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17 de fev. de 2016

Resenha: A mulher de preto – Susan Hill


A mulher de preto é um desses livros que envolvem e caminha lentamente, sem o exagero das histórias que querem assustar por assustar. Aliás, esse clima de suspense poucos conseguem.

O livro é narrado por Arthur Kipps, na verdade ele a escreve porque se sentiu impelido a contar tudo o que o atormenta há muito tempo. Esse segredo horrível que guarda só para si e que o consome todos os dias desde sua juventude.

Começa quando Kipps, advogado, vislumbra uma possível promoção ao ser enviado para tratar dos documentos da senhora Alice Drablow, que acabara de morrer. No entanto, quando chega à cidade e comenta o motivo de sua visita, todos parecem se sentir incomodados. E ninguém deseja falar sobre o assunto. Muito menos da mulher de preto.

Kipps se vê sozinho ali. Somente conta com ajuda para ir e voltar da Casa do Brejo da Enguia, com sua atmosfera lúgubre, o lugar que todos evitam.

O jovem então, como é comum dos mocinhos, pensa que tudo não passa de crendice popular e decide desvendar o motivo de tanto medo no povoado. No entanto, a mente humana nunca está preparada para o surreal.
Mas devo confessar que naquela época eu tinha o senso de superioridade dos londrinos, a crença malformada de que os homens do campo, e particularmente aqueles dos cantos remotos de nossa ilha, eram mais supersticiosos, mais crédulos, mais lerdos, menos sofisticados e mais primitivos do que nós, cosmopolitas.

A mulher de preto (The woman in black, Editora Record, 208 páginas) foi um desses livros que me chamam, pois eu não tinha intenção em ler tão logo. Algo me afastava dele. Mas, um dia, procurando uma leitura um pouco mais sombria, a obra pediu para ser lida (através do programa Kindle Unlimited, da Amazon). Foi uma surpresa incrível, ainda mais por saber que é de 1983 e nunca tinha ouvido falar do livro. Provavelmente seu sucesso aqui se deve ao filme homônimo lançado em 2012, com Daniel Radcliffe – o eterno Harry Potter – como Arthur Kipps, dirigido por James Watkins.

Há uma segunda parte escrita em 2013 pelo autor Martyn Waites, que também virou filme, A mulher de preto 2 – Anjo da Morte (Woman in black: Angel of Death, Editora Record, 304 páginas). Não tenho muita vontade de ler quando outra pessoa continua a história de outra. Ainda estou em dúvida, apesar de ter lido resenhas positivas.

Bem, o único problema que encontrei durante a leitura de A mulher de preto foi “recolocou-os novamente”, “pequena saleta”, coisas que me incomodaram bastante.

Essas histórias, como a de A mulher de preto, são um tanto raras hoje. Muitos autores (de livros e filmes) desejam o susto imediato, o medo intenso e em tempo integral. Nada que chega devagar e se aloja sem que o espectador perceba logo, que não o faça dormir por dias, pensado em: será que vemos tudo o que está ao nosso redor? Será que conseguimos bloquear o que transcende aquilo que conhecemos como realidade? O que nos espreita quando fechamos os olhos para dormir?

Susan Hill (1942), uma apaixonada por livros de terror, conseguiu criar uma ótima história de fantasmas como as clássicas, do absurdo que povoa nossa mente, e nos faz olhar duas vezes para os lados antes de dormir e querer cobrir os pés, pois parece que tudo está ali, olhando num canto sombrio.

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ASIN: B00A6OF59G
Ano: 2012
Páginas: 208
Tradutor: Flávio Souto Maior
Título original: The woman in black
Editora: Record
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Este ebook foi emprestado no programa Kindle Unlimited, da Amazon.

11 de fev. de 2016

Resenha: Luxo & crime - Angela Klinke

Imagino que o lado da moda de luxo seja um tanto podre, porque são pessoas ricas querendo ser melhores que as outras, querendo exclusividade em cada item. Penso numa luta como animais ferozes, que brigam pelo espaço, para ser o líder do clã, mas toda a peleja acontecendo por dentro, pois tudo deve ser tão discreto, apenas tratado com olhares e palavras ácidas de forma subliminar, ali mergulhadas entre uma frase e um doce elogio.

Que se digladiem essas feras dotadas apenas do bom gosto duvidoso, externo.

Que briguem pela bolsa exclusiva, pelo sapato vermelho. Que, como diz o ditado, morram abraçadas, pois se merecem.

Angela Klinke traz sua experiência de 20 anos como jornalista, trabalhando de diversos assuntos. E o resultado é um livro com humor e muita crítica.

O livro já começa com ação. As donas de uma loja de luxo sendo presas.

E o rico pai de Lulu um dia se cansa da futilidade da filha e a obriga a arranjar um emprego de jornalista na revista Cenários.

“Ela caminhava para ser mais uma dessas jovens que passavam metade do dia na internet se vangloriando das compras que fez na outra metade. Dizia que seu investimento em peças de luxo era um trabalho jornalístico.”

Essa frase me lembra dessas blogueiras que compram, compram e compram produtos de beleza, roupas, e exibem para um monte de meninas sedentas pelo que a outra usa. Não importa se é bom, contanto que se pague para divulgar e que se tenha mentes para corromper e induzir à compra desnecessária.

A Blogueira Shame mostrou durante alguns anos esse lado podre do reino das blogueiras de moda brasileiras. Eu acompanhava o blog, Shame on you, blogueira, e ria muito, intrigada em saber como as seguidoras acreditavam – acreditam – no que são ditos nesses sites. Aliás, se não me engano, foi no Shame on you, blogueira que fiquei sabendo do livro Luxo & crime (Editora Leya, 192 páginas), além de Gomorra (Editora Bertrand Brasil, 350 páginas).

Enfim, Lulu – Ludmila – cede à pressão do pai e vai trabalhar com Ernesto, um jornalista premiado. E a menina mimada vai justamente trabalhar no caso da Loja, que está sendo investigada por fraudes. 

A Loja – e eu adorei o nome – trabalha com produtos de luxo, promete trazer de fora a exclusividade às suas clientes. E sinceramente, eu, que uso na maior parte do tempo calças pretas e camisetas com estampas de bandas de rock, filmes e livros, só imagino como devem ser essas pessoas que não se importam em pagar horrores por algo que descartaram na próxima coleção. Mas, claro, eu não sou um parâmetro muito bom, nem pretendo.

“– Ludmila, você já leu Gomorra?  
Era claro que não. Nem sabia do que se tratava. Já tinha estado em Milão, se esbaldando em compras por lá, mas não leu Gomorra. O autor, Roberto Saviano, começou ele, faz um retrato nada elegante do processo de produção e muitas grifes de lux na Itália. Na periferia de Nápoles, a máfia financiava a mão de obra de qualidade, mas barata, que trabalhava em condições semelhantes aos bolivianos nas facções de costura do Brasil.”

Angela Klinke não mede palavras para falar desse mundo. Ela cita a falecida Daslu, o paraíso dos "rycos" – ou templo do luxo, como era conhecida –, mas que desabou em meio a escândalos de crimes financeiros. 

Luxo & crime traz personagens interessantes, desde a simples Dulcecleide e suas bolsas falsificadas, até a “nata” da sociedade. E está tudo interligado.

É uma leitura muito rápida e divertida. A linguagem simples, que pode atingir qualquer público e mostrar as teias que envolvem o mundo, não só o da moda.

“Como disse uma vez o autor Manoel Carlos, é inevitável fazer uma novela baseada na realidade porque ninguém acreditaria. Já a ficção tem de fazer sentido”, cita a autora.


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ASIN: B00AHEHJQ2
Ano: 2012
Páginas: 192
Editora: Leya
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Este ebook foi emprestado no programa Kindle Unlimited, da Amazon.

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6 de fev. de 2016

Resenha: A balconista – Steve Martin

Conhecemos Steve Martin (1945) o ator, mas poucos sabemos ou lembramos de seus dotes de escritor. A balconista (Shopgirl, 144 páginas, Editora Record), lançado lá fora em 2000 e aqui dois anos depois, é um livro que desejava ler faz tempo, desde que assisti ao filme A garota da vitrine (Shopgirl, 2005), dirigido por Anand Tucker, com o próprio Martin como Ray Porter.

Já no início da leitura pude senti a tristeza narrada no presente. Mirabelle é uma jovem de 28 anos que mora sozinha e tem depressão, às vezes muito presente.

"O Serzone é um presente de Deus que a impede de ser imobilizada pela depressão, que de outra forma a envolveria completamente para penetrar em seu corpo como uma névoa venenosa."

A história é assim, caminha a passos lentos, junto com a protagonista. Ela tem poucos amigos, que por vezes não percebem que Mirabelle se sente ferida quando não aparecem num encontro sem nem avisá-la, e ela está lá, a espera pelos poucos convites para a diversão, solitária. Triste.

“Mirabelle substitui seus amigos ausentes pelos livros e pelos seriados de TV. Os livros, quase todos, são romances do século XIX, em que mulheres ou são envenenadas ou envenenam alguém.”

Mirabelle trabalha no ermo setor de luvas de uma grande loja, a Neiman's. Lá ela não faz muito. Na verdade, não tem o que fazer. Há poucos interessados em luvas. Até que um dia aparece um elegante homem de uns 50 anos chamado Ray Porter.

Ela às vezes sai com um cara esquisito, o Jeremy, daqueles que deve ser apenas por comodismo ou medo de conhecer alguém. Eles se conheceram numa lavanderia. Mas quando Ray Porter surge em sua vida, ela sente há possibilidades de mudança, apesar dos avisos dele de que não são exclusivos um do outro. Ele a convida para jantar.

Consegui me colocar no lugar da personagem, em seu estado quase letárgico. Parece que caminhei assim, quase parando, imaginando todos os momentos tristes, os amigos que não a respeitam, o trabalho horrível...

Martin soube trazer um perfil um tanto sombrio que a vida possui, de pessoas fracas e fortes - e me pergunto quem é quem -, das que tentam ajudar, mas machucam as outras sem perceber, e transformar num livro que me prendeu o tempo todo.

"Lembre-se apenas, meu bem, que é a dor que muda as nossas vidas."

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ISBN: 8501063142
Ano: 2002
Páginas: 144
Tradutor: Fausto Wolff
Editora: Record
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Essa leitura faz parte da Maratona de leitura no Carnaval. Consegui enfim o livro numa troca no Skoob - o site é um dos meus favoritos -, e ele chegou bem a tempo de incluir no desafio, pois isso não está na foto do post da Maratona.

1 de fev. de 2016

Resenha: No Mundo da Luna, Carina Rissi

No mundo da Luna (2015, 598 páginas, Editora Verus) é um daqueles livros que o leitor que curte o gênero passa o dia pensando nos personagens, no que vai acontecer, e quer voltar logo à leitura. Isso aconteceu comigo.

Luna acabou de se formar em jornalismo e trabalha como recepcionista numa revista feminina – dessas com dicas, uma única matéria séria para mostrar que as mulheres são inteligentes –, ela detesta seu trabalho, pois não se formou para ficar atendendo telefonemas e anotando recados a vida toda.

Para piorar, parece que seu chefe nem mesmo sabe da sua existência. Sempre que chega ao escritório a cumprimenta e diz “Bom dia, Clara”, e passa direto.

Um dia a sorte de Luna começa a mudar e ela é promovida para escrever a coluna de horóscopo – na verdade um tapa buraco, já que a revista passa por uma crise e não têm mais o que fazer. Só então o chefe carrancudo, Dante, a percebe e descobre que seu nome é Luna.

Assim a mocinha vai atrás de descobrir como montar um horóscopo decente. Recorre às suas raízes ciganas e consegue até um baralho muito velho e cheio de magia. Mas ela ainda não descobriu como fazer a leitura exatamente, por isso joga do seu jeito e acaba influenciando a vida de muitos.

Sem contar que Luna passa por um grande problema que é seu namorado, que a traía com a vizinha gostosa. E ela também faz algumas escolhas impulsivas.

Luna é a típica personagem complicada, querida, engraçada e muito desastrada. Isso faz parecer mais humana, pois quem não tem algum desses pontos, negativos ou positivos? Carina Rissi soube montar Luna, para odiar e amar como uma perfeita personagem de comédia romântica.

É interessante ver uma história tão boa quanto as comédias românticas de fora. Só encontrei alguns probleminhas de continuidade, como quando ela diz que saiu do banheiro e ele “já estava me esperando, barbeado e todo arrumado”, mas logo depois diz que “as pontinhas duras da barba que já começava a crescer fizeram cócegas” (não fica claro se alguma parte estava por fazer). Claro que nada que prejudique a história, mas me fez parar e voltar a leitura.

É uma ótima história que a gente sabe como vai se desenrolar e acabar, mas ainda assim quer ler, porque a escrita prende e nos faz sorrir. É indicada para quem gosta de comédias românticas. Fãs de Sophie Kinsella com certeza vão se divertir muito!

Li o ebook, através do programa Kindle Unlimited da Amazon, por isso o número de páginas é maior do que a versão impressa (476). Há o ebook com a entrevista de Luna, No mundo da Luna: a entrevista, grátis.

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ASIN: B00U2YNDPS
Ano: 2015
Páginas: 598
Idioma: português
Editora: Verus
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10 de dez. de 2014

"Fantasmas na biblioteca", um brinde aos livros!


Nós, leitores e colecionadores, somos “reféns” dos livros. É quase como a brincadeira do gato, não somos nós os seus donos e sim ao contrário. Os livros são nossos donos, quando um quer ser lido, ele se exibe, se mostra, às vezes implora por nossa atenção. E quão prazeroso é a sua leitura quando enfim a aceitamos!

Ao menos comigo, quando um livro me chama, quase sempre sua leitura se mostra uma das melhores. Parece que esses livros sem pudores a se exibirem aos leitores são os mais interessantes.

Inúmeras vezes os livros me chamaram. E é importante também que o leitor se permita ser escolhido. Gosto de passar pelas estantes dos sebos, livrarias e bibliotecas sem escolher, apenas caminho olhando as lombadas, até que um volume – e não a capa – estende seus bracinhos e me pede colo. Lembro-me de sair, em minha biblioteca, em busca de um título que me pedisse atenção. Então um se mostrou mais do que os outros e o peguei. Estava adiando sua leitura há muito, então resolvi aceitar o pedido. Era o livro Frankenstein, de Mary Shelley, e hoje é um dos meus favoritos. Uma história que mostra a alma humana no seu pior estado.

Bem, outro dia ganhei de amigo secreto a obra Fantasmas na biblioteca (Civilização Brasileira, 160 páginas, 2013, R$30), de Jacques Bonnet (1949) e em pouco tempo, encantada, devorei. Fala de livros. O amor pelos livros. E o que mais deseja um leitor viciado?

A obra tem uma linguagem simples e cada parte é como uma conversa com o leitor. O autor que quer passar seu conhecimento e não exibi-lo. Há capítulo dedicado à organização, por exemplo. E nós, colecionares, sabemos como essa é uma atividade difícil. Como separar? Por gênero? Por autor? Por nacionalidade? Mas cada divisão traz um problema. Essa dúvida é eterna.

A maioria de nós quer o melhor local para nossa seleção. Bonnet mostra, também, a dificuldade de manter uma coleção, afinal, como é uma coleção? Qual seu início e o seu fim quando não é numerada?

É fantástico poder ler uma obra de um conhecedor desse mundo e saber que não estamos sós. E o autor não nos conhece – pelo menos não a mim –, mas pensa como nós! Tem dúvidas e receios, como, por exemplo, emprestar ou não um livro, ou como fazer marcações?

A única forma que eu marco é usando marcadores ou post it, de outra maneira, como usar a orelha, marcar com caneta ou lápis, dobrar a pontinha... ah, que arrepio me dá apenas em pensar nessas opções. Faço marcações em cadernos e papéis avulsos – e nesse caso me identifiquei com Delgado, personagem do livro A casa de papel. Empresto livros somente para quem confio. Apesar de que confiar é tão difícil. Outro dia emprestei um e a pessoa marcou todo com lápis. Eu olhei e acenei, fervendo por dentro e não consegui manter uma conversa decente. Essa pessoa está riscada da lista de empréstimos.

Tenho muito amor pelos livros, mesmo. E os trato com todo o respeito que merecem, afinal, eles me passam conhecimento e só pedem para serem lidos. Ah, e não preciso aumentar o número de lidos apenas para impressionar meia dúzia. Aliás, qual a vantagem?

Assim como No mundo dos livros, de José Mindlin (1914-2010) – que é outra obra de um leitor e grande colecionador sem firulas na linguagem, que deve estar numa grande biblioteca que é o Paraíso –, Fantasmas na biblioteca traz muitas sugestões de leituras. Fiz uma lista e logo procurei vários livros na Biblioteca Pública doParaná. Até corri para emprestar A casa de papel, de Carlos María Domínguez, em que um homem com uma coleção invejável, de repente constrói uma casa com paredes de livros. Uma obra curta muito interessante – muitos desprezam obras curtas, no entanto nem todo livro de 104 páginas é ruim e nem todos com 400 páginas são bons por serem longos.

Uma obra bem curtinha é Dez mil - autobiografia de um livro, de Andrea Kerbaker, com 84 páginas. Ao ler acompanhamos a história pelos olhos de certo volume – não explica qual exatamente seu título e autor, mas fica ali, perto de Hemingway – e suas frustrações de não ser escolhido pelos leitores, de permanecer por muito tempo abandonado na prateleira. Alguns passam próximos à sua estante, outros o tiram de lá, mas às vezes o devolvem.

Bonnet, assim como José Mindlin, Umberto Eco e Alberto Manguel, é considerado um dos maiores especialistas em bibliofilia e teoria da literatura. É dele também o romance O emblema da amizade.

E Jacques Bonnet não despreza, não julga qualquer tipo de leitura, ao contrário, ele celebra a leitura e os leitores.

Ótimas leituras.

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Editora: Civilização Brasileira
Título original: Des bibliothèques pleines de fantômes
ISBN: 9788520010006
Ano: 2013
Páginas: 160
Tradutor: Jorge Coli
Skoob
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27 de mai. de 2014

Resenha: O segredo do meu marido - Liane Moriarty

O segredo do meu marido é daqueles livros que os personagens marcam, têm humanidade e deixam saudade.

Gostei bastante logo no início, que não enrola, já começa contando sobre a carta que Cecilia descobre no sótão, lugar em que seu marido não vai nem sob tortura. Ele escreveu no envelope que ela só poderia abri-la depois da morte dele. Mas ela encontra antes.

Apesar de o começo já ser assim, não joga as informações. Enquanto lia, surgia alguma que primeiramente é vaga, e logo à frente ela era explicada e de forma a fazer parte da história, não simplesmente jogada ali. Prende bastante. E ao parar para trabalhar, queria voltar a ler no mesmo minuto, pois ficava pensando sobre o próximo segredo.

Na verdade são três histórias distintas, de três mulheres, que acabam envolvendo mais pessoas. Cecilia, Tess e Rachel. Os capítulos são alternados, ora a história de uma, ora a de outra, às vezes o passado.

Uma tem um segredo em mãos, a tal carta, que a atormenta, pois não quer abrir. Outra vê seu casamento acabar, mas o amor ainda existia, ou teria perdido algo no caminho? E a terceira não esquece da forma trágica como sua filha foi morta há muitos anos.

Essas três mulheres são fortes e veem seus mundos ruírem aos poucos. E todas estão em Sidney.

Cecilia é uma mulher e mãe exemplar. Tem três filhas, trabalha com a venda de Tupperware e tem uma vida extremamente certa e limpa - ela acorda todos os dias muito cedo para não deixar nenhum serviço em casa. Casada com John-Paul, que deixou a misteriosa carta. Ele ainda está vivo e parece bastante alarmado quando a esposa conta que encontrou a carta, mas não a leu.

Tess tinha se mudado há alguns anos para Melbourne com a prima, mas depois de seu casamento acabar, volta para a sua cidade com o filho pequeno, muito inteligente, com a desculpa de que iriam cuidar da mãe dela que se machucou. Tess aproveita para mudar a vida em uma semana. Matricula o filho no colégio local, onde reencontra o ex-namorado...

Apesar de Rachel ter seu filho, neto e a nora - por quem ela não nutre os melhores sentimentos - por perto, ela se fecha e esquece um pouco deles, enquanto praticamente só pensa na filha que foi morta de forma cruel. Ela ama muito o neto, mas deixa de lado o próprio filho.

As histórias começam a se entrelaçar e tudo fica ainda mais interessante. Os problemas dos personagens são reais. A autora consegue fazer com que o leitor sinta pena, raiva, amor por eles.

Liane Moriarty (1966) sabe contar histórias de mulheres que sofrem por diferentes motivos. Cada uma tem uma questão não resolvida que a atormenta e quando uma entra na vida da outra, acaba sendo ainda mais difícil manter o que na verdade é o seu segredo, pois como dividir isso com pessoas que mal conhecem, apesar de precisar de um ombro amigo? O segredo do meu marido (Intrínseca, 368 páginas, R$29,90) é muito bem escrito e, como disse, prende e faz querer chegar ao final, e quando chega, o leitor sente falta de tudo. Eu senti.

Amores e amizades do passado, família, amigos e traições fazem parte desta história cheia de verdades.

Muito massa as reviravoltas. A forma como a autora explica e nos faz entrar na vida dos personagens é sensacional. Recomendo! E quero ler mais obras dela.

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Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574791
Ano: 2014
Páginas: 368
Skoob
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22 de jan. de 2014

Resenha: A teia de Charlotte - E. B. White

Resenha de Celly Borges.

Talvez você conheça essa bela história de A teia de Charlotte mesmo sem ter lido o livro. Ela foi lançada no cinema em janeiro de 2007, com o nome de A menina e o porquinho e trouxe Dakota Fanning no papel da menina. No original, Julia Roberts fez a voz de Charlotte, e a trilha sonora é assinada por Danny Elfman.

E. B. White (Elwyn Brooks White 1899-1985) encanta em sua forma de contar essa magnífica história tão simples e ao mesmo tempo tão rica. Repleta de amizade e doces palavras.

Na fazenda, vários porquinhos nasceram à noite, então o senhor Arable sai com com seu machado naquela manhã, antes mesmo do café. Sua filha Fern fica horrorizada, pois descobre que um dos porquinhos nasceu raquítico e por este motivo não cresceria muito seria como um atraso para eles e teriam muitos gastos para criá-lo e precisaria ser sacrificado.

A menina corre até o pai, implora e acaba por impedir de cometer essa tamanha maldade.

Fern consegue ficar com o porquinho, a quem dá o nome de Wilbur, mas ele não poderá permanecer na fazenda por muito tempo, então, em comum acordo, o bichinho é vendido para o tio de Fern, que tem bastante espaço, pode cuidar do porco e a menina pode visitá-lo quando quiser o que ela faz bastante, sempre está lá com seu amiguinho. Senta-se num banquinho fora do cercado de Wilbur e passa tardes e mais tardes ali, quietinha.

Até que um dia uma notícia ruim chega, Wilbur será morto. Então entra em cena a Charlotte do título. Ela é uma aranha muito calma e querida. Faz suas teias perto na viga do celeiro do porquinho. Os dois são grandes amigos. Assim, Charlotte começa a tecer palavras como “Belo Porco” e “Incrível” para que as pessoas vejam o quanto Wilbur é especial e desistam de matá-lo.

É interessante ver esse trabalho de amizade, a busca pelo bem de um amigo querido que está em apuros. E ninguém o abandona.

Até podemos pensar que na verdade quem e especial é a aranha. Nesse caso, a questão é levantada pela senhora Zuckerman, tia de Fern:

“– Bem, parece que você está um pouco desnorteado. Acho que o que nós temos é uma aranha fora do comum.
– Oh, não – disse o senhor Zuckerman. – É o porco. Está escrito lá, bem no meio da teia”.

Então a fazenda se transforma.  Todo mundo quer conhecer esse porco diferente.

Na fazenda há outros animais, alguns não muito bem-vindos, como o interesseiro rato Templeton, que acaba tendo um papel bastante importante muito além de suas reclamações e má vontade.

Acontece que Charlotte consegue salvar o amigo e até mesmo fazê-lo participar de uma feira, onde mais aventuras acontecerão.

A teia de Charlotte (Charlotte's Web, Editora Martins Fontes, 206 páginas, R$39,30) foi publicado pela primeira vez em 1952 e traz várias belas ilustrações de Garth Williams. É de E. B. White o livro Stuart Little, que também foi filmado. A autora ganhou o Prêmio Pulitzer pelo conjunto de sua obra em 1978.

Essa leitura faz parte do Desafio Literário Skoob 2014.

Serviço
Título original: Charlotte's Web
Editora: Martins Fontes
ISBN: 8533619529
Ano: 2004
Páginas: 206
Tradutor: Valter Lellis Siqueira
SkoobMartins Fontes

Resenhista
Celly Borges é escritora, blogueira, sonhadora e depois que leu essa história, toda aranha que vê chama de Charlotte e todo rato, de Templeton. Tem um carinho imenso pelo livro e por isso recomenda a todos.

17 de jan. de 2014

Resenha: Seis coisas impossíveis - Fiona Wood

Resenha de Celly Borges

Sim, Seis coisas impossíveis (Editora Novo Conceito, 272 páginas, R$29,90) me chamou pela capa. Fui ler a sinopse e ver sobre o que se tratava e a ideia pareceu interessante.

Conta a história de um menino chamado Dan, que se vê quase sem rumo na vida. Ele e sua mãe vão viver um uma casa velha, herança de uma tia-avó, mas nem podem vendê-la, pois a construção é tombada pelo patrimônio histórico. E fede a xixi de cachorro. E não recebem nenhum dinheiro.

Acontece que a família está falida, e nem o apoio do pai podem ter, pois ele se separou de sua mãe... na verdade, não foi somente isso, ele assumiu ser gay. Imagina o choque para uma família que está à beira de ruir!

Bem, mas a mãe de Dan tenta se reerguer criando uma empresa de bolos para casamento. Só não dá muito certo quando ela começa a mostrar às clientes que seus casamentos não serão muito bons. Dan sempre pega uma possível compradora chorando muito na cozinha. Ele tenta alertas a mãe, mas ela se mostra irredutível, quer ajudar as pessoas. Resultado: não consegue fazer nenhum bolo.

Ah, no fundo da casa, há um morador, Oliver, que transformou o estábulo num ótimo lugar para morar. Ele foi morar lá quando Adelaide ainda era viva, e acabou ficando.

E daí é a mesma história: o menino que estudava num colégio particular, de repente passa a ir ao colégio público, é zoado pelos alunos mais antigos, se apaixona pela vizinha bonita... Enfim, um texto bastante comum – ok, isso nem sempre é importante quando bem colocado, porém, aqui não é o caso. O mesmo cansa. E a história é rasa e, logo no início, o leitor sabe que virá mais do mesmo, não há novidades. E não caminha. Há um pouco de humor, mas não conseguiu salvar a história.

É isso. A simplicidade aqui não é boa. Ok, a desculpa pode ser a visão de Dan, um adolescente que perdeu quase tudo em sua vida, se revolta com a mãe – mas as revoltas não parecem ser dele, parece que ele se torna outra pessoa quando age assim –, não quer falar com o pai, nunca teve namorada – na verdade nunca beijou –, está num lugar novo, numa casa horrível...

E é isso, essas ideias de histórias na visão do adolescente fazem parecer que lemos quase todos os livros do estilo, pois são sempre os mesmos problemas, as mesmas questões – podem dizer que muitos passam por isso, é comum da idade, mas não ter nada de novo em suas vidas?

Infelizmente não foi uma leitura agradável nem para o final de semana.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581633251
Ano: 2013
Páginas: 272
SkoobNovo Conceito

Resenhista
Celly Borges é escritora, sonhadora e não passou por esses problemas porque ainda é uma criança.

9 de jan. de 2014

Resenha: Doce procura - Kevin Alan Milne

Resenha de Celly Borges.

Doce Procura (Editora Record, 320 páginas, R$40) não é uma história simples e doce.

Há chocolates e há Biscoitos do Azar – que têm um gosto ruim e dentro, ao invés de ter um papel com uma boa sorte, ele sempre fala algo amargo. Sophia é a mulher triste que escreve, dona da loja de chocolates.

Essas mensagens amargas também estão no início de cada capítulo, como forma de mostrar quão ruim é o futuro de quem se culpa pelo passado e não consegue resolvê-lo, apagá-lo.

Mas esse passado de Sophie, como é chamada, é terrível. Por 20 anos ela se culpa pela morte dos pais, quando ela era uma menininha de nove.

Por culpa de um biscoito da sorte, que dizia

“A felicidade é um dom que brilha dentro de você
O seu verdadeiro desejo se realizará em breve”.

Então, quando estão indo embora do restaurante, Sophie diz que seu desejo é um chocolate e seu pai avisa que ela já havia comido sobremesa, ele olha o papel que ela segura, tentando provar que a sua felicidade é isso, e...

A felicidade vai embora naquele momento, só sobra Sophie, que cresce se culpando pela morte de tanta gente, afinal, seus pais e outras duas pessoas foram envolvidas no acidente.

Mas sempre chega o dia de mudar, então sua mãe de criação – o texto nunca deixa esquecer isso! – resolve se juntar a uma amiga e arranjar um encontro às cegas para os filhos. Assim Sophie conhece Garret, a “brincadeira” dá tão certo que acabam ficando noivos. E um dia, sem motivos, Garret diz que quer terminar tudo, não explica nada e deixa Sophie depressiva, até que ela cria o Biscoito do Azar, em homenagem a ele.

Depois de um ano sem notícias, Garret reaparece e quer conversar, precisa de apenas um encontro, então Sophie diz que para isso ele precisa colocar um anúncio num jornal com o título “Procura-se felicidade” e precisa conseguir cem respostas verdadeiras – que Sophie fará questão de selecionar muito, muito bem.

O nome original é Sweet Misfortune, ou seja Doce Infortúnio, e de Doce Procura não ter nada, pois é uma busca sofrida. Provavelmente muitos passem por essa busca de si, talvez não de forma tão intensa, mas de maneira a parar e querer mudar... ou arrumar as coisas.

Me vi algumas horas com os olhos cheios de lágrimas. Há o sentimento da culpa, remorso, abandono, isso é tudo muito triste, capaz de tornar qualquer um numa pessoa amarga. Mas Sophie terá que reencontrar o passado para, enfim, deixá-lo ir.

Doce Procura, apesar do tom amargo, é uma linda história que mostra os vários lados do sofrimento de famílias que passaram pela situação. Num primeiro momento comecei a ler e acabei abandonando o livro - não faço ideia do motivo -, depois voltei a ele e li muito rápido e curti cada minuto e me arrependi de não ter terminado antes.

Serviço
Editora: Record
ISBN: 9788501097255
Ano: 2013
Páginas: 320
Tradutor: Ana Carolina Mesquita
Skoob | Editora Record

Resenhista
Celly Borges é escritora, revisora, sonhadora, adora chocolate e nunca pegou um biscoito da sorte... nem do Azar.

2 de jan. de 2014

Leituras de 2014

O ano começa e com ele novas listas de leituras. Em 2013 consegui ler 66 livros.

Meu ano teve um bom início, já li meu primeiro livro:

Janeiro
  1. A teia de Charlotte - E. B. White
  2. Como desaparecer completamente e nunca ser encontrado - Sara Nickerson 
  3. Mondo Muerto - Kipper
  4. Cinemas de Horror - Demian Garcia (org.)
Fevereiro
  1. O segredo das coisas mágicas - Cláudio Cuellar
  2. O menino que perdeu a magia - Celly Borges
  3. A prisão mal-assombrada - Joseph Delaney
  4. O Reino Dourado - Em nome de Fanom - Roman Schossig
  5. A mocinha do Mercado Central - Stella Maris Rezende
  6. O Casamento de Laucha - Roberto Payró
  7. Pânico no navio - Eoin Colfer
  8. O livro do cemitério - Neil Gaiman
  9. Domingo, Sangrento Domingo - Romeu Martins e Victor Vic
Março
  1. O estranho caso do dr. Jekyll e sr. Hyde - R. L. Stevenson 
  2. Píppi Meialonga - Astrid Lindgren
  3. Otolina e a Gata Amarela - Chris Riddell
  4. Os Pestes - Roald Dahl
  5. Outra vez Heidi - Johanna Spyri
  6. O BGA - O Bom Gigante Amigo - Roald Dahl
  7. O longo caminho até Santa Cruz- Michael Ende
Abril
  1. James e o pêssego gigante - Roald Dahl
  2. Escrever para crianças - Silvia Adela Kohan
  3. Os Passarinhos apresentam: Vida de Escritor - Estevão Ribeiro
  4. A fúria do Cão Negro - Cesar Alcázar
  5. Boneca de ossos - Holly Black
  6. Tundé no mundo da Lua - Gê Lara
  7. Delirium - Carlos Patrício (29/04/2014) 
Maio
  1. Desde o primeiro instante - Mhairi MCFarlane
  2. Ela precisava ir - Revisão
  3. Débora - Revisão
  4. A forma da sombra - Fernando de Abreu Barreto - Revisão (18/05/2014)
  5. O segredo do meu marido - Liane Moriarty (25/05/2014) 
Junho
  1.  Demiurgo - Eberson Terra - Revisão (24/05/2014)
Julho
  1. Cemitério perdido dos filmes B – Redux – Cesar Alcázar
  2. O Reino dos Sonhos – O Labirinto das Almas
  3.  Princesa Adormecida – Paula Pimenta
Agosto 

  1. O menino de vestido – David Wallians – 01/08/2014
  2. Hatari – Demian Garcia (org) – 08/08/2014
  3. Zero – Waleska
  4. Muiraquitã – Alex Mir e Rebeca Caroline Acco
  5. Alfredo, o vampiro – Emerson Lopes
  6. Fiquei com o seu número – Sophie Kinsella
Setembro
  1. Snoopy: A felicidade é um cobertor quentinho! - Charles M. Schulz
  2. O Monstro - Fábio Coala
  3. Mentirinhas 1 - Fábio Coala
  4. Folheteen, tiras pra todo lado - José Aguiar
  5. Folheteen, direto ao ponto - José Aguiar
  6. Era uma vez no Spaghetti Western - Rodrigo Carreiro
  7. Insonho, Durma bem - Valentina Silva Ferreira (org.)
Outubro
  1. O Pena e o Imperador e A Insurreição de Sorland - Nikelen Witter, A. Z. Cordenonsi
  2. Gato pra cá, rato pra lá - Sylvia Orthof
  3. Papai! - Philippe Corentin
Novembro
  1. No canto escuro - Revisão
  2. De(s)amores - Revisão
  3. Impérios do Pós-apocalípse - Estevan Lutz (org.)
Dezembro
  1. Em casa para o Natal - Calli Taylor (01/12/2014)
  2. Fantasmas na biblioteca - a arte de viver entre livros - Jacques Bonnet (07/12/2014)
  3. A casa de papel - Carlos María Domínguez (09/12/2014)
  4. Débora II - revisão



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30 de dez. de 2013

Lista: Leituras de 2013

Olá, leitor foufo!

Esse foi muito bom para mim. Li muitos livros bons. Conheci autores e suas obras. Alguns pude encontrar pessoalmente, e isso, para uma leitora viciada, é fantástico! Adoro a possibilidade de ter meus títulos autografados.

Não li milhares de obras, minha lista é mais modesta, com 66 livros. Entre ruins, bons e maravilhosos, esses é que importam. Tive desgostos literários, mas esses eu apago da memória, e amores eternos, como é o caso de John Connolly e Fernando Sabino, bem, claro que David Walliams (a resenha de Vovó Vigarista ficou para 2014) também entrou para a lista, pois tem um estilo parecido com Roald Dahl - e as ilustrações de seus livros são muito semelhantes às de Quentin Blake, que trabalhava bastante com o autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Matilda, de Roald Dahl, ilustração de Quentin Blake

Esta é a minha lista de leituras de 2013, os link levam às resenhas.
  1. Caça de Harry Winston, À – Lauren Weisberger
  2. Círculo dos Magos, O – Peter Haining
  3. Maravilhosa Terra dos Snergs, A – E. A. Wyke-Smith
  4. Sonhador, O – Ian McEwan
  5. Comédia Romântica - Celly Borges (org.)
  6. Abaixo das Nuvens - Lucas M. Carvalho
  7. Barbara Está Morta e Outros Contos de Horror – Celly Borges
  8. O Fotógrafo – Marcelo Amado
  9. O Zumbi, O Lobisomem e Os Vampiros – Marcelo Amado
  10. Situação, A – Jeff VanderMeer
  11. Terroristas da Conspiração – Romeu Martins
  12. Extintas Inscrições de Sonhos Mortos – Luciana Fátima
  13. Segredo de Emma Corrigan, O – Sophie Kinsella
  14. Livros – Celly Borges (org.)
  15. Aos Olhos da Morte - Marcelo Amado
  16. VII Demônios - Luxúria - Marcelo Amado e Celly Borges (org.)
  17. O Manequim e o Rouxinol – António Torrado
  18. A Invenção de Hugo Cabert - Brian Selznick
  19. A Casa dos Muitos Caminhos - Diana Wynne Jones
  20. Menino de Asas - Homero Homem
  21. O Menino Alquimista - Juarez Nogueira
  22. A Garota que Podia Voar - Victoria Forester
  23. Esperando por Você - Susane Colasanti
  24. De volta à cidade do vampiro - Francisco Scattolin
  25. Quando em Roma... Gemma Townley
  26. Contos Arrepiantes - Stella Robana
  27. Histórias do mundo pra todo mundo - Lélia Cassol e Cathe de Léon
  28. Cemitério Perdido dos Filmes B - César Almeida (org.)
  29. Ali-Babá e os quarenta ladrões - As Mil e Uma Noites
  30. A Lista de Casamento de Becky Bloom - Sophie Kinsella
  31. A Metamorfose – Franz Kafka
  32. O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello
  33. Protetores - Duda Falcão
  34. Doce Vampira - Ju Lund
  35. Terrir - Marcelo Amado (org.)
  36. O Grande Resgate dos Fantasmas - Eva Ibbotson
  37. Aldebarã - Juvenal Bernardes
  38. Sexo, Livros e Rock & Roll - Marcelo Amado (org.)
  39. Disque Fantasma - Eva Ibbotson
  40. Easy - Tammara Webber
  41. Projeto Rosie - Graeme Simsion
  42. Minha casa mal-assombrada - Angie Sage
  43. De volta para casa - Karen White
  44. Diário de um Banana - Jeff Kinney
  45. Os Fantásticos Livros Voadores de Modesto Máximo - William Joyce
  46. O melhor lugar do mundo é aqui - Francesc Miralles e Care Santos
  47. Nevermore - Contos inspirados em Edgar Allan Poe - Ademir Pascale (org.)
  48. O amor mora ao lado - Debbie Macomber
  49. No mundo dos livros - José Mindlin
  50. O livro das coisas perdidas - John Connolly
  51. O outro gume da faca - Fernando Sabino
  52. As sete vidas do amor, de Carla D'Alessio
  53. O menino no espelho - Fernando Sabino
  54. O castelo de Otranto - H. Walpole
  55. E o Dente Ainda Doía - Ana Terra
  56. O Mundo Inteiro - Liz Garton Scanlon, Marla Frazee
  57. Bruxas, bruxos e os feitiços mais cruéis que se podem imaginar
  58. Maretenebrae - A queda de Sieghard - L.P.Faustini e R.M.Pavani
  59. O Presente - Cecelia Ahern
  60. Revolução em Película - Uma reflexão sobre a relação cinema-história e a Guerra Civil Espanhola - Rafael Hansen Quinsani
  61. O homem da areia - E.T.A Hoffmann
  62. Doce procura - Kevin Alan Milne
  63. Seis coisas impossíveis - Fiona Wood
  64. Os portões - John Connolly
  65. Vovó vigarista - David Walliams 
  66. Coraline - Neil Gaiman

E em 2014 participarei do Desafio Literário Skoob - pretendo que esse seja o único desafio externo, estou pensando em um auto desafio, se eu conseguir, conto aqui - e tentarei ler mais dos meus livros, pois estão acumulados e quase abandonados. Comprinhas somente quando forem muito interessantes, que no meu caso significam: livros raros com preço bom; para estudo, e na Odisseia de Literatura Fantástica, lá tem muito autor ótimo e querido!

Em breve trago a lista dos melhores do ano. E Não esqueça de nos contar quais foram as suas leituras!

Desejo que o seu 2014 seja de muita paz e repleto de ótimas leituras!

Celly Borges

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26 de dez. de 2013

Resenha: Os portões - John Connolly

Resenha de Celly Borges

Surpreendente!

Não tem como falar diferente de Os Portões (Editora Bertrand, 304 páginas, R$50), segunda obra de John Connolly publicada aqui numa belíssima edição pela Bertrand Brasil.

Há dois subtítulos, um que está na capa e completa o título: Os portões do Inferno estão prestes a se abrir - cuidado com o vão e outro, que está dentro: Os portões - um romance estranho para jovens estranhos.

Nesse livro, acompanhamos a história de Samuel, um menino de 11 anos que tem vários problemas pessoais. O pai abandonou ao filho e a esposa e simplesmente foi embora, os professores não o levam a sério, como quando ele tenta apresentar um trabalho escolar com um alfinete, e disse que ali, se olhar bem de perto, pode-se ver um número infinito de anjos dançando na cabeça do alfinete. Claro que, como alguns adultos adoram cortar a criatividade das crianças - principalmente os que também passaram por isso -, o professor acabou chamando a mãe de Samuel.

Mas a parte importante começa no dia 28 de outubro, quando Samuel decide sair a fim de pedir gostosuras ou travessura nas casas vizinhas - ele havia tomado uma iniciativa! Para ele isso é muito importante - mas lá vêm os adultos para estragar de novo.

A mãe, que desde que o pai os deixara, nunca saiu de casa para um encontro e naquela noite estava se arrumando muito, então não poderia ser simplesmente para jogar bingo com as amigas. Ela deixa uma babá muito relapsa para cuidar de Samuel.

Mas ele havia saído para pedir doces, quando chegou à cada dos Abernath, que não quiseram saber de conversa. Então Samuel percebe algo e espia pela janela do porão de seus vizinhos. Eles estão fazendo algo muito, muito estranho. O casal e mais dois amigos, o senhor e a senhora Renfield, estão mexendo com ocultismo, pois não têm nada melhor para fazer. Mas isso tem consequências graves! Faz com que um buraco no espaço-tempo fosse aberto e... sim, muita coisa ruim começa a acontecer, afinal, era um portal exatamente do Inferno para a Terra! E lá dentro estão os portões que precisam ser abertos.

Nesse tempo, conhecemos Nurd, O Flagelo das Cinco Deidades, que fora banido para a Terra Devastada, um lugar no Inferno bastante triste e solitário. Nurd é um dos personagens mais cativantes. Algumas de suas desventuras lembram o filme Little Nick - um diabo diferente - com Adam Sandler como protagonista. E Ozzy Osbourne aparece por lá para das uma ajuda! -, que é bom e quando vem para o lado de cá sempre acaba "morrendo", ou voltando para a casa, várias vezes por ser desastrado, e da mesma forma, Nurd é atropelado e sofre um pouco cada vez que é devolvido para sua Terra Devastada.

Os nomes das ruas são interessantes: [Edgar Allan] Poe, [H. P.] Lovecraft, [Algernon] Blackwood, quem curte literatura fantástica, vai reconhecer esses nomes, e se não os conhece, clique nos links e divirta-se. A casa onde tudo começa fica na avenida Crowley, 666. O nome foi inspirado em Aleister Crowley, um homem considerado muito mau - e louco. O número dispensa comentários.

O livro é repleto de partes engraçadíssimas, com muitas notas de rodapé que não tem como ficar sem rir. John Connolly foi minha grande descoberta esse ano, também li sua outra obra, O livro das coisas perdidas, que segue o mesmo padrão de Os Portões, com verniz em toda a capa imitando couro, e com relevo.

John Connolly (Dublin - 1968) é um autor fantástico, daqueles que sempre faço questão de enfatizar: não subestima seus leitores. Há informações e não há receio de contar a história como ela é.

Esse é o livro 1, que tem na sequência Hell's Bells e The Creeps, ainda inéditos no Brasil. O segundo será lançado aqui em 2014. Essa é uma das poucas séries que ultimamente me deixaram com vontade de ler suas continuações. E logo!

Serviço
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528617702
Ano: 2013
Páginas: 304
Tradutor: Dênia Sad
SkoobEditora Bertrand BrasilJohn Connolly

Leia também
+ Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly
+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding

Resenhista
Celly Borges é escritora, sonhadora e, por mais que pareça loucura, adoraria viver uma aventura como a de Samuel.