16 de nov de 2011

Dica de leitura: Insólito - Microalucinações - Paulo Fodra

Na confluência entre a lucidez e a loucura, o sonho e a realidade, existe um território neutro onde as leis da lógica deixam de existir. Um lugar estranho, perdido entre o dia e a noite. O insólito. Do ventre fértil da incerteza, nascem centenas de microalucinações que invadem o cotidiano, corroendo o tecido fino do lugar comum. É nesse lugar inóspito que Paulo Fodra busca inspiração para os seus microcontos.

“Pegou um dos cacos de seu coração partido e degolou a infeliz. Ela deveria saber que amor de psicopata é mortal.”

“E a culpa vinha se arrastando atrás dele, feito cordão de sapato desamarrado. Uma hora dessas, acabaria tropeçando.”

“A Rainha subiu no palanque. A lâmina cantou, impiedosa – zás! E ela virou carta fora do baralho.”

Os microcontos deste livro testam os limites da narrativa, valendo-se do inusitado como recurso para atingir o minimalismo textual. Embarcando nessas microalucinações, você descobrirá que alguns becos sem saída escondem passagens que conduzem a um mundo obscuro, onde nada é apenas o que parece ser. Bem-vindo ao INSÓLITO!

Texto de apresentação do livro, por Luiz Roberto Guedes
O microconto tornou-se o “último grito” na cena literária desde que o escritor Marcelino Freire teve o estalo de organizar a antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial, 2004). Desafiados, prosadores dedicaram-se a essa forma exígua com a devoção de haicaístas. O espírito desse exercício é comprimir ou sugerir toda uma história em pouquíssimas linhas, com a consciência formal de que “menos é mais”.

O padroeiro eletivo desse ofício poderia ser o escritor guatemalteco Augusto Monterroso, que se celebrizou com este thriller, hoje clássico, que resumiria, em uma única sentença, O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle, ou Jurassic Park, de Michael Crichton:
Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.

Com engenho e arte, Paulo Fodra vem afiando seu estilo no microconto, assim como um jovem pianista pratica escalas para ganhar maior eficiência e destreza. Trata-se de capturar, num fragmento, a magnitude de uma saga ignota ou lenda perdida. Ou, então, reconstituir todo um dinossauro com apenas um punhado de dentes e garras.

Admirador de uma galeria de criadores sombrios, de Edgar Allan Poe a Neil Gaiman, este talentoso autor nos brinda com uma eletrizante coleção de micronarrativas que pendulam entre o fantástico, o grotesco, o lúdico e, por vezes, o poético.

Agora, deixemos que o livro fale por si. O leitor terá certamente um arrepio de prazer ao inteirar-se dos estranhos eventos aqui relatados — com poucas e precisas palavras. Bem-vindo ao mundo macabro de Paulo Fodra.

Luiz Roberto Guedes
Poeta e escritor, publicou Alguém para amar no fim de semana
(Annablume, 2010)
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Editora: Multifoco - selo 3x4
ISBN: 9788579616303
Ano: 2011
Páginas: 88
No Skoob
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Sobre o autor
Paulo Fodra nasceu e vive em São Paulo. Formou-se arquiteto, mas trabalha com marketing e branding. É também músico, membro da banda Chevy 69, arqueiro e leitor compulsivo. Viciado na agitação da metrópole, escreve para se livrar das vozes que moram em sua cabeça. Participou da coletânea steampunk Deus Ex Machina – Anjos e Demônios na Era do Vapor (Editora Estronho, 2011), com o conto A Seita do Ferrabraz. Mantém o Twitter @paulofodra e divulga seus contos fantásticos no site www.paulofodra.com.br.


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Ou pelo site da Editora Multifoco ou e-mail vendas@editoramultifoco.com.br
  

Um comentário:

  1. nossa! Este livro deve ser interessante. O microconto tem algo de poesia, de poema mesmo, lembra um haikai aqueles poeminhas japoneses, se não me engano. E o sobrenome do autor,e então! Já pensou se na hora de registrar o nome dele no cartório houvesse um erro de digitação que suprimisse o R? Seria f... Eu queria ter um nome assim, mas meu nome é bastante comezinho e feio.
    Rogério _ SC

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