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3 de jun. de 2013

Resenha especial: A Metamorfose - [89 anos sem] Franz Kafka

Há 89 anos morria Franz Kafka (3 de julho de 1883 – 3 de junho de 1924), autor de A Metamorfose. O volume traz uma alegoria sobre a mudança de vida. Sobre a difícil tarefa de escolher e seguir um caminho diferente, quando algo ou alguém, nesse caso a família, praticamente já o traçou, sem perguntar a opinião ou desejo do maior envolvido. É o mesmo que acontece quando a mãe, por exemplo, frustrada em seu sonho de ser modelo, o transfere para a filha, a privando de sua infância, um ótimo livro que aborda esse tema é o drama Distúrbio, da autora portuguesa Valentina Silva Ferreira.

Gregor Samsa é um jovem que precisa trabalhar como caixeiro viajante a fim de pagar a dívida dos pais com o gerente que o emprega. Os pais não têm mais condições de trabalhar, então o filho assume esse débito. O rapaz, deitado em sua cama, já no primeiro momento transformado num inseto, faz as contas de quantos anos ainda precisa trabalhar para saldar a dívida. É uma parte muito triste ver uma pessoa presa a um emprego que não faz bem. E ao mesmo tempo é tão comum que não percebemos, ainda assim dá um aperto no coração, talvez a sensação seja pela forma como é descrita, como tudo caminha no texto. Mais tarde ele descobre que sua família guarda dinheiro que bem poderia ter sido usado para quitar aquela antiga dívida e o libertar de tanto sofrimento para escolher uma profissão que não exija tanto, e que o agrade, é revoltante. Gregor logo tira esse pensamento de sua cabeça. Percebe-se que ele é uma boa pessoa, somente isso, então podem se aproveitar dessa bondade de quem não sabe dizer “não”, ou às vezes nem pode.

Outra parte que sempre que leio me assombra é a visão do pai jogando maçãs em Gregor. Kafka passa a repugnância sem palavras que o Sr. Samsa sente ao ver o filho transformado. Uma das frutas fica presa em suas costas e o acompanha durante a história, o fere mais do que a ferida física – feriu também a mim, leitora – apodrece...

Essa é uma história repulsiva, de um jovem que desperta e se vê transformado em um inseto gigante, para a vergonha de sua família, que, ao deixá-lo preso em seu quarto, tenta escondê-lo dos olhos dos outros. Não está escrito em que inseto Gregor Samsa se transforma, porém se faz implícito na mente de muitos leitores que é uma barata, a imagem já está fixada.

A irmã acaba, sem que seja solicitado, cuidando daquela criatura. E quando não suporta mais tenta persuadir a família, que na realidade já pensava em se livrar dele há muito.

Uma grande metáfora sobre mudança e as pessoas à volta terem dificuldade em aceitar o diferente do que a sociedade está acostumada, ou quando essas mesmas pessoas manipulam alguém para que consiga manter o conforto sem esforço.

Li a primeira vez a edição de bolso da L&PM Pocket (144 páginas) seguido de O Veredicto, e dessa vez a edição da Abril Coleções (93 páginas), as duas são muito boas, mas o interessante da primeira são as notas de rodapé. Leia um trecho da versão da editora L&PM Pocket.

O descaso com que o pai trata Gregor pode ser uma influência do pai do próprio autor, que o tratava muito mal. Kafka escreveu em 1919 o livro Carta ao Pai, publicado postumamente, em que fala sobre o que sentia em relação a ele.

"Eu era para ele um nada dessa espécie".

Franz Kafka escreveu também O Processo (1925) e O Castelo (1926), entre outras obras.

Sem dúvida A Metamorfose é um livro sensacional, que deve ser lido e relido.

Capa da primeira edição, 1916
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Editora: Abril Coleções
ISBN: 9788579710216
Ano: 2010
Páginas: 93
Tradutor: Lourival Holt Albuquerque
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Editora: L&PM
ISBN: 8525410469
Ano: 2001
Páginas: 144
Tradutor: Marcelo Backes
Skoob | Leia um trecho
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26 de mar. de 2013

Resenha Especial: A Casa dos Muitos Caminhos - [2 anos sem] Diana Wynne Jones

Estou órfã.

Quando li a última frase de A Casa dos Muitos Caminhos (Galera Record, 304 páginas, R$44,90) foi esta a sensação que tive, infelizmente Diana Wynne Jones, essa grande criadora, contadora e escritora nos deixou em 26 de março de 2011, exatamente há 2 anos, por conta de um câncer no pulmão.

Não poderei mais encontrar Howl, Sophie, Calcifer e o próprio Castelo Animado. Me senti mal por isso, de verdade. Bateu uma tristeza tão grande... A série Castelo Animado – os três livros – entrou para a lista dos favoritos.

Em A Casa dos Muitos Caminhos, Charmain é uma menina que ama os livros, vive com a cara afundada neles, e deseja trabalhar na Biblioteca Real. Mas um dia a tia Semprônia a leva para cuidar da casa do tio-avô William Norland, um mago que está doente e precisa se retirar a fim de se tratar.

Como a menina leva uma boa vida sem fazer nada, somente lendo, a tia lhe questiona se conseguirá cuidar da casa, e também se Charmain sabe magia. Nessa parte ela gagueja, mas a tia não percebe. Sua mãe “não achava que a magia fosse algo distinto”, por isso a menina nunca aprendeu nada.

Já na casa, descobre que o tio deixou muitas mensagens, se ela não soubesse como fazer algo, era só perguntar alto que ele responderia. Descobre também que a casa não é comum, ela realmente tem muitos caminhos. No início, entrar por uma porta, voltar e encontrar um lugar diferente pode parecer meio difícil, mas depois se acostuma.

Na casa, que está uma verdadeira bagunça, cheia de roupas e louça suja – sem torneira para lavá-las, pois os kobolds as arrancaram, Charmain encontra uma pequena amizade, o cachorrinho Desamparado, que se revela mais uma DesamparadA.

De repente chega Peter, um menino que diz ter ido aprender magia com o senhor William, mas, mesmo ele não estando, o garoto acaba ficando. Ele ajuda Charmain nas complicadas tarefas do dia a dia – é um tanto desastrado –, mas a menina por vezes não reconhece seu apoio, como quando ele arruma o seu quarto e Charmain fica revoltada, pois ela queria aprender a ter responsabilidade e fazer as tarefas, e como conseguiria se alguém sempre fazia tudo para ela?
Nessa aventura Charmain encontra antigos personagens, o sapeca Howl, Sophie e Calcifer, o demônio do fogo, que trazem uma ajuda mais do que bem-vinda.

A Casa dos Muitos Caminhos mostra a amizade, a paciência que precisa ter para conseguir conviver, pois precisamos abrir mão de certas atitudes que estamos acostumados e saber dividir e aprender com os outros.

Não posso simplesmente falar que é mais um livro de Jones. Talvez possa dizer que é mais um livro incrível de uma de minhas autoras favoritas (tanto que o banner do Mundo de Fantas é uma imagem da animação de O Castelo Animado, dirigida por Hayao Miyazaki).

O Castelo no Ar
Os livros que compõem a série são histórias à parte, mas que unidos formam uma maior. Em todos eles o leitor encontra o trio Howl, Sophie e Calcifer. Eles deixam saudade.

Diana Wynne Jones (16 de agosto de 1934 - 26 de março de 2011) escreve de maneira a prender o leitor, e o faz querer mais e mais. Cursou inglês na Universidade de Oxford e foi aluna de C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Escreveu mais de 40 obras, infelizmente poucas foram lançadas no Brasil. Da série Os Mundos de Crestomanci nem todos os livros foram traduzidos, apenas 5 dos 7 títulos.

Jones inventou uma das melhores histórias que já li. A série toda, O Castelo Animado, O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos, é altamente recomendada.


Primeiros parágrafos

- Charmain deve ir - disse a tia Semprônia. - Não podemos deixar o tioávô William enfrentar sozinho.
- Seu tio-avô William? - espantou-se a Sra. Baker. - Ele não é... - ela tossiu e baixou a voz poque isso, para ela, era muito desagradável. - Ele não é um mago?

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Altamente recomendado
Editora: Galera Record
Título original: The House of Many Ways
Tradução de: Raquel Rampil
ISBN: 8501086061
Ano: 2010
Páginas: 304 
Skoob | Galera Record
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Leia as resenhas de O Castelo Animado e O Castelo no Ar

24 de mar. de 2013

Resenha [Estronho e Esquésito]: Frankenstein, ou o moderno Prometeu, de Mary Shelley

Olá, leitores, como estão?

Hoje venho com uma novidade massa: fui convidada para escrever resenhas de livros policiais, de terror e de horror exclusivamente para o site Estronho e Esquésito! Então, quem curte esses gêneros, poderá conferir sempre lá.

O primeiro livro é Frankenstein, ou o moderno Prometeu, de Mary Shelley, adoro essa obra, e não poderia começar de outra forma. Espero que curtam e deixem comentários.

Obrigada e ótimas leituras!

Celly Borges

21 de mar. de 2013

Resenha: O Menino Alquimista - Juarez Nogueira

"Dá-se a verdade a todos, mas dela usam segundo a crença de cada um".

Quando li pela primeira vez O Menino Alquimista, lá em 2009, foi como se eu fizesse uma descoberta! Não conhecia ninguém que tivesse lido, não achei nada, nenhuma informação sobre o autor, mas era tudo bem interessante.

O livro, na verdade, me chamou, como explico na primeira resenha, e adorei, era tão diferente. Depois de um tempo quem acabou me encontrando foi o próprio autor. Gentilmente Juarez Nogueira entrou em contato para agradecer a resenha, imagina a alegria que fiquei! Conversamos um pouco e depois nos distanciamos.

Eis que, certo dia em 2012, Juarez reaparece e quer me enviar seu livro infantil Quando falar é fazer (Gulliver Editora, 24 páginas)! Fiquei muito feliz por ter se lembrado de mim. Interessante também é que, na época da primeira resenha eu morava no Paraná, agora estou em Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte, e não é que Juarez Nogueira mora bem pertinho, em Divinópolis?

Acabamos nos conhecendo pessoalmente no lançamento de Quando falar é fazer. E fico muito feliz de dizer que ele esteve no lançamento do meu livro infantil Em busca do arco-íris de sonhos (Fantas, 20 páginas)!

Bem, a Gulliver Editora me mandou a nova edição, revista e ampliada, num formato diferente (12x20), que traz uma bela capa e espero mesmo que você, leitor, curta tanto essa fantástica história quanto eu.

Em Tempo Sempre mora o Menino. Lá, sua avó conta que muitas crianças perdem as asas quando crescem. E essa parte me recorda uma incrível coincidência que se deu essa semana durante minhas leituras. Não consigo ler apenas um livro por vez, então, enquanto alternadamente lia três, algo me chamou a atenção: todas as obras falavam de algo em comum: asas, crianças e sonhos. Menino de Asas (Editora Ática, 80 páginas), de Homero Homem, trata de algo mais real, apesar de o menino possuir asas reais, a história não passeia tanto pelo fantástico quanto nas outras duas. Em A Garota que Podia Voar (Ciranda de Letras, 266 páginas), de Victoria Forester , é mais fantástico, Piper, a protagonista, não tem asas, mas passa pelo mesmo que o Menino de Asas, a sociedade impõe regras, as de não ser diferente.

Aliás, esse é o assunto principal nos dois livros, o que a sociedade não vê com bons olhos. Em O Menino Alquimista (Gulliver Editora 208 páginas) não se mostra dessa forma, mas em alcançar uma resposta para uma busca comum, mas muito importante.

O Menino, como é simplesmente conhecido – e ele pode ser qualquer um de nós, leitores –, encontra um livro num baú que sua avó deixou quando morreu. Nele havia uma estranha palavra que, ao ler, faz o menino adormecer. Quando acorda, está próximo ao mar. Um garoto que está ali o ajuda em sua travessia. Abre o mar e lá foi o Menino, que vê como o mundo foi criado.

Durante sua jornada, encontra vários seres, muitos personificados, como a Vida, uma violinista, o Medo, um jardineiro, a Verdade, uma senhora calma e sábia. E fica frente a frente até mesmo com o Diabo. E todos o guiam através das páginas.

Então assim segue sem parar em sua viagem de busca.

Durante essa jornada, o Menino aprende bastante, pois é assim que acontece. Cada vez que encontramos alguém, se dermos oportunidade e deixarmos nosso ego de lado, aprendemos com ele. O Menino ouve e então fica mais rico.

Mas esse é um caminho solitário, apesar de tudo, de tantas pessoas e seres... isso é passageiro, não permanece por muito tempo. Nossa vida é desta forma.

Andamos uma vida toda em busca do saber. Uma pessoa curiosa vai atrás para desvendar os mistérios que a cercam, sejam quais forem, não aceita viver uma vida cômoda. E no caminho sempre encontramos pessoas, conhecemos sentimentos interessantes. É desta forma que crescemos. É o caminho natural, se o aceitarmos.

E o Menino Alquimista é bom em encontrar e descobrir. A história toda é repleta de simbolismos e citações em meio a uma busca que todos passamos, mesmo que para alguns em menor intensidade, e para outros signifique uma grande viagem pelo desconhecido, para que se quebrem as barreiras e se descubra o motivo. O conhecimento.

O Menino Alquimista já ganhou o selo FNLIJ/Altamente Recomendável e em 2013 completa 10 anos de sua primeira publicação. Sem dúvida, é altamente recomendado também para os leitores do Mundo de Fantas.

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Altamente Recomendado
Edição: 2
Editora: Gulliver
ISBN: 9788565432009
Ano: 2012
Páginas: 208
Skoob | Blog do Juarez Nogueira | Gulliver Editora
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Serviço
Juarez Nogueira estará no dia 12 de Abril de 2013 na Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, RS
Horário: das14 às 15h
ENTRADA FRANCA
Memorial do Rio Grande do Sul
Rua Sete de Setembro, 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico
Porto Alegre – RS – CEP: 90010-191
Informações: 51-3224.7210 – memorial@sedac.rs.gov.br

15 de mar. de 2013

Lista: Os melhores livros juvenis - Parte 1

Todos (?) sabem que sou viciada em listas e em livros juvenis.

E quero dividir meu gosto com os leitores do blog, então esse post traz uma lista com meus livros juvenis favoritos. Espero que curta.

A História Sem Fim - Michael Ende

Não posso começar de outra forma: A História Sem Fim (1979) é um dos meus livros favoritos. O melhor livro infanto-juvenil que já li. Michael Ende é um dos meus autores favoritos. Simplesmente porque é incrível. Sabe quando falo sobre um autor não diminuir seu leitor por sua obra ser destinada principalmente ao público infantil e juvenil? Michael Ende não o faz, ao contrário, instiga seu leitor; cria novos mundos e nos faz viajar e querer ler mais e mais de suas histórias fascinantes, ricas.




2º Série O Castelo Animado - Diana Wynne Jones

  • O Castelo Animado - Livro 1

E se de repente você, jovem com toda a vida pela frente, encontrasse uma bruxa que aparentemente sem motivos a transformasse em uma velha de uns 90 anos? E se esse feitiço não permitisse que fosse revelado que você na verdade está sob um feitiço?

Leia a resenha completa de O Castelo Animado - Livro 1

  • O Castelo no Ar - Livro 2

Descobri Diana Wynne Jones através da animação de O Castelo Animado, dirigida por Hayao Miyazaki em 2004. Sempre vejo nos créditos dos filmes que gosto se eles foram adaptados de algum livro, e esse foi o caso. Saí em busca do livro, mas só consegui comprá-lo em 2012. Aproveitei e fiz a festa, peguei também as continuações, O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos. Logo que terminei O Castelo Animado passei para o segundo e não me arrependi, é incrível.

Leia a resenha de O Castelo no Ar - Livro 2

  • A Casa dos Muitos Caminhos - Livro 3

Uma das maiores escritoras de literatura de fantasia, com mais de 30 títulos publicados, Diana Wynne Jones traz de volta seu universo mágico e fascinante criado em O Castelo Animado, que ganhou as telas de cinema em uma adaptação do mestre japonês da animação Hayao Miyazaki, indicada ao Oscar de Melhor Filme de Animação de 2006. Depois da continuação O Castelo no Ar, os personagens Howl, Sophie e Cálcifer estão de volta em uma nova, surpreendente e encantadora aventura.

Ainda sem resenha, então leia a sinopse completa


3º Série Harry Potter - J. K. Rowling

Bem, todos conhecem a série, sabem o o que acontece com o menino bruxo que mora com seus tios trouxas - ou seja, não bruxos - e recebe uma carta para ir estudar em Hogwarts, e lá muitas aventuras acontecem, e, como nunca (!) fiz resenha dela, só deixo em aberto, sem links.






4º Heidi - Johanna Spyri

Muitas gerações de crianças se encantaram com a história de Heidi, essa adorável e alegre menina que, na sua maneira inocente, consegue transmitir o sentido da verdadeira felicidade a todos os que com ela convivem. É a docilidade e a sabedoria ingênua desta personagem que permitem descobrir que são os pequenos gestos e as atitudes, os verdadeiros sentimentos, como o amor, a generosidade e a simplicidade, alguns dos segredos para se alcançar essa felicidade.

Ainda sem resenha, então leia a sinopse completa



5º Momo e o Senhor do Tempo - Michael Ende

Homens cinzentos passaram a convencer as pessoas a economizar tempo e com isso a vida foi se tornando fria e vazia. Coube a Momo, uma menina desgrenhada, a missão de trazer de volta o tempo perdido. 

Não é que Manu desse tão bons conselhos, ou sempre encontrasse as palavras certas para dizer. Não é que ela divertisse o pessoal, cantando, dançando, ou tocando algum instrumento. Não é que ela tivesse poderes mágicos, ou lesse a mão, ou enxergasse o futuro.

 Ainda sem resenha, então leia a sinopse completa

Espero que tenha curtido a primeira parte da minha lista. E não deixe de contar qual é a sua.

Leia também
+ Como cuidar dos livros Parte 1 - armazenamento
+ Como cuidar dos livros Parte 2 - marcações

13 de nov. de 2012

Resenha: O Castelo no Ar - Diana Wynne Jones

Descobri Diana Wynne Jones através da animação de O Castelo Animado, dirigida por Hayao Miyazaki em 2004. Sempre vejo nos créditos dos filmes que gosto se eles foram adaptados de algum livro, e esse foi o caso.

Saí em busca do livro, mas só consegui comprá-lo em 2012. Aproveitei e fiz a festa, peguei também as continuações, O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos. Logo que terminei O Castelo Animado passei para o segundo e não me arrependi, é incrível.

O Castelo no Ar (Garela Record, 304 páginas, R$ 42,90) conta a história de Abdullah, um vendedor de tapetes de Zanzib, que perdeu o pai e herdou pouco dinheiro, o resto havia ido para a primeira esposa do pai. É um jovem sonhador. Acordado sonha ser um rico príncipe com um enorme jardim, e que foi criado por um humilde mercador de tapetes depois de ter sido sequestrado ainda bebê. Mas sonhar não está nos planos da família da primeira esposa de seu pai e essa perseguição às vezes irrita, dá vontade de mandá-la passear.

Certo dia, num clima bem Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, um estranho aparece na tenda de Abdullah e lhe oferece um tapete voador. Após demonstrar realmente ser mágico, o mercador o compra e paga com todas as suas moedas de ouro.

Para ter certeza de que o tapete não voltaria para seu dono, Abdullah dorme sobre ele. O que acontece é que ele sonha com um jardim lindo de um palácio, e com uma bela jovem que o confunde com mulher, pois nunca havia visto outro homem que não seu pai, o sultão que a mantém presa por conta de uma profecia. Passado o susto, Abdullah descobre não ser um sonho, o tapete o havia levado para o jardim dos seus sonhos acordado.

A vontade de ler Aladim e a Lâmpada Maravilhosa só cresceu.

Depois, Flor da Noite, a bela jovem que Abdullah encontrou no jardim, é raptada por uma terrível criatura chamada djin (que em árabe significa gênio, mas não o gênio comum, esses possuem “imensas asas negras e coriáceas... com mãos que tinham unhas longas como garras”), achando que o vendedor é o culpado, o sultão ordena que seus soldados o prendam.

Há o tapete voador e no deserto aparece um gênio, daqueles que são uma fumaça azul, presa dentro de uma garrafa, mas bastante mal humorado, que permite apenas um desejo por dia.

“Eu nunca disse que meus desejos devessem fazer o bem a qualquer pessoa – afirmou o gênio. – Na verdade, jurei que eles sempre causariam o máximo de dano possível”.

O bacana das histórias de Diana Wynne Jones (16 de agosto de 1934 - 26 de março de 2011) é que cada detalhe não acontece apenas por acontecer, tudo é importante, uma peça chave. Alguns personagens de O Castelo Animado reaparecem, mas nessa história é o amor que fala mais alto, é o personagem principal. O amor de um jovem mercador por uma jovem princesa, que ele faz de tudo para provar. Enfrenta criaturas, deserto, um gênio que não colabora, e muitas aventuras para salvar seu amor das garras de um djin colecionador de princesas.

Se tornou, sem dúvida, um dos meus livros favoritos. Altamente recomendado.

Diana Wynne Jones cursou inglês na a Universidade de Oxford e foi aluna de C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Escreveu mais de 40 obras, infelizmente poucas foram lançadas no Brasil. Da série Os Mundos de Crestomanci nem todos os livros foram traduzidos, apenas 5 dos 7 títulos.

Primeiro Parágrafo

“No extremo sul da terra de Ingary, nos sultanos de Rashput, um jovem mercador de tapetes chamado Abdullah vivia na cidade de Zanzib. Como acontece com os mercadores, ele não era rico. Seu pai havia se decepcionado com ele e, ao morrer, deixou a Abdullah dinheiro suficiente apenas para comprar e abastecer uma modesta tenda no canto noroeste do Bazar. O restante do dinheiro do pai, inclusive o grande empório de tapetes no centro do Bazar, tinha ido todo para os parentes da primeira esposa do pai”.

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Altamente recomendado
Editora: Galera Record
Título Original: Castle in the Air
Tradutor: Raquel Zampil
ISBN: 9788501075420
Ano: 2007
Páginas: 304
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Leia a resenha de O Castelo Animado.

7 de nov. de 2012

Resenha: O Castelo Animado - Diana Wynne Jones

E se de repente você, jovem com toda a vida pela frente, encontrasse uma bruxa que aparentemente sem motivos a transformasse em uma velha de uns 90 anos? E se esse feitiço não permitisse que fosse revelado que você na verdade está sob um feitiço?

Com a morte do pai, Sophie – a mais velha de três irmãs, desta forma a que menos tem direitos e que todos sabem não ter futuro, pois assim é aquela sociedade – depois de sua madrasta se aposentar herdará a chapelaria, a moça sem outra opção e, sempre tendo trabalhado ali, não mostra entusiasmo.
           
Bem, agora enfeitiçada pela Bruxa das Terras Desoladas, resolve que é hora de mudar e buscar outra vida. Suas irmãs já haviam sido encaminhadas para outras casas a fim de serem educadas e aprenderem alguma tarefa. Sophie abandona a tudo e todos.

Ninguém a vê partir. De qualquer forma ninguém a reconheceria. Vai em busca do Castelo Animado. Uma horrível construção onde vive o terrível Mago Howl, aquele que dizem comer o coração das jovens, mas ele poderia ajudá-la, afinal é um mago.

A velha descobre que o castelo é animado por Calcifer, um demônio do fogo. Ele logo percebe que Sophie está sob um feitiço, apesar de não saber como desfazê-lo. E como Calcifer também é mantido sob um feitiço sem poder dizê-lo, fazem um pacto em que um deve descobrir a forma de acabar com o feitiço do outro.

“Havia uma maçaneta quadrada de madeira acima da porta, engastada no lintel, com uma pincelada de tinta em cada um dos quatro lados” cada cor significa que a porta abriria em um local diferente.

Para garantir a sua estadia no Castelo – que nada mais é do que a própria e simples casa de Howl transformada em um amontoado de chaminés para que se movimentasse –, Sophie se torna a faxineira, sem ser contratada por ninguém. Apenas entra e se instala. E ninguém reclama de ela estar ali. Mas muitas de suas atitudes para manter o local limpo mostram-se frustradas, principalmente porque Howl, Calcifer e Michael, o aprendiz de 15 anos, são muito bagunceiros. E às vezes Sophie mexe onde não deve.

“Como jovem, Sophie teria se encolhido de vergonha pela maneira como estava agindo. Como velha, não se importava com o que fazia ou dizia. E achou isso um grande alívio”, pág 69.

Sophie tem aquele jeito tranquilo de mãe de antigamente, que limpa o quarto como se nada estivesse acontecendo, enquanto o filho protesta do lado, gritando para que deixe sua bagunça em paz.

Mas há mais do que feitiços para serem resolvidos e faxineiras para serem paradas. Howl se compromete a encontrar o Príncipe Justin, irmão mais novo do Rei, que sumiu, mas desiste e Sophie precisa se passar por sua mãe e falar mal para que o Rei não queira mais que o Mago procure o desaparecido.

E além disso tudo há um espantalho com cabeça de nabo que assusta bastante a velha. Tem algumas partes muito engraçadas, algumas que chocam e outras que encantam, passar algumas horas com O Castelo Animado (Editora Record, 318 páginas, R$47,90) é diversão certa!

Foi adaptado em 2004 para o cinema por Hayao Miyazaki, um dos mais conhecidos diretores de animação – que também dirigiu uma das minha animações favoritas A Viagem de Chihiro. Foi através do filme que descobri que O Castelo Animado é um livro. E como é comum em adaptações, a história é um pouco mudada, mas da mesma forma fantástica. Deve ser vista.

Clique para ampliar

Diana Wynne Jones (16 de agosto de 1934 - 26 de março de 2011) cursou inglês na a Universidade de Oxford e foi aluna de C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Escreveu mais de 40 obras, infelizmente poucas foram lançadas no Brasil. Da série Os Mundos de Crestomanci nem todos os livros foram traduzidos, apenas 5 dos 7 títulos.

Jones escreveu uma história realmente incrível, primeiramente publicada em 1986, e chegou ao Brasil apenas em 2007. Ela gostava de criar várias dimensões, e isso é notado em O Castelo Animado, o primeiro de uma série com três livros, O Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos são os próximos títulos, já lançados no Brasil. Quem gosta de literatura juvenil essa é a obra que não pode faltar em suas leituras. Um livro altamente recomendado.

Primeiro Parágrafo
“Na terra de Ingary, onde coisas como botas-de-sete-léguas e mantos de invisibilidade existem, é um verdadeiro infortúnio ser a mais velha de três irmãs. Todos sabem que é você que vai sofrer o primeiro, e maior, fracasso se as três saírem em busca da sorte”.

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Altamente recomendado
Editora: Record
Título Original: Howl’s Moving Castle
Tradutor: Raquel Zampil
ISBN: 8501075469
Ano: 2007
Páginas: 318
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25 de set. de 2012

Resenha: Ladrão de Olhos - As aventuras de Peter Nimble - Jonathan Auxier

Uma ótima história, sem dúvida!

Esse foi um daqueles livros que me chamaram. Na verdade não sabia exatamente o que esperar, não li nenhuma resenha, e passei os olhos pela sinopse. Mas o livro simplesmente me chamou e eu fui atrás. Em nenhum momento me arrependi.

Literatura juvenil é a minha paixão. Leio vários livros do gênero e é ótimo conseguir fugir de histórias chatas, repetitivas e cansativas. Ladrão de olhos - As aventuras de Peter Nimble (Editora Leya, 424 páginas, R$34,90) foi uma grata surpresa nesse meio. Um livro diferente que me encantou e me prendeu.

“As palavras dele não poderiam ter sido mais corretas. Como você sabe, as crianças, ao contrário dos adultos, são muito mais inteligentes para não ser enganadas por impostores, um fato que justifica, com sobra, a desconfiança de madrastas e professores substitutos”.

Peter foi encontrado em um cesto boiando ao lado de um navio e um corvo bicava seus olhos. Resgatado por marujos bêbados, cresceu nas ruas e, com cinco anos, foi achado e criado pelo sr. Seamus, um homem muito mau que abrira um negócio de adoção de órfãos em que fazia os meninos roubarem de tudo para ele, o que me lembrou de Oliver Twist, de Charles Dickens.

Numa de suas saídas, Peter encontra uma caixa com três pares de olhos, cada um com uma função. Ao colocar um, o menino é levado para um lugar muito molhado. Depois é avisado que saberá a hora certa de usar cada par. Acaba encontrando também um destino, precisa ajudar alguém, mas quem? E por que ele?

Em companhia de Sir Tode, um homem transformado por uma bruxa numa mistura de cavalo e gato, mas com bigode de gente, o ajuda na busca pelo Reino Desaparecido. E muitas coisas acontecem antes e depois, com corvos, ladrões, crianças, adultos... E o fato de ser cego pode atrapalhar e também ajudar em certas partes.

As páginas são num tom levemente escuro nos cantos e fica mais claro na parte do texto. Cada capítulo tem uma pequena ilustração acima do título. Esses detalhes deram um charme a mais na obra.

Acompanhar as aventuras de Peter Nimble foi ótimo! O único porém é o final meio corrido, mas nada que estrague todo o resto. Tirando isso, é muito bom. A história é tão gostosa que li bem rápido e queria mais. Recomendo!

Primeiro parágrafo
Para vocês que nada conhecem sobre crianças cegas, saibam que dão os melhores ladrões. Como bem podem imaginar, crianças cegas possuem um olfato incrível e podem dizer o que está por trás de uma porta trancada – seja tecido fino, ouro, ou farelos de amendoim –, mesmo a metros de distância.

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Editora: Editora Leya
ISBN: 9788580442700
Ano: 2012
Páginas: 424
Tradutor: Alice Klesck
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Sobre o autor
Jonathan Auxier nasceu no Canadá, mas atualmente vive em Los Angeles, onde trabalha como roteirista. Este é seu primeiro romance, que, aclamado nos Estados Unidos, será publicado em 13 países.

12 de fev. de 2011

Clube do Livro: Resenha: A História Sem Fim – Michael Ende

Não posso começar de outra forma: A História Sem Fim (1979) é um dos meus livros favoritos. O melhor livro infanto-juvenil que já li. Michael Ende é um dos meus autores favoritos. Simplesmente porque é incrível. Sabe quando falo sobre um autor não diminuir seu leitor por sua obra ser destinada principalmente ao público infantil e juvenil? Michael Ende não o faz, ao contrário, instiga seu leitor; cria novos mundos e nos faz viajar e querer ler mais e mais de suas histórias fascinantes, ricas.


Para entender a ideia de A História Sem Fim é preciso entender o livro em si:

  • É dividido em duas cores: vermelha e verde. A primeira para quando Bastian Baltasar Bux está em seu mundo comum e sem graça e a segunda para quando ele está no mundo de Fantasia, lendo o livro e, assim, participando de sua criação, afinal uma história só existe para o leitor se for lida.
  • Há 26 capítulos e, podemos chamar, uma “introdução”, quando Bastian encontra o Sr. Karl Konrad Koreander, o menino fugia de outros que queriam bater nele, e, para se esconder, tanto deles quanto da chuva, entra na loja “Alfarrabista” – note que a primeira página é em verde, a seguinte passa a ser em vermelho. Bem, e por que exatamente 26 capítulos? Simples, um para cada letra do alfabeto, isso mesmo, cada um inicia com uma grande letra – separada em uma página – que dá continuidade ao parágrafo, essa letra vem acompanhada por desenhos dos personagens que aparecerão naquele capítulo.

“As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que a dos adultos. As pessoas que as experimentam não as sabem explicar, e as que nunca viveram não as podem compreender.
A paixão de Bastian Baltasar Bux eram os livros”

Bem, já conhecemos Bastian, continuemos, então. O menino se vê encantado pelo livro que o Sr. Koreander está lendo, e assim, logo que o homem sai, ele rouba o livro. Agora era um ladrão. Não poderia voltar para casa. Ninguém notaria sua falta, mesmo. Bastian se esconde no sótão da escola, não teria mais a obrigação de frequentar as aulas, afinal era um fugitivo.

O livro que Bastian tem, começa com a ida de alguns seres, mensageiros, para a Torre de Marfim, eles precisam contar à Imperatriz Criança que algo estranho está acontecendo: O Nada está invadindo algumas partes de Fantasia! Mas quando chegam, percebem, pelo número de mensageiros, que Fantasia está tomada pelo Nada. Seres caem, ou mesmo se jogam, pois aquele grande Nada as atrai, alguns até mesmo colocam apenas uma parte do corpo e esta some.

“É como se uma pessoa ficasse cega, quando olhasse para esse lugar, não é?”

A Imperatriz Criança, que está definhando, manda o pequeno Atreiú para que ajude na grande busca do que pode salvar tudo e todos... mas, o que ele precisa encontrar? Ao menos carrega no pescoço o “Brilho”, o símbolo da Imperatriz ­– para quem não o conhece, AURIN -, “um amuleto de ouro, representando duas serpentes, uma clara e outra escura, que mordiam a cauda uma da outra, formando uma figura oval” e, assim como você, leitor, deve ter feito agora, Bastian também o fez, analisou a capa do livro que tinha nas mãos.

Durante a jornada de Atreiú, que sofre altos e baixos, perde seu grande amigo no Pântano da Tristeza, o cavalinho Artax, uma das cenas mais tristes. Muitas aventuras serão intensamente vividas. Atreiú, Bastian e para quem mais acompanha a história, Fuchur, o Dragão Branco da Sorte, chega para ajudar a enfrentar todos os perigos e levar os leitores pelos céus de Fantasia.

Em alguns pontos – quando Bastian para de acompanhar a história para comer, ir ao banheiro (muito importante!), ou fazer algum comentário – as cores de sua vida tornam-se vermelhas.

A História Sem Fim é, sem dúvida, a história perfeita, escrita pelo Mestre Michael Ende (1929-1995), um livro impossível de ser largado, impossível de ser lido apenas uma vez. Então, viaje por esta história fantástica!

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Editora: Martins Fontes
Tradução de Maria do Carmo Cary
ISBN: 8533613156
Ano: 2001
Páginas: 392
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Algumas curiosidades:
* Stratovarius tem uma música chamada “Fantasia” inspirada no filme [escute-a];
* Neste mesmo filme o nome do Dragão Branco da Sorte, Fuchur, muda para Falkor;
* Os filmes não contam nem 10% da magia da história;
* O nome Mundo de Fantas foi inspirado neste livro.

“Mas essa é uma outra história e terá de ser contada em outra ocasião”.

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Mais um livro escolhido para Resenha do Clube do Livro, ideia proposta pelo Junior Cazeri do blog Café de Ontem, e além deste e do Mundo de Fantas, também participa o blog À LitFan.
Sendo assim, leia as outras opiniões sobre este mesmo livro.

4 de jan. de 2011

Clube do Livro: Resenha: Frankenstein – ou o moderno Prometeu – Mary Shelley

Recebi o convite de Jr. Cazeri, o moço do Café de Ontem, para participar de um tipo de Clube do Livro entre blogs. Achei a ideia interessante por isso aceitei. Ao final das resenhas sempre colocaremos os links dos outros participantes, que são eles Café de Ontem, A LitFan e Mundo de Fantas, o leitor também é convidado a dividir sua opinião.
O primeiro título escolhido foi

Frankenstein, ou o moderno Prometeu
de Mary Shelley
Num típico dia chuvoso, sem nada para fazer além de se manter em casa e contar algumas histórias de fantasmas, Lord Byron convidou os amigos a escrever, cada um, sua própria história de sobrenatural, Mary Shelley (1797-1851) se sentiu desafiada, já que há muito seu marido, o poeta Percy Shelley, a incitava a seguir os passos de seus pais, porém, ou não havia tempo ou mesmo uma história a altura a ser passada ao papel. Durante dias ela pensou em algo que pudesse de fato dar medo nas pessoas, nasceu assim Frankenstein – ou o moderno Prometeu (1818).

Victor Frankenstein narra sua desventura ao homem que o salvou, pois se encontrava à deriva, o Sr. Walton o manteve em seu navio, e por sua vez a conta em forma de carta à sua irmã Margaret, este estilo narrativo era bastante utilizado na época, alguns exemplos conhecidos são A Pedra da Lua de Wilkie Collins (leia a resenha) (1868), e diz-se que este inspirou Bram Stoker a utilizar-se de diários em Drácula (1897).

O livro Frankenstein retrata a busca incessante do homem pelo oculto da criação, a vontade de tornar-se um deus. “Desbravarei novos caminhos, explorarei forças e revelarei os mistérios da criação”, mesmo que da forma mais hedionda “coletava ossos dos necrotérios e profanava, com os dedos, os recônditos do corpo humano”, para literalmente dar vida ao seu intento.

Cego diante do processo, Frankenstein não percebia a criatura que entregava à vida, quando enfim ela despertou, também assim foi com o cientista, e ao ver seu monstro, tentou fugir. Mas era apenas uma fuga física, pois seu ser seria marcado para sempre.

Frankenstein – ou o moderno Prometeu é uma história temperada pelo horror e pelo drama.
“Desejo que minha hedionda criação prossiga e prospere. Tenho afeição por ela, pois foi fruto de dias felizes, quando a morte e a dor não eram senão palavras que não encontravam eco em meu coração”.

A versão que li foi da Martin Claret. Já li outros volumes da editora e em todos havia erros de digitação, e em Frankenstein não foi diferente. Porém, a obra está além disso, e Mary Shelley presenteia o autor com o clássico e ótimo livro de horror.

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Título original: Frankenstein or the morden Prometheus
Tradução: Pietro Nassetti
Editora: Martin Claret
ISBN: 9788572324168
Ano: 2001
Páginas: 208
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Outro título escrito por Mary Shelley, pouco conhecido, é O Último Homem, lançado no Brasil em uma bela edição bilíngue pela Editora Landmark.
Leia também as resenhas de Café de Ontem, A LitFan.

26 de ago. de 2010

Resenha: Aos Olhos da Morte - M. D. Amado

Aos olhos da morte – apresentação de Georgette Silen, autora de Lázarus e prefácio de Rober Pinheiro, autor de Lordes de Thargor – traz a morte em diversas formas, afinal, quem pode garantir que ela tenha apenas uma aparência ou que se apresenta da forma clássica descrita em histórias comuns, com vestes negras e foice? Somente saberemos quando chegar a nossa vez de encontrá-la, e ainda assim, não teremos a certeza se ela aparece para nós como surge para os demais.

Enquanto isso, podemos encontrá-la em trajes distintos, no conto em que dá título ao livro a beleza da morte apaixonada, necessitada de seu amor por perto, dando-lhe a visão de um mundo perfeito, com seus sonhos realizados, porém irreais, tendo somente isso para lhe oferecer e mantê-lo próximo; sentir a agonia eterna de pensar, repensar no caminho escolhido ao dizer “sim” quando pressionado pelos falsos amigos, apesar de ter opções, a mais fácil e cômoda prevalece, então será sempre responsável por isso, e terá de ver, rever... em O inferno não é como você pensa.

Algumas vezes podemos desejar ser a morte ou encurtar o tempo para encontrá-la tão intensas são algumas descrições. Como no conto mais surpreendente O som da morte, em uma página, pois não necessitaria mais do que isso, mostra o impacto da maldade humana contra toda e qualquer forma de vida. Uma das mais belas e tristes narrativas, sem dúvida.

Em Cabelos pôr-do-sol a dúvida, o medo, a morte prematura e também tardia permite o fim do sofrimento de uma pessoa e o início – por vezes quase eterno – da angústia de outra.

No conto Suzana, uma advogada responsável por libertar seus clientes corruptos, e condenar inocentes, por não ter escrúpulos e desejar ascender financeiramente, em sua nova condição percorre a cidade guiada por um ser misterioso que mostra o efeito de cada ação quando ainda era viva.

Alguns personagens, seja a morte ou suas vítimas, parece que já conhecemos, talvez porque algumas ideias sejam tão corriqueiras em nossas vidas, que algumas histórias cremos ser parte de nós.

“Mas o som da morte nunca mais sairia de meus ouvidos. E isso se repete até hoje, a cada hora, todos os dias”.
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Editora: Editora Literata/Selo Estronho
ISBN: 9788563586025
Ano: 2010
Páginas: 122
No Skoob
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24 de mai. de 2010

Resenha: O dragão de sua majestade – Série Temeraire – livro I – Naomi Novik

O navio francês fora ganhado numa batalha sangrenta pelos ingleses que encontraram uma câmara fechada e nela, muito bem presa e lacrada, uma caixa que encerrada um grande ovo. Mais precisamente um ovo de dragão de uma espécie rara.

Os homens geralmente tinham receio de treinar um animal daqueles e, como estivesse prestes a chocar e demoraria a encontrar terra firme, o capitão Laurence decidiu por um sorteio entre os marinheiros sem família constituída, afinal a tarefa era por demais exigente e quase sempre os aviadores, ou seja, quem domava os dragões, eram pessoas que se retiravam da vida em sociedade.

Porém, Laurence foi o escolhido, não pelo sorteio, mas pelo dragão e se encantou pela fera, batizando-o de Temeraire. A partir daquele dia não era mais o capitão, mas sim um aviador. Enquanto estavam no navio, conseguiu, por um tempo, persuadir a criatura a não voar.

Laurence logo percebeu as dificuldades de ser um aviador, afinal naquela profissão geralmente se começava muito jovem. E a rejeição de seu pai e sua amada, ajudou a deixá-lo ainda mais triste.

Um mistura de História e fantasia. Uma viagem ao tempo das guerras Napoleônicas – entre 1792 e 1815 – em que as batalhas eram sobrevoadas por dragões que eram treinados para esse fim, e com Temeraire não foi diferente.

O leitor torna-se cúmplice de Temeraire, percebendo com ele detalhes que nos escapariam. Como quando ele sente ciúme de Laurence ao tratar de outro dragão; sua voz sempre soando triste; ao observar uma flor ou explicar porque não consegue ler um livro e Laurence tem de fazê-lo.

“Eu não consigo segurar os livros, pois são muito pequenos, e também não consigo virar as páginas muito bem”.

É uma bonita história de amizade e o carinho que um animal – mesmo enorme e, num primeiro momento, de aparência desajeitada – tem por seu dono. Uma leitura deliciosa.

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Edição: 1
ISBN: 8501084409
Ano: 2010
Páginas: 350
Tradução de Edmo Suassuna Filho
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Sobre a autora

Naomi Novik nasceu em Nova York. É ávida leitora de livros de fantasia desde criança, e é aficionada pela era napoleônica e pelos livros de Patrick O’Brian e Jane Austen. Estudou Literatura Inglesa na Universidade Brown e cursou mestrado em Ciências da Computação. Depois de participar do desenvolvimento de diversos jogos de computador, descobriu que preferia a escrita à programação e se aventurou a escrever romances. O Dragão de sua majestade é o seu primeiro livro. Novik vive em Nova York com seu marido e seis computadores.

20 de mar. de 2010

Resenha: Joana d'Arc - Mark Twain

Reminiscências pessoais de Joana d’Arc pelo Senhor Louis de Conte
(seu Pajem e Secretário)

Esta magnífica obra de Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), levou doze anos de pesquisas para ser concluída, adorada pelo autor, ignorada por muitos.

“Prefiro Joana d’Arc a qualquer outro de meus livros, e ela é, de fato, minha melhor obra”, escreveu em sua Autobiografia.

A vida de Joana d’Arc (1412-1431) foi fantástica. Quando menina vivia em Domrémy, livre e feliz, apesar de bastante pobre, e foi lá que recebeu as mensagens de Deus, perto de uma árvore, num bosque próximo de sua casa, dizia para que fosse e libertasse a França dos ingleses. Ela ouvia vozes e tinha visões. A maioria desacreditou daquela criança, achavam que estava louca, e foi tida como bruxa.

Depois de tudo o que passou, a guerra, as pessoas desacreditando de sua palavra para cumprir o que Deus havia mandado, foi enganada pela elite da Igreja, que a prendeu e a fez assinar papéis dizendo ser para a sua liberdade, porém, como Joana não sabia ler, assinou sua confissão. Confissão de que era herege. Nem mesmo a Igreja acreditou que Deus falava com ela! Deus não falaria com uma criança pobre. Por isso, foi queimada na fogueira, por ser considerada bruxa.

Mas a ironia fica por conta da Igreja, novamente, que anos depois a canonizou. Tirou-a do Inferno e elevou ao Céu. Trinta de maio é o dia de Joana d’Arc.

A história de Joana d’Arc é fascinante! Neste livro, ela é contada por seu Pajem e Secretário Louis de Conte. Mark Twain mais uma vez escreveu uma obra maravilhosa.

Infelizmente este livro é pouco conhecido, e por isso, pouco valorizado. Recomendado para fãs de Mark Twain e/ou Joana d’Arc, fiéis ou simplesmente para leitores de boas histórias e biografias.

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Tradução e prefácio de: Maria Alice Máximo
Editora: Record
ISBN: 8501054283
Ano: 2001 / 2ª edição
Páginas: 472
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Mais resenhas de Mark Twain: O príncipe e mendigo, O estranho misterioso.

5 de nov. de 2009

Resenha: A Pedra da Lua - Wilkie Collins

Este livro estava lá na estante de meu irmão, quando me chamou e pediu que eu o lesse, e assim o fiz. Descobri o melhor livro que já conheci. O fato ocorreu em 2005, e como consegui um exemplar só meu em 2006 (por R$ 12, novo), ele estava lá em minha estante e agora outra vez pulava e pedia que eu o relesse, e novamente aceitei.

A Pedra da Lua é um diamante, que carrega uma maldição, e foi roubado do templo que o encerrava, e, anos depois, foi deixado como herança para a jovem Rachel Verinder, mas qual o motivo do tio deixá-lo para a sobrinha sendo que ele fora maltratado ao visitá-la anos atrás, talvez vingança?

A Pedra da Lua foi roubada! O Superintendente Seegrave, substituído pelo Sargento Cuff, homem inteligente que, nos detalhes, percebe as grandes pistas, diferente do colega que fez estragos ao praticamente culpar os empregados do roubo do Diamante. O Sargento prefere colocar como "A Pedra da Lua foi perdida".

Narrado em forma de diário, cada personagem deve contar sua versão dos acontecimentos, alguns deles são queridos e outros extremamente irritantes, como a cristã obstinada, Srta. Clack.

Publicado originalmente em forma de folhetim na revista All Year Round, de Charles Dickens, entre janeiro e agosto de 1968, é tido como o início do romance policial moderno. Dizem que este livro inspirou Bram Stocker a escrever o seu Drácula também em diário.

Sem dúvida, altamente recomendado!

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ISBN: 8501053244
The Moonstone - 1868
Tradução de: F. Rangel
Edirora: Record
Número de páginas: 685

No Skoob
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