6 de fev de 2016

Resenha: A balconista – Steve Martin

Conhecemos Steve Martin (1945) o ator, mas poucos sabemos ou lembramos de seus dotes de escritor. A balconista (Shopgirl, 144 páginas, Editora Record), lançado lá fora em 2000 e aqui dois anos depois, é um livro que desejava ler faz tempo, desde que assisti ao filme A garota da vitrine (Shopgirl, 2005), dirigido por Anand Tucker, com o próprio Martin como Ray Porter.

Já no início da leitura pude senti a tristeza narrada no presente. Mirabelle é uma jovem de 28 anos que mora sozinha e tem depressão, às vezes muito presente.

"O Serzone é um presente de Deus que a impede de ser imobilizada pela depressão, que de outra forma a envolveria completamente para penetrar em seu corpo como uma névoa venenosa."

A história é assim, caminha a passos lentos, junto com a protagonista. Ela tem poucos amigos, que por vezes não percebem que Mirabelle se sente ferida quando não aparecem num encontro sem nem avisá-la, e ela está lá, a espera pelos poucos convites para a diversão, solitária. Triste.

“Mirabelle substitui seus amigos ausentes pelos livros e pelos seriados de TV. Os livros, quase todos, são romances do século XIX, em que mulheres ou são envenenadas ou envenenam alguém.”

Mirabelle trabalha no ermo setor de luvas de uma grande loja, a Neiman's. Lá ela não faz muito. Na verdade, não tem o que fazer. Há poucos interessados em luvas. Até que um dia aparece um elegante homem de uns 50 anos chamado Ray Porter.

Ela às vezes sai com um cara esquisito, o Jeremy, daqueles que deve ser apenas por comodismo ou medo de conhecer alguém. Eles se conheceram numa lavanderia. Mas quando Ray Porter surge em sua vida, ela sente há possibilidades de mudança, apesar dos avisos dele de que não são exclusivos um do outro. Ele a convida para jantar.

Consegui me colocar no lugar da personagem, em seu estado quase letárgico. Parece que caminhei assim, quase parando, imaginando todos os momentos tristes, os amigos que não a respeitam, o trabalho horrível...

Martin soube trazer um perfil um tanto sombrio que a vida possui, de pessoas fracas e fortes - e me pergunto quem é quem -, das que tentam ajudar, mas machucam as outras sem perceber, e transformar num livro que me prendeu o tempo todo.

"Lembre-se apenas, meu bem, que é a dor que muda as nossas vidas."

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ISBN: 8501063142
Ano: 2002
Páginas: 144
Tradutor: Fausto Wolff
Editora: Record
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Essa leitura faz parte da Maratona de leitura no Carnaval. Consegui enfim o livro numa troca no Skoob - o site é um dos meus favoritos -, e ele chegou bem a tempo de incluir no desafio, pois isso não está na foto do post da Maratona.

2 comentários:

  1. Oi Celly!
    Eu gostei do livro quando li. Agora já tem alguns anos, mas também senti a melancolia da personagem. Lembro que vi o filme, mas foi só uma vez e já esqueci dos detalhes. Sobre a leitura, acho que vale a pena e nunca conheci muitas pessoas que leram. Uma pena.

    Beijo!

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    Respostas
    1. Oi, Nine!
      Olha, não conhecia ninguém que tivesse lido também. E poucas pessoas conhecem o livro, o que é uma pena, já que é tão bom.

      Quero assistir ao filme outra vez (pesquisei e só vai passar dia 13/02 às 6h da manhã, acho que não vou ver, rsrsrs).

      Bjo! =)

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