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23 de abr. de 2014

Resenha: Boneca de ossos - Holly Black

Boneca de ossos me chamou à leitura já pela capa, depois fui ver do que se tratava a história. A ideia de uma boneca feita de ossos e que de repente começa a falar com duas crianças através de sonhos, me pareceu interessante e aceitei ler.


A leitura foi muito rápida. A linguagem é simples, bem para crianças leitoras que já se iniciaram no mundo dos livros, lá pelos seus 12 anos, até porque ele é um livro longo, de 224 páginas, e poucas ilustrações, mas bacanas – adoro obras ilustradas. Em algumas páginas há umas notas de rodapé – colocadas pelo editor (N.E.) – que são dispensáveis, como quando explica o que é uma cristaleira. Não há necessidade de colocar tudo mastigado para a criança. O bacana também é fazê-la sair em busca das respostas.

Bem, a história gira em torno de três amigos, Zack, Poppy e Alice. Eles são muito amigos e sempre se reúnem na casa de Poppy para brincar com seus bonecos e criar histórias fantásticas.

Cada família age de uma forma bem distinta. Os pais de Poppy a deixam ser livre, a casa é bem bagunçada e ninguém se importa. Alice mora com a avó superprotetora, que não a deixa fazer quase nada e qualquer deslize – como passas meia hora do tempo estipulado para estar em casa – é um castigo na certa. Isso deixa a menina muito apreensiva e medrosa, nunca se aventura a nada. Zack mora com os pais, ou melhor, com a mãe e o pai que voltou para casa depois de ficar longe por três anos. Agora ele quer descontar os atrasados e tentar ser o pai bom, que se importa, mas ele não consegue, pois não sabe exatamente como agir.

O pai não é presente e quer se fazer, obrigando o filho a abandonar sua melhor época, ou seja, a sua infância, e crescer para não ser zoado na escola por brincar com bonecos e se tornar um adulto responsável.

Mas Zack ainda é uma criança e não quer perder isso. Ele adora criar histórias e brincar com as amigas.

Então surge o dia em que Poppy começa a ter sonhos estranhos com a Rainha, o nome que deram à boneca que vive na cristaleira, a menina recebe uma mensagem e convida os amigos a buscar o que ela pede em sonho. É o dia de começar viver aventuras de verdade, nada de faz de conta.

Em Boneca de ossos (#Irado, 224 páginas) a autora, Holly Black (1971), criou uma bela história de amizade, superação e conhecimento. Li em pouco tempo e não me arrependi em nenhum momento de ter aceitado esse passeio, essa aventura. Em algumas partes me vi realmente dentro da história, sendo uma das crianças, pois eu tive uma infância massa, em que criei muito e me diverti tanto, que ainda não abandonei esse meu lado, por isso gosto de escrever para os pequenos e também para aqueles que não se esqueceram desse tempo, O menino que perdeu a magia fala exatamente disso, de não perder os sonhos, a magia da infância. Foi uma experiência bem massa. Leiam!

*****
Editora: #Irado
Título original: Doll Bones
Tradução: Bárbara Menezes
Ilustrações: Eliza Wheeler
ISBN: 9788581633916
Ano: 2014
Páginas: 224
Skoob
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19 de abr. de 2014

Resenha: O BGA - O Bom Gigante Amigo - Roald Dahl

Livro emprestado da Biblioteca Pública do Paraná

Mais um livro do mestre Roald Dahl (1916-1990). Ele sabe escrever e conversar com as crianças - de todas as idades, eu tenho 30! É fantástico ler histórias que nos fazem pensar, nos fazem sorrir e querer pegar mais obras do autor. Leio e releio, uma atrás da outra e nunca me canso. É mágico.

O BGA - O Bom Gigante Amigo (Editora 34, 288 páginas, R$36) é desses livros que nos encantam. Essa é a história do gigante bom, que sopra sonhos para as pessoas. Os gigantes não aparecem para as pessoas, mas um dia ele é visto pela pequena Sofia, que mora num orfanato. Então o BGA a leva para a Terra dos Gigantes, para escondê-la.

Na Terra dos Gigantes, Sofia descobre que o gigante na verdade nem é tão grande assim, ele sofre por ser o menor de todos. E ainda é desprezado pelos outros por ser vegetariano, quando todos adoram comer "serumano" - assim mesmo, eles têm um vocabulário ímpar -, o BGA prefere ficar com as horríveis "nabobrinhas".

Assim o BGA, que não gosta muito de ser contrariado, e Sofia, uma menina bastante curiosa e inteligente, passam por aventuras e medos. Logo os dois descobrem a amizade. E também de repente ficam sabendo de um plano terrível dos outros gigantes, então acabam por envolver até mesmo a Rainha da Inglaterra para dar um jeito de frustrar o intento dos maus.

É um livro de leitura rápida. Flui como todas as obras do genial Roald Dahl. A escrita é simples, e esse é o ingrediente especial do autor, que sabe usar muito bem. Suas histórias geralmente são cheias de desafios, vitórias para quem age bem e consequência para os maus.

E essa é mais uma parceria com o ilustrador Quentin Blake, que sempre consegue completar as histórias de forma fantástica. Bem, eu adoro o seu traço.

Então mais um livro recomendado.

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Editora: Editora 34
ISBN: 8573261293
Ano: 1999
Páginas: 288
Ilustrações: Quentin Blake
Tradutor: Angela Mariani
Skoob
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Leia também
+ Resenha: O Remédio Maravilhoso de Jorge - Roald Dahl
+ Resenha: Matilda - Roald Dahl
+ Os dez direitos do leitor, por Daniel Pennac e ilustrações de Quentin Blake

21 de mar. de 2014

Resenha: Píppi Meialonga - Astrid Lindgren


Que livro interessante!

Confesso que resisti um tanto para ler Píppi Meialonga. Não sei descrever exatamente o motivo, mas a obra me chamava e eu sempre virava as costas. Então, esses dias fui à Biblioteca Pública do Paraná e lá estava o livro novamente me chamando. Desta vez não o ignorei, abracei e o trouxe para casa.

Em poucas horas me deliciei lendo as aventuras dessa menina tão sapeca.

Esse primeiro título conta a história de como Píppi foi morar sozinha. Não tão só assim, ela tem a companhia do sr. Nilson e do cavalo que comprou, pois era seu sonho ter um.

A casa, chamada de Vila Vilekula, em que ela vai morar fica ao lado da casa dos irmãos Tom e Aninha, que torciam para que uma criança bem legal mudasse para lá, de modo que pudessem ser amigos.

Píppi é tão interessante. Conhece várias brincadeiras e sempre dá um jeito para não ficarem aborrecidos, sem o que fazer. E crianças adoram estar em movimento.

Um dia, Píppi resolve fazer biscoitos. Como quer fazer muitos, precisa de um grande espaço, então abre a massa no chão da cozinha.

Quando ela resolve que quer tirar férias, quer ter folga, vai à escola, pois não tem como entrar em férias se não estuda. Mas estudar não dá muito certo. Píppi é hiperativa, não para quieta um minuto e quer fazer o que tem vontade, por isso a professora diz que ela pode ir para casa e voltar quando tiver vontade.

Píppi diz que perdeu o pai no mar, ele acabou parando em uma ilha e se tornou o rei dos canibais – mas não dá pra saber se é real ou criação da menina –, a mãe morreu quando ela era pequena.

Morando sozinha, Píppi pode fazer o que bem entende.

– Você mora aqui completamente sozinha? – perguntou Aninha.
– Claro que não! – disse Píppi. – O senhor Nilson e o cavalo também moram aqui.
– É, mas... Quer dizer... Você não mor com seu pai e sua mãe?
– Não, não moro! – disse Píppi, satisfeita.
– Mas quem avisa você quando está na hora de ir para a cama, e coisas desse tipo? – perguntou Aninha.
– Eu mesma me aviso – disse Píppi. – Primeiro falo calmamente; se não obedeço, falo um pouco mais alto; se continuo não obedecendo, aí tenho de me dar umas palmadas, vocês entendem?

Essa é a delícia de se ler um livro juvenil. A autora, Astrid Lindgren (1907-2002), não vê problemas em colocar uma menina morando sozinha, fazendo todas as atividades que tem vontade e conquistando os adultos, que aprendem a respeitá-la e aceitá-la na vila.

Píppi Meialonga é feito em papel couché, lançado pela Editora Companhia das Letrinhas em 2001, tem 160 páginas e custa R$35. Virou série em 1969. O livro é divertido e com linguagem simples, cheio de ilustrações, algumas coloridas, feitas por Michael Chesworth.  

Píppi Meialonga é um clássico da literatura juvenil e eu recomendo a leitura.

As continuações: Píppi a bordo (160 páginas) e Píppi nos mares do Sul (144 páginas).

*****
Editora: Companhia das Letrinhas
Título original: Pippi Langstrump
Tradução de: Maria de Macedo
ISBN: 9788574060972
Ano: 2001
Páginas: 160
Skoob | Companhia das Letrinhas
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22 de jan. de 2014

Resenha: A teia de Charlotte - E. B. White

Resenha de Celly Borges.

Talvez você conheça essa bela história de A teia de Charlotte mesmo sem ter lido o livro. Ela foi lançada no cinema em janeiro de 2007, com o nome de A menina e o porquinho e trouxe Dakota Fanning no papel da menina. No original, Julia Roberts fez a voz de Charlotte, e a trilha sonora é assinada por Danny Elfman.

E. B. White (Elwyn Brooks White 1899-1985) encanta em sua forma de contar essa magnífica história tão simples e ao mesmo tempo tão rica. Repleta de amizade e doces palavras.

Na fazenda, vários porquinhos nasceram à noite, então o senhor Arable sai com com seu machado naquela manhã, antes mesmo do café. Sua filha Fern fica horrorizada, pois descobre que um dos porquinhos nasceu raquítico e por este motivo não cresceria muito seria como um atraso para eles e teriam muitos gastos para criá-lo e precisaria ser sacrificado.

A menina corre até o pai, implora e acaba por impedir de cometer essa tamanha maldade.

Fern consegue ficar com o porquinho, a quem dá o nome de Wilbur, mas ele não poderá permanecer na fazenda por muito tempo, então, em comum acordo, o bichinho é vendido para o tio de Fern, que tem bastante espaço, pode cuidar do porco e a menina pode visitá-lo quando quiser o que ela faz bastante, sempre está lá com seu amiguinho. Senta-se num banquinho fora do cercado de Wilbur e passa tardes e mais tardes ali, quietinha.

Até que um dia uma notícia ruim chega, Wilbur será morto. Então entra em cena a Charlotte do título. Ela é uma aranha muito calma e querida. Faz suas teias perto na viga do celeiro do porquinho. Os dois são grandes amigos. Assim, Charlotte começa a tecer palavras como “Belo Porco” e “Incrível” para que as pessoas vejam o quanto Wilbur é especial e desistam de matá-lo.

É interessante ver esse trabalho de amizade, a busca pelo bem de um amigo querido que está em apuros. E ninguém o abandona.

Até podemos pensar que na verdade quem e especial é a aranha. Nesse caso, a questão é levantada pela senhora Zuckerman, tia de Fern:

“– Bem, parece que você está um pouco desnorteado. Acho que o que nós temos é uma aranha fora do comum.
– Oh, não – disse o senhor Zuckerman. – É o porco. Está escrito lá, bem no meio da teia”.

Então a fazenda se transforma.  Todo mundo quer conhecer esse porco diferente.

Na fazenda há outros animais, alguns não muito bem-vindos, como o interesseiro rato Templeton, que acaba tendo um papel bastante importante muito além de suas reclamações e má vontade.

Acontece que Charlotte consegue salvar o amigo e até mesmo fazê-lo participar de uma feira, onde mais aventuras acontecerão.

A teia de Charlotte (Charlotte's Web, Editora Martins Fontes, 206 páginas, R$39,30) foi publicado pela primeira vez em 1952 e traz várias belas ilustrações de Garth Williams. É de E. B. White o livro Stuart Little, que também foi filmado. A autora ganhou o Prêmio Pulitzer pelo conjunto de sua obra em 1978.

Essa leitura faz parte do Desafio Literário Skoob 2014.

Serviço
Título original: Charlotte's Web
Editora: Martins Fontes
ISBN: 8533619529
Ano: 2004
Páginas: 206
Tradutor: Valter Lellis Siqueira
SkoobMartins Fontes

Resenhista
Celly Borges é escritora, blogueira, sonhadora e depois que leu essa história, toda aranha que vê chama de Charlotte e todo rato, de Templeton. Tem um carinho imenso pelo livro e por isso recomenda a todos.

26 de dez. de 2013

Resenha: Os portões - John Connolly

Resenha de Celly Borges

Surpreendente!

Não tem como falar diferente de Os Portões (Editora Bertrand, 304 páginas, R$50), segunda obra de John Connolly publicada aqui numa belíssima edição pela Bertrand Brasil.

Há dois subtítulos, um que está na capa e completa o título: Os portões do Inferno estão prestes a se abrir - cuidado com o vão e outro, que está dentro: Os portões - um romance estranho para jovens estranhos.

Nesse livro, acompanhamos a história de Samuel, um menino de 11 anos que tem vários problemas pessoais. O pai abandonou ao filho e a esposa e simplesmente foi embora, os professores não o levam a sério, como quando ele tenta apresentar um trabalho escolar com um alfinete, e disse que ali, se olhar bem de perto, pode-se ver um número infinito de anjos dançando na cabeça do alfinete. Claro que, como alguns adultos adoram cortar a criatividade das crianças - principalmente os que também passaram por isso -, o professor acabou chamando a mãe de Samuel.

Mas a parte importante começa no dia 28 de outubro, quando Samuel decide sair a fim de pedir gostosuras ou travessura nas casas vizinhas - ele havia tomado uma iniciativa! Para ele isso é muito importante - mas lá vêm os adultos para estragar de novo.

A mãe, que desde que o pai os deixara, nunca saiu de casa para um encontro e naquela noite estava se arrumando muito, então não poderia ser simplesmente para jogar bingo com as amigas. Ela deixa uma babá muito relapsa para cuidar de Samuel.

Mas ele havia saído para pedir doces, quando chegou à cada dos Abernath, que não quiseram saber de conversa. Então Samuel percebe algo e espia pela janela do porão de seus vizinhos. Eles estão fazendo algo muito, muito estranho. O casal e mais dois amigos, o senhor e a senhora Renfield, estão mexendo com ocultismo, pois não têm nada melhor para fazer. Mas isso tem consequências graves! Faz com que um buraco no espaço-tempo fosse aberto e... sim, muita coisa ruim começa a acontecer, afinal, era um portal exatamente do Inferno para a Terra! E lá dentro estão os portões que precisam ser abertos.

Nesse tempo, conhecemos Nurd, O Flagelo das Cinco Deidades, que fora banido para a Terra Devastada, um lugar no Inferno bastante triste e solitário. Nurd é um dos personagens mais cativantes. Algumas de suas desventuras lembram o filme Little Nick - um diabo diferente - com Adam Sandler como protagonista. E Ozzy Osbourne aparece por lá para das uma ajuda! -, que é bom e quando vem para o lado de cá sempre acaba "morrendo", ou voltando para a casa, várias vezes por ser desastrado, e da mesma forma, Nurd é atropelado e sofre um pouco cada vez que é devolvido para sua Terra Devastada.

Os nomes das ruas são interessantes: [Edgar Allan] Poe, [H. P.] Lovecraft, [Algernon] Blackwood, quem curte literatura fantástica, vai reconhecer esses nomes, e se não os conhece, clique nos links e divirta-se. A casa onde tudo começa fica na avenida Crowley, 666. O nome foi inspirado em Aleister Crowley, um homem considerado muito mau - e louco. O número dispensa comentários.

O livro é repleto de partes engraçadíssimas, com muitas notas de rodapé que não tem como ficar sem rir. John Connolly foi minha grande descoberta esse ano, também li sua outra obra, O livro das coisas perdidas, que segue o mesmo padrão de Os Portões, com verniz em toda a capa imitando couro, e com relevo.

John Connolly (Dublin - 1968) é um autor fantástico, daqueles que sempre faço questão de enfatizar: não subestima seus leitores. Há informações e não há receio de contar a história como ela é.

Esse é o livro 1, que tem na sequência Hell's Bells e The Creeps, ainda inéditos no Brasil. O segundo será lançado aqui em 2014. Essa é uma das poucas séries que ultimamente me deixaram com vontade de ler suas continuações. E logo!

Serviço
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528617702
Ano: 2013
Páginas: 304
Tradutor: Dênia Sad
SkoobEditora Bertrand BrasilJohn Connolly

Leia também
+ Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly
+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding

Resenhista
Celly Borges é escritora, sonhadora e, por mais que pareça loucura, adoraria viver uma aventura como a de Samuel.

16 de nov. de 2013

Resenha: "O menino no espelho", de Fernando Sabino

Confesso que demorei em conhecer Fernando Sabino. Meu primeiro contato com o autor foi através do livro O outro gume da faca, que li há pouco tempo, um policial de leitura muito rápida e intensa. Depois passei para O menino no espelho, onde descobri que minha infância tem muito da infância do autor.

Em casa havia goteiras no teto de casa, corríamos para colocar baldes, às vezes era triste, mas nem sempre. Brincar na água é muito divertido – até hoje.

Também praticamente cresci num terreiro gigante – moro na mesma casa, ou melhor, a casa já não é mais a mesma, mas o terreno sim –, com galinhas, gatos, pássaros, terra e muita, muita criatividade. E na casa dos meus avós, na área rural, que saudade daquele tempo! Sabino menino fazia caminhos na terra para que a água escorresse, salvou a galinha Fernanda de ir para a panela, e virou seu bichinho de estimação. Depois chegou o coelho e havia também um cachorro e a melhor amiga, Mariana, juntos formaram um grupo secreto, chamado Departamento de Investigações e Espionagem Olho de Gato.

Sabino conta diversas aventuras de sua rica infância, infelizmente essa magia está se perdendo. Crianças não brincam, não querem ser crianças e alguns adultos as fazem pular essa parte tão importante. Como certa vez, quando trabalhava em uma livraria de shopping e descia a escada rolante, um pai à minha frente dizia para seu filho, que deveria ter uns dez anos, que ele não era mais criança para acreditar em Papai Noel. Ou quando, na loja dos meus pais, uma menina pegou uma mola-maluca, o pai a olhou e disse “você tem onze anos, não é mais criança”, ela largou o brinquedo, triste. Eu também fico assim com essa reação dos pais, que cortam os sonhos e as brincadeiras, quem sabe esses pequenos não crescerão cinza e sem alegria?

Há a necessidade de se crescer – claro, qual criança não brincou de ser adulto? Mas não era real! –, alguns pais estragam seus filhos. Hoje não se brinca mais em montes de terras e areias, tudo é perigoso, tudo contamina, andar descalço é absurdo. Meninas precisam de salto e maquiagem. Tudo é perigoso. Até mesmo ser criança.

Ver que ser menino e menina que brinca na terra ou areia, faz clubinho secreto, se esconde para jogar água em quem passa na rua – ué, vocês nunca fizeram isso? Eu também não, imagina! –, ver que essa magia está se perdendo, é muito, muito triste.

E, dessa forma, tudo se acaba, daqui a pouco aquelas lojas especializadas em brinquedos – sempre sonhei em ter uma assim – não existirão, ou melhor, mudarão o foco do “brinquedo”. E a vida segue cinza.

O que você quer ser quando crescer?, há a pergunta na capa, logo abaixo do título em laranja, que está abaixo do nome do autor em preto, que é grande na capa, para que os leitores saibam que não importa o título, é Fernando Sabino e é bom.

Fernando dizia que "Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam:
- O que você quer ser quando crescer?
Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino".

O menino no espelho (Editora Record, 1989, 208 páginas, R$38) é comparado com Tom Sawyer, Mogli, Alice, Gulliver, Pinóquio e o Pequeno Príncipe, e realmente Fernando menino teve uma vida cheia de aventuras, como os personagens clássicos. O livro tem histórias fantásticas, com um final que me fez chorar. Ele fala da infância mágica do autor, que nos deixou em 11 de outubro de 2004. Ele nasceu em Belo Horizonte, no dia das crianças. Faleceu em sua casa em Ipanema, RJ, um dia antes do seu aniversário de 81 anos. Pediu que seu epitáfio fosse: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino!"

E o que eu queria ser quando crescesse? Isso foi o que eu sempre disse: nunca quero crescer, quero ser criança para sempre.

Serviço
Editora: Record
ISBN: 8501915505
Páginas: 208
Skoob | Editora Record  
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11 de out. de 2013

Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly

Esse é um livro forte.

Quem não curte passagens fortes, deve lembrar que a vida é assim, veja os noticiários. Os jornais mostram muita crueldade acontecendo. E é real. As fábulas, em sua primeira forma, são terríveis! Depois passaram a ser relativamente bonitas. Imagino que alguém aí tenha dito “mas eu prefiro fantasia para fugir da realidade”, então eu digo “esta é uma história de fuga da realidade”.

O livro das coisas perdidas (Editora Bertrand Brasil, 364 páginas, R$40), de John Connolly, é fantasticamente cruel e verdadeiro! Enxerga-se ali a realidade. Nele, o menino David é mimado, não sabe dividir nada, nem o pai com a madrasta, que tenta ser uma boa pessoa, mas ele não dá abertura. Ele toma como se Rose tivesse roubado o lugar de sua mãe, que morrera. Quando ele ganha um irmãozinho, sente ciúmes e raiva. Mas o que aquela criança fez, além de ser o fruto do amor de duas pessoas?

Na nova casa o menino fica no quarto que era de um antigo parente de Rose, a madrasta. Então, um dia David começa a ouvir os livros, sim, eles falam, eles gritam. Então, numa noite ele atravessa para outro mundo em busca da voz de sua mãe, que o chama, pede que vá salvá-la. Mas ela estava morta... Aquele é um novo mundo. Um mundo cruel e também com pessoas boas. E lá há seres perversos como lobos, homens-lobo... e o Homem Torto.

É tudo uma fábula. O livro das coisas perdidas é uma grande fábula bem escrita, que me fez ter curiosidade, eu queria saber mais e mais. E é forte, triste, terrível. Eu chorei. É tão palpável, real. Um mundo em um livro que me fez parar e pensar em muitos pontos da vida. O quanto vale pensar nos problemas, até mesmo nas picuinhas nas redes sociais que vemos todos os dias acontecendo, por exemplo, e esquecer do importante, daquilo que temos de real... de viver.

David busca, sem perceber, melhorar como pessoa e com os outros. É a evolução do personagem que o leitor acompanha e, se der a chance, cresce junto. Talvez possa dizer que crescemos com qualquer livro, e isso é verdade! É só dar a chance. Há cousas boas em tudo. Mas e precisamos estar abertos para isso. Para notá-las e não somente o errado, o ruim.

Me identifiquei com algumas partes, como quando David tem alguns TOCs.

Enquanto David está em sua jornada, encontra bizarrices que são construídas pelos moradores. E, além disso, há versões das fábulas clássicas, algumas são contadas e em outros momentos o menino encontra os personagens de uma forma, digamos, bem diferente. Como uma Branca de Neve obesa, e seus sete anões acuados. Ele precisa chegar ao rei, precisa que ele o ajude, com tal livro que possui, a voltar ao seu mundo. Mas aí está um grande problema... Simplesmente leia!

Serviço
 Editora: Bertrand Brasil
Título original: The book of lost things
ISBN: 9788528615470
Ano: 2012
Páginas: 364
Tradutor: Cecilia Prada
Skoob | Editora Bertrand Brasil

Leia também
+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding