26 de jul. de 2008

Resenha: A lição final – Randy Pausch e Jeffrey Zaslow

Randy Pausch, 46 anos, professor de Ciência da Computação na Carnegie Mellon University, Pittsburg, recebeu um diagnóstico dizendo que tinha dez tumores no fígado e lhe restavam poucos meses de vida.

Tinha três filhos – Dylan, Logan, Chloe (5, 2 e 1 anos respectivamente) e a esposa, Jai 40 anos, e, para ele, a família perfeita.

Mas sabia que seus filhos pouco – ou nada – lembrariam dele. Pensava o tempo todo que eles cresceriam sem o pai, e sua esposa teria de criá-los sozinha. Claro que não era culpa de ninguém. Era somente um fato.

As universidades sempre pedem para que seus professores realizem “palestras de despedida” para discutir assuntos que acreditem ser importantes. E, antes mesmo de saber do diagnóstico de Randy, a Carnegie Mellon lhe convidou a fazer uma palestra.

Mas Randy desejava passar todo o tempo que pudesse proporcionando ótimos momentos à sua família. Porém, no fundo, era um grande desejo era dar aquela palestra.

Precisava deixar algo para seus filhos. Algo que os fizesse lembrar ou conhecer seu pai.
“Se eu fosse pintor, teria pintado para eles. Se eu fosse músico, teria composto uma música. Mas como sou professor, dei uma aula”

Nesta aula ele não falaria sobre a morte. Randy Pausch falaria sobre a vida.

Havia 400 pessoas no auditório, para assistir a esta magnífica palestra que foi filmada e meses depois mais de 20 milhões de pessoas no mundo inteiro assistiram ao vídeo.

E neste livro Randy Pausch conta sobre sua vida, como se preparou e como foi a palestra que teve apenas um motivo de ter sido realizada: deixar um legado para os filhos.

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Randy Pausch morreu em 25 de julho de 2008, aos 47 anos.

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The last lecture – 2008
Tradução de Laura Alves e Aurélio Rebello
Editora Agir
253 páginas
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19 de jul. de 2008

Resenha: A flor da Inglaterra – George Orwell

Gordon Comstock, 29 anos e bastante deteriorado. Trabalhava numa livraria/sebo. Durante toda a sua vida literária conseguira escrever apenas um livro de poesia que por destino encalhara na prateleira.

Há anos estava diante de sua nova obra, inacabada, “Prazeres de Londres”. E há anos declarara guerra ao dinheiro, além de todos que restavam de sua falida família. Gordon era o único que tivera chance de prosperar, mas se recusava a vender sua alma ao capitalismo. Tivera um bom emprego numa agência de publicidade, mas a questão de ter um “bom” emprego feria os seus princípios,
o que o levou a abandoná-lo.
“Os consumidores são como porcos confinados, a publicidade é o equivalente a agitar uma vara dentro do balde de lavagem”, acreditava.

Agora trabalhava na livraria/sebo – praticamente falida – e o que ganhava semanalmente mal dava para sobreviv
er, mas este era exatamente seu ideal de emprego, já que sua alma não estava à venda para o deus-dinheiro.

A vida de Gordon se resumia em ir para o miserável emprego, voltar para o quarto – decadente – em que morava e brigar com todos pela questão dinheiro, declarando guerra especialmente a uma planta: a aspidistra, que simbolizava a decadência da classe média inglesa, visto que esta era uma planta bastante comum nos lares da época.


As pessoas se preocupam com coisas pequenas. Com os detalhes errados, mas que se tornam grandes à medida que se dá o valor indevido, mas as únicas coisas que importam em uma semi-vida mesquinha.
“Será que eu ri bem alto quando o chefe fez aquela piada ontem? E a próxima prestação do aspirador de pó?”

Esses pensamentos atormentavam Gordon, que às vezes saia da ilusão de que alguém leria seus poemas e que “Prazeres de Londres” jamais ficaria pronto.

A bem da verdade o que mais o angustiava era a falta de dinheiro. Praticamente só pensava nisso. A maldita falta de dinheiro!

E por isso, talvez a insistente vontade de matar sua aspidistra seria, na verdade, uma forma de demonstrar que precisava que sua condição financeira mudasse.


Uma crítica muito bem escrita, recomendada para quem gosta de grandes obras e histórias que falem de livros.

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306 páginas
Tradução de Sergio Flaksman
Ed. Companhia das Letras
Keep the aspidistra flying
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12 de jul. de 2008

Resenha: O velho e o mar - Ernest Hemingway

Ernest Hemingway (1899-1961) escreve de maneira sensacional, em poucas páginas consegue transmitir a verdade de uma história de sofrimento, a história do velho pescador Santiago.

Há 84 dias ele não pesca nada e em sua casa não tem mais comida. Conta com a ajuda de Manolin, um garoto a quem ensinara a arte da pescaria desde muito pequeno. Mas o pai de Manolin o proibira de sair com o velho, pois julgava que este fosse azarado por ficar tato tempo sem pescar um único peixe.

No 85° dia, Santiago sai mais uma vez para a pesca, quando um espadarte (peixe que pode medir até 4,80m e pesar cerca de 300Kg) morde o anzol e carrega o velho em seu pequeno barco para mar aberto.

Neste tempo o velho sofre muito com os ferimentos nas mãos e nas costas, causados pela linha em que o peixe se agarrara. E quando, enfim consegue capturar o grande peixe e tenta voltar para casa, surgem tubarões...

Uma bela e triste história sobre amizade e sonhos e como devemos nos agarrar aos nossos sem nunca abandona-los.

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Editora Bertrand Brasil
Páginas: 95
Título original: The old man and the sea
Tradução de Fernando de Castro Ferro
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5 de jul. de 2008

Resenha: Eu sou o mensageiro - Markus Zusak

"Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor.

Seu emprego: Taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza que faz questão de enfatizar seu ódio pelo filho toda vez que possível, ou seja, sempre que o vê ou lhe fala ao telefone. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados.”

Sua missão: desvendar os mistérios que seguem em cartas de baralho. E mudar algumas vidas.

Depois de evitar um assalto absurdamente desastrado a um banco, Ed – que momentaneamente torna-se um herói para alguns poucos infelizes tanto quanto ele – começa a receber em sua casa cartas de baralho com algumas mensagens. Primeiro um Ás de ouros com três endereços escritos. O problema inicial é que ele não sabe o que tem de fazer.

Ele descobre.

Sempre.

Às vezes da forma mais cruel. Tanto física quanto mental. Seu desespero aumenta quando não encontra a resposta que busca: quem envia as cartas. Imagina ser alguém conhecido. Que sabe o quanto ele e os amigos são viciados em jogar cartas. Mas quanto mais tem de avançar em suas tarefas, mais complicadas e desafiadoras se tornam.

“Pode ser que um dia alguém diga: ‘Sim, o Bob Dylan estava prestes a virar um astro quando tinha 19 anos. Dali estava bem no caminho de se tornar um gênio e Joana d’Arc foi queimada na fogueira por ser a mulher mais importante da História... E aos 19 anos, Ed Kennedy encontrou aquela primeira carta entre as correspondências.’”

Seria ele o mensageiro?

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Editora Intrínseca.
Título original: The Messenger (2002)
Tradução: Antônio E. de Moura Filho
318 páginas
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