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11 de dez. de 2015

Um segredo de Natal



Elisa é uma menina doce e sonhadora. No entanto, seus sonhos precisam ficar de lado quando percebe que a sua pobreza não permite voar, acreditar em um futuro melhor. Enquanto os pais fazem de tudo para que a pequena Elisa e o irmão continuem acreditando nos sonhos, a menina esconde a sua tristeza profunda e tenta ajudá-los da forma que pode. A magia do Natal pode aparecer quando menos esperam. O espírito natalino faz milagres.

Um segredo de Natal é muito especial, pois eu AMO essa época! E novamente faço parceria com a talentosa Carolina Mancini nas belas ilustrações, que sempre dão vida aos meus personagens!

Este livros está disponível para baixar na Amazon por apenas R$2,99. Se você não tiver leitor pode baixar gratuitamente os aplicativos em seu Smartphone, tablet, computador... Baixe aqui.

E se você tiver o programa Kindle Unlimited - aquele que funciona como uma biblioteca, você paga por mês e pode emprestar livros - pode ler de graça! \o/

"Uma história delicada e cheia de esperança. Seria tão bom que o mundo tivesse mais Elisas."
- Valentina Silva Ferreira,
autora de "Distúrbio" e "A Morte é uma Serial Killer

Compre ou leia grátis Um segredo de Natal

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2 de abr. de 2014

Pré-venda: Antologia Mundo de Fantas

Olá, leitores!

Mais uma novidade para abril.


 Além do meu romance juvenil, O menino que perdeu a magia, que traz ilustrações de Carolina Mancini, em abril, durante a III Odisseia de Literatura Fantástica, melhor evento do gênero no Brasil, também será lançada a antologia Mundo de Fantas, organizada por mim, com vários autores convidados. A capa é do grande ilustrador Kipper, autor das tirinhas de humor gótico Mondo Muerto.

Autores
Cesar Alcázar, G. Norris, Henrique Kipper, Marcelo Amado, Natália Couto Azevedo, Roman Schossig e Thiago Tizzot e eu!

Aproveitem que Mundo de Fantas está com desconto no pré-venda + frete grátis e vocês ainda podem pedir autografado por Marcelo Amado e por mim.

Livraria Estronho

21 de nov. de 2013

Resenha: Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar - Joseph Jacobs (org.)

Resenha de Celly Borges

Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar traz uma seleção de contos de origem celta, alguns dão ênfase à figura feminina, mostram bruxas boas e más, de qualquer forma elas são seres fortes que ajudam os homens, os guiam para seu destino bom ou mau.

São histórias que não trazem o que pode ser chamado de “real”. Há o absurdo do fantástico, como um bolo falando; três grãos de cevada que caíram no chão para duas pombas que saíram de dentro de um copo. Tudo é possível quando se precisa de objetos de alegoria para dar ao conto o sentido ou a moral que o autor quer/precisa passar. É o que a literatura concede ao autor: ser livre para criar.

Falarei um pouco sobre alguns contos:

Em A visão de MacConglinney, um dia um rei se vê atormentado pelo fato de uma besta passar a morar em seu estômago, fazendo com que o homem tenha uma fome absurda. O rei come, come e come, o quanto precisa para satisfazer o ser em seu interior, come tanto que causa a ruína de Munster. Mas aonde vai parar toda essa comida? Como a besta entrou em seu estômago? Isso realmente não importa, aqui a questão é outra. Não há a necessidade da explicação de como fora parar lá. Essa é a liberdade que falo, simplesmente a besta já estava ali quando o conto tem início.

No conto Os filhos de Lir, depois que Lir não é nomeado como principal soberano, um acordo é firmado e ele pode escolher para se casar com uma das três filhas do rei. Então Lir opta pela mais velha. Depois de um tempo tiveram dois filhos e mais tarde ela deu à luz gêmeos, nessa ocasião ela morreu.

Lamentando o ocorrido, o soberano mandou outra filha para casar com o viúvo. Mas Oifa, esse era seu nome, passou a sentir ciúmes dos quatro enteados, pois seu marido dava a eles muita atenção e carinho. Então ela resolve fazer feitiços terríveis para as pobres crianças. Aqui o arrependimento toma conta da moça.

O conto As mulheres de chifres apresenta a história de doze mulheres, que uma a uma chegam à casa de uma rica mulher enquanto a família e os empregados dormem. Ela abre a porta acreditando ser uma vizinha. A primeira que chega é a Feiticeira de Um Chifre, e assim vai, até a última, com doze chifres, entrar. São bruxas más, que tentam fazer mal à família.

Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar (Martin Claret, 144 páginas, R$19,90) teve contos retirados dos livros Contos de fadas celtas e Mais contos de fadas celtas, organizados pelo folclorista australiano Joseph Jacobs (1854-1916).

Essa bela edição faz parte de uma coleção lançada pela Martin Claret, que conta com vários títulos de contos de literatura fantástica: Rosto de caveira, os filhos da noite e outros contos, de Robert E. Howard (1906-1936), autor de vários gêneros, entre eles espada e feitiçaria. E também fazem parte: Princesas e damas encantadas, Heróis muito espertos, Duendes, gigantes e outros seres fantásticos, Os melhores contos orientais, O príncipe e outras fábulas modernas. Qualquer título custa R$19,90.

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A editora fez um ótimo trabalho na parte visual, a diagramação traz o interior de toda a coleção sempre em duas cores – nesse volume predomina o preto e o roxo – e também na revisão da obra. Há belas ilustrações que deixam o título mais interessante. De leitura rápida, o fiz em uma tarde. Recomendo esses contos de fadas clássicos.

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Serviço
Editora: Martin Claret
ISBN: 9788572329668
Páginas: 144

12 de nov. de 2013

Mausoléu: histórias de horror e aventuras extraordinárias

Mausoléu, do gaúcho Duda Falcão, reúne vários contos escritos durante anos, alguns já foram publicados e outros são inéditos. Como diz na capa, são 336 páginas de horror com bruxas, zumbis, lobisomens, vampiros, fantasmas, alienígenas e monstros bizarros! Histórias de horror e aventuras extraordinárias!

Duda Falcão é autor de muitos contos em várias antologias e do romance de horror Protetores, que já resenhei para o site Estronho e Esquésito.

Mausoléu foi lançado na 59ª edição da Feira do livro de Porto Alegre, no Tu Frankenstein 2, que, por dois dias, teve várias mesas com autores discutindo sobre literatura fantástica. Durante o evento, em que Duda é um dos organizadores, escritores convidados ficaram reunidos por uma noute inteira na Biblioteca Pública de Porto Alegre a fim de escrever contos de horror. Um evento que trouxe autores de várias partes do Brasil, além dos autores argentinos, português, americano, francês.

Duda Falcão também é um dos organizadores da Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, um evento bem sucedido, com uma proposta muito bacana de reunir editoras, autores e leitores. A terceira edição acontecerá nos dias 11,12 e 13 de Abril de 2014.

Mausoléu é visualmente convidativo à leitura. A parte gráfica ficou aos cuidados de Roberta Scheffer, a capa é de Fred Macêdo e prefácio de Cesar Silva. A obra foi lançada pela Argonautas Editora, no site você pode comprar o seu exemplar por um preço bem bom: R$32 e frete incluso.

Então, leitor do Mundo de Fantas, você está convidado a mergulhar nessas páginas fantásticas!

Sinopse
O Anfitrião apresenta Mausoléu, de Duda Falcão: “Seja bem-vindo, leitor incauto! Eu sou O Anfitrião! Fico muito contente que você tenha chegado até aqui para conhecer a arquitetura do my master! Nesta obra sepulcral sua ótica humana será ofuscada por visões grotescas. Folheie as próximas páginas... Abra a porta e entre na cripta dos insanos. Durma na pedra fria do Mausoléu e tenha pesadelos eternos, he, he, he, he”.  

"É este o Mausoléu que Duda Falcão construiu para si mesmo, devidamente povoado por seus próprios pesadelos que, a partir de agora, vão também assombrar as noites dos valentes que se aventurarem em seus meandros.
Recomendo que levem uma lanterna. Boa sorte"
~ Cesar Silva, prefácio
Serviço
Editora: Argonautas
ISBN: 9788564076099
Ano: 2013
Páginas: 336

12 de out. de 2013

Pré-venda! Nevermore - contos inspirados em Edgar Allan Poe

Olá, foufos!

Olha só, já está em pré-venda o livro Nevermore - contos inspirados em Edgar Allan Poe, e tem conto meu! Fui uma das convidadas da antologia, e estou muito, muito feliz com o resultado.

O livro está massa! Tamanho 12x18cm, é em capa dura!

No site da livraria da Editora Estronho dá pra comprar com descontão e ainda pedir o livro autografado por mim e por Marcelo Amado, que também tem um conto! ^_^

Compre e aproveite para adquirir esse livro em kits com outros títulos e/ou com camiseta com descontos especiais na Livraria Estronho. 

De R$32  Por R$24
Clique aqui para ir até a Livraria

Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe é uma homenagem ao mestre do horror, gênio da literatura que morreu precocemente sem conhecer completamente a felicidade. Poe teve uma vida difícil, tanto amorosa como financeira, pois foi um dos primeiros escritores que tentou viver somente da escrita, mas que jamais deixou de acreditar em seu talento.

Poe é considerado o criador do gênero ficção policial e autor de inúmeros contos.
Nevermore, título desta obra, celebra a repetida palavra pronunciada pelo corvo do poema The Raven, escrito em 1845.

Dez autores brasileiros mergulham no mundo gótico de Poe, dando continuidade ao seu primoroso trabalho de suspense e horror.

Autores: Ademir Pascale · Celly Borges · Daniel Borba · Kathia Brienza · Leon Nunes · Luciana Fátima · Marcelo Amado · Marcelo Bighetti · Miriam Santiago.

Organização de Ademir Pascale ~ Prefácio de Paulo Biscaia Filho.

Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe Será lançado na 59ª Feira do Livro de Porto Alegre!  \o/

Livraria Estronho

4 de mar. de 2013

Resenha: O Círculo dos Magos - Peter Haining

Mais histórias fascinantes sobre Magia e Magos.

O Círculo dos Magos (Editora Bertrand Brasil, 288 páginas, R$39)  é uma reunião de grandes nomes da literatura mundial, com seus contos juvenis sobre magia.

O leitor que curte, por exemplo, J. K. Rowling tem uma grande oportunidade de conhecer e ler outros autores que há muito escreviam sobre magos, bruxas, magia e mundos paralelos.

Peter Haining, que também organiza outras coletâneas, como A Caverna dos Magos e Histórias Sobrenaturais de Rudyard Kipling, faz uma bela apresentação sobre a magia na literatura.

Alguns textos que compõem a obra, na verdade, são trechos romances, como é o caso de A Fórmula Rato-Transformadora nº 86, retirado de As Bruxas, de Roald Dahl, que já foi filmado com o nome de Convenção das Bruxas.

O conto que abre a coletânea é O Curso de Magia, E Nesbit – uma influência de Rowling. Na história há um internato para senhoritas. “Seleto Estabelecimento de Ensino Para Filhas de Monarcas Respeitáveis” era o que dizia a placa na porta. Certo dia chega um cavalheiro que deseja ser professor de magia. Mas Miss Fitzroy Robinson, a responsável pelo local, não aceita. O homem, então, corre em direção à sala de aula onde estão as sete princesas inscritas e as faz desaparecerem.

Passado algum tempo, seis belos príncipes surgem procurando as princesas a fim de se casarem, e não sabiam do ocorrido. Então, lá foram os valentes príncipes em busca de suas prometidas (cada um recebe o de uma princesa que tomará como esposa).

Cada ação traz algo necessário para a história, que é bastante ágil. Um conto agradável, que, por algum motivo – provavelmente a questão do internato – me remeteu ao livro A Maravilhosa Terra dos Snergs.

O conto seguinte é O Show de Mágicas do Doutor Cadaverezzi, de Philip Pullman, o doutor chega à cidade e um expectador narra os acontecimentos do show de mágica. É um texto curto, não me prendeu muito, é uma narrativa um tanto fraca. Esse parece ser um trecho de uma história maior.

Em A Espinha de Peixe Mágica, de Charles Dickens, o rei vai comprar peixe e no caminho de volta encontra uma velha, a Fada Boa Grandmarina, e explica que ele deve dar um pedaço do peixe à Princesa Alícia, a mais velha de seus 19 filhos, e que a espinha encontrada deverá ser polida até que brilhe como madrepérola. Essa espinha lhe dará a possibilidade de um pedido, contanto que feito na hora certa. Dickens sempre fala em tom desaprovador sobre os adultos e suas manias de não enxergarem como as crianças, que tudo veem. Um pensamento adorável e verdadeiro (recomendo aqui a leitura de O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, que fala sobre o que é “normal” na visão de uma criança e de um adulto).

A Feiticeira de Abril, de Ray Bradbury. Cicy é uma bruxa sonhadora e acredita que por ser diferente não pode se apaixonar. Então resolve se transformar em alguém que já tivesse uma paixão, ou melhor, entrar no corpo de uma moça apaixonada. Esse é um conto de amor, um dos mais belos do livro.

No conto de Terence Blacker, Tia Magi, Supermodelo, a tia tem uma gata de porcelana, um rato mágico e uma coruja mal-educada, tirando seus adjetivos, deve ter sido uma das inspirações de J. K. Rowling. Tia Magi é uma espécie de bruxa, ou melhor, uma paranormal ativa, que é mais moderno, segundo ela mesma. Toda a história começa quando Natalie, uma menina que é escolhida para representar a turma na Festa Anual da Páscoa, fica triste, pois sabia que seus pais novamente não irão, pois estarão trabalhando. Triste em seu quarto, um coelho de pelúcia começa a falar, alguma ligação com Alice? Tia Magi é um personagem chave, está presente em diversos livros de Blacker.

Em Por um Passe de Mágica, de Jacqueline Wilson, Rose não gosta de sua professora, por isso deseja mudar de classe. Não sabe se avança ou retrocede. Então, num pressionar de polegar, se vê de volta à classe da Professora Flores, no maternal, com apenas cinco anos. Esse era o seu “dom”, apertava o polegar entre os outros dedos e pensava com força. Mas sua fuga da escola se mostra frustrada.

Fiquem à Vontade, Amigos! – Alan Garner – é a frase que mais ouvem no parque que está sendo inaugurado naquele dia. Brian, um jovem que vai por várias vezes num museu para fazer um trabalho de escola, acaba fazendo amizade com o segurança.

Enquanto desenhava um antigo prato de prata, em que tinha representado uma cena de Caronte conduzindo uma alma para o Mundo dos Mortos, percebe a perfeição de cada detalhe, mas um em especial chama a sua atenção: marcada na peça está uma impressão digital idêntica à sua. Com a exceção de uma cicatriz.

A Loja de Mágicas, de H. G. Wells é fantástica, meu conto favorito no livro. Me remeteu à obra Livraria Limítrofe, nesse caso pelo livreiro escolher quem entra – apenas uma vez – e oferecer um livro a quem passou por ali. No caso de Wells, o visitante ganha brinquedos mágicos.

Ao final de cada conto há a biografia do autor, assim o leitor pode buscar outros livros de quem mais gostou. Também, antes de cada história, há uma sinopse do que virá.

É uma coletânea fantástica, que permite encontrar diversos autores clássicos, ou contemporâneos, alguns não são muito conhecidos, ou o são por outros textos, outra forma de escrita. Leia e encante-se.

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Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528612813
Ano: 2007
Páginas: 288
Skoob | Bertrand Brasil
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22 de fev. de 2012

Resenha: Histórias para não dormir - Pedro Rodríguez (adaptação e ilustração)

Histórias para não dormir (ARX, 96 páginas, R$43) é um belo livro em capa dura, foi adaptado e ricamente ilustrado por Pedro Rodríguez, e os contos escolhidos foram de grandes autores de terror e horror:

A Mão – Guy de Maupassant
O Pacto de Sir Dominick – Sheridan Le Fanu
O Ladrão de Cadáveres – Robert Louis Stevenson
O Vampiro – J. William Polidori
O Gato Preto – Edgar Allan Poe
A Casa B... Em Candem Hill – Chaterine Crowe
A Casa do Pesadelo – E. Lucas White

Cada conto abre com uma ilustração de seu autor, que é quem narra a história. Alguns dos contos são:

A Mão – Guy de Maupassant
Um novo morador e o suspense: quem seria ele? A curiosidade se fez maior e o juiz acabou por ser convidado para o jantar na casa do novo vizinho. Lá descobriu a estranha coleção de animais empalhados e o objeto mais bizarro ficou por conta de uma mão humana, verdadeira. E certo dia o novo morador foi encontrado morto e a mão desaparecera.

O Pacto de Sir Dominick – Sheridan Le Fanu
Um homem se viu falido depois de perder tudo nos jogos, ao encontrar o Diabo fez um pacto para que tivesse muito mais sorte e em sete anos voltaria e tomaria o que lhe era por direito. Mas com dizia o ditado “sorte no jogo, azar no amor”, outra vez ele precisaria da ajuda do Diabo.

A Casa do Pesadelo – E. Lucas White
Logo depois que o carro quebrou em uma estrada vazia um menino apareceu e ofereceu sua casa para que o homem descansasse. Mas o menino morava sozinho porque perdeu os pais e tinha pesadelos com um porco, o que impressionou o homem, que também teve pesadelos, pois ficou impressionado.

O Vampiro – J. William Polidori
Um jovem aceitou viajar com um distinto cavalheiro, mas percebeu que tinha uma estranha forma de agir, que não condizia com seu caráter. Por isso resolveu continuar a viagem para a Grécia sozinho. Lá conheceu uma moça por quem se apaixonou, mas ela acabou sendo morta por criaturas que moravam na floresta.

Não chega a ser realmente um livro que deixe o leitor acordado, com medo, essas versões de clássicos não são tão empolgantes quanto as histórias originais. Acaba por dar a sensação de que em alguns contos, apesar de tê-los transformado em visual, faltam descrições e até mesmo parecendo que não há fim. Mas recomendo a leitura, são grandes histórias de ótimos escritores e as ilustrações são belíssimas.

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Editora: ARX
ISBN: 9788502101050
Ano: 2010
Páginas: 96
Tradutor: Ana Luisa Martins
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9 de jan. de 2012

Resenha + Entrevista: Insólito – microalucinações – Paulo Fodra

Cruel, intenso, rápido como tudo pede hoje.

Como o próprio título diz, são microalucinações, microcontos, ou algo assim em poucas linhas. Essas muito bem escritas. Passam raiva, angústia, alegria, sensações boas, ruins, más...

Como quando o senhor Estronho (vulgo M. D. Amado) gritou ao meu lado justamente no momento em que eu lia o conto:

Vinte facadas foi pouco para aquela atriz nojenta que roubara sua realeza. A avenida era toda sua, outra vez. Avante, bateria!”


Tirando a capa, percebi que muitas vezes nos livros do selo Três por Quatro da Multifoco há essa moldura para se passar por um selo... O que deixa as obras parecidas demais e sem uma identidade. Não é uma série, não havia necessidade de se parecerem.

Mas o que vale é a obra, e Paulo Fodra (autor convidado, juntamente com a autora Nikelen Witter, para a antologia Livros organizada por mim – e é neste momento que os dois descobrem o convite, pois não tinham sido avisados – ainda a ser divulgada para seleção) escreveu com conhecimento. Os contos possuem início, meio e fim, o que é muito complicado quando temos apenas duas, três linhas para contar uma história inteira. E as que compõem Insólito – microalucinações (Multifoco – selo 3x4, 2011, R$30) prendem o leitor do início ao fim do livro.

Há sensibilidade

“Foi só o doutor bater o olho na radiografia pra entender o motivo de tanta indecisão. No peito da moça batiam três corações”.

Há humor

“O fracassado lutador de sumo fugira do Japão em desonra. No Brasil, encontrou a felicidade: todo fevereiro, virava Rei!”

Há realismo

“O gato matou o passarinho dentro da gaiola. Todos ficaram tristes, menos o morto. Livre, enfim, sua alma voou até o céu”.

E muito mais. Enfim, um livro recomendado para quem gosta de vários gêneros literários, pois vai passear por todos em poucas páginas bastante ricas.

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Editora: Multifoco - selo 3x4
ISBN: 9788579616303
Ano: 2011
Páginas: 88
No Skoob
Adquira o livro direto com o autor: vendas@paulofodra.com.br

Entrevista

Mundo de Fantas:  Como foi escrever "Insólito – microalucinações", conte-nos o processo e as inspirações.

Paulo Fodra: Comecei a escrever micronarrativas como exercício de concisão, por influência do escritor Luiz Roberto Guedes. Ele me apresentou uma série de microcontos fantásticos da Martha Argel, caracterizados pelo humor sarcástico e afiado. Fiquei impressionado com o grau de complexidade e expressão que as enxutas linhas possibilitavam. Brincando com essa proposta, experimentei registrar ideias completas para contos longos com a menor quantidade de palavras possível, tentando manter tudo ali – começo, meio e fim – sem perder de vista o tema e a intenção da trama. Logo percebi que algumas das histórias que eu inventara só funcionavam de fato no formato micro. A partir daí as micronarrativas começaram a ganhar vida própria. Na cola do humor sarcástico apareceram o humor negro e os temas mais sombrios. Surgiu também a curiosidade de testar a recepção dos leitores a esses microdelírios. Postei alguns deles em meu perfil do Twitter e me surpreendi com a repercussão que alcançaram. A partir daí virou hábito. Através do Twitter, acabei conhecendo bons microcontistas como Wilson Gorj, Denison Mendes, Agnelo Ronenberg, Tiago Moralles e Felipe Carriço. A troca de experiências e os sarais virtuais espontâneos, que acabaram surgindo madrugada adentro, me ajudaram a encontrar o estilo insólito que caracteriza a maior parte da minha microprodução. A minha inspiração vem do cotidiano e da quebra do raciocínio linear. Pode tanto vir dos absurdos políticos e sociais brasileiros quanto da interpretação "ao pé da letra" de expressões idiomáticas que usamos, muitas vezes sem consciência disso, no dia a dia. Existem muitas coisas por aí que nos parecem estranhas, absurdas ou mesmo revoltantes, mas que são consideradas absolutamente normais em certos contextos. Esse choque de realidade também é um terreno fértil para o insólito, um verdadeiro berço de microalucinações.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

P.F.: Na seara da microficção, recomendo os livros Bonsais Atômicos, do Denison Mendes, e Prometo Ser Breve, do Wilson Gorj, ambos lançados pelo Selo 3x4 da Editora Multifoco, especializado em micronarrativas, que também publicou o meu livro e do qual o Wilson é editor. Tanto o Wilson quanto o Denison são econômicos e contundentes na escolha das palavras e o resultado acaba se revelando poético mesmo ao falar do cotidiano. Outros dois livros fantásticos, dos quais só tomei conhecimento depois de ter escrito o Insólito, são 111 Ais, do Dalton Trevisan e Crimes Exemplares, do Max Aub. O primeiro livro foi lançado em 2000, e o segundo, em 1957, o que prova que a microficção já existia como forma literária muito antes da explosão das redes sociais, ou seja, não se trata de um simples e efêmero modismo.

Sou grande fã de Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Neil Gaiman, Stephen King e Joe Hill e considero que os livros Histórias Extraordinárias (Poe), e Fumaça e Espelhos (Gaiman), são verdadeiras aulas de como tratar o terror e a fantasia com profundidade, fugindo de clichês e construindo imagens poderosas e duradouras na mente do leitor. Na literatura fantástica nacional, meu destaque vai para o livro Fragmentos do Inferno, recém-lançado pela Editora Estronho. Coescrito por um time de novos talentos, é um romance de linguagem tensa e fragmentada, que dá uma amostra rica do potencial criativo da nova geração de escritores nacionais. E para aqueles que acham que contos de fada são coisas de criança, recomendo a leitura de O Reino das Névoas, escrito e ilustrado pela talentosa Camila Fernandes.

MdF: Obrigada por participar desta rápida entrevista e parabéns pelo seu trabalho, adorei mesmo seu livro.

P.F.:Muito obrigado. Quero aproveitar para agradecer a oportunidade e parabenizar o Mundo de Fantas pelo excelente trabalho na divulgação da literatura fantástica nacional!


26 de ago. de 2010

Resenha: Aos Olhos da Morte - M. D. Amado

Aos olhos da morte – apresentação de Georgette Silen, autora de Lázarus e prefácio de Rober Pinheiro, autor de Lordes de Thargor – traz a morte em diversas formas, afinal, quem pode garantir que ela tenha apenas uma aparência ou que se apresenta da forma clássica descrita em histórias comuns, com vestes negras e foice? Somente saberemos quando chegar a nossa vez de encontrá-la, e ainda assim, não teremos a certeza se ela aparece para nós como surge para os demais.

Enquanto isso, podemos encontrá-la em trajes distintos, no conto em que dá título ao livro a beleza da morte apaixonada, necessitada de seu amor por perto, dando-lhe a visão de um mundo perfeito, com seus sonhos realizados, porém irreais, tendo somente isso para lhe oferecer e mantê-lo próximo; sentir a agonia eterna de pensar, repensar no caminho escolhido ao dizer “sim” quando pressionado pelos falsos amigos, apesar de ter opções, a mais fácil e cômoda prevalece, então será sempre responsável por isso, e terá de ver, rever... em O inferno não é como você pensa.

Algumas vezes podemos desejar ser a morte ou encurtar o tempo para encontrá-la tão intensas são algumas descrições. Como no conto mais surpreendente O som da morte, em uma página, pois não necessitaria mais do que isso, mostra o impacto da maldade humana contra toda e qualquer forma de vida. Uma das mais belas e tristes narrativas, sem dúvida.

Em Cabelos pôr-do-sol a dúvida, o medo, a morte prematura e também tardia permite o fim do sofrimento de uma pessoa e o início – por vezes quase eterno – da angústia de outra.

No conto Suzana, uma advogada responsável por libertar seus clientes corruptos, e condenar inocentes, por não ter escrúpulos e desejar ascender financeiramente, em sua nova condição percorre a cidade guiada por um ser misterioso que mostra o efeito de cada ação quando ainda era viva.

Alguns personagens, seja a morte ou suas vítimas, parece que já conhecemos, talvez porque algumas ideias sejam tão corriqueiras em nossas vidas, que algumas histórias cremos ser parte de nós.

“Mas o som da morte nunca mais sairia de meus ouvidos. E isso se repete até hoje, a cada hora, todos os dias”.
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Editora: Editora Literata/Selo Estronho
ISBN: 9788563586025
Ano: 2010
Páginas: 122
No Skoob
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Adquira o livro Aos Olhos da Morte na Loja Estronha

27 de abr. de 2010

Resenha: Histórias que nos sangram - Geraldo de Fraga

Geraldo de Fraga (1979) usou como base lendas do Recife para escrever os sete contos que compõem o volume Histórias que nos sangram. Diz no prefácio de Roberto Beltrão que “(...) no Brasil, a literatura fantástica é – infelizmente! – considerada um gênero menor”, mas é visível que seu espaço está crescendo, assim como sua valorização e cada vez mais me deparo com bons escritores de LitFan.

Conheça um pouco dos contos que se destacam nesta obra:

Quem ama não tem coração – Ano 1711
“Um cheiro podre infestava o ar, carregado pelo vento forte que anunciava a tempestade se aproximando”.
Piratas desembarcam na praia, no navio, deixam algo estranho, uma criatura, exatamente a que Fernando queria quando contratou aqueles homens. Aquele ser fora responsável pela morte de seis homens somente naquele navio, e era responsável por muitas outras desgraças. São reações que o amor causa boas ou más, mas quem ama de verdade precisa sacrificar alguma coisa, às vezes o próprio coração.

Onde as almas esperam sua vez – 1840
“O vigário tirou uma flor do bolso da batina. Um pequeno cravo murcho e se desmanchando”.
As crianças enxergam muito mais do que os adultos, porque estes não se permitem ver além do dito real. E neste conto os amigos do menino Assis moravam na praça, ao menos era o que ele dizia, mas ninguém nunca os viu, o que gerou desconfiança na mãe. Eram pessoas que ninguém via e que, ainda assim, avisaram à criança sobre a volta do “bicho”, e a maldade causa por ele. Logo se percebe quem e o que ele fez, mas já é tarde para fazer algo.

Eu levo comigo apenas o que mereço – 1873
Josias encontrou um mapa e convidou o amigo para procurar o tesouro que ele apontava. O local era uma casa, mas o que de fato continha aquele lugar, eles iriam descobrir tarde demais. Casas mal-assombradas dão sempre histórias muito interessantes, claro, se o escritor souber conduzir, este conto causa medo e expectativa, exatamente o que se espera de um conto de LitFan.
“As sombra, os vultos, me perseguiam de perto. Falando coisas em meus ouvidos. Palavras geladas, vozes mortas”.

Fome – 1914
“Então a menina começou a chorar desesperada e por mais que Esmeralda gritasse, ela não falava mais nada. Sua patroa então lhe deu um tapa, que a derrubou no chão. Esmeralda saiu do quarto às pressas em busca do marido”.
Esse é o conto de maior destaque. Esmeralda, grávida, cuida de seu marido doente. Este exige sempre presença do criado Osvaldo quando precisa se alimentar. A mulher começa a desconfiar e ficar preocupada depois que um empregado acaba por falar demais e como sempre, há o curioso que busca respostas, principalmente o porquê de o criado andar sempre com um saco, sem que ela saiba de seu conteúdo.
“A mulher correu em sua direção aos gritos. ‘Ele roubou meu filho. Meu menino’”.

Alguns contos permitem que o leitor reflita, pois não entregam a história com final certo e pronto, causam medo, repulsa, mas não chegam a ser terror. É uma leitura gostosa, e há histórias que deixam saudade.

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Editora: Multifoco
ISBN: 9788560620661
Ano: 2010
Páginas: 112
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8 de abr. de 2010

Resenha: Metamorfose – a Fúria dos Lobisomens – Ademir Pascale (org.)

-->Escrever sobre determinado tema é bastante desafiador. Trinta e sete escritores foram selecionados para a coletânea Metamorfose – a Fúria dos Lobisomens organizada por Ademir Pascale e prefácio de J. Modesto, autor de Trevas e Anhangá – a fúria do demônio. Sinceramente nunca havia lido uma coletânea até o final e esta experiência foi bastante agradável. Alguns dos contos têm idéias muito interessantes, porém foram mal desenvolvidas. Outros são fracos, e deles não falarei, aproveitarei o espaço para citar alguns dos contos que se destacam.

Razão e Fúria – Marcelo Hipólito
“O homem-lobo surpreendeu-se (...) E ele sentiu vergonha de sua nudez”
A maldição também pode ser ao contrário e atingir o lobo, transformá-lo em homem. E para quem seria o pior castigo na transformação, para o homem ou para o lobo que adquire consciência em sua nova condição? Ao ler este conto imaginei que poderia bem se tratar de um romance.

A alcatéia – Lino França Jr.
Admiro o trabalho do escritor e este conto não poderia ser diferente, flui sem cenas e palavras colocadas desnecessariamente.
Um comboio de caminhões devidamente protegidos com prata, afinal em seu interior os seres temíveis, os lobisomens que foram capturados e, nesta tentativa de levá-los à capital pela ambição humana por poder que desafia até o desconhecido, mas nunca sai impune.
“(...) quando se lida com o sobrenatural, tudo que parece certo, pode deixar de ser em poucos segundos”.

Lobo Homem – Pedro Moreno
“Entre os rugidos de dor do animal e as gargalhadas dos homens estava meu rosnar”.
Aqui, uma criatura se preocupa com os animais da floresta em que vive, com a toda a destruição causada pelo homem – o verdadeiro mal. Mas ele é um instrumento da Natureza para afastar os seres cruéis que só fazem destruir.

O melhor amigo – André Bozzetto Junior
O horror de não se ter um amigo, de ser sozinho, leva Bruno a se aproximar de Jarbas, que descobre ser um lobisomem justiceiro. Neste conto há momentos de aversão como quando
“(...) caído no chão e gastava suas últimas forças gritando por sua mãe, enquanto a criatura bestial lhe arrancava as pernas”.

Sina – Jocir Prandi
“Numa mão, amor, carinho; na outra, rígida, cerrada, uma crescente fúria vingativa”.
A vingança que faz gerar mais vingança, uma bola de neve que sempre acaba por voltar. Quem mais sofre é aquele que permanece. Apesar de ser uma fera, também é possuidor de sentimentos.

O último baile: Pontos de vista – M. D. Amado
O conto é dividido em três partes: “A dança” em que a criatura fala enquanto toma para si a moça; “A caça”, o caçador busca e vinga a terrível cena que vê
“Teu erro, besta fera, foi roubar minha Marcelina”
“A fúria” é Marcelina quem fala sua tristeza.
Três visões diferentes do mesmo terrível momento em um belo, suave e poético texto sem deixar de ser terrível.

O Vampiro e o lobo – Adriano Siqueira
Num conto rápido, sem perder tempo, o lobo, grande inimigo do vampiro, se entrega, depois de tentar diversas vezes mata-lo, sem sucesso.
“Lobo! Não é pela tua fúria que conseguirá me atingir”.

Apavore-se com diversas versões pra uma criatura.

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Editora: All Print
ISBN: 9788577185382
Ano: 2009
Páginas: 200
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