11 de fev. de 2016

Resenha: Luxo & crime - Angela Klinke

Imagino que o lado da moda de luxo seja um tanto podre, porque são pessoas ricas querendo ser melhores que as outras, querendo exclusividade em cada item. Penso numa luta como animais ferozes, que brigam pelo espaço, para ser o líder do clã, mas toda a peleja acontecendo por dentro, pois tudo deve ser tão discreto, apenas tratado com olhares e palavras ácidas de forma subliminar, ali mergulhadas entre uma frase e um doce elogio.

Que se digladiem essas feras dotadas apenas do bom gosto duvidoso, externo.

Que briguem pela bolsa exclusiva, pelo sapato vermelho. Que, como diz o ditado, morram abraçadas, pois se merecem.

Angela Klinke traz sua experiência de 20 anos como jornalista, trabalhando de diversos assuntos. E o resultado é um livro com humor e muita crítica.

O livro já começa com ação. As donas de uma loja de luxo sendo presas.

E o rico pai de Lulu um dia se cansa da futilidade da filha e a obriga a arranjar um emprego de jornalista na revista Cenários.

“Ela caminhava para ser mais uma dessas jovens que passavam metade do dia na internet se vangloriando das compras que fez na outra metade. Dizia que seu investimento em peças de luxo era um trabalho jornalístico.”

Essa frase me lembra dessas blogueiras que compram, compram e compram produtos de beleza, roupas, e exibem para um monte de meninas sedentas pelo que a outra usa. Não importa se é bom, contanto que se pague para divulgar e que se tenha mentes para corromper e induzir à compra desnecessária.

A Blogueira Shame mostrou durante alguns anos esse lado podre do reino das blogueiras de moda brasileiras. Eu acompanhava o blog, Shame on you, blogueira, e ria muito, intrigada em saber como as seguidoras acreditavam – acreditam – no que são ditos nesses sites. Aliás, se não me engano, foi no Shame on you, blogueira que fiquei sabendo do livro Luxo & crime (Editora Leya, 192 páginas), além de Gomorra (Editora Bertrand Brasil, 350 páginas).

Enfim, Lulu – Ludmila – cede à pressão do pai e vai trabalhar com Ernesto, um jornalista premiado. E a menina mimada vai justamente trabalhar no caso da Loja, que está sendo investigada por fraudes. 

A Loja – e eu adorei o nome – trabalha com produtos de luxo, promete trazer de fora a exclusividade às suas clientes. E sinceramente, eu, que uso na maior parte do tempo calças pretas e camisetas com estampas de bandas de rock, filmes e livros, só imagino como devem ser essas pessoas que não se importam em pagar horrores por algo que descartaram na próxima coleção. Mas, claro, eu não sou um parâmetro muito bom, nem pretendo.

“– Ludmila, você já leu Gomorra?  
Era claro que não. Nem sabia do que se tratava. Já tinha estado em Milão, se esbaldando em compras por lá, mas não leu Gomorra. O autor, Roberto Saviano, começou ele, faz um retrato nada elegante do processo de produção e muitas grifes de lux na Itália. Na periferia de Nápoles, a máfia financiava a mão de obra de qualidade, mas barata, que trabalhava em condições semelhantes aos bolivianos nas facções de costura do Brasil.”

Angela Klinke não mede palavras para falar desse mundo. Ela cita a falecida Daslu, o paraíso dos "rycos" – ou templo do luxo, como era conhecida –, mas que desabou em meio a escândalos de crimes financeiros. 

Luxo & crime traz personagens interessantes, desde a simples Dulcecleide e suas bolsas falsificadas, até a “nata” da sociedade. E está tudo interligado.

É uma leitura muito rápida e divertida. A linguagem simples, que pode atingir qualquer público e mostrar as teias que envolvem o mundo, não só o da moda.

“Como disse uma vez o autor Manoel Carlos, é inevitável fazer uma novela baseada na realidade porque ninguém acreditaria. Já a ficção tem de fazer sentido”, cita a autora.


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ASIN: B00AHEHJQ2
Ano: 2012
Páginas: 192
Editora: Leya
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Este ebook foi emprestado no programa Kindle Unlimited, da Amazon.

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6 de fev. de 2016

Resenha: A balconista – Steve Martin

Conhecemos Steve Martin (1945) o ator, mas poucos sabemos ou lembramos de seus dotes de escritor. A balconista (Shopgirl, 144 páginas, Editora Record), lançado lá fora em 2000 e aqui dois anos depois, é um livro que desejava ler faz tempo, desde que assisti ao filme A garota da vitrine (Shopgirl, 2005), dirigido por Anand Tucker, com o próprio Martin como Ray Porter.

Já no início da leitura pude senti a tristeza narrada no presente. Mirabelle é uma jovem de 28 anos que mora sozinha e tem depressão, às vezes muito presente.

"O Serzone é um presente de Deus que a impede de ser imobilizada pela depressão, que de outra forma a envolveria completamente para penetrar em seu corpo como uma névoa venenosa."

A história é assim, caminha a passos lentos, junto com a protagonista. Ela tem poucos amigos, que por vezes não percebem que Mirabelle se sente ferida quando não aparecem num encontro sem nem avisá-la, e ela está lá, a espera pelos poucos convites para a diversão, solitária. Triste.

“Mirabelle substitui seus amigos ausentes pelos livros e pelos seriados de TV. Os livros, quase todos, são romances do século XIX, em que mulheres ou são envenenadas ou envenenam alguém.”

Mirabelle trabalha no ermo setor de luvas de uma grande loja, a Neiman's. Lá ela não faz muito. Na verdade, não tem o que fazer. Há poucos interessados em luvas. Até que um dia aparece um elegante homem de uns 50 anos chamado Ray Porter.

Ela às vezes sai com um cara esquisito, o Jeremy, daqueles que deve ser apenas por comodismo ou medo de conhecer alguém. Eles se conheceram numa lavanderia. Mas quando Ray Porter surge em sua vida, ela sente há possibilidades de mudança, apesar dos avisos dele de que não são exclusivos um do outro. Ele a convida para jantar.

Consegui me colocar no lugar da personagem, em seu estado quase letárgico. Parece que caminhei assim, quase parando, imaginando todos os momentos tristes, os amigos que não a respeitam, o trabalho horrível...

Martin soube trazer um perfil um tanto sombrio que a vida possui, de pessoas fracas e fortes - e me pergunto quem é quem -, das que tentam ajudar, mas machucam as outras sem perceber, e transformar num livro que me prendeu o tempo todo.

"Lembre-se apenas, meu bem, que é a dor que muda as nossas vidas."

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ISBN: 8501063142
Ano: 2002
Páginas: 144
Tradutor: Fausto Wolff
Editora: Record
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Essa leitura faz parte da Maratona de leitura no Carnaval. Consegui enfim o livro numa troca no Skoob - o site é um dos meus favoritos -, e ele chegou bem a tempo de incluir no desafio, pois isso não está na foto do post da Maratona.

1 de fev. de 2016

Maratona de leituras durante o Carnaval

Esse ano me propus a fazer uma maratona de leitura durante os dias de carnaval. Não quis escolher muitos livros e nem poucos. Fiquei num meio termo.

Então essa é a minha seleção:


  1. Garota exemplar, Gillian Flynn
  2. A ilha do Dr. Moreau, H. G. Wells
  3. A árvore do Halloween, Ray Bradbury
  4. Procura-se um marido, Carina Rissi
  5. Estrada para o Inferno, Vários autores

E você, vai fazer algo parecido? Aceita o desafio?

Pode escolher quantos e quais títulos quiser. Tirando Procura-se um marido, que peguei emprestado no programa Kindle Unlimited, todos os outros já tenho na estante - ou no Kindle, como é o caso de Garota exemplar - e os escolhi porque desejo ler há algum tempo e quero ler mais dos meus, então chegou a hora!

Conta pra gente qual será a sua lista!

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Resenha: No Mundo da Luna, Carina Rissi

No mundo da Luna (2015, 598 páginas, Editora Verus) é um daqueles livros que o leitor que curte o gênero passa o dia pensando nos personagens, no que vai acontecer, e quer voltar logo à leitura. Isso aconteceu comigo.

Luna acabou de se formar em jornalismo e trabalha como recepcionista numa revista feminina – dessas com dicas, uma única matéria séria para mostrar que as mulheres são inteligentes –, ela detesta seu trabalho, pois não se formou para ficar atendendo telefonemas e anotando recados a vida toda.

Para piorar, parece que seu chefe nem mesmo sabe da sua existência. Sempre que chega ao escritório a cumprimenta e diz “Bom dia, Clara”, e passa direto.

Um dia a sorte de Luna começa a mudar e ela é promovida para escrever a coluna de horóscopo – na verdade um tapa buraco, já que a revista passa por uma crise e não têm mais o que fazer. Só então o chefe carrancudo, Dante, a percebe e descobre que seu nome é Luna.

Assim a mocinha vai atrás de descobrir como montar um horóscopo decente. Recorre às suas raízes ciganas e consegue até um baralho muito velho e cheio de magia. Mas ela ainda não descobriu como fazer a leitura exatamente, por isso joga do seu jeito e acaba influenciando a vida de muitos.

Sem contar que Luna passa por um grande problema que é seu namorado, que a traía com a vizinha gostosa. E ela também faz algumas escolhas impulsivas.

Luna é a típica personagem complicada, querida, engraçada e muito desastrada. Isso faz parecer mais humana, pois quem não tem algum desses pontos, negativos ou positivos? Carina Rissi soube montar Luna, para odiar e amar como uma perfeita personagem de comédia romântica.

É interessante ver uma história tão boa quanto as comédias românticas de fora. Só encontrei alguns probleminhas de continuidade, como quando ela diz que saiu do banheiro e ele “já estava me esperando, barbeado e todo arrumado”, mas logo depois diz que “as pontinhas duras da barba que já começava a crescer fizeram cócegas” (não fica claro se alguma parte estava por fazer). Claro que nada que prejudique a história, mas me fez parar e voltar a leitura.

É uma ótima história que a gente sabe como vai se desenrolar e acabar, mas ainda assim quer ler, porque a escrita prende e nos faz sorrir. É indicada para quem gosta de comédias românticas. Fãs de Sophie Kinsella com certeza vão se divertir muito!

Li o ebook, através do programa Kindle Unlimited da Amazon, por isso o número de páginas é maior do que a versão impressa (476). Há o ebook com a entrevista de Luna, No mundo da Luna: a entrevista, grátis.

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ASIN: B00U2YNDPS
Ano: 2015
Páginas: 598
Idioma: português
Editora: Verus
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