19 de fev de 2012

Dica de leitura: O Som e a Fúria - William Faulkner

Este romance, finalizado em 1929, marca o início da chamada "segunda fase" da carreira de William Faulkner (1897-1962) e é considerado sua obra mais importante. Vinte anos depois, o autor se consagraria definitivamente, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1949. O ambiente da escritura de Faulkner é o sul dos Estados Unidos, escravocrata e derrotado na Guerra da Secessão. O som e a fúria (Editora Cosac Naify, 336 páginas, R$79) narra a agonia de uma família da velha aristocracia sulista, o leitor acompanha a derrocada dos Compsons pelos olhos de seus filhos - incluindo um idiota e um suicida -, entre os dias 2 de julho de 1910 e 8 de abril de 1928. Um apêndice, acrescentado pelo escritor em 1946, fornece outras informações sobre a história dos Compson entre 1699 e 1945. Assim, é possível afirmar que o grande personagem desta obra-prima é o tempo, o que lhe confere interesse universal.

O título vem de Shakespeare: "A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem significado nenhum", (Macbeth, Cena V, Ato V).

A segunda fase é o período em que o autor encontra seu caminho, com obras violentas, austeras, plenas de horror, mas onde não falta, por vezes, uma comicidade exacerbada. É aqui que Faulkner desenvolve seu estilo avassalador, com frases longas e muitas vezes obscuras que se espalham pela página inteira e que obrigam o leitor a guardar detalhes ínfimos, que só terão explicação em um desenlace eventualmente frustrante, porém inexorável. Esta é a fase das experimentações, com histórias diferentes correndo em paralelo, um mesmo fato sendo contado por várias personagens alternadamente, contos encadeados até formar um romance, o mundo sendo mostrado pelos olhos de um idiota, o desnudamento do turbilhão desconexo a atormentar o suicida às vésperas do gesto fatal. Aqui se encontram as narrativas trágicas da decadência moral e material de famílias inteiras, como os Snopes, os Compson, os Sutpen e os Sartoris, da derrocada inevitável de um Sul imerso em um passado glorioso atropelado pela História, a maldição do sangue, o preconceito racial.

Utilizando a técnica do fluxo de consciência, consagrada por James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust e Thomas Mann, Faulkner narrou a decadência do sul dos Estados Unidos, interiorizando-a em seus personagens, a maioria deles vivendo situações desesperadoras no condado imaginário de Yoknapatawpha. Por muitas vezes descrever múltiplos pontos de vista (não raro, simultaneamente) e impor bruscas mudanças de tempo narrativo, a obra faulkneriana é tida como hermética e desafiadora.

Recebeu o Nobel de Literatura de 1949. Posteriormente, ganhou o National Book Awards em 1951, por Collected Stories e em 1955, pelo romance Uma Fábula. Foi vencedor de dois prêmios Pulitzer, o primeiro em 1955 por Uma Fábula e o segundo em 1962 por Os Desgarrados

William Falkner escreveu também:
Santuário, (1931), Luz em Agosto (1932), Palmeiras selvagens (1939).

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Editora: Cosac Naify
Tradução de: Paulo Henriques Britto
Páginas: 336
ISBN: 9788575037720
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Fontes: Cosac e Naify e Wikipédia
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6 comentários:

  1. Priscilla Rubia19/02/2012 19:23

    Me interessou =) Gosto de histórias que falam do ponto de vista de um suicida, além do que ganhou o prêmio nobel de literatura.

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  2. @cyberlivingdead20/02/2012 13:21

    O tempo como principal personagem, curioso...pelo que é comentado na dica a história se trata de um tipo de horror cotidiano, um horror ligado à decadência da aristocracia americana correto? Muito atraente.

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  3. Gostei da resenha e da complexidade da trama: com certeza, um desafio... Para quem ama, acima de tudo, literatura!

    Vai para a minha lista sem fundo e sem fim! (risos)

    Obrigada e beijos!

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    Respostas
    1. Esta é uma sinopse, a resenha ainda não veio rsrsrsrs
      Assim que eu conseguir, lerei... também está na minha lista sem fim =*

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