12 de out de 2011

Resenha: Histórias de Monstros e Diabruras - Tarsis Tindarsam

É ótimo ter um livro de qualidade, poder segurá-lo e mais, poder ler. Desde a capa, Histórias de monstros e diabruras já me conquistou. Apenas dois olhos ameaçadores, sobre um fundo preto, fitando o leitor e o título em verniz transparente, sem nenhuma fonte de outra cor delimitando onde ele seria aplicado, dando assim, um tom mais sombrio. Lindo!

E as histórias... São todas muito bem escritas – somente vi poucos erros de revisão, concordância e acentuação, mas nada que atrapalhe a leitura –, carregadas de significados. O leitor mergulha, viaja até o local ambientado e, somente quando é avisado de seu fim, na última página de cada conto, consegue voltar ao local em que está, mas logo passa ao seguinte e tudo se repete, uma nova viagem se inicia.

O básico a falar sobre a estrutura do livro é contar sobre suas divisões, que são três, compostas por três contos cada:


Histórias de animais medonhos
Histórias de feitiços macabros
Histórias de assombrações noturnas

Em Histórias de animais medonhos, sem dúvida onde estão os melhores, o conto A Galinha Preta deixa com medo e horror, através das narrativas do velho Caldeira, “fora um tipo formidável de empregado. Mas, então, a idade avançada lhe permitia apenas vigiar a Fazendinha dos Trevos. Era um velho solitário”. A galinha preta era uma assassina, matara outras galinhas, arrancou a cabeça de todas e, o velho contou, quem ouvisse seu canto morreria em treze dias.

Na Floresta – numa grande dificuldade de escolha entre tantos bons, este é o melhor conto –, em que pai e filho vão até ela em busca de seu alimento, mas precisam ficar atentos a uma criatura que vive ali.

“Ouvi o grito pela primeira vez e senti medo. Era uma espécie de urro curto, rouco e muito alto”.

Ela é medonha, e segundo dizem, come carne e os pedaços que caem de sua boca permanecem em sua pelagem, por isso o mau cheiro terrível. O desenrolar deixa o leitor tenso, angustiado, triste, cansado. Incrível!

O conto A Máscara em Histórias de assombrações noturnas, se passa em “uma noite fria, Dia das Bruxas, quando alguém bateu com força na porta dos Hangleton. Muito surpresos, o casal de velhinhos apressou-se para abri-la”, lá estava uma caixa, com receio de que fosse alguma brincadeira por conta do dia, abriram e se depararam com a máscara, logo descobriram ser um presente de seu filho que estava na África. Era um objeto de muito mau gosto, causava arrepios aos dois, e apesar do gesto bem intencionado do filho, resolveram guardar no porão, mas a imaginação humana pode pregar peças, a maldade também pode estar dentro de cada um e os dois lados sofreria para sempre.  Foi complicado ler este à 1 hora da madrugada sem sentir medo e abaixar o livro para olhar em volta para constatar que não havia sobre a cômoda uma máscara.
                                          
Em Mar de alma, o capitão conta sua história triste de vida, e também precisa revelar um segredo. “Não havia estrelas. Os homens olhavam aturdidos para a escuridão da noite. O oceano, de tão sombrio, confundia-se com a abóboda negra do céu, a não ser pelo leitoso nevoeiro que se destacava entre os dois”.

O peso de não saber para onde se vai, caso algo aconteça, estar tão próximo do inferno e não ter forças para desejar o céu.

“– A Morte, meus caro, não é o maior dos problemas. Mas o sofrimento que advém antes e depois dela”.

Tarsis Tindarsan, nascido em Manaus em 1983, soube narrar, conduzir seus personagens e fazer com que o leitor se apaixone por cada conto, e deixo aqui a difícil tarefa de escolher apenas um preferido, quem ler Histórias de monstros e diabruras está convidado a dividir sua opinião sobre a sua favorita.

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Editora: Novo Século
ISBN: 9788576794585
Ano: 2011
Páginas: 180
No Skoob
Sinopse
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***** Breve Entrevista*****

Celly Borges: Fale um pouco sobre suas inspirações para escrever Histórias de Monstros e Diabruras.

Tarsis Tindarsam: Me inspiro sempre em contos clássicos de crime e sobrenatural. Eu gosto de linhas alternativas de gênero e linguagem, por isso também me inspiro no cinema. Posso dizer também sobre uma série que assistia muito na adolescência, chamada ALÉM DA IMAGINAÇÃO, histórias curtas, com surpresas ou finais arrebatadores. Mas algumas coisas do meu cotidiano me fizeram escrever. Minha avó tem origens amazônicas, filha de um mineiro com uma cearense, foi criada no interior da floresta amazônica, e sempre contou muitas histórias para os netos. Aliás, minha família tem o dom de contar e ouvir histórias bizarras, uma tendência que segui. De certa forma, o sobrenatural sempre me rondou. Sonhos, calafrios, são coisas comuns na minha vida. Nem uma das histórias que escrevi é real, a não ser os monstros (rsrsrs). Esses últimos fazem parte da minha vida até hoje. Meus filmes prediletos sempre foram aquele com lobisomens, alienígenas, espíritos, apesar de que tenho uma tendência muito racional na Literatura, sempre gosto de explicar cientificamente ou desmistificar a história que escrevo, isso acontece geralmente no final. Fui muito influenciado pelos primeiros filmes de Spielberg, mas também gosto de uma linha menos fantástica como Crichton (autor de Jurassic Park), aliás, meu próximo livro será ao estilo dele, um terror tecnológico. E tenho notado que não é o sobrenatural ou o racional que descrevem meus escritos, mas o horror. 

3 comentários:

  1. Muito boa a dica, e a capa é demais mesmo, super me interessei!

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  2. maria beatriz gomes nascimento21/05/2015 16:12

    esse livro e interessante!!! gostaria muito de ler.

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