Abaixo das Nuvens (Editora Dracaena, 200 páginas, R$32,90) é uma
história cyberpunk e já nas primeiras páginas há o choque quando se percebe
que as pessoas não são o que parecem fisicamente. Se passa em 2064 e, quase como a realidade de hoje, mas ao
extremo, as pessoas não saem de seus apartamentos – cômodo padrão de 20 metros
quadrados –, não têm contato direto com outras pessoas. Têm uma vida virtual,
criando e sobrevivendo numa falsa realidade acomodada. Socializam através de
avatares e nesse futuro podem criar a imagem que desejarem.
O livro é uma espécie de diário narrado em primeira
pessoa, não sabemos o seu nome real, mas é um agente do governo. O
seu trabalho consiste em ir ao apartamento de um devedor para cobrar de uma maneira nada convencional. Num dos casos encontra um homem obeso que não conseguia nem se levantar,
ele devia muito e não tinha como pagar ao governo, por esse motivo foi
despejado, jogado para morrer no deserto.
As pessoas criam avatares com famílias, cargos, enfim,
uma variedade de opções. Mas não é permitido falar sobre outros avatares
próprios ou quem os controla.
Tudo toma um novo rumo quando surge um homem e questiona
o narrador sobre seu outro avatar. Isso não deve acontecer, afinal ninguém
deveria ter conhecimento. Após esse acontecimento ele percebe que alguém roubou
todos os seus créditos e fez dívidas em seu nome. Ele está na miséria e logo outros
agentes do governo o encontrariam para cobrar e jogá-lo no deserto. Mas o que há além do
deserto?
O que mais me incomodou nesse livro foi o discurso contra o “sistema” em quase todas as páginas iniciais. Poderia ter sido suprimido, deixado implícito. Desta forma o texto ficaria mais interessante, menos cansativo e o impacto esperado seria maior.
O que mais me incomodou nesse livro foi o discurso contra o “sistema” em quase todas as páginas iniciais. Poderia ter sido suprimido, deixado implícito. Desta forma o texto ficaria mais interessante, menos cansativo e o impacto esperado seria maior.
Conversando com um amigo sobre a história, como pode vir a ser o nosso futuro, ele disse que lembrava a premissa do filme Os Substitutos, saí em busca de informações e descobri que o filme é baseado numa HQ chamada The Surrogates, escrita por Robert Venditti, e ilustrada por Brett Weldele. Como não entendo muito de filmes e menos ainda de HQs, encontrei no Omelete uma rápida explicação sobre:
"Na trama, ambientada em 2054, quase todo mundo trocou sua vida normal
por androides substitutos da Virtual Self, que fazem tudo sem que você tenha
que sair de casa. Um terrorista tecnológico, porém, quer sabotar esse novo mundo
perfeito, e começa a assassinar os androides. Cabe a dois policiais impedi-lo – um homem de verdade (Bruce Willis), que evidentemente cuida
do caso à distância, e a sua cópia androide, que fica com todo o trabalho pesado".
E outro amigo lembrou do livro Cyber Brasiliana, de Richard Diegues, que tem avatares e "parte do enredo dá suporte para uma
ação vertiginosa que se desenrola enfatizando os dramas dos personagens,
enquanto a outra se aprofunda nas questões desencadeadas pelo cenário
social, levantando questões como: a tecnologia poderia afastar realmente
o homem do rumo espiritual para o tecnológico? Até que ponto desejamos
nos afastar do convívio pessoal e transpor esse contato para a
virtualidade? Do que seríamos capazes de abrir mão em troca da
imortalidade? O modo de vida que desfrutamos hoje é algo definitivo ou
apenas um conceito a que nos atemos?"
São críticas ao que estamos criando
hoje, vivemos cada vez mais isolados e encontrar fisicamente pessoas se torna
raro. A realidade se torna virtual.
*****
Editora: Dracaena
ISBN: 9788564469969
Ano: 2012
Páginas: 200
Skoob | Editora Dracaena
*****
Leia também:
+ Resenhas
Editora: Dracaena
ISBN: 9788564469969
Ano: 2012
Páginas: 200
Skoob | Editora Dracaena
*****
Leia também:
+ Resenhas
