26 de mar. de 2009

Resenha: O menino alquimista - Juarez Nogueira

Eu sempre ia a uma livraria em Curitiba e lá estava O menino alquimista a me chamar. Podia escutá-lo, mas não sei o que acontecia que ia embora sem levá-lo comigo. Até que um dia resolvi que queria saber por que o livro insistia em me querer tanto – isso sempre acontece, um livro está lá na estante e de repente, quando passo, ele estende seus bracinhos invisíveis e me pede colo, querendo que o leve para casa e o leia. E sempre descubro que são histórias maravilhosas e desta vez não foi diferente.

O menino alquimista conta a história do Menino, como é chamado, em busca do conhecimento, sua jornada até a cidade de Alkimia.

Mas antes de tudo, sofrerá provações, como encontrar com o Diabo, feio como o pintam – ou até mais –, e ser tentado a trocar seus sonhos por uma visão da cidade de sua procura.

O Menino passa por um tabuleiro de xadrez, jogado entre a Fé e a Ciência, onde as peças incrivelmente – ou nem tanto! – se parecem com pessoas – indecisas a quem seguir. Até que a Razão interfere na briga daquelas duas.

Uma das partes mais belas, sem dúvida, é o encontro do Menino com a Verdade, “velha senhora tranquila e serena”.

“Estarei sempre por perto, Menino, mas é você quem deve querer a minha companhia. Eu sou aquela que sei, por isso estou muitas vezes só”, disse ela.

Há muitas mensagens explícitas – e implícitas – de outras histórias, mas a principal é sobre como perseguir os sonhos sem jamais abandoná-los.

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Páginas: 157
Editora: Landy
ISBN: 8587731963
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6 de mar. de 2009

Resenha: Tommy O Filme – The Who

A primeira Ópera Rock, conta a história de Tommy (Barry Winch) que, quando pequeno, vê o pai ser assassinado pelo amante (Oliver Reed) da mãe (Ann-Magret). O casal obriga o garoto a esquecer o ocorrido. “Você não ouviu nada, não viu nada! Não dirá nada a ninguém, nunca na vida”.

Ele se torna cego, surdo e mudo, mas isso é psicológico.
“A doença leva a mente a lugares onde mentes não costumam ir”.

Tommy (Roger Daltrey) cresce, e a mãe, desesperada – e culpada – por ele continuar daquela forma, procura ajuda para a cura do filho, enquanto o padrasto busca outras formas e paga para que ele se ‘divirta’ com a Rainha do Ácido (Tina Turner).

Mesmo cego, Tommy fica muito tempo em frente a espelhos e os pais – a sua maneira – se preocupavam. O reflexo de Tommy o chama até um ferro velho. E lá está a salvação: uma máquina de pinball! Tommy não se torna apenas o melhor no jogo, mas o mestre, o Mago do Pinball! Para grande ciúme do antigo detentor do título (Elton John).

Os pais aproveitam todo o dinheiro da fama do filho, enquanto em sua mente, ele implora: “Olhe-me, sinta-me, toque-me, cure-me!”.

A mãe, desesperada por ele ficar sempre em frente ao espelho sem que possa se ver, joga Tommy contra o objeto que se quebra! Ele cai na piscina! “Eu estou livre e liberdade tem sabor de realidade! Estou esperando que vocês me sigam!”, canta Tommy, agora sem mais nenhum problema psicológico.

“Extra! Leiam tudo a respeito! O Mago do Pinball está curado!”, anunciam os jornais.

Há agora muitos seguidores! Todos querem vê-lo.
“Eu sou uma sensação. Eles me idolatram e a tudo que toco, eu sou a luz”.

“Bem-vindos à minha casa, venham para esta casa, beber a noite toda e não dormir”. A casa fica pequena e precisam de um espaço maior.

Logo as pessoas se revoltam. “Viemos aqui para ser como você e descobrir o que você anunciou”.

“Meu nome é Tommy e tive um despertar interior este ano. Se quiserem me seguir terão que jogar Pinball, com tapa-ouvido, óculos e a rolha para a boca”. Ele é o ‘messias’ e todos o obedecem, mas novamente se rebelam com toda aquela superficialidade. Quebram todas as máquinas de pinball, e matam os pais de Tommy.

E talvez este seja o momento do real despertar de Tommy.

“Ouvindo você eu tenho a música;
“Olhando para você eu tenho calor;
“Seguindo você, eu escalo montanhas;
“Sinto entusiasmo a seus pés!
“Atrás de você, vejo multidões;
“Sobre você, vejo a glória;
“De você tiro opiniões;
“De você, aprendo história”.

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Tommy – 1975 – é uma adaptação da Ópera Rock de mesmo nome lançada em disco em 1969 pelo The Who. O filme teve duas indicações ao Oscar para Melhor Atriz para Ann-Magret e Melhor Trilha Sonora.

Direção e roteiro de Ken Russell
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