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12 de out. de 2013

Pré-venda! Nevermore - contos inspirados em Edgar Allan Poe

Olá, foufos!

Olha só, já está em pré-venda o livro Nevermore - contos inspirados em Edgar Allan Poe, e tem conto meu! Fui uma das convidadas da antologia, e estou muito, muito feliz com o resultado.

O livro está massa! Tamanho 12x18cm, é em capa dura!

No site da livraria da Editora Estronho dá pra comprar com descontão e ainda pedir o livro autografado por mim e por Marcelo Amado, que também tem um conto! ^_^

Compre e aproveite para adquirir esse livro em kits com outros títulos e/ou com camiseta com descontos especiais na Livraria Estronho. 

De R$32  Por R$24
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Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe é uma homenagem ao mestre do horror, gênio da literatura que morreu precocemente sem conhecer completamente a felicidade. Poe teve uma vida difícil, tanto amorosa como financeira, pois foi um dos primeiros escritores que tentou viver somente da escrita, mas que jamais deixou de acreditar em seu talento.

Poe é considerado o criador do gênero ficção policial e autor de inúmeros contos.
Nevermore, título desta obra, celebra a repetida palavra pronunciada pelo corvo do poema The Raven, escrito em 1845.

Dez autores brasileiros mergulham no mundo gótico de Poe, dando continuidade ao seu primoroso trabalho de suspense e horror.

Autores: Ademir Pascale · Celly Borges · Daniel Borba · Kathia Brienza · Leon Nunes · Luciana Fátima · Marcelo Amado · Marcelo Bighetti · Miriam Santiago.

Organização de Ademir Pascale ~ Prefácio de Paulo Biscaia Filho.

Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe Será lançado na 59ª Feira do Livro de Porto Alegre!  \o/

Livraria Estronho

Vem aí a III Odisseia de Literatura Fantástica, o melhor evento do gênero!

A Odisseia de Literatura Fantástica, que acontece em Porto Alegre, RS, já em sua primeira edição, em 2012, se consolidou como o melhor evento do gênero no Brasil.

Um dos motivos é por ser generoso para editores, autores e leitores. Os autores independentes têm uma mesa para expor seus trabalhos e as editoras podem levar seus livros e comercializar diretamente com os leitores, ou seja, desta forma elas conseguem oferecer descontos maiores e ter maior interação com seu público.

É um evento para autores e leitores, com painéis e oficinas interessantes para todos, inclusive para os fãs, pois há exposição de materiais de diversos mundos literários.

  • Sobre a Odisseia
Após décadas de esforços, o Brasil vive um período de consolidação editorial dos gêneros fantásticos, como são conhecidos o Horror, a Fantasia e a Ficção Científica. Novos escritores e editoras dedicadas à Literatura Fantástica surgem por todo o país, enquanto a massa de leitores cresce a cada dia.

Para aproveitar esse excepcional momento de nossa literatura, a
Argonautas Editora, criada por Duda Falcão e Cesar Alcázar, idealizou ao lado de Christopher Kastensmidt um evento que visa reunir escritores, editores e leitores de diversas localidades do país com o intuito de solidificar o cenário Fantástico brasileiro, além de transformar Porto Alegre em um polo do Fantástico nas artes.

Os organizadores estão de parabéns pelas duas edições, e que venha a terceira e seja excelente!

  • Aviso dos organizadores
Olá Editoras!
 
Vamos trazer seus livros e autores incríveis para Porto Alegre?
 
Nós da Odisseia de Literatura Fantástica contamos com a presença de vocês para fazer neste terceiro ano um evento ainda maior. Teremos novamente o dia do aluno, com a participação de escolas locais. Teremos um dia a mais de evento, podendo suas participações se estenderem até o domingo. E algumas novidades ainda em gestação. Ninguém vai querer ficar de fora, não é?
 
As interessadas entrem em contato inbox com a Nikelen Witter ou pelo e-mail nikelen@gmail.com, assim, à medida que o evento for tomando forma sua editora será informada de tudo.
 
Autores SEM EDITORA que desejem participar, entrem em contato também.
 
Fã-clubes, esse é também o contato para vocês virem expor, captar e unir fãs, além de conhecerem grandes nomes da literatura fantástica nacional.
 
Aguardamos!

  • Serviço
Dias 11, 12 e 13 de Abril de 2014 (sexta, sábado e domingo).
Na sexta o evento ocorre das 10h até às 19h. Sábado e domingo das 14h às 19h.
Local: Memorial do Rio Grande do Sul, no centro de Porto Alegre.


Em breve maiores informações no blog e no Facebook da Odisseia.

Na ocasião lançarei meu livro O menino que perdeu a magia.

A história que vou contar me foi contada. Ela é repleta de sonhos e seres fantásticos. É sobre um homem chamando senhor Conrad, mas começa quando ele ainda nem havia recebido o título de "senhor" e foi horrivelmente obrigado a abandonar a sua Magia, os seus sonhos.
 
Ou assim acreditavam as pessoas que já haviam perdido as suas magias.

Começa assim:
Daniel Conrad era feliz e apreciava sua infância...
  • Leia também
+ Diário: 1ª Odisseia de Literatura Fantástica, eu fui!
+ Diário: 2ª Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, RS

15 de jun. de 2013

Resenha [Estronho e Esquésito]: Protetores, de Duda Falcão


 Olá, leitores, tudo bem?

Venho trazer mais uma resenha de horror. Um gênero bastante adorado que aos poucos consegue seu lugar nas estantes dos livros nacionais.

Como vocês sabem, por parceria, os textos do gênero são postados sempre no site Estronho e Esquésito.

O livro da vez é Protetores, do gaúcho Duda Falcão, estreante no mundo dos romances, e já fazendo bonito! Antes o autor e editor da Argonautas havia se aventurado apenas em contos do gênero.

Então confiram a resenha e deixem suas opiniões.

Ótimas leituras!

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Leia também
+ Resenha: Frankenstein, ou o moderno Prometeu, de Mary Shelley

+ Sobre o lançamento da 2ª edição de Insanas... elas matam!, histórias de terror escritas por mulheres.

13 de jun. de 2013

Resenha: Doce Vampira - Ju Lund

Duda vai completar 18 anos em breve e poderá tomar suas decisões sem que seus pais interfiram.

A menina está apaixonada, mas não é tão simples. Seu amor é por uma menina chamada Ester e, para deixar tudo mais complicado, ela é uma vampira.

Na sociedade da história, os vampiros são reconhecidos, têm um registro e desta forma o sangue é controlado pelo Estado.

Os pais de Duda não querem que ela se envolva com uma menina e vampira. Por isso tentam de tudo, até a mudam de colégio. Mas, como o amor prevalece, Duda acaba fugindo de casa e indo morar com Ester na mansão de sua família.

Entretanto, nem tudo são flores quando a família de Ester começa a se envolver com assuntos particulares das duas meninas.

A primeira metade basicamente trata dessa convivência com os pais e depois com a nova família.

O livro foi uma curiosidade, nunca havia lido nada nesse sentido – o mais próximo foi Relações de Sangue, de Martha Argel –, então resolvi dar uma chance à novidade. A ideia geral não tem como fugir de uma lembrança de Crepúsculo, de Stephenie Meyer, é o amor vampiro/humano que não é bem visto pelas famílias e a sociedade.

Na capa diz “Um Romance Queer Chick”, (Queer é o gênero que aborda o tema da homossexualidade sem preconceitos. No Brasil a Tarja Editorial lançou uma série de antologias chamadas A Fantástica Literatura Queer), e na verdade Doce Vampira não tem muito de chick lit, que é um gênero que gosto. É um romance juvenil queer, sem o lado das “mulherzices” que o chick lit pede, ou seja, aquele em que a protagonista gosta de comprar, gastar dinheiro, fazer viagens e comprar mais.

Histórias de vampiros românticos não estão entre as minhas favoritas, gosto das que apresentem esses seres cruéis, sugadores de sangue que não tenham pudor com suas vítimas, sem serem controlados de alguma forma – nesse caso o Estado. Como em Doce Vampira a ideia é ser algo assim delicado e romantizado, está bem feito para o que se propõe.

Enquanto isso a Editora Ornitorrinco teve um capricho fantástico na parte visual, deixando delicado, e um ótimo trabalho de revisão.

Enfim, Doce Vampira é o romance queer entre uma humana e uma vampira e, para quem ainda tem receio do gênero, quer conhecê-lo, é tratado de uma forma romântica, como disse, é um romance juvenil. É uma história para o estilo bem construída. Talvez leitores que curtam o lado mais sombrio das histórias de vampiros não curtam essa. O livro é indicado para quem gosta da temática queer e dos vampiros bons e românticos.

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Editora: Editora Ornitorrinco
ISBN: 9788565623032
Ano: 2012
Páginas: 210
Skoob
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21 de mar. de 2013

Resenha: O Menino Alquimista - Juarez Nogueira

"Dá-se a verdade a todos, mas dela usam segundo a crença de cada um".

Quando li pela primeira vez O Menino Alquimista, lá em 2009, foi como se eu fizesse uma descoberta! Não conhecia ninguém que tivesse lido, não achei nada, nenhuma informação sobre o autor, mas era tudo bem interessante.

O livro, na verdade, me chamou, como explico na primeira resenha, e adorei, era tão diferente. Depois de um tempo quem acabou me encontrando foi o próprio autor. Gentilmente Juarez Nogueira entrou em contato para agradecer a resenha, imagina a alegria que fiquei! Conversamos um pouco e depois nos distanciamos.

Eis que, certo dia em 2012, Juarez reaparece e quer me enviar seu livro infantil Quando falar é fazer (Gulliver Editora, 24 páginas)! Fiquei muito feliz por ter se lembrado de mim. Interessante também é que, na época da primeira resenha eu morava no Paraná, agora estou em Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte, e não é que Juarez Nogueira mora bem pertinho, em Divinópolis?

Acabamos nos conhecendo pessoalmente no lançamento de Quando falar é fazer. E fico muito feliz de dizer que ele esteve no lançamento do meu livro infantil Em busca do arco-íris de sonhos (Fantas, 20 páginas)!

Bem, a Gulliver Editora me mandou a nova edição, revista e ampliada, num formato diferente (12x20), que traz uma bela capa e espero mesmo que você, leitor, curta tanto essa fantástica história quanto eu.

Em Tempo Sempre mora o Menino. Lá, sua avó conta que muitas crianças perdem as asas quando crescem. E essa parte me recorda uma incrível coincidência que se deu essa semana durante minhas leituras. Não consigo ler apenas um livro por vez, então, enquanto alternadamente lia três, algo me chamou a atenção: todas as obras falavam de algo em comum: asas, crianças e sonhos. Menino de Asas (Editora Ática, 80 páginas), de Homero Homem, trata de algo mais real, apesar de o menino possuir asas reais, a história não passeia tanto pelo fantástico quanto nas outras duas. Em A Garota que Podia Voar (Ciranda de Letras, 266 páginas), de Victoria Forester , é mais fantástico, Piper, a protagonista, não tem asas, mas passa pelo mesmo que o Menino de Asas, a sociedade impõe regras, as de não ser diferente.

Aliás, esse é o assunto principal nos dois livros, o que a sociedade não vê com bons olhos. Em O Menino Alquimista (Gulliver Editora 208 páginas) não se mostra dessa forma, mas em alcançar uma resposta para uma busca comum, mas muito importante.

O Menino, como é simplesmente conhecido – e ele pode ser qualquer um de nós, leitores –, encontra um livro num baú que sua avó deixou quando morreu. Nele havia uma estranha palavra que, ao ler, faz o menino adormecer. Quando acorda, está próximo ao mar. Um garoto que está ali o ajuda em sua travessia. Abre o mar e lá foi o Menino, que vê como o mundo foi criado.

Durante sua jornada, encontra vários seres, muitos personificados, como a Vida, uma violinista, o Medo, um jardineiro, a Verdade, uma senhora calma e sábia. E fica frente a frente até mesmo com o Diabo. E todos o guiam através das páginas.

Então assim segue sem parar em sua viagem de busca.

Durante essa jornada, o Menino aprende bastante, pois é assim que acontece. Cada vez que encontramos alguém, se dermos oportunidade e deixarmos nosso ego de lado, aprendemos com ele. O Menino ouve e então fica mais rico.

Mas esse é um caminho solitário, apesar de tudo, de tantas pessoas e seres... isso é passageiro, não permanece por muito tempo. Nossa vida é desta forma.

Andamos uma vida toda em busca do saber. Uma pessoa curiosa vai atrás para desvendar os mistérios que a cercam, sejam quais forem, não aceita viver uma vida cômoda. E no caminho sempre encontramos pessoas, conhecemos sentimentos interessantes. É desta forma que crescemos. É o caminho natural, se o aceitarmos.

E o Menino Alquimista é bom em encontrar e descobrir. A história toda é repleta de simbolismos e citações em meio a uma busca que todos passamos, mesmo que para alguns em menor intensidade, e para outros signifique uma grande viagem pelo desconhecido, para que se quebrem as barreiras e se descubra o motivo. O conhecimento.

O Menino Alquimista já ganhou o selo FNLIJ/Altamente Recomendável e em 2013 completa 10 anos de sua primeira publicação. Sem dúvida, é altamente recomendado também para os leitores do Mundo de Fantas.

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Altamente Recomendado
Edição: 2
Editora: Gulliver
ISBN: 9788565432009
Ano: 2012
Páginas: 208
Skoob | Blog do Juarez Nogueira | Gulliver Editora
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Serviço
Juarez Nogueira estará no dia 12 de Abril de 2013 na Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, RS
Horário: das14 às 15h
ENTRADA FRANCA
Memorial do Rio Grande do Sul
Rua Sete de Setembro, 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico
Porto Alegre – RS – CEP: 90010-191
Informações: 51-3224.7210 – memorial@sedac.rs.gov.br

6 de jun. de 2012

Resenha: Crônicas da Fantasia - Cristiano Rosa (org.)

Um livro que encanta logo na primeira vez que o pegamos nas mãos. A capa e a parte gráfica chamam a atenção de forma positiva. Crônicas da Fantasia (Editora Literata,114 páginas, R$25)  é organizado pelo Cristiano Rosa, além de autor é blogueiro e escreve no Criando Testrálios.

Algumas crônicas são muito bem escritas, rápidas como o estilo pede e que prendem e cativam, outras são médias. As que mais me encantaram e mereceram destaque são:

Campeonato de beijar sapos – Ana Cristina Rodrigues
A autora se torna a personagem, através das palavras de Ana conhecemos sua amiga problemática, Dani, que não consegue arranjar um namorado e Iara, que chega na metade da história para ajudá-la, num campeonato de beijar homens e escolher o seu príncipe encantado.

Cegueira – Daniel Cavalcante
Em 2 páginas o autor consegue ser intenso. Um homem cego espera ser ajudado para atravessar a rua, simplesmente, mas as pessoas se mostram mais ocupadas para essa tão árdua tarefa.

Desilusão – Veridiana Ghesla
A crônica é contada pela visão de um personagem do folclore nacional, que ganhou destaque nas páginas de certo autor – leia-se Monteiro Lobato –, mas que se mostra triste com o futuro, pois as pessoas não têm mais tempo ou curiosidade para ler ou ouvir as lendas.

O pior olhar da criatura – Tânia Souza
A história de um apaixonado, que se enamora pela imagem de uma fênix passeando pelo céu, quando se depara com um dragão, e foge. Passados tempos, encontra seu amor, que pede que vá atrás de ovos de dragões.  De forma poética, a autora mostra o amor verdadeiro de uma maneira não convencional.

Para onde vão as fadas quando crescemos – Cristiano Rosa
Numa sociedade moderna, até mesmo as fadas precisam se reciclar. Com humor o autor mostra como é difícil até mesmo para fadas conseguirem um novo emprego.

“Ela então decidiu tentar vender um antigo ensinamento de fadas mais velhas sobre o poder do pó mágico. Ele torna reais os sonhos das pessoas. Principalmente ao misturá-lo com vodka”.

Satírico – Daniel Gruber
Nesta crônica, com bastante humor o autor mostra a revolta de um sátiro, por sua espécie não ser respeitada pelos humanos. Ele exige o fim do racismo e denuncia “Existem comunidades no Orkut só voltadas a instigar o ódio contra nós: ‘sátiros não são gente’, ‘tenho um sátiro atrelado na minha carroça’”.

Muitos textos abordam a questão do homem sem a fantasia, triste, e o ser fantástico de cada autor também se torna assim, ou tenta ajudá-lo. Nesse mundo a fantasia é vista como “coisa de criança”, e o ser humano segue triste em sua vida real.

“E seus olhos atentos de caçador estavam maravilhados com a visão no limiar entre os dois mundos. Mundos que outrora eram unidos, mas que o tempo levou os homens e a magia para dimensões opostas”, pág 69.

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Editora: Literata
ISBN: 8563586520
Ano: 2012
Páginas: 117
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17 de jan. de 2012

Resenha + Entrevista: Noite sem Fim - O Além-mar - Livro 1 - Roberto Campos Pellanda

Terminei de ler há alguns dias e ainda sinto falta dos personagens, quero saber o que acontecerá, qual será o destino da Vila que vive eternamente com somente luzes vindo de postes com luminárias. Para quem nasceu nesta eterna noite é normal, mas para nós, apenas o fato de imaginar é bastante difícil. E essa necessidade que causa no leitor é um ponto bastante forte que Roberto Campos Pellanda soube dosar muito bem.

Noite sem Fim (Tarja Editorial, 300 páginas, R$32) conta a história de três amigos – acompanhamos tudo pela visão de Martin, de 14 anos – todos estão presos num regime em que tudo é controlado, até mesmo as leituras, descobrem então um tesouro constituído por livros, não ficções, mas livros que contam a verdade sobre a vida dos moradores. Mas mexer com segredos sempre trás consequências, e nunca são para o bem de quem tenta mudar o presente contando o passado.

Também há os limites do local, não se pode ir além do denominado, nem mesmo no mar. Seguir mais adiante pode causar terríveis desastres. Há leis rígidas impostas pelos Anciãos, que cuidam de tudo e todos, e criaturas que estão à espreita. Há pessoas que querem realmente ajudar e outras que preferem o silêncio, e nessas mora o perigo.

Algumas pessoas eram escolhidas para viagens além-mar, mas na verdade ninguém queria ser escolhido. Ninguém voltava dessas viagens. Mas o pai de Martin resolveu, sem explicação, ser voluntário e há 6 meses o menino é órfão.
“Estava confuso e perplexo com tudo o que ouvira. Seu pai havia tomado parte em um movimento importante por mais liberdade na Vila; tinha sido um homem conhecido e respeitado. Por um lado , sentia-se orgulhoso; por outro, não podia entender a razão pela qual ele teria optado embarcar  em um navio. Tinha feito exatamente o que os Anciãos queriam que fizesse”. Pág 69.

Algumas descrições me remeteram a Harry Potter, J. K. Rowling (Editora Rocco), como a questão do personagem principal ser órfão e viver com o tio, o primo o maltrata, ele tem dois amigos, um menino e uma menina, além de uma cicatriz, esta no peito. Porém, mais do que isso, a história é rica e consegue seguir por um caminho diferente, que realmente prende o leitor até seu final, querendo sempre mais.

Há uma apresentação, mas não seria necessária, serve como uma quebra da história, revela sobre os personagens e como eles são, como é a Vila, não recomendo a leitura antes do livro todo. Melhor o leitor formar a sua visão de tudo, descobrir com a história.

Noite sem Fim mostra o amor aos livros e percebemos durante a leitura, várias inspirações literárias, nos personagens e em seus nomes.

É um livro para fãs de literatura juvenil e amantes de histórias que falem de livros, eu sou a que gosta das duas, e a junção ficou ótima. Recomendado!

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Editora: Tarja Editorial
ISBN: 97885615415
Ano: 2011
Páginas: 300
No Skoob
 Entrevista


Mundo de Fantas:  Como foi escrever "Noite Sem Fim - O Além-mar", conte-nos o processo e as inspirações.

Roberto Campos Pellanda: O conceito básico inicial de Noite sem Fim foi bem visual.
Por isso, investi na criação de uma estética própria como sendo um ponto central, aderido à alma do livro; ela começou baseada em premissas bem simples:
1- Um lugar onde é sempre noite;
2- Uma cidade medieval: calçadas de pedra, etc...
3- Tudo iluminado pela luz amarelada de lampiões pendurados em postes.
A partir daí, a história tomou forma rapidamente e fui atropelado pela necessidade de escrever uma primeira versão. Foi a primeira vez que escrevi fantasia. Isso era lá pelos primeiros meses de 2010.
Noite sem Fim é fruto de quase dois anos de trabalho. Durante este período, a história passou por sucessivos ciclos de amadurecimento, revisão e transformação.
Sempre quis que Noite sem Fim fosse uma história centrada nos personagens. Por este motivo, levei um longo tempo até amadurecer o trio de amigos do clube de leitura, em especial o Martin e a Maya, que são os fios condutores da história (no segundo livro, inclusive, a Maya torna-se também narradora, junto com o Martin).
Outro ponto em que trabalhei muito foi a questão dos livros como personagens da história. Noite sem Fim é uma declaração de amor aos livros e eu não queria que isso se limitasse a referências na trama e a ambientações (a Maya trabalha na livraria dos pais, por exemplo), tinha que ir além disso. A forma que escolhi foi “fundir” os livros com a história de vida dos personagens, de tal modo que elas se tornem indissociáveis:
Não é possível pensar no trio Martin, Maya e Omar sem a paixão pelos livros. Se não fosse pelo hábito de ler, eles nem teriam se conhecido em primeiro lugar.
Não dá para pensar em Cristovão Durão, o pai de Martin, sem pensar na sua editora de livros proibidos.
E assim por diante.
Depois disso, seguiram-se vários ciclos de revisão e uma leitura crítica externa que eu contratei. Só então mandei o original para o Richard da Tarja Editorial.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

RCP: Essa resposta podia dar páginas e mais páginas! Mas vamos lá:
Como escritor, tenho sempre a tendência de indicar livros que ensinem alguma coisa importante sobre a técnica.
Ok, eu sei que tudo mundo já leu, mas mesmo assim:
O Senhor dos Anéis - Se você está pensando em criar um universo no próximo café da manhã, este livro ensina a importância dos detalhes. Um livro baseado na história.
As Crônicas de Gelo e Fogo - Livros baseados nos personagens. São praticamente ilimitadas as lições que um autor pode tirar de um close reading do G.M.
Trilogia Fronteiras do Universo - Uma das melhores construções de personagens juvenis que existem por aí. Além disso, a questão do que ele faz com a estratégia  de ponto de vista da narrativa é muito interessante. Vai contra boa parte dos manuais e funciona.
Mesmo para quem é muito aficionado por um gênero, acho importante variar de vez em quando:
Do autor inglês Robert Wilson, a série de quatro livros do detetive Javier Fálcon, ambientada em Sevilha. Além de a história ser extremamente interessante, a profundidade da construção dos personagens é impressionante.


12 de out. de 2011

Resenha: Histórias de Monstros e Diabruras - Tarsis Tindarsam

É ótimo ter um livro de qualidade, poder segurá-lo e mais, poder ler. Desde a capa, Histórias de monstros e diabruras já me conquistou. Apenas dois olhos ameaçadores, sobre um fundo preto, fitando o leitor e o título em verniz transparente, sem nenhuma fonte de outra cor delimitando onde ele seria aplicado, dando assim, um tom mais sombrio. Lindo!

E as histórias... São todas muito bem escritas – somente vi poucos erros de revisão, concordância e acentuação, mas nada que atrapalhe a leitura –, carregadas de significados. O leitor mergulha, viaja até o local ambientado e, somente quando é avisado de seu fim, na última página de cada conto, consegue voltar ao local em que está, mas logo passa ao seguinte e tudo se repete, uma nova viagem se inicia.

O básico a falar sobre a estrutura do livro é contar sobre suas divisões, que são três, compostas por três contos cada:


Histórias de animais medonhos
Histórias de feitiços macabros
Histórias de assombrações noturnas

Em Histórias de animais medonhos, sem dúvida onde estão os melhores, o conto A Galinha Preta deixa com medo e horror, através das narrativas do velho Caldeira, “fora um tipo formidável de empregado. Mas, então, a idade avançada lhe permitia apenas vigiar a Fazendinha dos Trevos. Era um velho solitário”. A galinha preta era uma assassina, matara outras galinhas, arrancou a cabeça de todas e, o velho contou, quem ouvisse seu canto morreria em treze dias.

Na Floresta – numa grande dificuldade de escolha entre tantos bons, este é o melhor conto –, em que pai e filho vão até ela em busca de seu alimento, mas precisam ficar atentos a uma criatura que vive ali.

“Ouvi o grito pela primeira vez e senti medo. Era uma espécie de urro curto, rouco e muito alto”.

Ela é medonha, e segundo dizem, come carne e os pedaços que caem de sua boca permanecem em sua pelagem, por isso o mau cheiro terrível. O desenrolar deixa o leitor tenso, angustiado, triste, cansado. Incrível!

O conto A Máscara em Histórias de assombrações noturnas, se passa em “uma noite fria, Dia das Bruxas, quando alguém bateu com força na porta dos Hangleton. Muito surpresos, o casal de velhinhos apressou-se para abri-la”, lá estava uma caixa, com receio de que fosse alguma brincadeira por conta do dia, abriram e se depararam com a máscara, logo descobriram ser um presente de seu filho que estava na África. Era um objeto de muito mau gosto, causava arrepios aos dois, e apesar do gesto bem intencionado do filho, resolveram guardar no porão, mas a imaginação humana pode pregar peças, a maldade também pode estar dentro de cada um e os dois lados sofreria para sempre.  Foi complicado ler este à 1 hora da madrugada sem sentir medo e abaixar o livro para olhar em volta para constatar que não havia sobre a cômoda uma máscara.
                                          
Em Mar de alma, o capitão conta sua história triste de vida, e também precisa revelar um segredo. “Não havia estrelas. Os homens olhavam aturdidos para a escuridão da noite. O oceano, de tão sombrio, confundia-se com a abóboda negra do céu, a não ser pelo leitoso nevoeiro que se destacava entre os dois”.

O peso de não saber para onde se vai, caso algo aconteça, estar tão próximo do inferno e não ter forças para desejar o céu.

“– A Morte, meus caro, não é o maior dos problemas. Mas o sofrimento que advém antes e depois dela”.

Tarsis Tindarsan, nascido em Manaus em 1983, soube narrar, conduzir seus personagens e fazer com que o leitor se apaixone por cada conto, e deixo aqui a difícil tarefa de escolher apenas um preferido, quem ler Histórias de monstros e diabruras está convidado a dividir sua opinião sobre a sua favorita.

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Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794585
Ano: 2011
Páginas: 180
No Skoob
Sinopse
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***** Breve Entrevista*****

Celly Borges: Fale um pouco sobre suas inspirações para escrever Histórias de Monstros e Diabruras.

Tarsis Tindarsam: Me inspiro sempre em contos clássicos de crime e sobrenatural. Eu gosto de linhas alternativas de gênero e linguagem, por isso também me inspiro no cinema. Posso dizer também sobre uma série que assistia muito na adolescência, chamada ALÉM DA IMAGINAÇÃO, histórias curtas, com surpresas ou finais arrebatadores. Mas algumas coisas do meu cotidiano me fizeram escrever. Minha avó tem origens amazônicas, filha de um mineiro com uma cearense, foi criada no interior da floresta amazônica, e sempre contou muitas histórias para os netos. Aliás, minha família tem o dom de contar e ouvir histórias bizarras, uma tendência que segui. De certa forma, o sobrenatural sempre me rondou. Sonhos, calafrios, são coisas comuns na minha vida. Nem uma das histórias que escrevi é real, a não ser os monstros (rsrsrs). Esses últimos fazem parte da minha vida até hoje. Meus filmes prediletos sempre foram aquele com lobisomens, alienígenas, espíritos, apesar de que tenho uma tendência muito racional na Literatura, sempre gosto de explicar cientificamente ou desmistificar a história que escrevo, isso acontece geralmente no final. Fui muito influenciado pelos primeiros filmes de Spielberg, mas também gosto de uma linha menos fantástica como Crichton (autor de Jurassic Park), aliás, meu próximo livro será ao estilo dele, um terror tecnológico. E tenho notado que não é o sobrenatural ou o racional que descrevem meus escritos, mas o horror. 

2 de ago. de 2011

Resenha: A Ira dos Dragões e outros contos – Estus Daheri

 "Grendir é uma praga – continuou Defth. – Algo que tem um único propósito. Destruir. Pergunto-me o que será dele quando o inverno passar?”

É interessante começar explicando as belíssimas ilustrações, ou como se deu o surgimento dos oito contos que compõem o livro A Ira dos Dragões e outros contos. Thiago Tizzot, admirador de Tolkien, é autor e editor da Arte e Letra e escreve sob o pseudônimo Estus Daheri, se encantou pelos desenhos de John Howe e lhe escreveu a fim de elogiar e propor que seu trabalho fosse publicado no Brasil, depois de algumas trocas de e-mails, acabaram por acordar que Thiago, autor de Fantasia, se baseasse em algumas ilustrações e criasse os contos, e assim se deu. Para quem ainda não ligou o nome à pessoa, Howe é um dos mais importantes ilustradores da obra de J. R. R. Tolkien, autor de, entre outros livros, a trilogia O Senhor dos Anéis. Também transportou para as telas os personagens que compõem esta e outras obras como As Crônicas de Nárnia. Assim se deu um livro não apenas visualmente belo.

Todas as histórias de A Ira dos Dragões se passam no mundo criado por Thiago, Breasal – podemos acompanhar as viagens dos personagens através do mapa na última página do livro. Alguns contos e suas imagens (clique nelas para aumentá-las) que compõem a obra:

Em Viagem a Peneme o leitor acompanha a história do gnomo Dunk ao encontrar o humano Vostak que lhe pede ajuda com seus galadrins, embarcação sustentada por um enorme balão, nele viajariam para Peneme, a ilha misteriosa com suas estranhas histórias, não há relatos sobre a geografia do local, por isso é ainda mais difícil se aventurar por seus caminhos. Precisam ir até o Mosteiro de Nafgun.

“Intocáveis relatos falavam de viajantes que rumaram para lá e desapareceram, nunca mais foram vistos. Sua mente foi tomada pelos perigos que aquele nome desencadeava e o orgulho que seu pai tinha em dizer que fora e votara daquela ilha maldita com as galadrins intactas”.

Em Bestas de Wyen o leitor encontra o autor, Estus aparece com seu cachimbo numa conversa com Raw, que lhe conta a história dos seres que dão título ao conto, quando piratas assassinos atacavam os moradores do local,

“Há muito os piratas estavam conscientes de que naquela região não encontravam resistência”.

mas não contavam com o surgimento das bestas. Uma história com desenrolar incrível.

“Ele acreditava que matando o pirata, ele mataria a dor. O que Vortha não sabia é que a dor é algo que não se pode matar”.

Por motivos distintos, em O Ladrão e o Menestrel, Ligen, um gnomo, e Petar, um lumpa, estão na mesma cela escura e úmida. O gnomo por ter sido pego roubando uma pintura, o lumpa por ter feito mau uso das palavras. Na verdade não foi um simples quadro, ele possui um mapa oculto na pintura, que segundo a lenda conduz a um grande tesouro.

Ligen era um “colecionador de objetos alheios, como gostava de chamar sua ocupação”.

No conto Viagem a Peneme, Raw descreve vagamente sobre os riscos que cercam a ilha. Em Qenari o leitor é trasportado novamente à ilha e descobre, enfim, um pouco de sua geografia, encontra seres perigosos, descobre também quem realmente deve temer.

“Porém não existem dúvidas de que os mais vis e terríveis seres são os próprios monges. Mercenários do saber, vendem seu conhecimento em troca de ouro, artefatos, pedras preciosas e até pessoas”.

No Mosteiro de Nafgul há dois portões um onde o visitante coloca sua pergunta, sem esquecer-se da habilidade dos monges em aproveitar de algum deslize, uma falha contida neste pedido – a carta deve ser assinada com o próprio sangue. Há uma cobrança pela tão aguardada resposta; devolvem o papel escrito com o que desejam.

“Pode ser um artefato, uma página de um antigo livro, um animal, qualquer coisa que eles julguem ser interessante para eles. O problema é que de alguma forma você passa a ser vigiado, se percebem que você desistiu da busca, uma bela manhã sua garganta pode ‘surgir’ cortada”.

O grupo Pena Prateada precisa de respostas, são seres sábios, então conhecendo a fama dos monges, desta vez seriam eles a estar no comando.

No conto que dá título ao livro, Stenig segue com um segredo até o deserto de Tatekoplan, se infiltra entre os prisioneiros no acampamento. Antes de colocar seus planos em ação, Stenig estudou o local, porém se permanecesse mais tempo naquela vida, a alimentação, o cansaço, o teriam debilitado.

“Sobre as areias brancas do deserto de Tatekoplan os prisioneiros trabalham pesado com as pás. Os guardas vigiando atentamente e um movimento em falso era o suficiente para usarem seus chicotes”.

Acompanhar os contos com as imagens e o mapa deixa tudo ainda mais rico, acrescenta e muito! Apenas senti falta de algumas explicações tanto sobre os personagens quanto o desenrolar das histórias que bem poderiam ser novelas (narrativas um pouco mais longas que contos e mais curtas que romances) para maior desenvolvimento das ideias. Mas para aquele que como eu sentir esta necessidade de permanecer em Breasal, pode acompanhar outras aventuras no romance O Segredo da Guerra, em que há mapa e glossário sobre os personagens e termos importantes.

A Ira dos Dragões e outros contos é um livro encantador, daqueles que a capa, a diagramação, são convites ainda mais tentadores – afinal, essa é praticamente a forma de primeiro contato com a obra. Indicado para leitores de fantasia.

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Editora: Arte e Letra
ISBN: 9788560499199
Ano: 2009
Páginas: 210
No Skoob
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