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21 de nov. de 2013

Resenha: Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar - Joseph Jacobs (org.)

Resenha de Celly Borges

Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar traz uma seleção de contos de origem celta, alguns dão ênfase à figura feminina, mostram bruxas boas e más, de qualquer forma elas são seres fortes que ajudam os homens, os guiam para seu destino bom ou mau.

São histórias que não trazem o que pode ser chamado de “real”. Há o absurdo do fantástico, como um bolo falando; três grãos de cevada que caíram no chão para duas pombas que saíram de dentro de um copo. Tudo é possível quando se precisa de objetos de alegoria para dar ao conto o sentido ou a moral que o autor quer/precisa passar. É o que a literatura concede ao autor: ser livre para criar.

Falarei um pouco sobre alguns contos:

Em A visão de MacConglinney, um dia um rei se vê atormentado pelo fato de uma besta passar a morar em seu estômago, fazendo com que o homem tenha uma fome absurda. O rei come, come e come, o quanto precisa para satisfazer o ser em seu interior, come tanto que causa a ruína de Munster. Mas aonde vai parar toda essa comida? Como a besta entrou em seu estômago? Isso realmente não importa, aqui a questão é outra. Não há a necessidade da explicação de como fora parar lá. Essa é a liberdade que falo, simplesmente a besta já estava ali quando o conto tem início.

No conto Os filhos de Lir, depois que Lir não é nomeado como principal soberano, um acordo é firmado e ele pode escolher para se casar com uma das três filhas do rei. Então Lir opta pela mais velha. Depois de um tempo tiveram dois filhos e mais tarde ela deu à luz gêmeos, nessa ocasião ela morreu.

Lamentando o ocorrido, o soberano mandou outra filha para casar com o viúvo. Mas Oifa, esse era seu nome, passou a sentir ciúmes dos quatro enteados, pois seu marido dava a eles muita atenção e carinho. Então ela resolve fazer feitiços terríveis para as pobres crianças. Aqui o arrependimento toma conta da moça.

O conto As mulheres de chifres apresenta a história de doze mulheres, que uma a uma chegam à casa de uma rica mulher enquanto a família e os empregados dormem. Ela abre a porta acreditando ser uma vizinha. A primeira que chega é a Feiticeira de Um Chifre, e assim vai, até a última, com doze chifres, entrar. São bruxas más, que tentam fazer mal à família.

Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar (Martin Claret, 144 páginas, R$19,90) teve contos retirados dos livros Contos de fadas celtas e Mais contos de fadas celtas, organizados pelo folclorista australiano Joseph Jacobs (1854-1916).

Essa bela edição faz parte de uma coleção lançada pela Martin Claret, que conta com vários títulos de contos de literatura fantástica: Rosto de caveira, os filhos da noite e outros contos, de Robert E. Howard (1906-1936), autor de vários gêneros, entre eles espada e feitiçaria. E também fazem parte: Princesas e damas encantadas, Heróis muito espertos, Duendes, gigantes e outros seres fantásticos, Os melhores contos orientais, O príncipe e outras fábulas modernas. Qualquer título custa R$19,90.

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A editora fez um ótimo trabalho na parte visual, a diagramação traz o interior de toda a coleção sempre em duas cores – nesse volume predomina o preto e o roxo – e também na revisão da obra. Há belas ilustrações que deixam o título mais interessante. De leitura rápida, o fiz em uma tarde. Recomendo esses contos de fadas clássicos.

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Serviço
Editora: Martin Claret
ISBN: 9788572329668
Páginas: 144

18 de set. de 2013

Novos na estante!

Olá, leitores foufos, tudo bem?

Passei em frente a um sebo que já tinha visto antes, mas nunca entrei e hoje eu não seria o dia, porém, algo me fez ir até a estante de livros juvenis, e sim, depois de dar uma rápida olhada pensando "não quero encontrar nada, não posso...", foi que vi um livro que procurava há muito, Moonfleet, o tesouro do Barba Negra, de J. Meade Falkner, numa adorável edição. Adoro histórias de tesouros, mar, piratas!

Pedi licença para a moça que estava por ali e me estiquei toda para alcançar na prateleira mais alta, abracei o livro e o trouxe para casa pela quantia de R$15 - consegui um descontinho, estava R$18. O legal foi que, quando cheguei em casa, minha mãe disse que me daria de presente, então não paguei nada! Sou uma criança duplamente feliz!

Sinopse:

Moonfleet é a cidadezinha na costa da Inglaterra onde começa a história de John Trenchard. É ali que o jovem de 15 anos dá início a sua busca pelo tesouro do Barba Negra, um diamante enorme, mas que tem a fama de provocar desgraça a todos que o possuem. Tesouro, contrabandistas, cercos policiais, fugas e toda sorte de aventuras compõem esse livro delicioso.

Embora seja ignorado pelos cânones oficiais da literatura — talvez por ter escrito pouco ou mesmo porque os intelectuais desprezam os romances de aventura —, o inglês John Meade Falkner (1858-1932) é um escritor imensamente talentoso. E o próprio leitor, ao final deste Moonfleet, terá feito duas coisas que nem todos os grandes nomes da literatura, por mais consagrados que sejam, conseguem provocar num mesmo livro: rir e chorar.

Moonfleet é um título da Coleção Clássicos de Aventura, da Editora Record, que reúne, em novas traduções, alguns dos principais livros de aventura de todos os tempos, tais como: A ilha do tesouro, Ela, Ayesha, Robinson Crusoé e As viagens de Gulliver. A coleção é organizada pela tradutora e escritora Heloisa Seixas, autora de diversas obras de ficção.


Passando outro dia pelo sebo, quando voltava de uma consulta ao dentista - como era para sofrer, então me dei o direito de comprar um livro de presente para mim e meu amore. Depois de uma rápida conversa com o livreiro, um senhor que entende bastante do mundo literário, fui até a prateleira onde estava O Anatomista, de Federico Andahazi, não li nada do autor e estou muito curiosa, pois já vi opiniões positivas sobre suas obras. Ah, esse saiu por R$10!

Sinopse:

Os anatomistas – na Renascença – eram estudiosos do corpo humano. Mateo Colón era um desses anatomistas e, em meados do ainda obscuro século XVI, se apaixona por uma belíssima prostituta veneziana – Mona Sofia. Mas a cortesã desdenha friamente dos sentimentos de Mateo. Ele inicia, então, a busca por uma poção, uma substância, qualquer coisa que possa fazer com que Mona se apaixone por ele. Pensando na mulher amada é que ele descobre as maravilhas operadas por uma parte da anatomia – e da alma – feminina totalmente desconhecida até então: o Amor veneris, ou, como é mais conhecido hoje, o clitóris. Porém, para transmitir seus novos conhecimentos a Mona, Mateo precisa antes enfrentar o horror da Inquisição.

Neste romance, Federico Andahazi combina todo o ardor e a elegância do seu estilo com uma visão cruel do ser humano, atingindo a fórmula da sedução irremediável do leitor.

Federico Andahazi nasceu em Buenos Aires, em 1963. É escritor e psicanalista. O anatomista, seu primeiro romance, foi publicado em 1996 e converteu-se em um êxito internacional, sendo traduzido para mais de 30 idiomas. Andahazi é autor, também de As piedosas (1998), O segredo dos flamencos e Errante en la sombra e no Brasil esse ano será lançado sua mais recente obra O Livro dos Prazeres Proibidos, pela Editora Bertrand Brasil.


Novos livros na estante da tia Celly

Os outros títulos da foto recebi hoje da Editora Novo Conceito para resenha.

  •  Dois Rios - T. Greenwood
Harper Montgomery vive ofuscado pela tristeza. Desde a morte de sua mulher, há 12 anos, ele aprisionou-se em uma pequena cidade, Dois Rios, onde todo mundo se conhece, porque ali — justifica-se — poderia criar melhor sua única filha. Atormentado pelo desgosto, Harper prefere esconder-se. Mas a verdade é que a morte de sua mulher é somente um dos motivos de sua dor. Além de sofrer por sua perda, ele se sente culpado por um ato abominável: quando mais jovem foi cúmplice de um crime brutal e sem sentido. Há muito sentimento em jogo quando se trata de sua vida cheia de remorsos... Então, um acidente de trem oferece a Harper a chance de redenção: uma das sobreviventes, uma menina de 15 anos, grávida, precisa de um lugar para ficar, e ele se oferece para levá-la para casa. No entanto, a aparição dessa menina, Maggie, não tem nada de simples acaso, talvez, ela tenha alguma coisa a ver com o crime do qual ele participou um dia...


  • Quando uma garota entra em um bar... - Helena S. Page
Então você se arrumou toda para uma noite de amigas, daquelas onde só as mulheres participam, mas suas amigas mudaram de planos sem avisar e, agora, você está sozinha em um bar superbacana, arrumada e perfumada, e sem saber bem para onde ir... O que você faz? Aproveita que já está por ali, pede uma tequila e dá uma boa olhada no yuppie que está na mesa ao lado? Ou pede uma cerveja e vai pra perto do palco arrebatar o baterista? Pode ser que você prefira uma paquera com o rapaz de botas de bico fino e músculos trabalhados que está encostado à parede. Ou, quem sabe, tomar um café com o bombeiro que está cuidando da segurança dos clientes e que, neste instante, está verificando o funcionamento do extintor... E isso tudo só pra começar! A escolha é sua — e você tem um mundo de possibilidades nesta noite que parecia começar mal! Só não espere que esta experiência seja como outra qualquer, porque esta noite ficará definitivamente marcada em sua memória de erotismo e paixão. Divirta-se com esta definitiva experiência sensual onde você, e só você, terá o controle de seu próprio prazer!


  • Corações feridos - Louisa Reid
 Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa. Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa. No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte... Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?
  • O amor mora ao lado - Debbie Macomber
Lacey Lancaster sempre quis ser esposa e mãe. No entanto, depois de um divórcio bastante doloroso, ela decide que é hora de dar um tempo em seus sonhos e seguir sozinha mesmo. Mas não tão sozinha: sua gatinha abissínia, Cléo, torna-se sua companhia de todas as horas. Até é uma vida boa — um pouco aguada, é verdade — a de Lacey. A não ser por seu escandaloso vizinho, Jack Walker. Quando Jack não está discutindo, sempre em voz muito alta, com sua namorada — com quem insiste em morar junto — está perseguindo seu gato, chamado Cão, pelos corredores do prédio. E Cão está determinado a conseguir que a gatinha Cléo sucumba aos seus avanços felinos. Jack e Cão são realmente muito irritantes. Mas acontece que a primeira impressão nem sempre é a que fica...
  • Os adoráveis - Sarra Manning
Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida — na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria “Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award. Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai, o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” — Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar desde que ¬ ficaram pela primeira vez.
  • Até eu te encontrar - Graciela Mayrink
O quanto uma mudança de cidade pode afetar uma vida? Você acredita em alma gêmea? Como você se sentiria se não gostasse do grande amor da sua vida? É o que Flávia vai descobrir ao deixar Lavras, onde mora com os tios desde o acidente que matou seus pais, quando era criança. Aos dezoito anos, ela decide estudar Agronomia na Universidade Federal de Viçosa, trocando o sul de Minas pela Zona da Mata do mesmo Estado na esperança de uma "mudança de ares". Em sua nova vida, ela conhece Sônia, amiga de infância de sua mãe e agora sua vizinha, que lhe conta a história de sua família materna, até então desconhecida para Flávia. Embora o passado não seja sua maior preocupação, Flávia reluta em aceitar seu destino e ainda precisa superar uma paixão não correspondida pelo seu melhor amigo. Para se ver livre dessa rejeição, ela tenta atrair sua alma gêmea para Viçosa e descobre que o grande amor de sua vida é uma pessoa que ela não suporta. 

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Estou muito curiosa com todas as obras. E vocês, leitores, compraram e/ou ganharam muitos livros?

28 de jun. de 2013

Resenha: O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello

Há 146 anos (28 de Junho de 1867), em Agrigento/Girgenti, na Sicília, nascia Luigi Pirandello, autor de O Falecido Mattia Pascal (1904), Um, Nenhum e Cem Mil (1926), entre outros romances, e peças. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1934. Faleceu em 10 de Dezembro de 1936.

Sobre O Falecido Mattia Pascal (Abril Coleções, 314 páginas), não sei o motivo, mas esse livro me chamou.

Hoje estou com poucas opções de leitura, pois vou mudar de casa e os livros já estão embalados. A questão é que tinha acabado de reler A Metamorfose, de Franz Kafka, e ainda estava nessa vontade de ler algo diferente, talvez um clássico desconhecido por mim. Então, fui até uma das poucas caixas que estão abertas, devolvi Kafka e Pirandello me olhou com olhos brilhantes.

Queria colo. Aceitei levá-lo comigo.

No começo a leitura é um pouco arrastada. Mattia Pascal narra sobre sua infância, em que passa muitas adversidades, e dá vontade de abandoná-lo, contudo, por algum motivo desconhecido - já que não tenho nenhum problema em abandonar livros que não estão me cativando, seja para sempre ou para voltar em algum momento - continuei a leitura.

Mattia se casou e sua mulher deu à luz gêmeas, uma morreu em pouco tempo, a outra faleceu alguns anos depois, no mesmo dia em que sua avó materna também se foi. A vida desse homem não era fácil. A mulher não se cuidava mais, a sogra implicava com ele.

Pois um dia Mattia se revolta com essa vida. Ele, um bibliotecário em uma cidade que não lê, resolve sair de casa. Confesso que depois dessa parte comecei a gostar de passear pelas desventuras desse homem que se descobre, ao ler um jornal, morto.

Acontece que ele abandona a casa em que mora e vai para outra cidade onde acaba descobrindo o jogo de roleta e numa sorte de principiante, acaba ganhando muito dinheiro. Quando está em um trem a caminho de casa, fazendo cálculos de quanto e para quem deve, percebe que ficará sem nenhum tostão. Compra um jornal e lê a fatídica notícia de que seu corpo havia sido encontrado, Mattia Pascal tinha se matado!

Mas como não é um romance fantástico, e esse que nos acompanha não é um fantasma, o homem culpa a sogra de querer se livrar do peso e reconhecer Mattia em qualquer cadáver.

Pirandello se filiou ao partido fascista em busca de apoio para a sua companhia de teatro. "Ele assumiu - com a ajuda de Mussolini, antes de se tornar antifascista - a direção do Teatro d"Arte di Roma, em 1925, até sua morte" (...) "Ele chegou a doar sua medalha do Nobel ao governo fascista após a Itália declarar guerra à Etiópia, em 1935"¹. Fiquei sabendo desse "detalhe" depois de terminar a história, quando li sobre vida do autor no especial que contém no final da obra. Essa medalha, esse pequeno objeto, pode ter causado muita dor, pode ter sido transformado em uma arma, em balas. Um momento muito triste da História em que infelizmente alguns precisavam de apoio, mesmo que do lado errado, alguns, por medo, eram obrigados a isso... Enfim, não vou me aprofundar, pois não li nada mais sobre o assunto na vida do autor.

Mas essa edição da Abril Coleções, além de ser visualmente muito bonita, com capa dura e tecido, contém notas de rodapé que deixam o romance ainda mais rico. A história vale a pena ser lida.

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Editora: Abril
ISBN: 9788579710186
Ano: 2010
Páginas: 314
Tradutor: Rômulo Antônio Giovelli e Francisco Degani
Notas: Francisco Degani
Skoob
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¹Fonte: O Estadão

21 de jun. de 2013

Resenha: Ali Babá e os Quarenta Ladrões - As Mil e Uma Noites

Ultimamente estou bem curiosa com as histórias de As Mil e Uma Noites, essa vontade de conhecê-las surgiu quando li O Castelo no Ar, de Diana Wynne Jones, e logo busquei um dos mais conhecidos títulos, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, que na verdade ninguém tem certeza se sempre fez parte da coletânea ou foi colocado mais tarde.

Os contos dos livros As Mil e Uma Noites foram escritos há muitos anos, não se sabe exatamente por quem. É uma coletânea bastante conhecida no Oriente Médio e passou a ser difundida no Ocidente depois da tradução de Antoine Galland (1646-1715) para o francês em 1704, e conta a história de Sheherazade, uma mulher que depois de ter se casado com o sultão, que mandava cortar as cabeças de suas noivas no dia seguinte ao casamento, foi mais inteligente e todas as noites contava uma história, tomando o cuidado de interromper no momento mais interessante, deixando o marido sempre curioso para saber do final. Assim ele acaba se apaixonando pela esposa.

Em Ali Babá e os Quarenta Ladrões acompanhamos a história de Ali Babá, um pobre lenhador que precisa trabalhar muito debaixo de sol e chuva para sustentar a sua família.

Certo dia, enquanto corta lenha, se aproximam vários homens, mas Ali Babá consegue se esconder a tempo, subindo em uma árvore, também para saber o que tantas pessoas queriam ali.

Logo, percebe que são ladrões, então passa a ficar apreensivo. A sorte é que eles não percebem os três burrinhos parados ali perto. O que parece ser o chefe abre caminho por entre os homens, para em frente a um rochedo e grita: “Abre-te Sésamo!”. Ao falar a tão conhecida frase - quem nunca a ouviu? -, faz rolar uma grande pedra em uma passagem na montanha. Todos entram e passam um certo tempo lá.

Depois que os quarenta ladrões se vão, é a vez de Ali Babá, que já sabe o segredo da porta secreta, entrar. Ele consegue e lá dentro descobre um tesouro imenso! Para não dar muito na vista de que esteve ali, pega somente moedas, assim também seriam mais fáceis de negociar sem chamar a atenção de ninguém. E que fosse uma soma que pudesse dividir com conhecidos. Pega seus três burrinhos carregados de lenha e vai para casa.

Já em casa, mostra o tesouro à esposa, ela acredita que ele roubou alguém, mas depois tudo foi explicado e ficam bem. Então a mulher vai à casa de Cassin, seu cunhado, pedir um medidor grande à sua esposa.

Cassin e a mulher ficam bastante intrigados com a situação, pelo tamanho do medidor, eles não teriam tantos produtos para colocar nele. Então acabam por descobrir que o medidor serve para colocar moedas e saber, por alto, quanto de dinheiro eles têm.

Enquanto isso, os quarenta ladrões se dão conta de que falta ouro no esconderijo.

A ganância sobe à cabeça dos cunhados e a partir daí todos passarão por desafios, princípios desviados e demonstrações de amizade.

A história é rápida e simples, de leitura bastante agradável.

Ali Babá e os Quarenta Ladrões é o terceiro conto que leio e, sem dúvidas, me prendeu como os outros: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa e História de Simbad, o Marujo. Leia e se encante com essas histórias tão ricas.

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Editora: Hemus
ISBN: 8528903001
Ano: 2001
Páginas: 88
Skoob
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3 de jun. de 2013

Resenha especial: A Metamorfose - [89 anos sem] Franz Kafka

Há 89 anos morria Franz Kafka (3 de julho de 1883 – 3 de junho de 1924), autor de A Metamorfose. O volume traz uma alegoria sobre a mudança de vida. Sobre a difícil tarefa de escolher e seguir um caminho diferente, quando algo ou alguém, nesse caso a família, praticamente já o traçou, sem perguntar a opinião ou desejo do maior envolvido. É o mesmo que acontece quando a mãe, por exemplo, frustrada em seu sonho de ser modelo, o transfere para a filha, a privando de sua infância, um ótimo livro que aborda esse tema é o drama Distúrbio, da autora portuguesa Valentina Silva Ferreira.

Gregor Samsa é um jovem que precisa trabalhar como caixeiro viajante a fim de pagar a dívida dos pais com o gerente que o emprega. Os pais não têm mais condições de trabalhar, então o filho assume esse débito. O rapaz, deitado em sua cama, já no primeiro momento transformado num inseto, faz as contas de quantos anos ainda precisa trabalhar para saldar a dívida. É uma parte muito triste ver uma pessoa presa a um emprego que não faz bem. E ao mesmo tempo é tão comum que não percebemos, ainda assim dá um aperto no coração, talvez a sensação seja pela forma como é descrita, como tudo caminha no texto. Mais tarde ele descobre que sua família guarda dinheiro que bem poderia ter sido usado para quitar aquela antiga dívida e o libertar de tanto sofrimento para escolher uma profissão que não exija tanto, e que o agrade, é revoltante. Gregor logo tira esse pensamento de sua cabeça. Percebe-se que ele é uma boa pessoa, somente isso, então podem se aproveitar dessa bondade de quem não sabe dizer “não”, ou às vezes nem pode.

Outra parte que sempre que leio me assombra é a visão do pai jogando maçãs em Gregor. Kafka passa a repugnância sem palavras que o Sr. Samsa sente ao ver o filho transformado. Uma das frutas fica presa em suas costas e o acompanha durante a história, o fere mais do que a ferida física – feriu também a mim, leitora – apodrece...

Essa é uma história repulsiva, de um jovem que desperta e se vê transformado em um inseto gigante, para a vergonha de sua família, que, ao deixá-lo preso em seu quarto, tenta escondê-lo dos olhos dos outros. Não está escrito em que inseto Gregor Samsa se transforma, porém se faz implícito na mente de muitos leitores que é uma barata, a imagem já está fixada.

A irmã acaba, sem que seja solicitado, cuidando daquela criatura. E quando não suporta mais tenta persuadir a família, que na realidade já pensava em se livrar dele há muito.

Uma grande metáfora sobre mudança e as pessoas à volta terem dificuldade em aceitar o diferente do que a sociedade está acostumada, ou quando essas mesmas pessoas manipulam alguém para que consiga manter o conforto sem esforço.

Li a primeira vez a edição de bolso da L&PM Pocket (144 páginas) seguido de O Veredicto, e dessa vez a edição da Abril Coleções (93 páginas), as duas são muito boas, mas o interessante da primeira são as notas de rodapé. Leia um trecho da versão da editora L&PM Pocket.

O descaso com que o pai trata Gregor pode ser uma influência do pai do próprio autor, que o tratava muito mal. Kafka escreveu em 1919 o livro Carta ao Pai, publicado postumamente, em que fala sobre o que sentia em relação a ele.

"Eu era para ele um nada dessa espécie".

Franz Kafka escreveu também O Processo (1925) e O Castelo (1926), entre outras obras.

Sem dúvida A Metamorfose é um livro sensacional, que deve ser lido e relido.

Capa da primeira edição, 1916
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Editora: Abril Coleções
ISBN: 9788579710216
Ano: 2010
Páginas: 93
Tradutor: Lourival Holt Albuquerque
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Editora: L&PM
ISBN: 8525410469
Ano: 2001
Páginas: 144
Tradutor: Marcelo Backes
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24 de mar. de 2013

Resenha [Estronho e Esquésito]: Frankenstein, ou o moderno Prometeu, de Mary Shelley

Olá, leitores, como estão?

Hoje venho com uma novidade massa: fui convidada para escrever resenhas de livros policiais, de terror e de horror exclusivamente para o site Estronho e Esquésito! Então, quem curte esses gêneros, poderá conferir sempre lá.

O primeiro livro é Frankenstein, ou o moderno Prometeu, de Mary Shelley, adoro essa obra, e não poderia começar de outra forma. Espero que curtam e deixem comentários.

Obrigada e ótimas leituras!

Celly Borges

9 de jan. de 2013

Resenha: A Maravilhosa Terra dos Snergs – E. A. Wyke-Smith

Um livro encantador que pela primeira vez é editado no Brasil. A editora curitibana Arte & Letra traz A Maravilhosa Terra dos Snergs (1927, 280 páginas, R$39) numa bela edição com as ilustrações originais de George Morrow, que são incríveis.

Acompanhamos a história de Sylvia e Joe, que se conheceram na SRCS (Sociedade para Remoção de Crianças Supérfluas), ou seja, se uma criança está em casa, mas os pais – ou pai – não lhe dão atenção e respeito, essa Sociedade a retira de seus adultos e a leva até a Baía Watkyns (tem esse nome porque quem cuida é a Srta. Watkyns). Lá recebem todos os cuidados necessários. Incrivelmente o lugar permite que se esqueça de seu triste passado e viva uma vida feliz. É uma ilha de localização imprecisa. Não é qualquer um que pode simplesmente chegar.

Mais para além, há a terra dos snergs. E todos são amigos e se ajudam na ilha.

Sylvia e Joe são crianças de verdade, aprontam, brincam, agem como devem ser, sem exageros ou adultização inconveniente como em muitas histórias. E são muito amigos.

J. R. R. Tolkien (1892 - 1973) era um leitor da obra e a lia para seus filhos. Percebe-se que o livro foi uma grande inspiração para criar seu universo. Os hobbits lembram e muito os snergs. O Hobbit foi publicado dez anos depois de A Maravilhosa Terra dos Snergs.

"Os snergs são uma raça de pessoas somente um pouco mais altas do que uma mesa comum, mas possuem ombros largos e grande força. Eles provavelmente são algum ramo dos duendes que outrora habitavam as colinas e florestas da Inglaterra e que acabaram por desaparecer por volta do reino de Henrique VII".

“Os snergs são ótimos com banquetes, que dão ao ar livre em longas mesas juntadas que seguem as curvas da rua. Isso é necessário porque quase todos são convidados – ou, melhor dizendo, ordenados a comparecer (...). Os snergs às vezes têm dificuldades em arranjar uma razão para um banquete, e então o Mestre de Assuntos Domésticos, sendo este o seu trabalho, precisa caçar por uma razão qualquer, como ser o aniversário de alguém. Certa vez deram um banquete porque não era aniversário de ninguém naquele dia”.

Por uma brincadeira de mau gosto feita por Joe, ele é preso no quarto da torre – que é um tanto sem sentido feito pelos snergs, os responsáveis pelas construções na ilha. A Srta. Watkyns cuidou bem de perto porque eles adoram construções assim, sem sentido. Mas certo dia a Srta. precisou se ausentar, quando voltou lá estava o quarto na torre. Era tão pequeno que não tinha muita serventia. Ela pensou em fazer um pombal, porém, serviu bem para deixar Joe de castigo.

A mente de meninos funciona tão bem que logo Joe arranja um meio de fugir, com a ajuda de Sylvia e Tigre, o cachorrinho. Então vão por diversão passear na terra dos snergs. Desejavam voltar e contar aos outros sobre como é lá, mas acabam se perdendo e quem os encontra é o snerg Gorbo, que os leva em segurança até a sua terra.

Esse é um ótimo motivo para uma festa!


Depois eles deveriam ser devolvidos à Baía Watkyns, mas é o desastrado Gorbo quem deve levá-los, então acabam novamente perdidos, dessa vez ainda mais longe, do outro lado do imenso rio.

Os três passam por muitas aventuras, encontram alguns personagens interessantes, como Golithos, um ogro reformado e Baldry, um bobo da corte. E seguem em busca da bruxa Mãe Meldrum, a fim de obterem ajuda para voltar às suas casas.

É uma história tão gostosa, repleta de partes quase palpáveis de tão divertidas e convidativas. Nota-se que muitos autores se inspiraram na obra de E. A. Wyke-Smith (1871 - 1935). Quem curte fantasia não pode deixar de ler A Maravilhosa Terra dos Snergs, sem dúvida passará momentos incríveis. Altamente recomendado!

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Altamente recomendado
Editora: Arte & Letra
Tradução: Gabriel Oliva Brum
Ilustrações: George Morrow
ISBN: 9788560499366
Ano: 2012
Páginas: 280
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Sobre o autor
Edward Augustine Wyke-Smith nasceu no Reino Unido em 1871. Aventureiro, juntou-se à tripulação de um veleiro e partiu para a Austrália e a costa oeste dos Estados Unidos. No oeste americano, trabalhou como caubói. De volta à Inglaterra, estudou engenharia de minas, para depois administrar minas no México, Espanha, Portugal, Noruega e no Oriente Médio. Durante a Primeira Guerra Mundial, construiu uma ponte flutuante sobre o Canal de Suez, no Egito. Escreveu seu primeiro livro, Bill of the Bustingforths (1921), a pedido de seus filhos. Ainda nos anos 1920, Wyke-Smith publicou várias outras obras, tanto para adultos como para crianças. A Maravilhosa Terra dos Snergs, publicado em 1927, é seu último livro e sua obra mais conhecida. Faleceu em 1935, no Reino Unido.

14 de dez. de 2012

Resenha: Roverandom - J. R. R. Tolkien

Roverandom (Martins Fontes, 127 páginas, R$44,60) foi mais um livro que me chamou. Estava lendo Simbad, o Marujo quando olhei para a estante e Tolkien piscou para mim. Como não gosto de deixar um livro triste, pedi licença para Simbad, o peguei e li. É uma linda e triste história sobre um cachorrinho com sua bola amarela que morde a calça de um mago e, com raiva esse mago o transforma em um brinquedo pequeno e com cara de pidão.

O feitiço jogado pelo mago funcionava da seguinte forma: durante o dia ele é um brinquedo, mas à noite pode se mexer e criar vida.

Rover é seu nome e mora com uma senhora que ele adora, mas quando é transformado vai morar em uma loja de brinquedos, onde é comprado e levado para um menino, tratado na história como menino Dois.

 "E para que você quer se mexer? - perguntaram os outros brinquedos. - Nós não queremos. É mais confortável ficar parado sem pensar em nada".

Essa história foi escrita por J. R. R. Tolkien (1892 - 1973) - autor de O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion e outras obras -, em 1925 e publicada somente em 1998, para seu filho Michael que perdeu seu cãozinho de brinquedo que tanto amava.

E como seu nome passou de Rover para Roverandom? Simples, quando a mãe entregou o cãozinho o menino Dois resolveu sair com os irmãos e levar o brinquedo que caiu do bolso se perdeu na areia da praia. Depois de muito esforço Rover consegue se mexer e encontra o feiticeiro-da-areia, que fica ali, deitado sob a areia, somente com a ponta das orelhas para fora, e não gosta de ser incomodado.

Apesar de pedir para voltar ao tamanho normal, o feiticeiro nada pode fazer, pois o feitiço foi feito por outro e não seria ético mudar. Mas diz que pode tentar mandá-lo junto com Mew (note que na capa há Mew e em cima dela o pequeno Rover), uma gaivota, para a casa de sua dona.

Eles vão até a lua e Rover fica por lá e conhece outro Rover, e dessa forma o Homem-da-lua passa a chamá-lo de Roverandom, pois seu cão é mais antigo que o nosso Rover. E assim aventuras acontecem. Eles encontram um dragão, aranhas... Depois o cãozinho vai morar no fundo do mar e passa por mais descobertas e apuros, parece que ele não se dá bem em lugar nenhum, ou melhor, apenas em um.

Foi um livro que me chamou e curti bastante, o final é incrível. É uma linda história, escrita de forma bem simples, para ajudar uma criança que perdeu seu brinquedo especial. O bacana é que em Roverandom há uma citação de Simbad, o Marujo, logo que terminei a leitura voltei correndo para este livro.

Primeiro parágrafo
"Era uma vez um cãozinho que se chamava Rover. Era muito pequeno e muito novinho, senão teria sido mais atento. E estava muito feliz brincando ao sol no jardim com uma bola amarela, senão não teria feito o que fez".

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Recomendado
Editora: Martins Fontes
ISBN: 8533616872
Ano: 2003
Páginas: 127
Skoob
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6 de dez. de 2012

Resenha: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa - As Mil e Uma Noites

Quando li O Castelo no Ar, de Diana Wynne Jones, por ter gênio, tapete mágico e todo esse clima, fiquei logo com vontade de ler Aladim e a Lâmpada Maravilhosa (Editora Ática, 144 páginas, R$32,90). Pois corri para comprar o livro e não me decepcionei. A história faz parte do livro As Mil e Uma Noites, em que Sheherazade conta uma história por noite ao sultão Schahriar a fim de deixá-lo curioso e evitar que cumpra a promessa de matar uma esposa a cada amanhecer. Apesar de ser uma ideia bastante triste, a narrativa de Sheherazade prende e encanta.

Aladim mora na China e é um menino rebelde que não quer saber de nada da vida. O pai tenta ensinar sua profissão de alfaiate, mas o filho não mostra interesse. Quando o pai morre a mãe se vê obrigada a vender todas as ferramentas do marido para conseguir se manter, pois passava o dia todo fiando algodão e ainda assim não tinha dinheiro o suficiente para alimentá-los. Enquanto isso, Aladim, apesar de não ser mais tão criança, quer somente brincar.

"Por mim, estou decidida a fechar a porta de casa para ele um desses dias, e mandá-lo sair à procura de outro lugar para morar", diz a mãe, tamanho é o seu sofrimento e desgosto.

Certo dia um mago africano surge e se passa por tio de Aladim, leva-o até um local onde está uma lâmpada e pede para resgatá-la, sem contar que há um gênio capaz de realizar todos os seus desejos, mas o homem se irrita e o menino fica preso lá dentro, o falso tio, acreditando que Aladim logo morrerá, foge. 

Depois, Aladim, que já descobriu como funciona a Lâmpada, vê a princesa sem véu e se apaixona. Pede, então, que sua mãe vá até o sultão e diga que ele quer a mão de sua filha. Mesmo contrariada, ela vai.

Enquanto a decorre a história vemos a ganância por poder, não apenas por parte do mago que retorna, mas também por mortes que podem parecer sem culpa para justificar esse desejo de manter o poder. Enfim, tudo de cruel o que o ser humano pode fazer para ter o que deseja. Porém, se Aladim não tivesse conhecido o falso tio e passado por tantos obstáculos, talvez pudesse ter uma vida adulta trágica, sem nunca ter conhecido a princesa, e seguindo por outros caminhos errados, pois dificilmente deixaria de ser um jovem que pensa como uma criança mimada e sem regras.

Não se sabe se Aladim e a Lâmpada Maravilhosa realmente pertencia ao livro As Mil e Uma Noites – coletânea de contos bastante conhecidos no Oriente Médio e passou a ser difundida no Ocidente depois da tradução de Antoine Galland (1646 - 1715) para o francês em 1704 –, ou foi acrescentada por Galland depois que a ouviu de um contador de histórias, mas sem dúvida é ótimo acompanhar a narração de Sheherazade e saber que a próxima é a História de Simbad, o Marujo.

A linguagem simples permite que o livro seja lido por todas as idades. Mas é uma pena que as ilustrações sejam fracas. E minha única decepção é que não há tapetes mágicos. Essa versão da Editora Ática foi traduzida do original francês de Galland. Leia e encante-se.

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Editora: Ática
Título Original: Histoire d'Aladdin ou La Lampe Marveilleuse
Tradutor: Sergio Flaksman
Ilustrações: Odilon Moraes
ISBN: 8508063792
Ano: 1997
Páginas: 144
Skoob
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3 de abr. de 2012

Resenha: A Abadia de Northanger - Jane Austen

Estava com vontade de ler algum clássico há tempos. E adoro esses livros de bolso, são muito práticos. Tenho alguns e dessa vez o título que me chamou (já falei sobre isso em algumas resenhas: os melhores livros, em minha opinião, são aqueles que me chamam, pedem para ser lidos) foi A Abadia de Northanger, de Jane Austen (1775-1817), na agradável edição da L&PM (268 páginas, R$17).

Não há nada melhor do que ser escolhida por uma ótima obra. Jane Austen é delicada e irônica na medida. Primeiramente A Abadia de Northanger foi chamado de Susan, neste título há a crítica aos críticos que desmerecem a obra sem dar chance ao prazer da leitura, ao mesmo tempo em que ironiza a literatura gótica repleta de seus clichês. E a jovem Catherine Morland, 17 anos, por vezes sente vergonha ao expressar seu amor aos romances de terror, exatamente por acreditar que as pessoas à volta a condenam. Mas ela encontra pessoas que a compreendem, mostram que não há motivos para tal sentimento, pois uma leitura, de romance ou História, é tão rica quando se encontra o prazer da leitura.

“A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpido”.

3 de abr. de 2010

Resenha: As aventuras de Tom Sawyer – Mark Twain

Irônico, uma das melhores palavras para definir Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910).

Tom Sawyer é um menino comum, gosta de brincar e se divertir de várias formas com seus amigos, uma delas é induzir as pessoas a trabalharem por ele, como numa tarde de sábado ensolarada em que ficou de castigo e teve de pintar a cerca toda, porém, quando seus amigos chegaram para rir dele, Tom, inteligente e danado, perguntou quantos deles teriam a chance de dizer que já pintaram uma cerca algum dia e com isso todos insistiram em fazer todo o trabalho, não sem antes oferecer objetos como troca e no final da tarde Tom Sawyer era um menino rico, com tesouros que só uma criança poderia enxergar o valor. Tia Polly, personagem inspirada na mãe do autor, ficou feliz pelo belo trabalho realizado pelo menino. Falava animada “E enquanto ela coroava o discurso com uma citação bíblica, ele afanava uma rosca”.

“Logo descobri uma nova coisa – que basta prometer não fazer uma coisa para a gente logo ficar morrendo de vontade de faze-la”.

Durante as férias escolares Tom teve sarampo e ficou duas semanas de cama, quando enfim pôde retornar para seus amigos, encontrou-os todos espiritualizados, adultos e crianças.

“Tom pôs-se a procurar, contra toda a esperança, algum abençoado pecador, mas só encontrou com decepções (...) Procurou Huckberry Finn e foi recebido com uma citação das escrituras, seu coração não aguentou”.

Como a leitura de grandes histórias nos faz bem! Sorrio com as malandragens de Tom e ao mesmo tempo sofro com as injustiças de Tia Polly, mesmo sabendo não ser tão injusta assim. Tom Sawyer me conquistou já na primeira página.

Diz logo o prefácio: “Embora este livro seja voltado esteja voltado principalmente para o entretenimento de meninos e meninas, espero que não seja posto de lado por homens e mulheres por esse motivo, pois parte do meu plano foi tentar de modo agradável recordar os adultos daquilo que eles já foram, e de como se sentiam, pensavam e falavam, e das estranhas aventuras em que às vezes se metiam”.

Quem, em sua infância, nunca sonhou com aventuras grandiosas? Alguns guardam até hoje esse desejo. Então, se acredita que seu tempo de aventuras reais passou, viva as aventuras com Tom Sawyer e volte a ser uma criança sonhadora e feliz. Redescubra este clássico infanto-juvenil, e ótima leitura!

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Tradução de Duda Machado
Ilustrações de Rogério Soud
Título original: The adventures of Tom Sawyer
Editora: Ática
ISBN: 8508053819
Páginas: 212
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Outras resenhas de Mark Twain O príncipe e o mendigo, O estranho misterioso, Joana d’Arc

20 de mar. de 2010

Resenha: Joana d'Arc - Mark Twain

Reminiscências pessoais de Joana d’Arc pelo Senhor Louis de Conte
(seu Pajem e Secretário)

Esta magnífica obra de Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), levou doze anos de pesquisas para ser concluída, adorada pelo autor, ignorada por muitos.

“Prefiro Joana d’Arc a qualquer outro de meus livros, e ela é, de fato, minha melhor obra”, escreveu em sua Autobiografia.

A vida de Joana d’Arc (1412-1431) foi fantástica. Quando menina vivia em Domrémy, livre e feliz, apesar de bastante pobre, e foi lá que recebeu as mensagens de Deus, perto de uma árvore, num bosque próximo de sua casa, dizia para que fosse e libertasse a França dos ingleses. Ela ouvia vozes e tinha visões. A maioria desacreditou daquela criança, achavam que estava louca, e foi tida como bruxa.

Depois de tudo o que passou, a guerra, as pessoas desacreditando de sua palavra para cumprir o que Deus havia mandado, foi enganada pela elite da Igreja, que a prendeu e a fez assinar papéis dizendo ser para a sua liberdade, porém, como Joana não sabia ler, assinou sua confissão. Confissão de que era herege. Nem mesmo a Igreja acreditou que Deus falava com ela! Deus não falaria com uma criança pobre. Por isso, foi queimada na fogueira, por ser considerada bruxa.

Mas a ironia fica por conta da Igreja, novamente, que anos depois a canonizou. Tirou-a do Inferno e elevou ao Céu. Trinta de maio é o dia de Joana d’Arc.

A história de Joana d’Arc é fascinante! Neste livro, ela é contada por seu Pajem e Secretário Louis de Conte. Mark Twain mais uma vez escreveu uma obra maravilhosa.

Infelizmente este livro é pouco conhecido, e por isso, pouco valorizado. Recomendado para fãs de Mark Twain e/ou Joana d’Arc, fiéis ou simplesmente para leitores de boas histórias e biografias.

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Tradução e prefácio de: Maria Alice Máximo
Editora: Record
ISBN: 8501054283
Ano: 2001 / 2ª edição
Páginas: 472
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Mais resenhas de Mark Twain: O príncipe e mendigo, O estranho misterioso.

30 de jan. de 2010

Resenha: O estranho misterioso - Mark Twain

Na aldeia, em 1590, havia dois padres, Padre Adolf, dizia não temer nem o Diabo, mas mantinha-se a distância do Astrólogo, o mesmo que falavam ser inimigo do Padre Peter, por este tê-lo denunciado como charlatão.

Alguns boatos sobre comentários de Padre Peter chegaram aos ouvidos do Bispo que o suspendeu e isso fez com que todos os fiéis mantivessem distância do Padre e de sua sobrinha, Marget.
“Marget e seu tio se sentiram tristes e infelizes na desgraça e no ostracismo, e a luz do sol apagou-se totalmente de suas vidas”.
Um dia um estranho misterioso surgiu por entre as árvores e foi até Theodor e seus dois amigos, como se fosse um conhecido. Os garotos se assustaram quando, num sopro, o estranho fez surgir fogo, mas depois se acostumaram com todas as magias.
 
Mas quem seria aquele menino aparentemente bondoso, que levava alegria a todos?

Seu nome? Bem, para as outras pessoas ele dizia se chamar Philip Traum, mas os três amigos sabiam da verdade, o menino dizia ser um anjo e seu nome era outro.
“Embora ele contasse muitas mentiras, não havia nele má intenção, porque era apenas um anjo e não podia ser diferente”.
Ele falava sobre o Senso Moral, mostrava o quanto o ser humano é mesquinho, supervaloriza os dons que não possui, e se acha superior às demais espécies – o que pode nos parecer óbvio, mas quem admite?
“Ah, vocês são uma raça tão ilógica, tão irracional! Mesquinha, indizivelmente mesquinha!”
O que as pessoas fazem de errado não pode ser chamado “desumano”, pois é próprio de sua natureza cruel e covarde. Um livro escrito no fim da vida de Mark Twain (1835-1910), que se faz bastante atual.

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Edição: 1
Editora: Axis Mundi
ISBN: 8585554126
Ano: 1999
Páginas:
214
Tradução de Merle Scoss
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Algumas obras do autor (leia as resenhas):

28 de jan. de 2010

Resenha: O príncipe e o mendigo - Mark Twain

No mesmo dia dois meninos nasceram, Tom, indesejado pela família e Eduardo, além da família, toda a Inglaterra o desejava. Tom um garoto miserável, Eduardo o príncipe de Gales.

Ao crescer, o menino pobre ouvia histórias e queria ser limpo e arrumado como os personagens. Era sonhador, mesmo com o pai e a avó o trazendo de volta à realidade através de surras. E feliz apesar de tudo, pois todos eram iguais, aquela era a única realidade que conhecia.

O menino real era mimado. Mas não era má pessoa.

A troca se deu quando os dois se conheceram e o príncipe propôs uma mudança de roupas, para saberem como era a vida um do outro,

“Alguns minutos depois, o pequeno príncipe de Gales estava vestido com os andrajos de Tom, e o principezinho dos pobres estava enfeitado com a brilhante roupagem real. Os dois foram se olhar, lado a lado, no grande espelho e, oh! milagre! parecia não ter havido mudança alguma!”

mas Eduardo acabou por ser confundido com Tom, e mandado para as ruas sujas.

A história é interessante, mas não passa disso. É cansativa. Sou fã de Mark Twain, mas este livro não me empolgou.

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Edição: 1
Editora: Martin Claret
ISBN: 8572325484
Ano: 2002
Páginas: 192
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2 de jan. de 2010

Resenha: Uma vida - Guy de Maupassant

Descobri esse livro por acaso, quando andava pelos corredores de um sebo. Nunca tinha ouvido falar dessa obra e quando li me surpreendeu.

Conta a história da jovem e sonhadora Jeanne que, depois de muito tempo vivendo em um convento, retorna ao lar. Durante um período se viu feliz ao lado dos pais, até que conheceu o visconde Julien de Lamare, por quem se apaixonou, e o amor entre os dois se mostra recíproco e forte.

Logo após do casamento Julien mostra como realmente é, sua irracionalidade, frieza. Nesse tempo Jeanne sofre, e ainda mais quando encontra a empregada na cama com o marido. Descobre-se, então, que o filho que Rosalie, a empregada, teve era de Julien. No mesmo dia Jeanne se descobre grávida.

Parece que a jovem estava fadada ao sofrimento. Quando adulto, o filho só lhe traz preocupação e a põe na miséria.

Uma história interessante, indicada para leitores de Jane Austen.

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Editora: Nova Cultural
ISBN: 851301169X
Ano: 2003
Páginas: 318
Tradutor: Roberto Domênico Proença
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Guy de Maupassant é mais conhecido por seus contos fantásticos.

Algumas de suas obras: Bola de Sebo (1880), A Herança (1884), O Horla (1887)

22 de dez. de 2009

Resenha: Um Conto de Natal - Charles Dickens

Esta bela história fala sobre Scrooge, um homem avarento, não se importava com nada ou ninguém, apenas em não desperdiçar seu dinheiro.

Nem no dia da morte de seu sócio, Scrooge demonstrou-se abalado ou mesmo fez esforço para apagar o nome de Marley da fachada da loja.

O espírito natalino nada causava ao coração duro daquele homem.

“Feliz Natal! Que direito tem você de estar alegre? Porque razão essa alegria? Você devia se lembrar de que é pobre”, dizia ele ao ver seu empregado, e sobrinho, alegre pela data que se aproximava.

Mas naquela noite, enquanto todos se preparavam para o tão esperado dia, Scrooge recebeu uma visita, e ela anunciava a vinda de mais três outras visitas.

Aquele era o espírito Marley, o sócio, que em vida nada fez para ajudar ninguém, e agora avisava Scrooge para se livrar das correntes que ele arrastaria depois de sua morte, as mesmas correntes que Marley carregava. E para o amigo ainda vivo três espíritos lhe visitariam, os espíritos do Natal passado, presente e futuro.

Ele ainda tinha chance de mudar, para isso os espíritos foram mandados.

Um clássico que já foi transformado em filmes em diversos formatos e sem dúvida deve ser lido, principalmente na época natalina. 

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ISBN:8525412430
Editora:L&PM
Ano:2003
Páginas:146
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Charles Dickens escreveu também: Oliver Twist, David Copperfield, As aventura s do Sr. Pickwick, Grandes Esperanças...

5 de nov. de 2009

Resenha: A Pedra da Lua - Wilkie Collins

Este livro estava lá na estante de meu irmão, quando me chamou e pediu que eu o lesse, e assim o fiz. Descobri o melhor livro que já conheci. O fato ocorreu em 2005, e como consegui um exemplar só meu em 2006 (por R$ 12, novo), ele estava lá em minha estante e agora outra vez pulava e pedia que eu o relesse, e novamente aceitei.

A Pedra da Lua é um diamante, que carrega uma maldição, e foi roubado do templo que o encerrava, e, anos depois, foi deixado como herança para a jovem Rachel Verinder, mas qual o motivo do tio deixá-lo para a sobrinha sendo que ele fora maltratado ao visitá-la anos atrás, talvez vingança?

A Pedra da Lua foi roubada! O Superintendente Seegrave, substituído pelo Sargento Cuff, homem inteligente que, nos detalhes, percebe as grandes pistas, diferente do colega que fez estragos ao praticamente culpar os empregados do roubo do Diamante. O Sargento prefere colocar como "A Pedra da Lua foi perdida".

Narrado em forma de diário, cada personagem deve contar sua versão dos acontecimentos, alguns deles são queridos e outros extremamente irritantes, como a cristã obstinada, Srta. Clack.

Publicado originalmente em forma de folhetim na revista All Year Round, de Charles Dickens, entre janeiro e agosto de 1968, é tido como o início do romance policial moderno. Dizem que este livro inspirou Bram Stocker a escrever o seu Drácula também em diário.

Sem dúvida, altamente recomendado!

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ISBN: 8501053244
The Moonstone - 1868
Tradução de: F. Rangel
Edirora: Record
Número de páginas: 685

No Skoob
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12 de jul. de 2008

Resenha: O velho e o mar - Ernest Hemingway

Ernest Hemingway (1899-1961) escreve de maneira sensacional, em poucas páginas consegue transmitir a verdade de uma história de sofrimento, a história do velho pescador Santiago.

Há 84 dias ele não pesca nada e em sua casa não tem mais comida. Conta com a ajuda de Manolin, um garoto a quem ensinara a arte da pescaria desde muito pequeno. Mas o pai de Manolin o proibira de sair com o velho, pois julgava que este fosse azarado por ficar tato tempo sem pescar um único peixe.

No 85° dia, Santiago sai mais uma vez para a pesca, quando um espadarte (peixe que pode medir até 4,80m e pesar cerca de 300Kg) morde o anzol e carrega o velho em seu pequeno barco para mar aberto.

Neste tempo o velho sofre muito com os ferimentos nas mãos e nas costas, causados pela linha em que o peixe se agarrara. E quando, enfim consegue capturar o grande peixe e tenta voltar para casa, surgem tubarões...

Uma bela e triste história sobre amizade e sonhos e como devemos nos agarrar aos nossos sem nunca abandona-los.

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Editora Bertrand Brasil
Páginas: 95
Título original: The old man and the sea
Tradução de Fernando de Castro Ferro
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28 de jun. de 2008

Resenha: O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

Tamanha beleza só pode despertar o desejo de Basílio Hallward em retratar Dorian Gray para a eternidade. O rapaz é seu segredo, mas o amigo, Lorde Henry, deseja conhecer a pessoa que faz com que o pintor trace tão belas linhas e palavras.

Apresentados, tornam-se amigos quase que inseparáveis, para desgosto de Basílio. Lorde Henry, muito influente sobre o inexperiente Dorian Gray, diz que seria triste se o retrato continuasse sem nenhuma modificação, enquanto o rapaz envelhecerá e perderá toda a sua beleza e juventude, as únicas coisas que realmente importavam a qualquer um, segundo ele e a sociedade em que vivia.

Essa preocupação entre o feio e do belo, interno e externo, leva Dorian a se desesperar e temer.

“Como é triste! Tornar-me-ei velho, horrível, espantoso. Mas este retrato permanecerá sempre jovem. Se ocorresse o contrário! Se eu ficasse sempre jovem, e esse retrato envelhecesse! Por isso eu daria tudo! Daria até a minha própria alma!”
Apaixonado por Sybil Vane, jovem de beleza indescritível, atriz de um pequeno e pobre teatro, Dorian convida os amigos, Lorde Henry e Basílio Hallward, para ver sua bela atuar como Julieta. Porém, para desilusão de todos, e principalmente de Gray, que a havia elogiado demasiado, ela representa mal e sem nenhuma paixão. Dorian, envergonhado e cheio de fúria, diz para a jovem que seu amor fora um erro não quer mais vê-la.

Volta para a casa e se depara – pela primeira vez – com uma horrível expressão que apresenta seu retrato. Mas como uma pintura pode mudar daquela forma? Tudo pode ser efeito da iluminação, acredita.

Chega mais perto. E lembra-se do que desejara no estúdio de Basílio.

“Sim, lembrava-se perfeitamente. Havia formulado um louco desejo de permanecer sempre jovem e de que o retrato envelhecesse; de que sua própria beleza não se maculasse nunca, e de que o rosto daquela tela suportasse o peso de suas paixões e de seus pecados; de que a imagem pintada pudesse ver-se estigmatizada com as marcas da dor e dos pensamentos. E, não obstante, o retrato ali estava com aquele borrão de crueldade na boca”.

Dorian Gray não envelhece. Não sente quaisquer atrocidades que comete ao seu corpo. Torna-se cruel, insensível. É capaz de absolutamente tudo para manter a visão de todos distante de seu precioso e horrível segredo: o retrato que sofre as consequências do desejo pela beleza eterna.

Um texto dedicado à beleza extrema, ao que o cuidado somente ao exterior pode causar a qualquer pessoa, não necessita viver anos ou ter um retrato que sofra por seus atos mais hediondos. Oscar Wilde mergulha na alma de seus personagens e os torna reais, frios e dispostos a tudo pela beleza exterior, alguns mais que os outros. Uma incrível crítica à sociedade da época e tão atual! Recomendado para leitores exigentes e de bom gosto.

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Título original: The picture of Dorian Gray – 1891
Páginas: 268
Tradução de Oscar Mendes
Editora Abril – 1980
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