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12 de dez. de 2013

Resenha: O Presente - Cecelia Ahern

Resenha de Celly Borges

Eu adoro histórias de Natal. Na verdade sou apaixonada pelo clima natalino, as luzes, árvores, presentes. Adoro tudo isso. Então, já que estamos nessa época, resolvi ler o livro O Presente (Editora Novo Conceito, 320 páginas), de Cecelia Ahern. Embalada pela capa, acreditei que fosse isso, mas na realidade tem pouco do clima natalino. A história se inicia perto da data, tem a questão do espírito de natal, que transforma e modifica as pessoas – que nesse caso é de forma bem diferente –, mas poderia ser em qualquer época.

A leitura no início foi muito gostosa e rápida, mas depois deu uma bela diminuída, parecia que não caminhava tanto e que metade foi mais para enrolar e ter um livro longo.

Começa com o narrador contando sobre o que o leitor encontrará. No segundo capítulo encontramos o sargento Raphael O’Reilly, ou simplesmente Raphie, que apreende um menino por ter tacado um peru congelado na vidraça da casa de alguém. A partir daí, enquanto o garoto aguarda que sua mãe venha buscá-lo, Raphie conta uma história que aconteceu com ele, ou melhor, aconteceu com outras pessoas, mas ele estava no caminho algumas vezes.

Lou Suffern é um homem cheio de trabalho, daquele tipo que não tem tempo para nada, principalmente para a família, pois ela estará lá quando ele precisar – típico de quem desaprendeu a amar. Já traiu a esposa algumas vezes. Tudo o que ele precisa é só pedir à sua secretária, como quando tira, sem explicações, das mãos de sua irmã a organização da festa de aniversário de 70 anos do pai – festa essa que ele nem está interessado, pois no mesmo dia há o evento de confraternização da empresa em que trabalha e, claro, para ele isso é muito mais importante.

Depois que um funcionário precisa ser afastado, várias pessoas tentam se mostrar ainda mais eficientes para ficar com a vaga – da boca para fora todos falam que desejam sua melhora, mas internamente não estão nada preocupados com isso, aliás, torcem contra a sua recuperação. E a situação é bem comum. Da mesma forma em que muitos pensam em ganhar dinheiro e se esquecem do que importa, como faz Lou. Na verdade esse nem é o seu nome verdadeiro.

Mas um dia Lou se depara com um mendigo, por algum motivo oferece a ele um café e começam a conversar sobre os sapatos das pessoas que passam por ali todos os dias. Cada um fala algo sobre seu dono. Tanto que Lou descobre segredos de seus colegas do trabalho, o que o preocupa muito. Desta forma Gabe, o mendigo, acaba entrando em sua vida de fato.

A partir daí temos a ação da história, mas a forma que se dá não é exatamente comum, pode até colocar um pouco de literatura fantástica aí, pois o que acontece é um pouco fora da realidade. A autora tenta, através desta história, dar um aviso sobre a falta de tempo para o que importa, mas algo ficou faltando, a ideia é boa, o começo prende, o meio cansa um tanto, mas um pouco antes do final, os acontecimentos são bem descritos e deixam quase sem fôlego, porém, o final é muito rápido e algumas partes parecem ficar sem explicações.

Esse é um livro para somente uma leitura.

Cecelia Ahern é irlandesa, autora dos romances A vez da minha vida, Onde terminam os arco-íris, Aqui é o melhor lugar, Se você me visse agora e As suas lembranças são minhas, e do livro que foi adaptado para o cinema P.S. Eu te amo.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581633145
Ano: 2013
Páginas: 320
SkoobNovo Conceito

1 de dez. de 2013

Leituras de novembro/2013

Olá, fooufo leitor do blog.

Em novembro li cinco livros inteiros. Foram poucos, mas não tenho conseguido ler mais do que isso.



E você, leu quantos? Quais foram?

11 de out. de 2013

Resenha: O livro das coisas perdidas, de John Connolly

Esse é um livro forte.

Quem não curte passagens fortes, deve lembrar que a vida é assim, veja os noticiários. Os jornais mostram muita crueldade acontecendo. E é real. As fábulas, em sua primeira forma, são terríveis! Depois passaram a ser relativamente bonitas. Imagino que alguém aí tenha dito “mas eu prefiro fantasia para fugir da realidade”, então eu digo “esta é uma história de fuga da realidade”.

O livro das coisas perdidas (Editora Bertrand Brasil, 364 páginas, R$40), de John Connolly, é fantasticamente cruel e verdadeiro! Enxerga-se ali a realidade. Nele, o menino David é mimado, não sabe dividir nada, nem o pai com a madrasta, que tenta ser uma boa pessoa, mas ele não dá abertura. Ele toma como se Rose tivesse roubado o lugar de sua mãe, que morrera. Quando ele ganha um irmãozinho, sente ciúmes e raiva. Mas o que aquela criança fez, além de ser o fruto do amor de duas pessoas?

Na nova casa o menino fica no quarto que era de um antigo parente de Rose, a madrasta. Então, um dia David começa a ouvir os livros, sim, eles falam, eles gritam. Então, numa noite ele atravessa para outro mundo em busca da voz de sua mãe, que o chama, pede que vá salvá-la. Mas ela estava morta... Aquele é um novo mundo. Um mundo cruel e também com pessoas boas. E lá há seres perversos como lobos, homens-lobo... e o Homem Torto.

É tudo uma fábula. O livro das coisas perdidas é uma grande fábula bem escrita, que me fez ter curiosidade, eu queria saber mais e mais. E é forte, triste, terrível. Eu chorei. É tão palpável, real. Um mundo em um livro que me fez parar e pensar em muitos pontos da vida. O quanto vale pensar nos problemas, até mesmo nas picuinhas nas redes sociais que vemos todos os dias acontecendo, por exemplo, e esquecer do importante, daquilo que temos de real... de viver.

David busca, sem perceber, melhorar como pessoa e com os outros. É a evolução do personagem que o leitor acompanha e, se der a chance, cresce junto. Talvez possa dizer que crescemos com qualquer livro, e isso é verdade! É só dar a chance. Há cousas boas em tudo. Mas e precisamos estar abertos para isso. Para notá-las e não somente o errado, o ruim.

Me identifiquei com algumas partes, como quando David tem alguns TOCs.

Enquanto David está em sua jornada, encontra bizarrices que são construídas pelos moradores. E, além disso, há versões das fábulas clássicas, algumas são contadas e em outros momentos o menino encontra os personagens de uma forma, digamos, bem diferente. Como uma Branca de Neve obesa, e seus sete anões acuados. Ele precisa chegar ao rei, precisa que ele o ajude, com tal livro que possui, a voltar ao seu mundo. Mas aí está um grande problema... Simplesmente leia!

Serviço
 Editora: Bertrand Brasil
Título original: The book of lost things
ISBN: 9788528615470
Ano: 2012
Páginas: 364
Tradutor: Cecilia Prada
Skoob | Editora Bertrand Brasil

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+ Dez mil – autobiografia de um livro – Andrea Kerbaker
+ O Estranho destino de Poison – Chris Wooding

30 de set. de 2013

Leituras de setembro/2013

Olá, leitor foufo!

Esse mês as leituras foram bem paradas, diferente de agosto. Comecei vários livros e não tive vontade de terminá-los, por isso só li três... Melhor do que nada, não é?

Entre os livros lidos estão dois romances românticos e uma antologia de contos inspirados em Poe! - esse sou suspeita para falar, pois sou uma das autoras! \o/


Para começar, revisei Nevermore, contos inspirados em Edgar Allan Poe, antologia com vários autores e eu estou no meio! Meu texto é a visão de Fortunato do conto O Barril de Amontillado, será lançado em breve pela Editora Estronho.

Li também o lançamento da Editora Novo Conceito, o livro O amor mora ao lado, e sinceramente não curti, você pode saber o motivo lá na resenha.

O melhor lugar do mundo é aqui, lançamento da Editora Record, é um livro fantástico, está entre as melhores leituras do ano. Confira a resenha.

Não marquei como lidos vários contos de horror, pois são de várias antologias e não li nenhum livro desses por inteiro... por enquanto.

E como estão suas leituras de setembro?

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+ Leituras de 2013

25 de set. de 2013

Resenha: O amor mora ao lado, de Debbie Macomber

Quando peguei o livro O amor mora ao lado, de Debbie Macomber – neste momento estou lendo vários no estilo e curtindo tanto! –, pensei que talvez fosse como os últimos lidos, gostoso e com partes que nos fazem refletir sobre a vida, nossas escolhas, mas esse é muito simples, raso e não foi o que esperei.

Lacey Lancaster é uma mulher sozinha, que passou por um divórcio doloroso, por isso muda de cidade e durante um ano não consegue deixar de ser amargurada e insegura. Não sai com ninguém para tentar esquecer do passado. Ela é tão insegura que quando tenta pedir um aumento ou que suas horas extras sejam remuneradas, não consegue e pega cada vez mais trabalho para o qual nem foi contratada.

Um dia, ela percebe que Cléo, sua gata, está no cio, e precisa cruzá-la logo. Ela foi comprada – não comprem! Adotem! – e a moça do pet shop passou um contato de quando ela precisasse cruzar a gata, assim poderia vender os filhotes de raça – eu tive dois trecos lendo isso, não comprem, não vendam! Adotem e doem os bichinhos de estimação! Então, nesse dia, quando já não aguenta mais o próprio impasse em pedir aumento, seu vizinho que briga o tempo todo com a namorada e de seu apartamento ela pode ouvir, acaba saindo do sério e vai até ele, bate na porta e Sarah, a namorada, está chorando, passa por ela e vai embora, enquanto isso, Jack Walker aparece e a cobra por suas tentativas de encontrar Lacey para sair e conversar, mas ela sempre dá um jeito de fugir dele, pois o julga um mulherengo e ainda briga tanto com Sarah, não a respeita. Enquanto conversam, Cão – esse é o nome do gato adotado de Jack – escapa e vai ao apartamento de Lancey, que você, leitor, já imagina o que acontece quando encontra Cléo naquele estado.

Depois, quando descobre que a gata fica prenha, Lacey pede que Jack a ajude com as despesas, então os dois precisam se ver mais vezes. Nesse meio tempo segredos são descobertos...
 
No final do livro, para deixá-lo maior visualmente, há algumas receitas de petiscos para gatos, e depois o primeiro capítulo de A Pousada Rose Harbor, da mesma autora. Sendo assim, das 160 páginas, 20 são para outras cousas que não a história...

O amor mora ao lado (Editora Novo Conceito, 160 páginas, R$24,90) é uma leitura muito rápida, terminei em poucas horas, pois, além de não ser aprofundada, a fonte é grande e espaçosa. A história até conseguiria prender, mas quando começa a ficar interessante, acaba. Não dá tempo de ver as qualidades, defeitos, pegar amor ou raiva dos personagens. Por exemplo, Lacey só conversa por telefone com a melhor amiga; tudo é resolvido muito rápido e de forma simples. Uma pena, poderia ter sido melhor desenvolvida.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630526
Ano: 2013
Páginas: 160
Tradutor: Paula Gentile Bitondi

6 de set. de 2013

Resenha: Esperando por você - Susane Colasanti

Ganhei esse livro de um amigo que disse “Eu sei que você vai gostar”.

Esperando por você conta a história de Marisa, uma menina americana comum. Ela vai passar as férias em um acampamento de artes e, quando volta, está na hora de recomeçar o ano letivo, então ela fica apreensiva, pois deseja que esse seja diferente, que algo realmente importante, que mude a sua vida e de sua melhor amiga, Sterling, aconteça.

Todo sábado as amigas tiram a noite para elas, já que não têm namorados. E Marisa passa também bastante tempo com Nash, seu melhor amigo e nerd. Sterling é a parte doidinha da história, e Marisa a mais centrada.

Marisa fica perdida, confusa, entre amores, não sabe que caminho seguir, nem seu coração ajuda muito, esse é basicamente o enredo.

A ideia pode parecer bastante simples, e é! Não é daqueles livros que voltarei a ler logo ou mesmo que penso em reler, mas a primeira leitura foi bastante agradável e a forma como foi escrita prende e faz querer chegar ao final logo, aliás, um final que o leitor já sabe, mas quer experimentar, quer ler. Esperando por você é uma história com humor, amor e conflitos, não só apenas adolescentes, mas muitas vezes de quem está apaixonado.

Geralmente quando é a narração na terceira pessoa e no presente, o livro não consegue me prender, parece forçado e é muito difícil manter uma história boa desta forma. Mas sendo pela visão do personagem e no presente, não encontro esse problema, como é o caso de Esperando por você.

Alguém que saiba pode ajudar: não sei como é, e se tem alguma palavra equivalente para “tipo” em inglês, mas fica bastante forçado e cansativo quando leio em histórias adolescentes, pois nem todos usam a palavra, nesse livro ela é colocada quase sempre para mostrar que o personagem é realmente jovem.

Nunca li muito esse estilo de história, mas meu amigo tinha razão, a leitura foi bem bacana! Depois busquei outros do gênero e também quero mais obras de Susane Colasanti, que são aqueles livros para ler entre uns mais aprofundados e descansar a mente.

Esperando por você é o segundo livro da autora, publicado no Brasil, o primeiro é Bem mais perto e há pouco foi lançado o terceiro Tipo destino, pela sinopse, todos seguem essa ideia da visão adolescente do mundo. Então é uma leitura leve e recomendada se você gosta de novidades – como foi para mim –, ou mesmo de histórias leves, com certeza vai passar algumas horas bem acompanhado.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630472
Ano: 2013
Páginas: 336
Tradutor: Luis Gonzaga Fragoso
Skoob | Novo Conceito

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4 de set. de 2013

Resenha: O melhor lugar do mundo é aqui - Francesc Miralles e Care Santos

Esse é um livro triste.

Ou melhor, aqui a tristeza é a antagonista.

Então, essa é uma história simples e intensa, nela não caberia desenvolver, trabalhar mais para deixar um livro maior, é perfeita e completa como está.

Começa com o narrador falando que domingos são dias péssimos para se tomar decisões e Iris toma uma. Ela perde os pais em um acidente de carro e começa a perceber o quanto é ruim estar sozinha. Iris tem 36 anos, nenhum amigo ou parentes. Então, talvez dar um fim à sua vida seja a resposta para a sua angústia.

Sempre pensei que suicídio é a opção de pessoas egoístas, afinal, não querem lutar e, pensando friamente, isso dá muito trabalho aos outros. E Iris pensa assim também, por isso escolhe o domingo, quando menos gente usa o transporte. A linha do trem parece um ótimo lugar para dar início ao seu fim.

Quando ela se inclina para se jogar na frente do trem, um barulho a faz voltar ao mundo real. Olha para o lado e percebe um menino de uns seis anos segurando um balão estourado. Ele sai correndo e a ação a faz continuar andando.

Desiste de se matar.

Assim, ela segue triste sem rumo e acaba parando em frente a um pequeno café que nunca havia reparado, chama-se O melhor lugar do mundo é aqui.

Resolve entrar e tudo muda.

Atrás do balcão há um velho que indica que pode se sentar em uma das mesas vaga. É um lugar bastante agradável. Iris senta, então fecha os olhos para prestar atenção à canção e quando os abre conhece Lucas, um homem de mais ou menos a sua idade, cabelos grisalhos, misterioso, simplesmente porque ele faz jogos com ela. Não jogos de sedução, mas de conhecimentos.

Ela volta durante seis tardes e o encontra cada dia em uma mesa diferente, e Luca conta que cada um significa algo. Desta forma ela se descobre, aprende mais sobre si. E nada sobre o novo amigo, que resolve contar algumas partes de sua vida num momento. Iris volta no dia da sexta mesa, e o velho está desmontado todo o café. E diz que Iris não vai encontrar Luca, nem se procurá-lo.

Esse é um livro delicado, que mexe com sentimentos, escolhas, medos e principalmente o que é a felicidade e como se deve buscá-la sempre, e principalmente nos detalhes. Mas não se engane, não é uma obra que ficaria na prateleira de autoajuda. Se perceber, quase todos os livros de literatura podem ajudar, não há necessidade de um específico, chato, que diz faça isso, faça aquilo, sem nenhuma criatividade.

Aqui vemos que Iris nunca fez nada nesses 36 anos, não buscou nada que a completasse, a fizesse realmente feliz e transformasse seus sonhos em realidade. Apenas vivia sem nenhum motivo especial, nem ela mesma. Estava acostumada, ou seria resignada? Muitas pessoas vivem assim, mesmo não percebendo, seguem suas vidas sem nenhuma novidade, e dizem que não se importam. Mas como é bom se libertar um pouco do trivial.

O melhor lugar do mundo é aqui me fez pensar bastante sobre escolhas, idade, sonhos. Todos temos sonhos que adiamos, até que alguns não possam mais ser realizados por qualquer motivo. E será que realmente nos permitimos ser felizes? Às vezes temos tanto medo, do que o outro vai pensar, ou de não dar certo... pensamos demais na opinião de quem não importa, ou não se importa.

Muitas vezes passamos tanto tempo tentando agradar, que nos esquecemos de nossos desejos, sentimentos. E perdemos tempo também na internet, por exemplo, e nos esquecemos de viver com quem está ao nosso lado, ou que precisa de nós.

O melhor lugar do mundo é aqui (Editora Record, 160 páginas, R$25), de Francesc Miralles e Care Santos, é visualmente é uma obra bastante convidativa. Possui uma capa elegante, escura com a parte do título em alto relevo em rosa, sem contar o título que achei massa. Então leia esse livro simplesmente adorável e curta o momento.

Serviço
Editora: Record
Título original: El mejor lugar del mundo es aquí mesmo
ISBN: 9788501087454
Ano: 2013
Páginas: 160
Tradutor: Luís Carlos Cabral

2 de set. de 2013

Resenha: De volta para Casa – Karen White

E se de repente você parasse e percebesse que sua vida teve um hiato de 15 anos?

Na verdade, não exatamente um espaço em branco, mas como se todo esse tempo não significasse quase nada, a não ser uma época cinza, de tristeza e raiva pelo que sua irmã mais nova fez e não consegue perdoá-la, afinal, o perdão de uma traição é muito difícil, principalmente se essa infidelidade tenha vindo de duas pessoas que se ama.

Em De volta para casa (Editora Novo Conceito, 448 páginas, R$34,90), de Karen White, Cassie passa pelo trauma de ter seu namorado roubado pela irmã, por isso muda, ou foge, para Nova Iorque e durante 15 anos não volta para casa. Nesse tempo, se encontra com o pai algumas vezes, longe da antiga cidade e ele conta como estão todos e entrega fotos de seus sobrinhos. Mas agora, como um autodesafio precisa voltar, pois ele está muito doente e deseja revê-la antes de partir.

Então conversa com o namorado, com quem mora, e diz que deve ir logo. Andrew se mostra frio e somente preocupado com os dias em que ela faltará ao trabalho. Ele aparece pouco na história, mas dá para perceber, em suas ligações, que não se importa com nada além de si mesmo. Como quando Cassie está triste com a perda do pai, Andrew pede que ela volte logo para fechar um grande negócio. Nunca pergunta como ela está, ou se precisa de algo. Até mesmo para ceder seu carro para a ida até Walton, na Geórgia, ele hesita, mas acaba aceitando.

Em sua terra natal, Cassie reencontra toda a sua vida, a verdadeira, a que abandonou para fugir de todos e dela mesma. Ainda que diga que era por um sonho. Lá, encontra seus amigos de escola, vizinhos e sua irmã, o marido e cinco filhos – a mais velha, Maddie, de 14 anos, é muito parecida com a tia, fisicamente e em temperamento, que só viu a sobrinha por fotos. As duas se tornam bastante amigas.

Reviver o passado é complicado quando se passa por uma dor tão grande e que a distância e a saudade deixaram ainda maior. Mas se Cassie tivesse resolvido e não fugido, não precisaria passar por tantos momentos desagradáveis – ou que ela os toma desta forma por ser mais fácil.

Ela encontra o pai e ele aguenta pouco tempo, somente o necessário para ver finalmente suas filhas juntas. Quando ele morre, as duas começam a se reaproximar lentamente, com aquele medo de dar espaço a outra. Harriet tenta mais, mas encontra uma barreira de ressentimento.

A passagem da morte é muito rápida, quase não há um sentimento pela perda. A história fica em torno da vida dos moradores do local e da casa – que Cassie herdou – e a tentativa de venda. Ela quer permanecer na cidade até passar para alguém que saiba que não vai mudá-la, transformá-la em algo que mude a rotina da pequena cidade. Enquanto isso Andrew liga para cobrar sua volta. Enfim Cassie percebe – o que o leitor já percebeu há muito tempo – que não ambos não sentem tanta falta um do outro. O que dá a entender é que eles são práticos e querem permanecer juntos por conta da vida que já montaram, mesmo que o amor não seja tão intenso, ou nem ao menos exista. Essa é uma ideia comum, muitos casais se acostumam com a vida que levam e depois um machuca o outro muitas vezes sem intenção de fazê-lo. Ou falta o tempero do interior nesse romance frio.

Mas Cassie é bem cabeça dura, tem sua vida – que julga ser ótima – em Nova Iorque, não aceita ter que ficar mais tempo na cidade, ter que conviver com pessoas tomando conta de sua vida – o que acontece em cidades pequenas, em que todos se conhecem e se ajudam – como Sam, um antigo colega que ela quase nem prestava atenção, e que mudou muito, se tornou médico, e uma pessoa sempre presente para levá-la aonde quiser. Às vezes parece que ele não tem muito que fazer por ali.

Assim, De volta para casa trata de temas fortes, como abandono de si, traição, família, de passado não resolvido que atrapalha o presente, pois faz com que fique sendo remoído enquanto não há uma conversa definitiva. Também há reencontros, amores e amizades.

Tirando a parte da revisão que pecou um pouco – há tantas partes “sorriso no rosto”, “piscou os olhos”, e outros erros que me incomodaram –, posso dizer que chorei ao ler o livro, tem partes tão intensas, que dão vida aos personagens. Parece que são amigos reais. Em vários momentos, enquanto não estava lendo, me pegava pensando em cada um, como ajudá-los, fazer Cassie enxergar a vida... Enfim, De volta para casa é uma ótima leitura.

Serviço
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632414
Páginas: 448
Ano: 2013
Tradutor: Fernanda Campos de Paiva Castro Bulle
Data de Lançamento: 24 de julho de 2013

Leia também
+ Resenha: O Projeto Rosie - Graeme Simsion
+ Resenha: O outro – Bernhard Schlink 
 

23 de ago. de 2013

Resenha: Minha casa mal-assombrada - Angie Sage

Sabe aquele livro que chama pela capa?

Sei que muitos leitores passam por isso, e eu não sou diferente. Tenho olhos de criança e corro para pegar (ou clicar) quando vejo uma obra com capa bonita, ou seja, muitas vezes esse é o cartão de visitas, a forma de conhecê-la.

No caso, não conhecia o livro Minha casa mal-assombrada (Editora Rocco, 128 páginas, R$25), de Angie Sage – na verdade nunca tinha lido nada da autora que também escreveu a série Septimus Heap –, e a capa me chamou a atenção. A ideia é que a história tenha sido contada pela personagem Araminta Fantasmim, uma criança que sonha encontrar fantasmas, a Sage, que a transformou em livro.

A menina mora com sua tia Tatá e o tio Drac numa casa muito grande e antiga. Sem consultar ninguém, um dia a tia resolve que está cansada de cuidar de tudo sozinha e decide que venderá a casa. Araminta, que não tem amigos, se revolta, pois adora o lar e não quer morar num apartamento onde não tenha a possibilidade de encontrar fantasmas, então começa a fazer planos para frustrar a venda, mas uma hora isso não dá mais certo.

A história fica basicamente nisso. Tem algumas partes para rir, de resto é superficial. Tudo bem que a razão deve ser porque é contada pela visão de uma criança, mas é rasa demais. A fonte é grande, a fim de tornar o livro maior. E há palavras repetidas em vários parágrafos, o que cansa um pouco a leitura. Desta forma, talvez Minha casa mal-assombrada seja recomendado para meninos e meninas que gostem de histórias de fantasmas, que estejam começando a ler e a se interessar pelos livros, pois podem prestar mais atenção ao que acontece e nas ilustrações que realmente são massa e recheiam o livro todo.

Serviço
Editora: Rocco
ISBN: 9788561384821
Ano: 2009
Páginas: 128
Tradutor: Rita Sussekind
Skoob | Editora Rocco

Leia também
+ Resenha: Contos de Terror do Tio Montague - Chris Priestley


19 de ago. de 2013

Resenha: O grande resgate dos fantasmas - Eva Ibbotson

Ler Eva Ibbotson (1925-2010) é me encantar com cada página.

Sou fã de literatura juvenil, e a autora é uma das minhas favoritas. Seus textos são de uma delicadeza que vicia quem curte o gênero. Os personagens ganham vida, sentimentos, não estão ali sem motivos, tornam-se palpáveis. Por isso nos livros de Ibbotson sentido “degustar” a obra se torna real, o que muitas pessoas ainda julgam quando o termo é usado. Provavelmente nunca encontraram uma obra que permita a elas dar sentido à palavra. Mas sempre que leio os livros de Ibbotson sinto um sabor inexplicável e que me deixa extremamente feliz, desejosa de ler mais e mais – complexo para explicar e simples e rico para quem sente.

E cada vez que leio seus livros experimento ótimas sensações, encantamento é uma delas. Encontro esse efeito facilmente nos autores Michael Ende, Roald Dahl e Diana Wynne Jones, por exemplo. Mas sinto falta dessa essência em outros autores do gênero. Tenho lido livros juvenis de fantasia com atmosfera pesada, onde os personagens não vivem além de suas páginas, o que não me faz querer ler mais desses escritores e nem fazem falta, e isso é triste.

Em O grande resgate dos fantasmas (Editora Rocco, 128 páginas) passei horas de divertimento, como já aconteceu com Missão Monstro, da mesma autora. Esses são livros que leio rápido, sou admiradora e busco mais obras.

Nessa, Rick é um garoto comovido com o problema dos fantasmas. Não, ele não tem medo de encontrar com Humphrey, o Horrível – que de horrível não tem nada –; sua mãe, Mabel, uma bruxa; o pai, um fantasma escocês que não tem as pernas, pois as havia perdido em batalha, e tem uma espada fincada no peito e a tira para dormir; o irmão mais velho, George, uma Caveira Berrante, e a irmã, Winifred Lamentosa, que tem uma bacia de água que flutua à sua frente, e é usada para limpar suas manchas de sangue.

Como as moradas dos fantasmas estão sendo demolidas, transformadas em grandes empreendimentos modernos, não podem mais assombrá-las, então Rick resove ajudá-los a encontrar um novo lar. Pensa em uma espécie de santuário.

Acontece que no caminho mais e mais seres que descobrem a ideia se juntam à diligência, sem recusar ninguém, todos seguem em direção a Londres a fim de conversar com um membro do parlamento e apresentar a ideia do santuário. Como nem tudo é tão fácil, muitos percalços surgirão no caminho, como a tentativa de exorcismo.

Muitos fantasmas, vampiros e outros seres acompanharão Rick nessa gostosa aventura.

Li poucas histórias juvenis de fantasmas e o que vi em O grande resgate dos fantasmas foi bem bacana. Eva Ibbotson sempre apresenta histórias de desafios, apoio e amizade, e é o que o leitor encontra também nesse livro.

ServiçoEditora: Rocco
Título original: The Great Ghost Rescue
Páginas: 128
Ano: 2004
ISBN:85-325-1754-4
Skoob | Editora Rocco

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15 de ago. de 2013

Resenha: O Projeto Rosie - Graeme Simsion

Quem nunca ficou com receio de mudar ou ir além de suas limitações algum momento da vida?

Somos movidos muitas vezes por regras. Temos hora certa de levantar para ir ao colégio ou trabalho e não chegar atrasados; encontrar os amigos para um passeio... Enfim, nossas vidas são controladas pelo relógio. E, pensando no mais simples exemplo de como nos negligenciamos, muitas pessoas deixam de sair de casa para se divertir a fim de não perder o programa favorito na TV. Mas quantas experiências incríveis não perderam ao recusar um convite e ficar em casa para fazer o que sempre fazem onde não existe novidade nenhuma?

Há quem faça isso por comodidade, mas também há aqueles que são prisioneiros da rotina. Nesse caso, nada mais gratificante do que saber exatamente o que vai acontecer durante toda a semana, ou em todos os seus dias.

No caso do professor Don Tillman, de O Projeto Rosie (Editora Record, 320 páginas, R$30), toda a sua vida é assim regrada, modificar qualquer minuto torna-se um transtorno e no mesmo momento ele pensa em sua agenda que deverá ser reorganizada para que nada programado deixe de ser feito naquele dia. Seria algo como o efeito dominó, em que uma peça empurra a outra, ou seja, seu dia estará seriamente comprometido por uma falha de terceiros.

O professor de genética tem para todos os dias o cardápio pronto, nunca muda nenhum ingrediente, assim não se desperdiça nada, segundo ele, e não se tem surpresas também. Mas saber exatamente o que vai comer, sem que se possa variar deve ser tão sem sabor.

Ter uma vida totalmente sem novidades pode ser enjoativo, mas muitas pessoas curtem. E Don é o extremo. Com 39 anos, nunca namorou e resolve que quer se casar, já dá pra imaginar que não será nada fácil, assim cria um formulário para o Projeto Esposa!, com perguntas bastante incômodas para suas pretendentes. Manda para uma agência e seleciona algumas para encontros, mas nenhuma corresponde o seu alto grau de exigência. Uma fuma, ou é vegetariana, a outra é isso e aquilo... Enfim, é complicado.

Algumas partes fiquei irritada com o comportamento de Don, outras senti muita pena, porque muitos passam por isso, o que dificulta ter um relacionamento, mesmo sendo somente de amizade. O personagem é sistemático, então deseja alguém assim, mas exige demais de pessoas comuns, não digo normais porque, na verdade, não há esse padrão.

Um dia surge a moça que dá título à obra, Rosie não preenche nenhum dos requisitos de Don. Rosie é apenas ela, não algo que alguém queira que seja. Ela é verdadeira, amiga, e guarda um desejo: conhecer o pai verdadeiro.

O Projeto Rosie, do australiano Graeme Simsion, é agradável e rápido de ler, é bem escrito e prende. Nos momentos em que precisei parar, ficava sempre aquela vontade de retornar e saber o que aconteceria a seguir.

Don narra a sua história e isso deixa mais interessante, pois a visão dele é o que acha certo, claro, e se fosse qualquer outro narrador, talvez não desse o tamanho do que ele acredita, e que algumas vezes irritava e outras faziam com que tivesse vontade de bater a cabeça na parede. Não a minha, mas a de Don.

O Projeto Rosie foge da ideia do cara perfeito, que tem tudo e é desejado por todas, esse é um ponto positivo do livro e o diferencial dos que tenho lido. Don é humano e sofre, mesmo sem perceber o que faz para si – talvez isso seja uma forma de autodefesa. Não consegue se relacionar, tem apenas quatro amigos – Gene, Cláudia e seus dois filhos pequenos. Até que surge Rosie e mostra, mesmo sem que ele queira ver, que a vida pode ser um pouco bagunçada. 

Serviço
Editora: Record
ISBN: 9788501402219
Ano: 2013
Páginas: 320
Tradutor: Ana Carolina Mesquita

12 de ago. de 2013

Resenha: Easy, de Tammara Webber

Mais uma vez combinei com a foufa Cláudia Charão para resenhar um livro em comum que estamos lendo, dessa vez foi de Easy (Verus Editora, 305 páginas, R$30). Sempre acompanho seu blog, por isso quando dá certo a convido para resenhas duplas. Espero que curtam o livro escolhido e leiam a opinião da Cláudia no blog Concentrófoba!

Quando recebi o livro Easy, de Tammara Webber, não sabia exatamente do que se tratava e o que esperar. Por estar escrito na capa “Ela foi salva por um estranho. Ele às vezes é assombrado por um segredo... Às vezes o amor não é nada fácil...”, pensei que pudesse ser sobrenatural, e confesso que já estou cansada de seres cruéis, criaturas das trevas, que se apaixonam pela mocinha e assim mudam completamente sua forma de pensar e agir.

Pois bem, por algum motivo o livro me chamava, estava curiosa, então fui ler. Resultado: não conseguia largar enquanto não terminei. Não tem nada de sobrenatural. Ao contrário, é tudo muito real!

E era exatamente o que eu estava precisando ler nesse momento, algo diferente das leituras anteriores, que fosse leve, que falasse de amor. Porém, já adianto que esse livro tem partes pesadas também, extremamente sérias.

Já inicia com Jacqueline sofrendo um ataque de um aluno da faculdade onde ela estuda, tentando abusá-la sexualmente. A cena é tão forte, é tão real, que causa angústia, medo. Ela sai sozinha à noite de uma festa, pois seu namorado havia terminado com ela há pouco tempo, está entrando em seu carro no estacionamento e de repente é atacada.

É quando que surge um rapaz misterioso, que a ajuda e evita algo pior, dando muitos socos no sujeito. Porém, numa forma de fuga do que acontecera, ela resolve não contar, não dar parte à polícia sobre o ocorrido. Um erro de muitas mulheres com medo de inúmeros pontos, como se o cara voltar, ou então coisas tão simples e que pesam no coração de quem sofre o abuso, como acabar com a festa que acontece ali perto... Esse pensamento revolta quem está de fora, e é algo que, se não for denunciado, certamente acontecerá com outras pessoas.

O rapaz que a ajuda de repente parece que está em vários dos lugares em que Jacqueline vai. Mas pode ser também que ela nunca tenha notado sua presença, pois só tinha olhos para o ex-namorado, aquele que, por um motivo infantil e totalmente egoísta, termina o namoro de três anos. A questão agora é descobrir quem é esse homem misterioso e qual o seu nome.

Também há cenas quentes, de sexo e amor, que são de uma delicadeza, são tão reais, tão visíveis, de tanta cumplicidade e respeito! O conjunto formou uma história apaixonante, daquelas que deixam saudade. Daquelas que fico com vontade de mais e mais.

A questão da violência sexual volta a ser discutida ao longo de Easy, e é tão forte quanto a primeira vez que acontece. Um tema bastante delicado para se trabalhar e conseguir levar até os jovens de forma que não os deixem com medo da vida, mas que mostre a realidade, e a autora conseguiu encaixar em um livro com a história principal mais leve, o que permite o aviso sem ser didático.

Tammara Webber é, sem dúvida, uma grande escritora, que soube transmitir em texto a delicadeza do amor. Como muitas meninas gostam de ser tratadas, que sonham com o namorado, não digo perfeito, mas certo para elas. Aquela peça que se encaixa.

Easy é apaixonante e sentirei saudades dos personagens.

Serviço
Editora: Verus
ISBN: 9788576862468
Ano: 2013
Páginas: 305
Tradutor: Ivar Panazzolo Junior
Skoob | Verus Editora | Blog Concentrófoba

Sobre a autora
Tammara Webber escreve livros para jovens e adultos. Ela se descreve como uma romântica incorrigível que adora livros com final feliz, porque já existem muitos finais tristes na vida real. Antes de ser escritora em tempo integral, ela foi orientadora acadêmica na Universidade do Texas, monitora de economia, gerente de planetário, atendente de clínica de radiologia e a pessoa mais pálida que já trabalhou num salão de bronzeamento artificial. Tammara se casou com o namorado da época de escola, com quem tem três filhos e quatro gatos.

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5 de ago. de 2013

Resenha: Aldebarã, de Juvenal Bernardes

Livros infantis são fáceis de escrever. Na verdade são difíceis... Ah, eu explico!

É fácil quando se vê o mundo com olhos de crianças. Mas quando não se tem a sua criança interior, escrever para os pequenos se torna impossível!

Tem livros que são chatos, bobos, que tratam as crianças como incapazes de compreender uma história. Mas esses que pensam assim estão completamente enganados! Os adultos é que são limitados, afinal o mundo muitas vezes impõe essa vida. Ser criança, comer doces, ler livros infantis, quase sempre a pessoa é tratada como ridícula pelos amigos, colegas e vizinhos ao fazer isso. O livro O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, trata bem desse assunto.

Já fiz o teste algumas vezes com esse desenho clássico de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e as crianças diziam algo próximo de seu significado, os adultos com olhos de crianças também, mas os grandes que esqueceram como é ser realmente feliz, viam o óbvio - para eles, claro.

Se você ainda não leu o livro, me diga o que vê na imagem abaixo. Mas não vale pesquisar!


O que aconteceu com o autor de Aldebarã foi o seguinte: 

Juvenal Bernardes cresceu e ficou bobo, um adulto um pouco mais sério, então teve que se tornar palhaço e contador de histórias para reencontrar o seu menino esquecido e assim sua vida ganhou novas cores.

E Aldebarã conta exatamente isso, na história de João, um homem que só anda com as mãos no bolso e cabisbaixo. É triste, solitário.

Quando fala que João é um homem cinza, pois usa roupas nesse tom, me lembrou de Momo e o Senhor do Tempo, de Michael Ende, e seus homens cinzentos, mas esses eram maus e não tristes como o dessa história.

Certa noite João percebe uma estrela, parece que ela brilhava somente para ele.

“Há quanto tempo ele não reparava que alguma coisa pudesse ser linda, linda à toa, só porque existe?”, é uma frase triste e bonita, repleta de verdade. Afinal, quando estamos apressados, no dia a dia, esquecemos de prestar atenção em detalhes importantes. Às vezes podemos ser até egoístas com nossos olhos, mente, coração, por não dar a chance de parar e perceber o mundo e sua beleza que está sempre ali para ser vista.


Então João encontra seu menino esquecido, o João menino, que lhe ensina a ser feliz de novo. A sorrir e dizer bom dia aos vizinhos.

O livro é visivelmente convidativo à leitura. Um trabalho fantástico da ilustradora Denyse Neuenschwander, algumas partes com colagens de jornal.

Na quarta capa há uma apresentação feita por Stella Maris Rezende, autora entre outros livros, de A Mocinha do Mercado Central, e dentro há um coelho feito de jornal, e segura um relógio...

Aldebarã é um encanto! E foi realmente bom que o autor tenha ido em busca de sua criança.

Ah, as crianças, depois de curtir a história, podem fazer um brinquedo que João menino ensina. E os pais podem voltar a ser crianças e se divertir com seus filhos, depois de ler o livro, também construindo o touro de caixa de fósforos.

E jamais esqueçam de sua criança interior, de vivê-la sempre, afinal, essa é a melhor maneira de ser realmente feliz.

Serviço
Editora: Gulliver
ISBN: 9788565432023
Ano: 2013
Páginas: 22
Skoob | Editora Gulliver

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+ Resenha: Pingo d’Água - Vicente Amaral
+ O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder 
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28 de jun. de 2013

Resenha: O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello

Há 146 anos (28 de Junho de 1867), em Agrigento/Girgenti, na Sicília, nascia Luigi Pirandello, autor de O Falecido Mattia Pascal (1904), Um, Nenhum e Cem Mil (1926), entre outros romances, e peças. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1934. Faleceu em 10 de Dezembro de 1936.

Sobre O Falecido Mattia Pascal (Abril Coleções, 314 páginas), não sei o motivo, mas esse livro me chamou.

Hoje estou com poucas opções de leitura, pois vou mudar de casa e os livros já estão embalados. A questão é que tinha acabado de reler A Metamorfose, de Franz Kafka, e ainda estava nessa vontade de ler algo diferente, talvez um clássico desconhecido por mim. Então, fui até uma das poucas caixas que estão abertas, devolvi Kafka e Pirandello me olhou com olhos brilhantes.

Queria colo. Aceitei levá-lo comigo.

No começo a leitura é um pouco arrastada. Mattia Pascal narra sobre sua infância, em que passa muitas adversidades, e dá vontade de abandoná-lo, contudo, por algum motivo desconhecido - já que não tenho nenhum problema em abandonar livros que não estão me cativando, seja para sempre ou para voltar em algum momento - continuei a leitura.

Mattia se casou e sua mulher deu à luz gêmeas, uma morreu em pouco tempo, a outra faleceu alguns anos depois, no mesmo dia em que sua avó materna também se foi. A vida desse homem não era fácil. A mulher não se cuidava mais, a sogra implicava com ele.

Pois um dia Mattia se revolta com essa vida. Ele, um bibliotecário em uma cidade que não lê, resolve sair de casa. Confesso que depois dessa parte comecei a gostar de passear pelas desventuras desse homem que se descobre, ao ler um jornal, morto.

Acontece que ele abandona a casa em que mora e vai para outra cidade onde acaba descobrindo o jogo de roleta e numa sorte de principiante, acaba ganhando muito dinheiro. Quando está em um trem a caminho de casa, fazendo cálculos de quanto e para quem deve, percebe que ficará sem nenhum tostão. Compra um jornal e lê a fatídica notícia de que seu corpo havia sido encontrado, Mattia Pascal tinha se matado!

Mas como não é um romance fantástico, e esse que nos acompanha não é um fantasma, o homem culpa a sogra de querer se livrar do peso e reconhecer Mattia em qualquer cadáver.

Pirandello se filiou ao partido fascista em busca de apoio para a sua companhia de teatro. "Ele assumiu - com a ajuda de Mussolini, antes de se tornar antifascista - a direção do Teatro d"Arte di Roma, em 1925, até sua morte" (...) "Ele chegou a doar sua medalha do Nobel ao governo fascista após a Itália declarar guerra à Etiópia, em 1935"¹. Fiquei sabendo desse "detalhe" depois de terminar a história, quando li sobre vida do autor no especial que contém no final da obra. Essa medalha, esse pequeno objeto, pode ter causado muita dor, pode ter sido transformado em uma arma, em balas. Um momento muito triste da História em que infelizmente alguns precisavam de apoio, mesmo que do lado errado, alguns, por medo, eram obrigados a isso... Enfim, não vou me aprofundar, pois não li nada mais sobre o assunto na vida do autor.

Mas essa edição da Abril Coleções, além de ser visualmente muito bonita, com capa dura e tecido, contém notas de rodapé que deixam o romance ainda mais rico. A história vale a pena ser lida.

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Editora: Abril
ISBN: 9788579710186
Ano: 2010
Páginas: 314
Tradutor: Rômulo Antônio Giovelli e Francisco Degani
Notas: Francisco Degani
Skoob
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¹Fonte: O Estadão

21 de jun. de 2013

Resenha: Ali Babá e os Quarenta Ladrões - As Mil e Uma Noites

Ultimamente estou bem curiosa com as histórias de As Mil e Uma Noites, essa vontade de conhecê-las surgiu quando li O Castelo no Ar, de Diana Wynne Jones, e logo busquei um dos mais conhecidos títulos, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, que na verdade ninguém tem certeza se sempre fez parte da coletânea ou foi colocado mais tarde.

Os contos dos livros As Mil e Uma Noites foram escritos há muitos anos, não se sabe exatamente por quem. É uma coletânea bastante conhecida no Oriente Médio e passou a ser difundida no Ocidente depois da tradução de Antoine Galland (1646-1715) para o francês em 1704, e conta a história de Sheherazade, uma mulher que depois de ter se casado com o sultão, que mandava cortar as cabeças de suas noivas no dia seguinte ao casamento, foi mais inteligente e todas as noites contava uma história, tomando o cuidado de interromper no momento mais interessante, deixando o marido sempre curioso para saber do final. Assim ele acaba se apaixonando pela esposa.

Em Ali Babá e os Quarenta Ladrões acompanhamos a história de Ali Babá, um pobre lenhador que precisa trabalhar muito debaixo de sol e chuva para sustentar a sua família.

Certo dia, enquanto corta lenha, se aproximam vários homens, mas Ali Babá consegue se esconder a tempo, subindo em uma árvore, também para saber o que tantas pessoas queriam ali.

Logo, percebe que são ladrões, então passa a ficar apreensivo. A sorte é que eles não percebem os três burrinhos parados ali perto. O que parece ser o chefe abre caminho por entre os homens, para em frente a um rochedo e grita: “Abre-te Sésamo!”. Ao falar a tão conhecida frase - quem nunca a ouviu? -, faz rolar uma grande pedra em uma passagem na montanha. Todos entram e passam um certo tempo lá.

Depois que os quarenta ladrões se vão, é a vez de Ali Babá, que já sabe o segredo da porta secreta, entrar. Ele consegue e lá dentro descobre um tesouro imenso! Para não dar muito na vista de que esteve ali, pega somente moedas, assim também seriam mais fáceis de negociar sem chamar a atenção de ninguém. E que fosse uma soma que pudesse dividir com conhecidos. Pega seus três burrinhos carregados de lenha e vai para casa.

Já em casa, mostra o tesouro à esposa, ela acredita que ele roubou alguém, mas depois tudo foi explicado e ficam bem. Então a mulher vai à casa de Cassin, seu cunhado, pedir um medidor grande à sua esposa.

Cassin e a mulher ficam bastante intrigados com a situação, pelo tamanho do medidor, eles não teriam tantos produtos para colocar nele. Então acabam por descobrir que o medidor serve para colocar moedas e saber, por alto, quanto de dinheiro eles têm.

Enquanto isso, os quarenta ladrões se dão conta de que falta ouro no esconderijo.

A ganância sobe à cabeça dos cunhados e a partir daí todos passarão por desafios, princípios desviados e demonstrações de amizade.

A história é rápida e simples, de leitura bastante agradável.

Ali Babá e os Quarenta Ladrões é o terceiro conto que leio e, sem dúvidas, me prendeu como os outros: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa e História de Simbad, o Marujo. Leia e se encante com essas histórias tão ricas.

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Editora: Hemus
ISBN: 8528903001
Ano: 2001
Páginas: 88
Skoob
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15 de jun. de 2013

Resenha [Estronho e Esquésito]: Protetores, de Duda Falcão


 Olá, leitores, tudo bem?

Venho trazer mais uma resenha de horror. Um gênero bastante adorado que aos poucos consegue seu lugar nas estantes dos livros nacionais.

Como vocês sabem, por parceria, os textos do gênero são postados sempre no site Estronho e Esquésito.

O livro da vez é Protetores, do gaúcho Duda Falcão, estreante no mundo dos romances, e já fazendo bonito! Antes o autor e editor da Argonautas havia se aventurado apenas em contos do gênero.

Então confiram a resenha e deixem suas opiniões.

Ótimas leituras!

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