30 de jun de 2012

Resenha: Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída... - Kai Herrmann e Horst Rieck

A história real de Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída... (Bertrand Brasil, 352 páginas, R$39,90) é bastante forte, choca o leitor. Me deu arrepios, principalmente por entender que é um problema bastante comum e muitos nem se preocupam mais de tão enraizado na sociedade. O livro conta com detalhes o que a criança passou para se drogar, indo a lugares escusos, sujos, com pessoas no mesmo nível. 

O intenso drama de uma criança que fez escolhas erradas e aos 13 anos estava praticamente sem vida foi lançado em 1978, em alemão, pelos jornalistas Kai Herrmann e Horst Rieck que entrevistaram a jovem Christiane F. e reuniram seus depoimentos nesse livro rico em tristes detalhes.

De uma família muito pobre de Berlim, a menina passava as tardes sem o que fazer no condomínio onde morava e conheceu pessoas que não a levaram por caminhos muito bons, começou a se drogar com 12 anos. Com 13 passou a usar drogas mais pesadas e a se prostituir a fim de ter dinheiro para comprá-las. E a questão é sempre a mesma: "eu posso me controlar, não sou viciada", até que a vítima percebe - quando percebe! - não ser verdade, que está mentindo para si e para os que a amam. Enquanto todos em volta morrem um pouco.

Mesmo querendo sair daquela vida, era difícil, como sabemos que ainda hoje é. Viu os amigos morrerem, a mãe e a irmã sofrerem muito. A mãe até tentou ajudá-la, mas por vezes se mostrava sem forças diante da complexidade e do poder que as drogas exerciam sobre a filha, ainda havia a má influência dos amigos. Essa é outra parte dramática, em que a filha tentava ficar em casa sem encontrar os amigos enquanto a mãe ia trabalhar, mas a necessidade da droga gritava mais alto. 

O namorado, Detlef, ao invés de ajudá-la, afundava ainda mais, ela acreditava que era amor, cuidado. Juntos usavam heroína, se prostituíam, e até foram presos porque roubavam para ter as drogas.

Essa história me faz lembrar da personagem de Distúrbio (leia a sinopse e a entrevista), da portuguesa Valentina Silva Ferreira, Rossana é uma criança violentada pelo pai e sofre calada em seu mundo até que começa a se drogar, apesar de Rossana viver um falso glamour imposto pela mãe, frustrada por não ter conseguido ser modelo, Christiane, que também sofria com o pai porque ele maltratava a família até a mãe resolver sair de casa com as filhas, não via beleza em nada, nem de mentira e, mesmo influenciada, ela foi a responsável por aquela vida.

Christiane e o namorado conseguiram viver, enquanto vários amigos morreram.

O livro se transformou em filme em 1981 e foi dirigido por Ulrich Edel, num clima sombrio, rápido, para mostrar o que e como realmente Christiane F. sobreviveu.

Indicado para pessoas fortes.

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Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 8528604705
Ano: 2010
Páginas: 352
Título Original: Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
Tradutor: Maria Celeste Marcondes
Skoob | Bertrand Brasil
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12 comentários:

  1. Li esse livro na adolescência, foi uma das leituras que me abriu os olhos sobre esse perigo, pois na época não era algo tão comum. Lembrava de exemplos como o dela...

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    1. Li com uns 18 anos, acho que já tinha uma cabeça melhor... rsrsrs Mas é uma boa leitura para os jovens.
      =*

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  2. Li este livro no seu lançamento, na época também vi o filme. Apesar de ter uns 15 anos quando o li, gostei muito. Ele é bastante forte, um alerta para todos os adolescentes, mostrando a dura realidade de um viciado. Recomendo também.
    Gisela - Ler para Divertir

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    1. Realmente dura realidade, que geralmente sair sozinho dessa vida é quase impossível.

      =*

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  3. Acho que fui uma das poucas adolescentes da minha época que leram esse livro. Apesar de muito forte creio que é uma boa leitura para a juventude de hoje

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    1. Principalmente para a juventude de hoje, né?

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  4. eu me lembro deste livro, faz tempo que o li. Na verdade eu era adolescente quando o li.
    Roger (SC)

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  5. Nossa, vi o filme na adolescência e tenho muita curiosidade em ler.Foi um filme que marcou muito...

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    1. Katia, leia sim! O filme é tão forte quanto o livro. Vale a pena. =*

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  6. Oi Celly Borges vc sabe me informar o site ou o blog do autor deste livro?

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    1. Olá, Yara, infelizmente não sei se existe site ou blog dos autores.

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