeza e raiva pelo que sua irmã mais nova fez e não consegue perdoá-la, afinal, o perdão de uma traição é muito difícil, principalmente se essa infidelidade tenha vindo de duas pessoas que se ama.

Em De volta para casa (Editora Novo Conceito, 448 páginas, R$34,90), de Karen White, Cassie passa pelo trauma de ter seu namorado roubado pela irmã, por isso muda, ou foge, para Nova Iorque e durante 15 anos não volta para casa. Nesse tempo, se encontra com o pai algumas vezes, longe da antiga cidade e ele conta como estão todos e entrega fotos de seus sobrinhos. Mas agora, como um autodesafio precisa voltar, pois ele está muito doente e deseja revê-la antes de partir.

Então conversa com o namorado, com quem mora, e diz que deve ir logo. Andrew se mostra frio e somente preocupado com os dias em que ela faltará ao trabalho. Ele aparece pouco na história, mas dá para perceber, em suas ligações, que não se importa com nada além de si mesmo. Como quando Cassie está triste com a perda do pai, Andrew pede que ela volte logo para fechar um grande negócio. Nunca pergunta como ela está, ou se precisa de algo. Até mesmo para ceder seu carro para a ida até Walton, na Geórgia, ele hesita, mas acaba aceitando.

Em sua terra natal, Cassie reencontra toda a sua vida, a verdadeira, a que abandonou para fugir de todos e dela mesma. Ainda que diga que era por um sonho. Lá, encontra seus amigos de escola, vizinhos e sua irmã, o marido e cinco filhos – a mais velha, Maddie, de 14 anos, é muito parecida com a tia, fisicamente e em temperamento, que só viu a sobrinha por fotos. As duas se tornam bastante amigas.

Reviver o passado é complicado quando se passa por uma dor tão grande e que a distância e a saudade deixaram ainda maior. Mas se Cassie tivesse resolvido e não fugido, não precisaria passar por tantos momentos desagradáveis – ou que ela os toma desta forma por ser mais fácil.

Ela encontra o pai e ele aguenta pouco tempo, somente o necessário para ver finalmente suas filhas juntas. Quando ele morre, as duas começam a se reaproximar lentamente, com aquele medo de dar espaço a outra. Harriet tenta mais, mas encontra uma barreira de ressentimento.

A passagem da morte é muito rápida, quase não há um sentimento pela perda. A história fica em torno da vida dos moradores do local e da casa – que Cassie herdou – e a tentativa de venda. Ela quer permanecer na cidade até passar para alguém que saiba que não vai mudá-la, transformá-la em algo que mude a rotina da pequena cidade. Enquanto isso Andrew liga para cobrar sua volta. Enfim Cassie percebe – o que o leitor já percebeu há muito tempo – que não ambos não sentem tanta falta um do outro. O que dá a entender é que eles são práticos e querem permanecer juntos por conta da vida que já montaram, mesmo que o amor não seja tão intenso, ou nem ao menos exista. Essa é uma ideia comum, muitos casais se acostumam com a vida que levam e depois um machuca o outro muitas vezes sem intenção de fazê-lo. Ou falta o tempero do interior nesse romance frio.

Mas Cassie é bem cabeça dura, tem sua vida – que julga ser ótima – em Nova Iorque, não aceita ter que ficar mais tempo na cidade, ter que conviver com pessoas tomando conta de sua vida – o que acontece em cidades pequenas, em que todos se conhecem e se ajudam – como Sam, um antigo colega que ela quase nem prestava atenção, e que mudou muito, se tornou médico, e uma pessoa sempre presente para levá-la aonde quiser. Às vezes parece que ele não tem muito que fazer por ali.

Assim, De volta para casa trata de temas fortes, como abandono de si, traição, família, de passado não resolvido que atrapalha o presente, pois faz com que fique sendo remoído enquanto não há uma conversa definitiva. Também há reencontros, amores e amizades.

Tirando a parte da revisão que pecou um pouco – há tantas partes “sorriso no rosto”, “piscou os olhos”, e outros erros que me incomodaram –, posso dizer que chorei ao ler o livro, tem partes tão intensas, que dão vida aos personagens. Parece que são amigos reais. Em vários momentos, enquanto não estava lendo, me pegava pensando em cada um, como ajudá-los, fazer Cassie enxergar a vida... Enfim, De volta para casa é uma ótima leitura.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632414
Páginas: 448
Ano: 2013
Tradutor: Fernanda Campos de Paiva Castro Bulle
Data de Lançamento: 24 de julho de 2013

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