29 de jun de 2012

Dica de leitura + Entrevista: A Ordem dos Arquivistas - Centésimo - Ricardo Sodré Andrade

Em um grande vale, uma enorme fortaleza incrustada entre as montanhas abriga o maior arquivo da Ordem dos Arquivistas, uma antiga organização cuja missão é guardar os registros produzidos e acumulados pelos reinos daquele mundo.

Neste lugar, um jovem iniciou uma busca por seu tio, um membro da Ordem que desapareceu misteriosamente. Em sua jornada pelo vale, o sobrinho do arquivista acaba descobrindo a relação de sua família com uma antiga lenda, as maravilhas de um dos ofícios mais respeitados do continente e a realidade por trás de algumas das fantásticas histórias contadas às crianças ao longo das eras.

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Editora: Literata
Ilustração de capa: Yuji Schmidt
ISBN: 9788563586667
Ano: 2012
Páginas: 144
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Breve entrevista com o autor

Mundo de Fantas: Fiz a revisão de A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, e posso dizer que a história me prendeu, gostei bastante, mas livros que reviso penso não ser ético resenhar, por isso faço uma rápida entrevista com o autor.

Parabéns pelo lançamento e nos diga: como foi escrever A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, conte-nos o processo e as inspirações. 

Ricardo Sodré Andrade: Escrever é um processo demorado e não se restringe apenas ao momento em que o autor senta em frente ao computador e começa a digitar sua história, mas abrange todo o processo criativo prévio de pesquisa, de desistências e de convicções. Isso toma tempo, até você perceber que possui uma ideia de história "estável" o suficiente em mãos.

Com A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, o processo de construção da história foi ocorrendo ao longo de 1 ano. Não seria honesto dizer que o processo tenha se esgotado dentro desse período, pois o histórico de leitura, de vivência e de contato com diversas mídias e narrativas do autor sempre conta muito. Filmes, RPG, livros, todas essas histórias, eu acredito, acabam influenciando o desempenho obtido durante a criação.

No meu caso, acredito que a obra de fantasia mais influente durante a produção do texto tenha sido As Crônicas do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss, que possui dois dos três volumes publicados. 

Os dois volumes de As Crônicas do Matador do Rei, O Nome do Vento e O Temor do Sábio, me chamaram a atenção por passar a ideia de um mundo de fantasia medieval (apesar de poucos elementos caracterizadores serem explícitos) onde há uma universidade onde se aprende uma mistura de ciência e magia. Apesar da universidade, há uma espécie de poder sobrenatural selvagem que o protagonista demora a conseguir fazer manifestar e, mesmo assim, demora a ter progressos no domínio desse poder. Posso dizer que muitos desses elementos me inspiraram, apesar que tentei ao máximo não reaproveitar sem crítica e adaptação.

Outras obras de ficção também foram importantes, mesmo que indiretamente, moldando ou se encaixando em minhas preferências. Entre elas estão algumas que me recordo agora: As Crônicas de Dragonlance (Tracy Hickman e Margaret Weis), As Crônicas de Gelo e Fogo (R. R. Martin), A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr), O Nome da Rosa (Umberto Eco) e alguns clássicos que li em versões da antiga Edições Melhoramentos, como Aladim e a Lâmpada Maravilhosa e Alice no País das Maravilhas.

Uma publicação periódica que tratava de RPG e que foi muito famosa no Brasil também me influenciou bastante: a Dragão Brasil. Foi uma publicação muito importante para os jogadores e narradores de RPG durante o período em que ela era editada, acredito que muita gente que escreve hoje lia a Dragão Brasil e sabe do que eu digo acerca do quanto ela foi importante para os contadores de história que se divertiam em longas partidas desse jogo de interpretação de papéis.

A Dragão Brasil não é mais editada, mas há produtos que poderíamos chamar de derivados, como a HQ Holy Avenger (faz um tempinho que foi publicada...), criada pelo Marcelo Cassaro, J. M. Trevisan e Rogério Saladino e a recente HQ do J. M. Trevisan e Lobo Borges, chamada Ledd. Tanto uma quanto a outra contam histórias que se passam no mundo de Tormenta, que, por sua vez, foi criado com o inteligente aproveitamento de muita coisa que havia sido publicada nas diversas edições da Dragão Brasil. Também há os romances do Leonel Caldela, que também se passam no universo de Tormenta, mas ainda não tive oportunidade de ler.

Frente a essas fontes de influência no gosto literário, ainda dá para somar mais um ingrediente: o monomito. Como tenho um pé na academia (apesar de não ser estudioso de literatura, letras ou similares), imaginei que deveriam existir estudos úteis para autores iniciantes neste gênero. Em meio à busca inicial, me deparei com o Eduardo Spohr (autor de A Batalha do Apocalipse) comentando de forma geral sobre o monomito e do que se tratava (não lembro se li ou ouvi em algum podcast). Investi algum tempo para entender do que se tratava o monomito em outras fontes e a ideia da "Jornada do Herói" acabou influenciando bastante na construção de A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, sendo bastante útil para criar a espinha dorsal da história.

Paralelo a esse esforço, havia uma vontade de criar algo que fosse interessante não apenas ao público consolidado do gênero de fantasia, mas que também soasse familiar e atrativo para um público específico: os estudantes e profissionais de Arquivologia, um campo em expansão no Brasil e que se ocupa da gestão e preservação dos documentos que natural e cotidianamente são produzidos pelos governos, empresas, instituições e pessoas. Tais documentos, não apenas costumam apresentar valor legal e administrativo no presente e futuro próximos como também podem se tornar os tais documentos históricos que são utilizados sempre quando tentamos entender a história dos mesmos governos, empresas, instituições e pessoas que citei.

Como sou graduado, tenho mestrado e atuo nessa área, escrever o livro se tornou mais fácil. O mundo e parte do cenário se beneficiaram dessa minha ligeira vantagem, pois tentei criar alguns correspondentes fantásticos de elementos que existem mesmo em nossa realidade.

Depois de escrita, a história passou pelas mãos de alguns amigos que foram meus leitores de teste, agradeço muito a todos eles. Várias coisas foram ajustadas graças às observações que recebi e também pela leitura e releitura do original, antes de enviar para minha revisora de texto (Celly Borges). Dizem que a gente publica para parar de revisar, então acho que não posso fazer mais nada por essa história a partir de agora.

Eu não consegui ainda resumir meu livro além da sinopse, sem a sensação de que estou provocando algum spoiler. Muito da história envolve o desaparecimento do tio do protagonista e de como os acontecimentos se relacionam com isso, assim, fico preocupado por adiantar algo que acredito ser melhor que o leitor tenha contato na ordem e intensidade que julguei correta quando entendi que tinha a versão final. Terei que confiar na sinopse e no primeiro capítulo disponibilizado gratuitamente na página do livro para chamar a atenção dos possíveis leitores.

Eu me diverti muito escrevendo A Ordem dos Arquivistas: Centésimo, quase tanto quanto nas melhores partidas de RPG que joguei e espero que os leitores se divirtam tanto quanto ou mais do que eu.

MdF: Deixe dicas de leitura, pode ter a ver com o assunto do livro e outros que achar importante indicar para seus leitores.

RSA: Quanto a deixar dicas de leitura, as primeiras obras que me ocorrem são os livros que já citei, mas quero fazer uma menção especial a Ledd, uma produção nacional corajosa por vários motivos, como a disponibilização gratuita dos originais na internet e o lançamento de material de qualidade em um mercado que, em minha leiga percepção, ainda acha, em boa parte, que história em quadrinho é coisa de criança.

MdF: Obrigada, parabéns pelo lançamento e muito sucesso!

RSA: Agradeço a Editora Literata, que na pessoa do Eduardo Bonito aceitou um "aperto" no cronograma para conseguirmos lançar o livro antes de outubro, quando ocorrerá o V Congresso Nacional de Arquivologia, em Salvador-BA e aos colaboradores que tive para realizar o livro: o ilustrador de capa, Yuji Schmidt e a diagramadora e capista Cristiane Viana

Obrigado ainda ao blog Mundo de Fantas, pela oportunidade de divulgar o A Ordem dos Arquivistas: Centésimo.

6 comentários:

  1. O livro é muito bom.. vou compra com certeza.. Parabéns a Ricardo Sodré e sua equipe...

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    1. Obrigada, Gerson. Você não vai se arrepender =)

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  2. Trata-se de um livro que abrange uma história incrível e deliciosa, cheia de aventura, humor e muita criatividade.
    Desejo ao jovem autor Ricardo Sodré a continuidade dessa fabulosa aventura.
    Estarei presente no lançamento.
    Um forte abraço.
    Ione

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  3. Parabéns, Ricardo! Muito sucesso com mais essa publicação!!

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  4. Valeu, Fernanda! Em breve estará disponível para aquisição! :)

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